Notas iniciais
Mais um capítulo em dia! Esse vai voltar a história para o ponto de vista de Lizzy! Boa leitura!

Lizzy se impulsiona horizontalmente para desviar por pouco de um ataque do chicote do seu oponente. O golpe acerta uma árvore de ossos próxima e a quebra no meio. Ao tocar um dos seus pés no chão, ela tem de imediatamente pular de novo para evitar uma rajada de fogo disparada na sua direção:

—Uma grande variedade de ataques velozes e fortes o suficiente para quebrar ossos junto de alta mobilidade e inteligência. -Pensa ela tentando recuperar o seu fôlego. -E ainda por cima, essa é a nossa primeira vez lutando juntas então a nossa coordenação não é nada boa. Que situação complicada...

—Precisámos fugir! Nossa única chance de vencer era tê-lo pego desprevenido! -Sugere Daniela correndo entre as árvores enquanto é perseguida por aquele monstro.

—Não vamos conseguir correr mais rápido do que um cavalo numa planície. -Responde Lizzy. -Temos que aproveitar o lugar onde estamos para lutar.

—Se você quer morrer faça isso sozinha, eu tenho que voltar para a minha mãe. -Grita Daniela tentando fugir.

Lizzy corre na sua direção e pula, caindo junto de Daniela. No instante seguinte o chicote de ossos destrói a posição onde Daniela estava:

—Pare de hesitar, a única forma de voltar para a tua mãe é matando esse monstro! -Afirma ela encarando os olhos de Daniela. -Não temos tempo a perder, fique perto de mim, vou te explicar o plano.

As duas ajudam-se a desviar dos ataques do monstro, mas sabem que cada segundo que passam ali ficam mais próximas da morte:

—Você é louca! Isso nunca vai dar certo! -Retruca Daniela ao ouvir o plano.

—Não temos outra opção! Eu vou confiar a minha vida à você e você vai ter que fazer o mesmo!

—Isso é impossível!! Eu te conheci hoje!

—Pare de reclamar! -Grita Lizzy sabendo que não pode perder tempo. -Vamos começar o plano agora! Se você não quiser morrer é melhor segui-lo!

—Eu juro que vou te matar se sairmos vivas daqui! -Diz Daniela batendo a sua espada contra as árvores próximas para atrair a atenção do monstro.

A provocação funciona e ele começa a desferir golpes com o seu chicote. Daniela procura as árvores mais grossas que vê para se proteger dos ataques, mas a ferocidade do seu oponente é excepcional. Ele corta qualquer coisa no seu caminho enquanto aproxima-se cada vez mais da sua presa. O próximo movimento do seu chicote passa tão perto que rasga uma parte da capa que Daniela usa. O seguinte ataque acerta um dos seus braços e arranca um pedaço de pele. O cavaleiro sem cabeça se prepara para desferir um golpe fatal quando sente algo perfurar as suas costas.

Ele vira-se e vê Lizzy empunhando kunais. Apesar do ferimento ser superficial, ele sente-se insultado em ter sido atacado e dispara na direção de Lizzy. Ela espera que aquele monstro esteja próximo o suficiente para ativar uma habilidade:

—Arte Ninja – Bomba de fumaça.

Fumo negro se espalha rapidamente pela área, limitando imensamente a visibilidade. Ele não hesita em usar uma rajada de fogo para dissipar a fumaça. Lizzy pula para desviar do ataque, mas coloca-se numa posição vulnerável. No ar ela não consegue esquivar-se de um golpe do seu chicote. O cavaleiro percebe essa oportunidade e impiedosamente ataca:

—Arte Ninja — Técnica de Substituição! — Diz Lizzy um momento antes de ser atingida.

O monstro percebe que o seu ataque não conectou e que o seu oponente havia desaparecido. O seu cavalo observa atentamente os arredores na tentativa de achá-la, mas antes que isso aconteça, os seus olhos são perfurados por kunais. A intensidade da dor faz com que os seus movimentos deixem o seu cavaleiro cair:

—Agora, Daniela!!!

Daniela sai de onde se escondia e desfere um ataque com a sua espada nas pernas do cavaleiro. Apesar de não ser fundo o suficiente, o machucado impede-o de se mover durante algum tempo e isso era tudo o que Lizzy precisava:

—Arte Ninja — Manipulação de fios!

Ela solta vários fios presos aos seus dedos que fazem dezenas de kunais serem disparadas de diferentes posições. O corpo do monstro é atravessado múltiplas vezes e em seguida cai imóvel no chão:

—Não acredito que conseguimos... -Comenta Daniela surpresa.

—Ainda temos que pegar o couro do cavalo!

—Sim, vou tratar disso agora.

Ela se aproxima do cavalo que anda sem rumo batendo contra as árvores no seu caminho e o atravessa com a sua espada. Antes que ele se desintegre em partículas brilhantes, Daniela retira uma boa quantidade do seu couro e guarda-o no seu inventário:

—Já podemos ir embora. -Diz ela aproximando-se de Lizzy.

Daniela percebe que Lizzy está apoiada numa árvore enquanto respira com dificuldade, transpira e pressiona o seu estomago:

—O que aconteceu?

—Minha técnica de substituição só pode ser usada momentos antes de eu ser atingida por um ataque. Mas eu não consegui reagir rápido o suficiente e o chicote dele acertou a minha barriga. -Responde ela tentando estancar o sangramento.

—Você acha que consegue andar?

Lizzy tira uma poção de cura do seu inventário e bebe-a:

—Acho que sim...

—Eu te ajudo a andar, mas precisámos sair daqui rápido.

Elas caminham para fora da floresta quando um escutam um guinchar agudo e intenso:

—Isso não é nada bom.... -Diz Daniela tentando acelerar o ritmo em que se movem.

—O que foi aquilo?

—É o som de um monstro dessa área chamado Lich...

Quando quase conseguem ver a saída da floresta, aglomerados de ossos caídos juntam-se e formam esqueletos impedindo a sua passagem:

—Como monstros surgiram aqui? -Pergunta Lizzy confusa.

—O Lich consegue fazer isso. -Responde Daniela soltando Lizzy e segurando a sua espada. -Mas está tudo bem só temos que derrotar eles e vamos conseguir sair da floresta! Estamos quase lá!

Lizzy olha para traz e percebe uma horda de monstros se aproximando:

—Sim, Daniela, derrote esses monstros e siga em frente, eu já te alcanço.

—Do que você está falando? Eu só estou viva por tua causa, não vou te deixar aqui para morrer.

—Eu não consigo correr, se você tentar me carregar vamos morrer as duas. Você tem que voltar para a tua mãe, lembra? Não tem porque morrer por alguém que você conheceu hoje.

Lentamente sendo encurralada por monstros em todas as direções, Daniela é forçada a tomar uma decisão. O seu coração bate num ritmo acelerado e mil pensamentos correm a sua cabeça. Dizer que humanos são cruéis por natureza era muito mais fácil do que tentar ser gentil, mas durante quanto tempo alguém consegue mentir para si mesmo? Quantas vezes seríamos capazes de aceitar os nossos pecados, fechar os olhos e pacificamente dormir à noite? Não havia tempo para procurar a resposta certa, apenas para seguir os seus instintos.

—Merda!!!!! -Grita Daniela.

Ela guarda a sua espada no seu inventário, coloca Lizzy nas suas costas e começa a correr para a fora da floresta. Lizzy sente um calor envolver o seu peito como se os seus esforços tivessem dado frutos, mas compaixão nem sempre trazia os melhores resultados. Ela entendia a triste verdade daquele momento:

—Não faça isso, por favor. Você não vai conseguir passar pelos esqueletos me carregando.

—Você disse que ia confiar a tua vida à mim então cale a boca e assiste!

Aqueles monstros se preparam para atacá-las quando são desintegrados por um ataque de mana:

—Ufa, parece que cheguei a tempo. -Diz Kaiser do lado de fora da floresta. -Venham!

Elas finalmente conseguem escapar da floresta de ossos. Lizzy olha para trás e observa um exército de esqueletos junto de uma criatura envolvida numa aura negra observando-os:

—Eles não vão nos seguir?

—Eles não podem deixar a floresta. -Responde Daniela. -E quem é você?

—Ah, desculpa, acabei por não me introduzir. Meu nome é Kaiser. Lizzy e eu estamos viajando juntos.

—Meu nome é Daniela. -Diz ela encarando Kaiser. -Sabe, você apareceu no momento exato para nos ajudar...exato até demais...

—Eu estava por perto... -Responde Kaiser desviando o seu olhar. -Não pretendia interferir, mas as coisas pareciam perigosas então tive de ajudar.

—Tudo deu certo então não temos que nos preocupar! -Sorri Lizzy movendo-se bruscamente para comemorar a vitória, o que faz sangue escorrer da sua ferida. -Arg!!!

—Não se mova tanto, o machucado ainda é recente. -Aconselha Daniela.

—O que aconteceu? -Pergunta Kaiser.

—Não consegui desviar bem de um ataque, já tomei uma poção de cura, mas não fez muito efeito.

—Posso ver? -Aproxima-se Kaiser. -Vocês mataram o monstro que fez o ataque?

—Sim.

—Interessante, o ataque carregava mana e essa mana persistiu na sua ferida mesmo depois da morte do monstro. Isso está dificultando a regeneração. -Diz Kaiser enquanto coloca a sua mão sobre o estomago de Lizzy e concentra-se.

Mana flui pela mão de Kaiser enquanto uma poeira negra sai da ferida de Lizzy e se dissipa no ar:

-Eu tirei a mana. Você deve começar a se sentir melhor agora.

—A ferida ainda dói, mas já não sinto aquele formigamento estranho de antes, muito obrigado, Kaiser!

—Não há de quê.

—Nós agora vamos voltar para Masteam, o que você vai fazer?

—Posso acompanhar-vos até as muralhas. -Responde ele. -Tenho que continuar a explorar Masteam.

O grupo movimenta-se o mais rápido que pode em direção à cidade:

—Como foi o teu dia até agora, Kaiser? -Pergunta Lizzy quebrando o silêncio.

—Não explorei muito de Masteam para ser sincero. Estive ocupado vendo se estava tudo bem com o resto do grupo. E você?

—Acabei me distraindo da exploração também... -Responde Lizzy. -Vim aqui na floresta de ossos buscar um item para ajudar a mãe da Daniela, mas depois que acabarmos isso vou ver se consigo explorar um pouco mais antes de anoitecer.

—Daniela, você não quer que eu carregue Lizzy um pouco?

Daniela observa-o com um olhar de desconfiança:

—Não vou deixar uma menina machucada com um cara suspeito como você.

Kaiser encara o horizonte enquanto tenta aceitar uma difícil realidade:

—Eu...sou um cara suspeito...?

—Se você acha Kaiser suspeito espere até ver Kurokawa! -Ri Lizzy.

—Tenho cada vez mais dúvidas sobre o teu grupo de amigos... -Comenta Daniela.

—Está tudo bem, eles são difíceis de lidar, mas são boas pessoas.

Antes que percebessem, eles encontram-se de frente com uma das várias falhas na muralha de Masteam:

—Acho que é aqui que nos separamos. -Diz Kaiser.

—Tudo bem, até mais tarde, Kaiser! -Sorri Lizzy.

—Até mais tarde! -Fala ele caminhando em outra direção.

—Bom, eu já me sinto melhor então você pode me pôr no chão.

—Você está machucada, a tua ferida vai abrir se você ficar se movendo demais.

—Mas você está me carregando já tem um bom tempo...

—E?

—Eu sou...um pouco pesada...

—Pare de falar bobeira! Como se eu fosse ter problemas em levar uma menina lisa como você.

—Você podia ter usado outra palavra... -Reclama Lizzy olhando para o seu corpo. -Lisa é bastante ofensivo...

—Estou apenas sendo honesta, mas está tudo bem, você é nova. Você ainda vai crescer. Talvez.

—Eu não consigo entender se você está brincando comigo ou tentando me alegrar.

—Menina, as únicas palavras que costumam ser ditas em Masteam são insultos e ameaças de morte! Eu ainda não me acostumei com essa coisa de ser amigável. Mas você está bem do jeito que está. Se até a minha mãe conseguiu arranjar um homem, você deve conseguir também.

—Não tem nada a ver com isso!!! -Grita Lizzy envergonhada.

—Tem a ver com o que então?

Lizzy não consegue responder à pergunta:

—Tem a ver com...com...Ah!! Tanto faz! Não tem a ver com nada!

Daniela ri:

—Você é uma menina estranha.

Lizzy começa a reconhecer os seus arredores e, ao ver aquele pequeno abrigo, tem certeza de onde está. Daniela acelera um pouco o passo:

—Mãe! Estamos de volta!

—Vocês demoraram, o que aconteceu? — Pergunta aquela senhora caminhando para fora do seu abrigo.

—Muitas coisas! O monstro estava na floresta de ossos. Lizzy conseguiu derrotá-lo, mas sofreu um machucado. Em seguida, fomos perseguidas por esqueletos e só conseguimos fugir porque por sorte um amigo de Lizzy estava por perto.

—Sim...foi um pouco mais difícil do que eu esperava... -Responde Lizzy.

—Mas TCHARAM! -Sorri Daniela tirando o couro do cavalo do seu inventário. -Conseguimos uma grande quantidade!

A mulher de idade sorri sem se preocupar em mostrar a sua boca praticamente sem dentes:

—Não acredito!! Com tanto assim dá para consertar a nossa casa e até mesmo fazer capas de proteção!

Ela agarra a mão de Lizzy:

—Muito obrigada, você não tem ideia de quanto isso nos ajuda. Eu nunca vou me esquecer da tua bondade.

—Mãe, eu também ajudei! -Reclama Daniela.

—Eu tenho certeza que a primeira coisa que você tentou fazer foi fugir...

—Claro que sim! -Sorri Daniela orgulhosa. -Foi você que me ensinou a fugir quando eu achasse que não ia ganhar!

Lizzy ri. Mesmo nesse ambiente hostil, elas conseguiam brincar e cuidar uma da outra. Ela via a relação que tinha com a sua mãe refletida naquelas duas. Ela não podia sentir-se mais satisfeita em ter conseguido ajudá-las. Lizzy, com alguma dificuldade, desce das costas de Daniela. Ela abre o seu mapa e mostra uma posição:

—Meu grupo vai estar acampado aqui durante alguns dias, se vocês precisarem de ajuda não hesitem em passar por lá.

—Você já vai embora? -Pergunta Daniela um pouco triste.

—Tenho que continuar explorando Masteam, é por isso que eu vim aqui.

—Tudo bem, se cuide, Lizzy. -Sorri a velha. -Espero que você encontre o que procura.

—Muito obrigado! -Responde ela caminhando para longe. -Gostei muito de conhecer vocês! Espero que a gente se encontre de novo!

—Eu também!! -Responde Daniela enquanto observa-a se afastar.

Com a sua visão focada em Lizzy, ela não percebe o olhar da sua mãe:

—Para quem não queria a ajuda dela no começo, você parece bastante empolgada. -Ri a senhora.

—Não enche! Eu não queria a ajuda dela porque achava impossível alguém como ela existir. Mas Lizzy não estava mentindo. Ela tinha convicção para dizer o que achava certo e força para fazê-lo. Eu queria ser como ela...

—Mas você não pode ser ela. Você só pode ser uma pessoa: você mesma.

—Não diga o óbvio, mãe.

—Apesar de ser óbvio, você não parece entender. Lizzy pode ser incrível, mas você não precisa ser a Lizzy para ser incrível, você pode ser incrível sendo você mesma.

—Eu pareço tão triste assim que você tem que ficar me dando lição de moral?

—Sim...

Daniela ri:

—Tudo bem, vou fazer o meu melhor, você não precisa se preocupar.

Notas finais
Eai o que acharam?