Notas iniciais
O que é isso? Um capítulo postado no dia certo? Milagre! Boa leitura!

Kaiser caminha por Masteam enquanto come uma maça que havia pedido a Sasesu várias horas atrás. Ele sabia que o seu grupo estava sendo seguido à distância todo esse tempo, mas ainda não conseguia identificar o objetivo da pessoa que os observava. Após terem se separado para explorar Masteam, Kaiser sentiu a presença desse observador desapareceu:

—Desculpa, Lizzy, sei que estamos aqui para procurar o fragmento do mapa, mas tenho que descobrir uma coisa primeiro. -Pensa ele enquanto abre o seu mapa e procura as posições dos restantes membros do grupo. -A pessoa mais próxima é Sasesu então vou começar por aí.

Kaiser ativa uma habilidade chamada Ponto de Referência que lhe permite marcar um ponto no mapa e aumentar imensamente a sua velocidade quando se movendo na direção desse ponto. Ele movimenta-se o mais rápido que pode até conseguir ver Sasesu. Mas ao invés de revelar a sua presença, Kaiser segue-o durante alguns minutos e percebe que Sasesu não está sendo observado por outra pessoa:

—Só havia uma pessoa nos seguindo então quando o nosso grupo se separou essa pessoa teria apenas duas opções: recuar ou escolher alguém do nosso grupo para seguir. -Pensa ele observando o seu mapa. -Assumindo que seja a segunda opção, se eu descobrir quem está sendo seguido talvez consiga entender porque isso está acontecendo.

Kaiser ativa novamente Ponto de Referência e dessa vez move-se em direção a Takeda. Enquanto observa-o à distância, ele começa a sentir vestígios da presença de alguém escondido. Após alguns minutos, ele é finalmente capaz de identificar de onde a presença vem:

—Ótimo, a pessoa que está seguindo Takeda não me viu ainda. -Pensa Kaiser silenciosamente se movendo entre destroços até uma figura vestida em trapos negros entrar no seu campo de visão. -Não consigo ver o rosto dele por causa do capuz...acho melhor não fazer nada precipitado por enquanto. Ainda tenho que conferir Lizzy e Kurokawa de qualquer forma.

Ele abre o seu mapa e percebe que Kurokawa está na outra ponta de Masteam e Lizzy está fora da cidade:

—O que esses dois estão fazendo...?

Longe dali Kurokawa dá socos na muralha de Masteam:

—Mapa de merda!!!!! -Grita ele furioso. -No mapa aparece que tem uma área que falta explorar em frente, mas não tem nada!!! Se eu seguir em frente eu saio da cidade!!! Quem foi o animal que fez isso??

Ele sobe em cima da muralha e observa os seus arredores:

—Tem que ter algum tipo de caminho secreto por aqui. Dentro da muralha? Não...No céu?

Ele pula o mais alto que pode, mas não vê nada:

—Também não!!! Eu vou destruir isso tudo se for preciso!!! -Grita ele atacando aquela estrutura defensiva de novo.

O impacto é forte o suficiente para fazer cair um grande pedaço da muralha cair no chão. Um estrondo alto é ouvido, poeira é levantada e um breve som metálico é emitido. Kurokawa tosse enquanto se afasta da muralha:

—Que barulho foi aquele?

Ele vê que a tampa de um bueiro tinha saltado quando o pedaço da muralha caiu no chão:

—Ah, foi só isso...

Ele observa aquilo durante alguns segundos até que os seus dois últimos neurónios funcionais produzem uma ideia. Kurokawa começa a gargalhar:

—Eu sou um génio!!!

Ele chuta a tampa do bueiro para longe e pula dentro do esgoto sem hesitar. Kurokawa cai alguns metros até os seus pés tocarem o chão. Aquela área subterrânea era mais ampla do que ele esperava, água pútrida e contaminada circulava na parte central enquanto as bordas eram feitas de cimento, permitindo a circulação de pessoas. A visibilidade era bastante reduzida, mas Kurokawa conseguia perceber que esses túneis possuíam várias bifurcações. Ele corre um pouco e percebe que o seu mapa está marcando áreas novas como exploradas.

Kurokawa ri intensamente enquanto se move ainda mais rápido do que antes. O cheiro é péssimo, mas ele não é o tipo de pessoa que se importa. Vários minutos mais tarde, ele aproxima-se de uma zona onde existem tochas acessas nas paredes. Kurokawa sorri pensando na ideia de encontrar inimigos, mas o que aparece surpreende-o: Um jovem alguns anos mais novo do que ele, descalço, com shorts cinzas, uma camiseta amarela, um boné azul e um taco de baseball numa das suas mãos:

—Você está meio perdido, mas a saída é na outra direção. -Diz o rapaz apontando com o taco.

Kurokawa não sabe como reagir:

—Isso não é bem o que eu estava à espera...

—Somos dois então, não são todos os dias que alguém invade a minha casa e fica correndo e rindo de um lado para o outro igual um retardado.

—Você mora aqui?

—Tem algum problema com isso?

—Estamos fugindo do assunto, não tem ninguém mais velho aqui? Um pai, uma mãe ou um tio?

—Você está fazendo perguntas demais, dê o fora.

—Eu não tenho muito interesse em você então vou terminar o que vim aqui fazer. -Diz Kurokawa caminhando na direção que faltava explorar enquanto ignora aquele rapaz.

Ele tenta passar ao seu lado, mas quando se aproxima é quase atingido por um golpe do seu bastão:

—O que você pensa que está fazendo? -Pergunta Kurokawa irritado.

—Eu que devia estar te perguntando isso. Eu já disse que a saída é na outra direção.

—Tanto faz o que você disse, pirralho. Tente entrar no meu caminho mais uma vez e eu vou te mostrar o que acontece.

O menino assobia e vários outros adolescentes com facas se aproximam:

—Você vai se arrepender disso. -Ameaça um deles.

—Cerquem-no!

Eles aproximam-se e tentam atingir Kurokawa, mas os seus ataques possuem pouco alcance e são lentos. No meio da confusão, uma das crianças lança uma faca em Kurokawa. Ele intercepta o ataque, segura a faca e manda-a de volta. Aquele garoto pula na frente da faca e para-a usando o seu taco de baseball. Kurokawa sorri enquanto entende a situação. Ele espera que mais um ataque seja feito para roubar outra faca e fazer uma criança de refém:

—Opa, acho melhor vocês não se moverem senão...

—Covarde! -Grita o menino que falava com Kurokawa antes.

—Vocês são um grupo lutando contra uma única pessoa, quem é realmente o covarde aqui?

—Tudo bem... -Responde ele frustrado. -Deixe-a ir e eu vou lutar contra você sozinho.

—Dantas, ele é forte, você não devia fazer isso... -Sugere um deles.

—E abandonar Petra? Eu não seria diferente de todo o lixo dessa cidade se fizesse isso.

Kurokawa sorri enquanto empurra o seu refém para longe e prende-a numa jaula de mana:

—Gosto do teu espírito, mas só falar não é o suficiente. Sem força, as palavras são vazias.

Dantas segura com força no seu bastão e corre na direção de Kurokawa. Os seus ataques são rápidos e ferozes, ele era definitivamente forte para uma criança, mas isso não era o suficiente para derrotar Kurokawa. Enquanto se esquiva sem dificuldades e testa o limite da estamina do seu oponente, Kurokawa tenta entender o que está faltando. Ele deflete o bastão com uma mão e acerta um soco no rosto do garoto. Dantas é jogado para trás com o impacto e, mesmo com sangue a escorrer pela sua boca e nariz, levanta-se:

—Eu entendi o que falta. -Diz Kurokawa aproximando-se com um sorriso maligno. -Desespero! Você não está lutando com tudo o que tem porque não entende a situação onde está. Olhe à tua volta. Veja o quão assustado os seus amigos estão. Se você for derrotado o que você acha que vai acontecer? Eles vão morrer. Um por um. E a culpa vai ser tua. O teu orgulho inútil vai te fazer perder tudo aquilo que você considera importante.

Os olhos de Dantas tremem ao ouvir as palavras de Kurokawa, subitamente ele sentia um peso imensurável nas suas costas:

—Mas está tudo bem... -Continua Kurokawa. -Tudo vai dar certo. Você só tem que me matar. Sim, a minha morte resolve todos os seus problemas. Então você só precisa se focar nisso. Esqueça todo o resto. Junte toda a sua experiência, tudo o que você viveu até agora e crie um plano onde você consegue me matar. Não importa quão injusto ou brutal seja, faça tudo o que pode para sobreviver. Se sente mais motivado agora?

Dantas deixa lágrimas escorrem pelo o seu rosto, mas os seus olhos não demonstram medo, eles queimam com ódio. Ele grita e dispara na direção de Kurokawa:

—Eu vou te matar!!

—Sim...é assim que tem de ser...

Dantas arremessa o seu bastão contra Kurokawa. Ele usa o instante em que o seu bastão está em voo, para encher uma das suas mãos com a água tóxica do esgoto. Kurokawa deflete o bastão, mas tem os seus olhos atingidos pela água jogada logo em seguida. Quase sem conseguir enxergar, ele chuta Dantas para longe. Dantas rola alguns metros até bater contra uma parede e parar:

—Você teve o que merece, idiota. -Fala ele cuspindo sangue, mas se levantando.

Kurokawa percebe que Dantas conseguiu cravar uma faca envenenada no seu estomago na pequena oportunidade que teve:

—Muito bom! -Ri Kurokawa tirando a faca do seu corpo e começando a curar a sua ferida. -Passar a faca pela água do esgoto foi realmente a jogada certa, isso garante o dano causado mesmo num corte superficial.

Dantas percebe que o seu melhor plano não tinha funcionado e que a luta continuava:

—Ele pode ter curado a ferida, mas continua envenenado...Preciso pensar no que vou fazer agora... -Pensa ele cansado e com dificuldade em respirar por causa do último ataque que levou. -Preciso fazer alguma coisa...não posso deixar ninguém morrer aqui...

Kurokawa começa a caminhar na sua direção com uma presença intimidadora:

—Ele está vindo. O que vou fazer? Tenho que fazer alguma coisa, mas é tão difícil se mover. Meu corpo dói tanto...

Ele estende a sua mão para tocar Dantas:

—Não consigo me mover...ele vai me matar...

Ele coloca a mão na cabeça de Dantas e sorri:

—Foi uma boa luta, para um pirralho. -Diz Kurokawa desfazendo a jaula e seguindo em frente.

O grupo de crianças fica calado durante alguns segundos até ele afastar-se o suficiente. Quando percebem que conseguiram sobreviver àquela situação, o grupo reúne-se à volta de Dantas enquanto chora:

—Nós...achamos que você fosse morrer!

—Por favor, não faça mais isso...

—Eu prometo que vou ficar mais forte e conseguir te ajudar a lutar, Dantas. Assim você não vai mais precisar lutar sozinho...

Ele ainda sem entender o que acabou de acontecer foca o seu olhar em Petra:

—Você está bem?

—Sim... -Responde ela também chorando. -Só estou assustada...

—Quem era aquele cara? Porque ele veio aqui?

—Não sei... -Responde Dantas sentando-se. -Ele não parece ser de Masteam.

—Bu! -Brinca Kurokawa voltando da escuridão

As crianças gritam assustadas e depois colocam-se à volta de Dantas na tentativa de protegê-lo:

—Eu já explorei essa parte então vou embora, mas esses túneis de esgoto parecem um labirinto... Reclama ele se afastando. -Vai demorar tanto tempo para explorar tudo...

Dantas levanta-se com dificuldade e pede que os seus amigos se afastem para ele poder falar com Kurokawa:

—Ei, você, eu moro aqui há vários anos.

—O que você quer, pirralho?

—Existem caminhos secretos que você nunca vai descobrir, mas eu posso te mostrar.

—O que aconteceu com você? Levar uma surra te deixou mais humilde?

—Cala a boca! -Grita Dantas irritado. -É uma troca! Eu te mostro o caminho e você me ajuda a ficar mais forte.

—Isso seria útil, mas ensinar você vai ser um saco. -Responde Kurokawa. -Você já é forte o suficiente para a tua idade.

—Eu não sou...eu sou fraco...se alguém como você aparecer aqui de novo, eu não sei se vou conseguir proteger os meus amigos...

—Ugh... -Diz Kurokawa fazendo uma cara de nojo. -A tua motivação é muito simples, você não tem ninguém que queira matar por vingança ou algo assim?

—Claro que tenho!

Kurokawa sorri e fica animado:

—Mas proteger os meus amigos vem primeiro. -Continua Dantas.

Kurokawa volta a fazer a sua cara de nojo:

—Não sei...não estou afim de responder agora...

Ele desaparece na escuridão, refaz o caminho até o lugar por onde desceu e retorna à superfície para respirar um pouco. Ele senta-se em cima do pedaço da muralha que havia quebrado antes e percebe que está sendo observado por alguém. Kurokawa levanta-se rapidamente, tira Eclipse do seu inventário e corre na direção da presença que sente.

—Wow, wow, sou eu, Kaiser! Calma, Kurokawa!

—Se você não tivesse segundas intenções não teria se escondido assim.

—Eu estou andando por essa área tem tanto tempo tentando te achar... -Resmunga Kaiser. -Eu conseguia te ver no mapa, mas nunca imaginei que você fosse estar no esgoto.

—E? Porque você está tentando me achar? -Fala Kurokawa aproximando a sua espada do corpo de Kaiser.

—Estávamos a ser seguidos por um cara vestido com roupas longas e pretas... -Responde ele tentando explicar a situação. -E eu...queria entender melhor o que estava acontecendo...

Kurokawa abaixa a sua espada:

—O Takeda disse que o nome deles eram Abutres, pelo o que eu entendi eles são uma organização criminosa de Masteam.

—Obrigado pela informação.

—Não agradeça, eu não consigo mentir então acabei por falar sem querer. Agora dê o fora daqui.

—Tudo bem... -Diz Kaiser se afastando. -Kurokawa me dá medo...pelo menos consegui confirmar que ele não estava sendo seguido. Agora só falta Lizzy.

Notas finais
Estou me divertindo abordando as diferentes pessoas que vivem em Masteam. Foi uma boa ideia separar os personagens e fazê-los passar por diferentes cenários, mas isso não deve durar muito tempo. Quando eles terminarem de explorar Masteam, o grupo vai ter de se reunir para ir aos calabouços. Mas eai, o que acharam?