Invisible Play - Press Start
7 Trabalho em Equipe
Notas iniciais
—Hoje vamos fazer algo diferente, vocês já entendem o básico da manipulação de mana então está na hora de aplicar isso em combate real. -Explicou Lyonel.
Kurokawa lentamente abriu um sorriso maligno no seu rosto:
—Não, vocês não vão lutar contra mim. -Continuou Lyonel. -Você está se tornando previsível, pirralho.
—Tsc... -Reclamou Kurokawa.
—Grande parte das lutas no mundo de IP são travadas em grupos então é nisso que vamos nos focar hoje. -Disse Lyonel se aproximando da sua casa. -Amor, traz um distintivo de batalha por favor.
—Distintivo de batalha...? -Perguntou Lizzy.
—É um item bem útil, é muito mais fácil mostrar o que ele faz do que explicar. -Respondeu Lyonel.
Roberta caminhou com calma até Lyonel e entregou-lhe um pequeno e não muito espesso pentágono com uma caveira cravada em um dos lados:
—Se aproximem, amor, eu também vou precisar que você venha. -Falou Lyonel. -Ativar.
Um grande círculo se expandiu à baixo dos pés de Lyonel e no instante seguinte, todas aquelas pessoas estavam no centro de uma caverna com cinco entradas distribuídas igualmente:
Lyonel e Roberta se afastaram do resto do grupo pulando para cima de uma grande pedra:
—A partir de agora vocês vão ser atacados por várias hordas de monstros, trabalhem juntos e tentem sobreviver. -Explicou ele assumindo uma posição confortável.
Kurokawa sacou Eclipse, Lizzy as suas adagas, Sasesu o seu martelo e Takeda apenas cerrou seus punhos. Um aviso surgiu:
—Horda 1.
Rapidamente uma grande quantidade de pequenos monstros humanoides verdes começaram a surgir das entradas da caverna. Portando armas rudimentares feitas de pedras, eles começaram a correr em direção ao grupo de Kurokawa. Kurokawa imediatamente focou mana na sua espada e disparou uma rajada de energia negro que explodiu tudo que estava saindo de três entradas da caverna. Ele virou-se e com precisão disparou outra rajada de energia negra na direção das outras duas entradas restantes. Outro aviso surgiu:
—Horda 1 finalizada.
Lyonel começou a bater palmas:
—Bom trabalho, Kurokawa! -Ele pegou uma pedra e derrubou Kurokawa usando-a. -Ótimo trabalho! Você acabou de usar um quarto da tua mana! Na primeira horda!
—Para de encher o saco, tio! -Retrucou Kurokawa levantando. -Eu vou dar um jeito!
Um novo aviso surgiu:
—Horda 2.
Mais monstros começaram a aparecer, dessa vez, os goblins usavam armaduras de couros e era possível ver alguns carregando arcos e flechas:
—Somos quatro pessoas, mas existem cinco entradas. -Disse Sasesu. -Kurokawa, você consegue cuidar de duas entradas sozinho?
Enquanto esperava por uma resposta, Sasesu percebeu que Kurokawa já tinha disparado em direção ao inimigo e nem sequer tinha ouvido. Sasesu suspirou decepcionado:
—Tanto faz então.
O grupo sofreu algum dano, mas eles foram capazes de eliminar aqueles monstros sem muitas dificuldades:
—Vocês têm a coordenação de quatro batatas assadas. -Comentou Lyonel. -Chega a ser impressionante.
—Kurokawa só faz o que quer! -Reclamou Sasesu.
—Não é minha culpa que vocês não conseguem me acompanhar! -Retrucou Kurokawa.
Lyonel apenas observou a situação enquanto balançava a sua cabeça:
—Horda 3.
A quantidade de monstros parecia maior do que antes e todos eles possuíam armaduras metálicas dessa vez. Kurokawa novamente dispara sem pensar sobre as consequências de suas ações e começa a sofrer danos devido à grande quantidade de inimigos. Sasesu, Lizzy e Takeda não conseguem se defender de todas as direções e rapidamente começam a ser pressionados. Lyonel perde a paciência vendo aquilo tudo:
—PARA!!
Todos os monstros desaparecem enquanto sua voz ecoa pela caverna:
—Vocês todos estariam mortos se os vossos oponentes fossem um pouco mais competentes! -Repreende ele. -Kurokawa, quantas vezes você pretende tentar matar os teus companheiros? Como o teu cérebro de passarinho não entende que você não está lutando sozinho? Takeda, Lizzy e Sasesu, vocês podiam ter aproveitado toda a atenção que Kurokawa atraiu, mas não, vocês decidiram ficar parados à espera que os vossos inimigos tivessem tempo para fazer um cerco. Eu vou dar cinco minutos, usem esse tempo para conversar e montar uma estratégia.
Kurokawa sentou-se no chão de pernas cruzadas com um olhar dessatisfeito no seu rosto enquanto Lizzy, Sasesu e Takeda olhavam uns para os outros sem saber o que dizer:
—Olha que fofo, amor. -Comentou Lyonel. -Eles estão envergonhados porque levaram um sermão.
—Eu vou definitivamente descer a porrada no teu pai um dia, Lizzy... -Disse Kurokawa.
—Eu te admiro por conseguir dizer isso com confiança. -Respondeu Lizzy.
—Nosso grupo é bastante desbalanceado, tudo o que nós sabemos fazer é lutar no corpo-a-corpo. -Comentou Sasesu. -Precisávamos de alguma variedade para distribuir posições.
—Quem disse que você era o líder? -Retrucou Kurokawa.
—Ninguém, eu estou sugerindo coisas. -Respondeu Sasesu num tom intimidante, porém calmo. -Se você quiser dizer alguma coisa, eu vou escutar.
—Eu consigo usar qualquer tipo de arma, então eu posso ocupar qualquer posição. -Disse Takeda.
—Eu acho que tenho um arco e flechas comigo. -Respondeu Lizzy abrindo o seu inventário. -Sim, está aqui, pega, Takeda.
—Obrigado.
—Ei, Kurokawa, você é a pessoa mais forte desse grupo, certo? -Provocou Sasesu.
—E se eu for?
—Então alguém tão forte assim não teria medo de servir de isca contra monstros tão fracos, certo?
—Isca? Eu vou destruir todos eles antes mesmo de vocês terem tempo de reagir!
—Perfeito. -Respondeu Sasesu. -O plano é simples, o Kurokawa vai disparar na direção de uma das entradas, nós vamos segui-lo, enquanto ele atrai a atenção da maioria dos inimigos, nós três vamos tentar eliminar o maior número possível deles. Logo em seguida, Takeda vai se posicionar na frente dessa entrada, eu e Lizzy vamos tentar protegê-lo enquanto Kurokawa avança em outra direção aleatória atraindo a atenção dos monstros. Entenderam?
—Basicamente, o Kurokawa faz o que quer e vocês dois me protegem? Parece um bom plano. -Disse Takeda.
—Concordo! -Sorriu Lizzy.
—O tempo acabou. -Disse Lyonel. -Vou reiniciar a horda 3.
Novamente, monstros começaram a surgir das entradas:
—Vamos lá! -Gritou Takeda animado.
Kurokawa pulou no meio da confusão e dilacerou os monstros na sua frente. Takeda sacou uma flecha e instantaneamente derrubou um inimigo. Kurokawa sentiu um ataque ser desferido, mas sem tempo para desviar, decidiu se preparar para o impacto. Porém, quando olhou novamente para seu inimigo, ele já havia sido derrubado por Lizzy. Num instante, todos os inimigos de uma entrada haviam sido derrotados:
—Eu estou ficando sem flechas! -Gritou Takeda.
Lizzy se afastou um pouco do grupo e retornou alguns segundos mais tarde com várias flechas:
—Sasesu, se você roubar as flechas dos monstros antes de matá-los, elas não desaparecem mesmo depois de eles morrerem. -Explicou ela.
—Vou tentar fazer isso. -Respondeu ele.
Percebendo que Kurokawa estava muito distante do grupo, Lizzy e Sasesu decidiram afastar-se um pouco de Takeda para irem ajudá-lo. Sem ajuda, Takeda começou a lentamente ser cercado, percebendo que um arco não era muito útil no combate corpo-a-corpo, ele simplesmente usou as suas mãos para derrotar seus inimigos. Passados alguns minutos, todos os monstros haviam sido eliminados e o grupo havia sofrido danos mínimos:
—Desculpa por ter te deixado sozinho. -Disse Sasesu um pouco decepcionado consigo mesmo.
—Não tem problema, eu desci a porrada neles sem muitos problemas. -Respondeu Takeda.
—Ei...descer a porrada é uma expressão minha... -Interferiu Kurokawa.
—O Takeda é muito roubado, normalmente arqueiros são fracos no combate corpo-a-corpo, mas você é ainda mais forte. -Riu Lizzy.
—Bom trabalho. -Disse Lyonel batendo palmas. -Agora vocês demonstraram a coordenação de batatas cruas.
—Amor, eu não sei se essa é uma boa analogia... -Comentou Roberta.
—Eu também não para ser sincero, mas eu já a usei duas vezes, se eu parar agora vai parecer que eu não tenho confiança no que digo. Eu tenho que parecer legal na frente das crianças, amor. -Sussurrou Lyonel.
—Até quando vamos fazer isso, tio? -Perguntou Kurokawa.
—Até um de vocês morrer, e quando isso acontecer, a Roberta vai curar-vos e vocês vão continuar. -Respondeu ele.
—O teu pai é um monstro. -Disse Kurokawa.
—Eu tenho quase certeza que isso viola várias partes do estatuto da criança e do adolescente. -Comentou Sasesu.
—Eu sei... -Sorriu Lizzy com tristeza e várias recordações dolorosas nos seus olhos. -Eu tive uma infância difícil...
—Meus pêsames... -Disse Takeda.
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