Invisível

1 Capítulo único


Notas iniciais
Nem sei se isso pode ser considerado shounen-ai, já que ficou apenas em uma simples insinuação, mas... Ah, eu gostei dessa fic. Pode ser curta, mas surgiu totalmente do nada e eu gostei dela. Espero que quem leia também goste *---*

Ninguém me enxerga.

Ninguém lembra da minha existência.

Ninguém percebe minha presença.

Ninguém liga para o quanto isso me machuca, porque ninguém presta atenção o suficiente para notar.

Até mesmo meu irmão, tão forte, tão notável, tão heróico, às vezes se esquece.

Como todos os outros.

Como ele.

Aquele que eu mais gostaria que me notasse, que me visse e me aceitasse do jeito que sou. Sem brilho, sem destaque em nada.

Mas é inútil.

A reunião logo chegou ao fim, e enquanto a maioria dos países se retiravam da grande sala ainda discutindo o que tinham começado enquanto eu falava o que tinha preparado para este dia, eu permaneci sentado, apenas olhando para o outro extremo da mesa. Onde duas pessoas conversavam animadamente, como os bons amigos que eram.

Francis e Antonio.

Francis...

Por um tempo que eu não sabia determinar, eu continuei daquele mesmo jeito. Sentado sem nem mudar de posição, olhando para o francês do outro lado, não enxergando o espanhol com quem ele falava.

Mesmo que seja em silêncio, mesmo que ele não me note, neste momento eu me sinto... Bem. Chega a ser patético, eu sei, mas já que eu não posso fazer mais do que isso, se eu puder ficar observando-o sem que nem ele nem ninguém perceba, até que ser invisível aos olhos de todos tem seu lado bom.

Mas assim que esse momento passa e eu não mais o tenho enquandrando minha visão, olho em volta e não o encontro, vêm a tristeza, a decepção.

Tristeza por saber que nunca seria mais do que isso. Um admirar de longe, um sentimento sem poder ser revelado, um desejo a nunca ser realizado. E é nessa hora que o lado positivo de ser invisível desaparece como se nunca tivesse existido.

Decepção comigo mesmo por não fazer nada para mudar isso, por não ter coragem de tomar uma atitude, por ter medo de que ao fazer algo, eu perca até mesmo esse pouco que eu tenho agora.

Toda vez é igual.

Nada muda.

Porque eu tenho medo de mudar.

Porque por mais que eu deteste meu estado atual, o bem-estar passageiro que me invade nesses curtos momentos me faz esquecer disso.

Solto um fraco suspiro e me levanto, também indo embora. Mas quando acabo de passar pela porta da sala de reuniões...

– Mon ami, você parece uma criança! – a voz que eu tanto conhecia, que eu tanto gostava, falou dividida entra divertida e lamentosa.

– Ahhh... – o espanhol ao lado exclamou baixo ao olhar para baixo e ver a frente de sua camisa vermelha toda molhada, provavelmente obra do bebedouro que havia entre eles.

Parei por um instante ao vê-los, mas logo voltei a andar.

Podia sentir o perfume doce no ar ao passar ao lado deles, e para minha enorme surpresa, não foi a única coisa que eu senti.

Estaquei no lugar na exata hora que senti uma grande mão no topo da minha cabeça, carinhosa e... Quente. Olhei surpreso para Francis, e ele sorria para mim. Não era o sorriso comum dele, o que ele mostrava todos os dias. Era diferente, passava a mesma sensação que a mão dele ao afagar gentilmente meus cabelos.

– Até semana que vem, Matthew. Esteve ótimo no discurso de hoje.

Ele me ouviu.

Ele percebeu minha presença.

Ele me viu.


Notas finais
E então? Mereço reviews? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!