Invisible Play - Level Up

7 O Significado de Estar Vivo


Notas iniciais
Boa leitura!

Lizzy abriu a porta da casa de Kurokawa e percebendo que tinha alguma fome, decidiu começar a preparar o jantar:

—Será que Kurokawa volta para casa hoje?

O sol já havia se posto há algumas horas e um pouco longe dali os olhos de Kurokawa já estavam habituados com a escuridão, e ele prosseguia o seu massacre. Ele fez um ataque com suas garras e dividiu mais um golem em pedaços. Aquela criatura desfez-se em pequenas partículas brilhantes e Kurokawa sentou-se no chão enquanto bocejava:

—Isso está ficando entediante...

Ele sabia que se esperasse alguns minutos, outro golem surgiria próximo à sua posição atual, mas ele já estava cansado dessa monotonia e então decidiu explorar o resto da montanha. Levantou-se e começou a correr em direção ao pico. Algumas dezenas de metros à frente, o chão tremeu e ele percebeu que outra criatura estava prestes a surgir. Já acostumado a tudo aquilo, ele pulou e no momento em que a criatura se formou, ele destruiu-a com um ataque. Kurokawa continuou correndo como se nada tivesse acontecido.

Um pouco mais a frente o chão tremeu novamente, ele dessa vez colocou suas garras no lugar onde a criatura nasceria e, no momento em que isso aconteceu, despedaçou-a de dentro para fora. Kurokawa suspirou entediado e continuou a correr até um aviso surgir:

—Nível mínimo recomendado para esta área — 40.

Ele sorriu e correu mais depressa do que antes. Alguns metros dentro da nova área e subitamente o chão a sua frente rachou e uma grande mão feita de rochas tentou agarrá-lo. Kurokawa deu um passo para trás e viu um golem duas vezes maior que aqueles que ele tinha enfrentado sair do chão:

—Interessante...

O monstro tentou atingi-lo, claramente mais rápido do que os anteriores, mas ainda muito devagar para Kurokawa. Ele esquivou-se do ataque e decepou o braço da criatura, que caiu no chão fazendo um grande estrondo. O golem urrou e Kurokawa começou sua investida, desviando de mais um ataque e desferindo dois ataques no tórax da criatura com suas garras. O monstro foi empurrado para trás com a força do ataque e teve uma parte das rochas que compunham o seu corpo arrancadas:

—Não consegui atravessar... -Pensou Kurokawa percebendo que a resistência da criatura era bastante alta. -Muito interessante...

Ele arrancou as duas pernas da criatura com as suas garras e começou a retalhar o corpo daquilo com uma barragem de ataques. Alguns segundos depois já não restava nada. Ele respirou fundo um pouco cansado, sorriu e continuou a correr em direção ao topo da montanha. Alguns metros mais a frente, outro golem surgiu e Kurokawa livrou-se dele tão rapidamente quanto o anterior. Ainda mais a frente, dois surgiram juntos dessa vez e apesar de ter tido alguma dificuldades, Kurokawa destruiu-os.

Na casa de Kurokawa, Lizzy terminou de jantar, guardou alguma comida para Kurokawa na geladeira e dirigiu-se para a sala na intenção de dormir. Ela estava bastante cansada e já tinha perdido as esperanças de que Kurokawa fosse retornar hoje. O sofá de Kurokawa era mais confortável do que parecia e depois de estar nesta casa durante vários dias, Lizzy só recentemente tinha recebido o direito de ter um travesseiro.

O sol começou a nascer no horizonte e algumas horas mais tarde, Lizzy abriu seus olhos. Ela imediatamente percebeu que Kurokawa ainda não tinha voltado para casa e tentou ligar-lhe. Mas como sempre, Kurokawa não atendeu. Preocupada, mas sabendo que ele normalmente conseguia sobreviver às confusões em que se metia, ela decidiu continuar a ler o livro que pegou na biblioteca de Euler. Talvez assim ela fosse capaz de conseguir mais informações sobre o mistério das Bestas Lendárias.

Kurokawa havia descoberto no dia anterior que se ficasse parado na exata posição onde havia derrotado o último golem, um próximo não apareceria e utilizou essa informação para conseguir algumas horas de descanso. Ele abriu os seus olhos sem sequer lembrar-se de como havia adormecido ou de onde estava. Com a sua barriga faminta, ele abriu seu inventário e percebeu que seus sacos de caramelos estavam chegando ao fim. Ele também podia perceber que o topo da montanha estava próximo:

—Tenho que acabar isso hoje...

Kurokawa respirou fundo e retomou o seu objetivo. Mal ele deu o seu primeiro passo, outro golem surgiu e tentou atacá-lo:

—Garras da besta! -Sorriu ele se preparando para atacar.

Ele continuou a sua escalada até o topo da montanha derrotando incontáveis monstros no caminho. As criaturas tornavam-se mais agressivas, rápidas, resistentes e inteligentes conforme ele aproximava-se do pico. Mas Kurokawa ia adquirindo novos níveis e sua inabalável vontade sempre o fazia vencer, independente dos ferimentos que o seu corpo sofresse. Ele fazia pausas quando achava que fosse necessário para recuperar a sua mana e dar tempo de seus machucados curarem.

O pôr do sol estava prestes a acontecer quando ele deu um passo que mudou tudo:

—Chefe da zona adiante! -Informou o aviso.

Era exatamente isso que ele esperava. Algum desafio maior do que todos aqueles que ele havia enfrentado. Algo para concluir essa aventura da forma mais emocionante possível. Ele atravessou o aviso e todo o chão à sua volta começou a tremer. Um aglomerado de rochas maior do que qualquer coisa que ele havia visto rapidamente começou a se formar. O seu coração batia rápido, mas sua mente permanecia calma.

Aquele mundo era exatamente tudo pelo qual ele sempre desejou. Como um presente divino para recompensar todos os dias miseráveis da sua vida. A única coisa que podia dar significado a sua existência. Todas as células do seu corpo gritavam em harmonia:

—Eu nasci para isso.

Com as suas garras mais afiadas do que nunca, a sua concentração inquebrável, os seus instintos à flor da pele, a sua visão capaz de identificar os movimentos mais sutis da criatura, ele disparou. Kurokawa arrancou um pedaço do amontoado de rochas e continuou atacando sem fazer pausas. Mas não houve reação. Aquilo continuou juntando mais rochas ao seu corpo e crescendo como se não tivesse sequer reparado na presença de Kurokawa.

Finalmente algo que podia ser chamado de cabeça formou-se a mais de sete metros do chão. O gigantesco golem encarou Kurokawa. A diferença de tamanho era assustadora, aquilo não era algo que um ser humano podia derrotar. A criatura urrou, o que por si só teve força o suficiente para empurrar Kurokawa alguns centímetros para trás. Por fim reconhecendo-o como um inimigo, o monstro levantou o seu punho e desceu na direção de Kurokawa.

Ele esquivou-se, mas o impacto do ataque do monstro contra a superfície formou uma pequena cratera e arremessou-o para longe. Kurokawa levantou-se rapidamente apenas para esquivar por pouco de outro ataque da criatura. Os seus braços eram muito longos e por isso o alcance dos seus ataques era muito difícil de prever. Ele tentava acostumar-se com a velocidade da besta enquanto procurava por oportunidades de atacar.

Mais um ataque, Kurokawa abaixa-se e arranca alguns pedaços do braço daquilo. Ele correu em direção ao corpo do monstro, pulou e cravou as suas garras o mais profundo que conseguiu. Kurokawa começou a desfazer as pedras que integravam o peito do golem. A criatura tentou atingi-lo, mas Kurokawa desviou-se, o que fez o golpe acertar o próprio monstro. Aquilo perdeu o equilíbrio e caiu no chão:

—Seu pedaço de pedra estúpido! -Gargalhou Kurokawa correndo em direção à cabeça do seu inimigo.

Ele enfiou as suas garras onde os olhos daquilo deveriam estar e começou a tentar rasgá-lo. A criatura, claramente sentindo o mais próximo que podia experienciar de dor, urrou novamente. Kurokawa estava muito próximo e por isso foi brevemente atordoado pelo grito. E essa pequena brecha foi tudo o que monstro precisou para enviá-lo para longe com um soco. O contato entre o punho da besta e o corpo de Kurokawa quebrou vários de seus ossos.

Ele levantou-se com bastante dificuldade percebendo que tinha perdido metade de sua vida naquele ataque:

—Bem injusto você quase me matar com um ataque...e eu precisar de dezenas para te ferir... -Sorriu ele. -Mas isso só fará minha vitória mais doce quando eu te destruir...

Kurokawa não duvidava da sua vitória por nem um segundo, mas a situação ficou ainda mais complicada quando ele viu o golem se levantar. O dano que ele havia causado lentamente desaparecia quando pedaços do chão eram absorvidos pela criatura:

—Preciso terminar isso rápido...se isso continuar se regenerando dessa forma, eu vou acabar por ficar sem energia e morrer...

Ele disparou mais uma vez na direção do seu oponente, mas o monstro reconheceu-o como um inimigo digno e bateu os seus dois punhos contra o chão, ativando uma habilidade. Rapidamente a sua volta, quatro outros golems menores começaram a se formar:

—Merda...

Os novos monstros imediatamente começaram a atacá-lo, mas ele decidiu ignorá-los e avançar na direção do chefe para impedir que ele tivesse mais tempo para regenerar. Kurokawa desviou de um ataque, pulou por cima de uma das criaturas, derrubou outra e tentou correr. Mas num segundo de desatenção, uma delas agarrou a sua perna. Ele cortou o braço daquele monstro com suas garras, soltou-se, caiu no chão, rolou para desviar de um ataque e levantou-se.

Contrariando as suas expectativas, o chefe não manteve distância para regenerar-se. Ele aproximou-se e desferiu um ataque, Kurokawa ocupado com os outros quatro golems só percebeu aquele ataque quando já era tarde demais. Ele apenas teve tempo de bloquear o ataque com suas garras. Elas foram destruídas e Kurokawa foi arremessado em direção ao topo da colina. Ele rolou enquanto vomitava sangue. Ter se defendido foi a pequena diferença que lhe permitiu permanecer consciente e vivo.

A sua vida estava extremamente próxima do fim, a sua visão estava turva e o seu corpo dormente. Ele tentou levantar-se, mas o máximo que conseguiu foi apoiar-se em seus joelhos. Os monstros caminhavam em sua direção e tudo parecia perdido. Foi nesse momento que duas vozes ecoaram em sua cabeça:

—Ei, não desista agora! Venha cá, podemos te ajudar!

—Você nem é tão mal assim, temos o poder que vai te fazer vencer!

Kurokawa olhou na direção de onde as vozes vinham e não viu ninguém. Ele arrastou o seu corpo exausto naquela direção e viu uma espada cravada no chão:

—Estou morrendo...e devo estar alucinando por causa disso...

—Não, seu animal! Pega a espada logo!

—Sim, senão você vai realmente morrer!

Naquele ponto, não era como se ele tivesse muitas opções então Kurokawa decidiu seguir o conselho de suas possíveis alucinações. Usando mana para mover o seu corpo, ele retirou a espada do chão e imediatamente sentiu uma grande quantidade de mana fluir por seu corpo. Aquela não era uma espada normal. Ele sabia que não tinha muito tempo sobrando até desmaiar e por isso disparou na direção dos seus oponentes.

Com a sua consciência esvaindo a cada segundo, ele dilacerou um golem ao meio, esquivou de um ataque, cortou as pernas de outro, pulou para cima deste e depois pulou em direção ao chefe. A sua espada começou a irradiar uma energia branca e preta. E quando ele a balançou tudo em seu caminho foi dividido. Todos os monstros à sua volta começaram a se desfazer em partículas brilhantes enquanto Kurokawa observava a situação surpreso.

Nem mesmo ele imaginou que seu ataque seria tão poderoso, mas sem tempo para procurar respostas para suas perguntas, seu corpo chocou-se contra o chão inconsciente:

—Merda, ele morreu... -Disse uma das vozes.

—Não, calma, ele só está dormindo... -Comentou a outra.

Notas finais
E Kurokawa retorna derrotando seu primeiro grande inimigo, e de brinde consegue uma espada falante? Melhor que isso não fica.