Invisível aos olhos
13 Capítulo 13
Notas iniciais
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Caleb? Dylan? Eu não consigo me lembrar da voz, apenas do que ele falou. Meu corpo estava tão cansado que logo que a porta fechou, eu voltei a dormir. O que essa família tem afinal? Eu entendi que Matthew tem que fazer isso, mas os gêmeos também têm motivo para me beijar? Será que assinei algum papél que me colocou em algum harém de irmãos? Por que não me lembro de nada disso, não. Chander disse que o lobisomem tirou minha dor me tocando e Tom disse que não sabe curar, então menos dois nessa confusão.
Já é domingo. Meu irmão está lendo jornal na poltrona da sala, enquanto Tom joga videogame. Matthew está no leptop do outro lado da mesa de jantar e da última vez que vi Amon, ele estava no jardim, plantando alguma coisa. Não vi os gêmeos, nem a Pamela desde que acordei.
Os segundos viram minutos, e depois horas. Ficamos assim por muito tempo, cada um prestando anteção nos próprios negócios. Em algum momento Billy olha para mim, por cima do jornal, e depois para Matt e nega com a cabeça. Han? O que foi isso?
— Ele só está pensando: “por que meu filho não é igual a você, maninha?” – Olho para trás e vejo Chander. – Sabe como é... Ninguém é como você, Danda.
Consigo perceber que Matthew ficou irritado, por que cada vez que tecla alguma coisa, o som fica mais alto. Deve a ver algo com essa família... Além do óbvio. Viro o corpo para trás e vejo outro irmão com clareza. Quando Caleb brincou usando a palavra “transparente”, ele estava meio que certo. Comparado a mim, a cor de Chander é muito clara. Não acho que perceberia isso, se não tivesse prestado tanta atenção quanto agora.
— Diferente de Billy, eu não acho que alguem deveria ser. – Matthew parece aborrecido com a nossa conversa, e passa a digitar mais rápido. – Não vou conversar com ele, ou algo assim. Afinal, não tenho nada a ver com isso.
— Você parece energética hoje, irmã. Isso seria efeito do café? – Ele olha para minha caneca.
— Chan, isso é chá. – Vejo que o copo ainda está cheio e isso significa que eu não bebi quase nada.
Fecho o caderno e guardo as canetas dentro do estojo. Assim que me levanto, os homens na sala me acompanham com os olhos enquanto ainda penso o que vou fazer. Caminho até perto da televisão e Tom aperta no botão do meio para pausar.
— Menininho lindo do meu coração, gostaria de fazer algum passeio especial hoje?
Desde que acordei, fiquei pensando no que posso fazer para mostrar ao meu irmão que eu realmente gosto de Tom. Assim, daqui a um mês, ele me deixará cuidar do menino.
— Danda, não o chame assim! Eu fico com ciumes. – Chander segura na minha mão, enquanto o garoto moreno fica de joelho no sofá para me ver melhor.
— Eu quero passear! Mas mamãe nunca deixa... – Ele olha para a porta fechada do quarto de Pam. – Então, provavelmente passarei a tarde aqui ou no computador.
— Hum, eu acho que posso convencê-la. Ao menos posso tentar. – Meu sorriso é bem sincero, e dessa vez não tento ser simpática. Não preciso fingir, para Tom, sentimentos que eu não tenho.
Bato na porta de Pamela e espero.
— Minha esposa está meditando, maninha. – Do outro lado do cômodo, Billy parece estar prestando atenção em todos os meus movimentos. – E não acho possível que uma humana qualquer mude a opinião dela. Sem querer ofender.
— Já ofendendo. – Escuto o fantasma dizer, mas sei que Billy não ouviu nada.
Pam abre a porta e me olha. Depois de alguns segundos olhando para mim, percebo que sou eu quem deveria dizer alguma coisa.
— Desculpe-me por te incomodar enquanto você está fazendo sua mediação. Eu só queria saber se eu poderia...
— Ah! Cassandra. Foi mal. Não te vi aí. – Sendo que você estava olhando bem na minha direção. — Você poderia cuidar do Tomas hoje a tarde? Eu vou ter que ir ao trabalho e não confio muito em deixá-lo com os garotos. Acredito que não tenha faculdade nem trabalho hoje, não é mesmo?
Calma. Eu não vou precisar convencê-la de nada? Vai ser fácil assim?
— Não, senhora. Eu estaria livre hoje. Já terminei de fazer os exercicios da faculdade e Tommy parece ter terminado de jogar.
— Perfeito! Eu terei que pegar o carro agora mesmo, então se quiser posso dar uma carona. – Ela olha para o filho mais novo, que está chocado, e sorri. – Tomas, onde você quer que sua tia te leve?
Não é só ele que a está encarando abismado, Matthew e Billy também. Se nenhum dos dois está tranquilo com essa situação, mesmo depois de anos de convivencia, isso seria algo estranho. Não é?
— É... Eu nunca fui ao zoológico.
Pamela me olha com expectativa e seu rosto está muito sério, como se eu tivesse que dizer alguma coisa.
— Eu amo ir ao Zoológico, Tommy. Eu ia sempre quando estava no Canadá. – Sorrio para o menino assustado e estico a mão para que venha até mim. Sem saber muito bem o que fazer, ele vem devagar e me segura de uma forma mais lenta que antes. Ele parece assustado. — O único problema, senhora, é que nunca fui ao daqui... Acho que tem mais do que um em Ohio, mas nem sei qual é o mais próximo. E também... Said não voltou e Chander é tão novo na cidade quanto eu.
— Meninos! – A voz de Pam faz com que os pelos dos meus braços se arrepiem. A voz ecoa algumas vezes até todos os quatro irmãos estarem um ao lado do outro, na sala. – Gostaria de saber qual de vocês poderá levar a sua tia e seu irmão mais novo ao Zoológico.
Eu já imaginava que a situação estava estranha, mas pelo fato de não se olharem, nem se mexerem, acredito que isso está pior do que o costume. Todos desviam os olhos momentaneamente da mãe para mim.
O primeiro a falar é o Amon:
— Não gosto de ver animais enjaulados. – Acho que isso faz sentido.
— Eu tenho que estudar para a prova de amanhã. – Matthew parece estar mentindo, mas Pam não reage negativamente a isso. Menos mal.
Os gêmeos não se olham quando falam juntos:
— Então, escolha um de nós, mãe.
Seria algo que me daria vontade de rir. Eu já vi irmãos assim antes. Nunca tão bizarramente harmoniosos e nem que fossem do Outro Lado. Quer dizer... Isso eu não tenho certeza. Porém, nesse momento, eu não sei o que Pamela quer que eu faça. Nem eles, ao que me parece. E se ela é tão controladora quanto eu suspeitava, eu tenho medo do que essa mulher poder querer fazer comigo se eu disser algo errado.
— Ótimo. – Olhando para mim, ela esboça um sorriso genuino. Não parece estar fingindo, não parece ter nada de errado. Além da sua frase.— Então, Cassandra, qual dos meus filhos você quer?
Agacho-me um pouco e fico na altura do menino que realmente era para ser o assunto.
— Tommy, qual dos dois você se dá melhor?
— Eu não vejo diferença. – Ele parece sincero, e isso é pior para mim. Abaixando a voz, completa: — Nunca passei muito tempo com nenhum deles. Dy e Cal só se importam consigo mesmos.
E agora? Pamela continua a me olhar com expectativa.
— Acho que é algo que nenhum deles realmente queira fazer... Se não se incomodar, eu posso muito bem me virar sozinha. – Olho para a mulher e sinto como se um raio passasse pelo meu corpo. – Ou talvez outra pessoa pudesse escolher.
— Como outra pessoa, menina? É você que terá que aguentar um deles, não sou eu! – Ela parece animada, e isso não parece nem um pouco normal. Os dois ruivos continuam a me olhar esperando a resposta, enquanto os outros dois irmãos já sairam da formação.
Então, isso virou decisão minha, não é?
Isso tinha que acontecer depois de ontem à noite? Eu nem sei se quero descobrir quem foi que fez aquilo...
Olho para os dois garotos e ambos continuam sem expressão. Um deles me beijou e o outro provavelmente sabe. Então, se eu perguntar a qualquer um dos dois, de uma forma ou de outra vou saber. Se eu escolher o que tem menos probabilidade de ter feito isso, significa que não vou ter que pedir uma explicação. Minha mente está tão energizada que está começando a me irritar. O que tinha naquele chá?
— Está bem. Então, Caleb? Pode ser você? – Ele concorda com a cabeça e vejo a mulher do meu irmão sorrir. Uma das diferenças principais entre os ruivos é que Dylan é o sexy e o Caleb é o engraçado. Apesar de pelo visto, ninguém perceber isso. Sendo assim, a melhor escolha é o gemeo mais novo.
— Agora, vão se arrumar rápido. Tenho que está no escritório em uma hora. – Passando a mão na cabeça de Tom, ela acrescenta: — Tenho certeza que irá se divertir. O dia está lindo hoje!
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