Invisível
1 Observadora invisível
Notas iniciais
" Eu não me relaciono bem com as pessoas da minha idade. Talvez a verdade é que eu não me relaciono bem com pessoas, e ponto final "- Bella ( Crepúsculo)
Pov: Narradora
Ela pegou sua bandeja com apenas um sanduíche e um suco e se dirigiu a uma das mesas mais afastadas. Era a única vazia no refeitório já lotado pelos alunos barulhentos. Alguns conversavam sobre as aulas, outros se contentavam em espalhar fofocas e fazer brincadeiras uns com os outros. Ela apenas observava, uma mesa em particular: a dos populares. Nela estavam sentados os alunos considerados os mais importantes da escola: o capitão do time de futebol Emmett MacClister, a líder das líderes de torcida: Rosalie Hale, a presidente do Grêmio estudantil: Tânia Denalli, a presidente do blog de fofocas da escola: Alice Cullen, o capitão do time de basquete: Jasper Hale... E o maior bad boy da escola: Edward Cullen.
Ele estava com a metade superior do corpo deitada na mesa, seu queixo apoiado nos braços. Usava seu estilo habitual ; calça jeans preta apertada e uma blusa de frio também preta, com o capuz sobre a cabeça deixando apenas uma mexa dos seus cabelos cor de bronze a vista. Ele era motivo de muitas brigas na escola. Seu sorriso charmoso, seu olhar safado e sua pegada, fisgava muitas garotas. Afinal que garota não gostaria de entrar no banco de trás do Volvo ou passar uma noite na cama de Edward Cullen ? Que garota não gostaria de apenas um beijo dele de tirar o fôlego ? Algumas eram privilegiadas, outras não. E assim amizades acabavam e rivalidades aumentavam e não só entre as alunas, entre professoras também. Mas ele estava disponível para todas elas: mais velhas ou mais novas.
Porém era também o motivo do coração de Bella estar acelerado, suas mãos estarem suando frio, seu estômago estar cheio de borboletas, e do seus olhos castanhos não desviarem daquela mesa. Era a única garota daquela escola que não olhava para aquele demônio de sorriso matador e olhos verdes, e bolava mil e um planos para acabar na cama dele ,ou sendo imprensada de jeito, em uma parede com ele fazendo maravilhas com o seu corpo. Bella não era assim. Ela era essencialmente boa, gentil. O tipo de pessoa que sempre se dá mal por ser ingênua demais e amorosa demais. E para seu azar o seu coração bateu mais forte justo por ele. Ela não sabia dizer com precisão quando se apaixonou por Edward. Talvez quando ele chegou a cidade a cinco anos atrás e a mãe de Bella inventara de fazer política de boa vizinhança e ir visitar Esme Cullen e o marido Carlisle Cullen. Foi aí que viu ele pela primeira vez. É claro que era muito diferente do que é agora, seu corpo era magro em roupas muito folgadas, seu cabelo tinha uma franja que cobria completamente a testa, e também era um garoto como outro qualquer que gostava de implicar com outras garotas, principalmente as amigas da sua irmã mais nova, Alice,e tinha hábitos nojentos. Ele mudou, e muito, isso ela tinha que admitir, não só na aparência quanto nas "prioridades". Mas algo não tinha mudado; para Edward, Bella nem mesmo existia, era invisível. Naquela época ela não se importava, e agora também não. Não era da natureza dela ser ousada ou buscar atenção , não se queixava por não ser notada. Ela que escolheu ser assim.
Sabia que sua vida não era como em um daqueles romances que ela amava ler, em que o garoto lindo e rico acabava se apaixonando pela nerd sem graça e feia, não, ela não era tão iludida assim. Mas também não queria nada dele, se contentava em apenas olha-lo de longe. Mas havia dias ( como hoje) em que ela queria ser corajosa, porque desejava e muito falar com ele quando ele ficava assim: parecendo triste e cansado, muito cansado.
É claro que ninguém notou isso por trás dos sorrisos que ele dava. Uma pessoa como as outras não nota, nunca. Elas vêem o que você quer que elas vejam, e não importa que seja uma mentira, ninguém investiga a fundo porque não se importam. No fundo sabemos que estão mais preocupadas com si mesmas.
Pov; Bella
Em determinado momento enquanto eu comia meu sanduíche sem tirar os olhos daquela direção, uma garota ruiva parou ao lado dele. Era Victória Delmas uma das líderes de torcida. Ela colocou a mão no ombro dele e sussurrou algo em seu ouvido. Ele retribui com um sorriso safado se levantando logo em seguida exibindo um chupão escuro no pescoço. Os dois caminharam em direção a saída. Era sempre assim. Será que ele nunca se cansava ? Minha avó Marie sempre dizia que quando insistimos em fazer algo errado é apenas para suprir algum tipo de necessidade ou carência maior. Do que Edward tanto precisa e não consegue ? Mas acho que entendo essa carência que as vezes enxergo em seu olhar, a sua mãe morreu a dois anos e pelo que minha mãe disse, Carlisle mudou depois disso. Parece que esqueceu que tem dois filhos para cuidar. Não podia culpar Edward por ser assim, porque só de pensar em perder minha adorável, divertida e estranha mãe, meu coração apertava de um jeito doloroso. Eu ficaria sem chão.
Quando olhei em volta o refeitório já estava quase vazio. Isso acontecia frequentemente quando eu acabava me distraindo em pensamentos ou quando estava lendo um livro. O tempo, o lugar, simplesmente parecia não existir para mim. Me levantei e me encaminhei para a aula que menos gostava: biologia. No caminho acabei tropeçando em meus próprios pés e tive que me apoiar na parede para não levar um tombo. Suspirei. Se eu fosse tão boa em me enturmar quanto sou em cair e me machucar... Meus problemas estariam resolvidos. Entrei na sala e me sentei na primeira carteira a esquerda. Eu era a única que não tinha colega de bancada. Enquanto a aula não começava fui fazer uma das coisas que mais gostava além de ouvir música ler : desenhar.
— Oi — uma voz interrompeu minha concentração. Olho para frente e me deparei com Ângela Weber que me encarava com um pouco de incerteza no olhar. Seu cabelos era lisos e castanho, amarrado em um rabo de cavalo froxo, seu rosto pálido e com os mesmos olhos que os meu só um que de um castanho mais escuro. — Eu sou Ângela Weber.
Eu sabia é claro. Ângela era uma das principais repórteres do jornal da escola.Apenas acenei com a cabeça em resposta .
— Então qual o seu nome ? — perguntou ela. Nos conhecíamos a cinco anos e ela não sabe nem o meu nome, isso mostra como é minha vida social.
— Bella. — respondi rapidamente antes que eu entrasse em pânico. Eu realmente não consigo falar com alguém por muito tempo.
— Bella ? Prazer. Então sábado vamos ter um evento só de garotas na minha casa. E eu convidei toda a escola e gostaria que você fosse também.- Disse ela. Eu não estava acreditando. Alguém estava me convidando para uma festa ?
— Vi o seu nome na chamada — continuou ela antes que eu pudesse responder. — E fiquei curiosa. Sem falar que não quero nenhuma garota da turma de biologia de fora. E aí topa ?- Eu era da sua turma de História, trigonometria, inglês e Educação física também. Achei melhor não mencionar esse fato.
— E-e-e- ntão e-eu não v-vou conseguir ir p-porque — comecei e parei quando percebi que estava gaguejando e estava mais vermelha que tomate. E isso devia ao fato de Ângela está me encarando. Apenas balancei a cabeça negando e ela saiu assustada. Ótimo a primeira pessoa que vem falar comigo e eu faço besteira. E esse é o motivo pelo qual só observo as pessoas, eu não consigo falar normalmente com alguém além dos meus pais. Eu fico vermelha gaguejo, e não saí nenhuma palavra compreensível. É humilhante.
Fico de olho na porta na esperança de que ele apareça mas o professor entra na sala e meia hora depois, perco as esperanças de vê-lo novamente hoje. Educação Física se provou uma verdadeira humilhação. Fui a única que não fui chamada para praticar handebol. Os motivos, eu nem quero saber. Caminho rapidamente em direção ao meu carro ( um Chevy ) enquanto a chuva molhava meus cabelos.Entrei na pickup e o motor rugiu quando liguei a ingnição. Meu carro podia ser um pouco velho mas eu gostava. Foi um presente de Charlie, meu pai. Enquanto observava em volta para sair do estacionamento vejo Edward a três carros de distância encostado na porta do seu carro aos beijos com uma garota loira e e pela forma como ele apertava os seios dela, logo logo viraria um sexo selvagem. Saí dali sem olhar para atrás.
Com o tempo me contentei em ser apenas uma observadora invisível.
Notas finais
Bjs. Até a próxima !
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