Invisible Play - Checkpoint
1 Um Dia Agitado
Notas iniciais
—Você já está pronto, Sasesu? -Perguntou Lizzy próxima à porta da casa de Kurokawa.
—Sim! -Respondeu Sasesu descendo as escadas.
—Estamos indo então. -Disse Lizzy. -Devemos voltar hoje ainda, mas de qualquer forma tem comida na geladeira.
Lizzy e Sasesu saem e logo em seguida fecham a porta:
—A Lizzy é realmente a mãe dessa casa. -Comenta Takeda. -O que nós vamos fazer hoje, Kurokawa?
Kurokawa permanece deitado no sofá, calado, imóvel, sem vida nos seus olhos e observando o teto.
—Hoje é sábado! Você perdeu o torneio, mas mesmo assim você foi muito mais longe do que qualquer pessoa esperava. -Continuou Takeda. -Eu vou ver o que podemos fazer hoje.
Takeda abre o seu inventário e logo em seguida o seu mapa:
—Tudo bem, estamos aqui, a tua casa fica perto da cidade então não existem muitas coisas relacionadas ao mundo de IP. A norte temos a Vila, a norte da Vila temos a planície entre Euler e Kepler, essa área tem três calabouços, mas o nível dos monstros lá é muito alto para nós. Oh, também há alguns calabouços próximos à Vila, esses parecem ser mais fáceis de completar. Está decidido, já sei para onde vamos hoje!
Takeda caminha em direção à cozinha, pega todos os caramelos que estão no armário e regressa à sala:
—Kurokawa, eu estou indo, se você não vier comigo, você vai ficar sem caramelos até eu voltar.
Finalmente Takeda consegue capturar a atenção de Kurokawa:
—Takeda...não ouse fazer isso...
Takeda anda com uma certa pressa até a porta de entrada, abre-a e olha para Kurokawa:
—Eu já fiz. -Sorri ele fechando a porta.
Kurokawa instantaneamente pula do sofá:
—Garras da Besta!
Ele abre a porta o mais rápido que pode, mas Takeda já tinha conseguido criar uma boa distância entre os dois:
—Takedaaa!!! -Grita Kurokawa dando início à sua perseguição.
Quinze minutos depois, a energia de Takeda está chegando ao fim, mas Kurokawa, movido apenas à base de sua raiva, continua acelerando:
—Kurokawa! Para! -Grita Takeda. -Olha a tua frente, já chegamos no calabouço! Já que estamos aqui, talvez valesse a pena entrar! Vai ser divertido!
—Qual calabouço é esse?
—É o calabouço do Santuário do Deus Coelho.
Kurokawa ao ouvir a palavra “coelho” lembra-se de momentos que preferia ter esquecido:
—Parece chato, eu vou para casa!
—Confia em mim! -Diz Takeda. -Esse calabouço tem dois chefões e o segundo é praticamente impossível de nós derrotarmos.
—É um coelho, quão forte ele consegue ser?
—É um Deus Coelho. Kurokawa, pense nisso, se o derrotarmos, estaremos a derrotar um DEUS! Você consegue entender quão incrível isso é?
Kurokawa finalmente cede:
—Já estamos aqui, então seria uma perda de tempo simplesmente voltar para casa agora. -Diz ele caminhando em direção à entrada do calabouço.
Takeda observava a situação não sabendo se deveria estar orgulhoso das suas habilidades de persuasão ou triste por o quão facilmente Kurokawa era manipulado. De um momento para o outro, as grandes portas do calabouço abrem-se sozinhas. Kurokawa e Takeda entram e logo em seguida as portas fecham:
—Calabouços são bem simples, Kurokawa. O interior é um labirinto cheio de armadilhas e monstros. -Explica Takeda. -Nós temos que achar a sala do chefão e derrotá-lo para completar o calabouço.
—Então podemos ignorar todos os monstros que não sejam o chefão?
—Podemos, mas não é ideal. Monstros dentro de calabouços têm maior probabilidade de deixarem itens cairquando morrem, e também dão mais experiência e dinheiro. E se você deixar acumular muitos monstros e acabar encurralado, é bem provável que você morra.
—Então matamos tudo o que encontrarmos.
—Você realmente não tem meio termos. -Comenta Takeda. -Calma, temos um pequeno problema.
—O que?
—Quando o chefão é derrotado, todos os jogadores dentro do calabouço são teleportados para fora e passado algumas horas, o chefão renasce. Jogadores podem entrar no calabouço mesmo que o chefão não esteja vivo e nesse momento faltam trinta minutos para o chefão renascer, o que significa que houve tempo o suficiente para outros jogadores já terem encontrado a sala do chefão e estarem apenas à espera que ele renasça.
—Então temos que achar a sala do chefão e descer a porrada nos jogadores que já lá estiverem antes do chefão renascer?
—Sim.
—Tudo bem, tente não se afastar muito de mim então. -Diz Kurokawa ativando sua habilidade e sorrindo.
—Não, calma, existem...
Kurokawa dispara para frente com toda a sua velocidade:
—Armadilhas... -Suspira Takeda. -Vamos lá, então...
Não muito longe dali, Sasesu e Lizzy finalmente atingem o seu objetivo:
—Eu gostaria que pudéssemos vir para cá usando teleporte. -Comenta Sasesu um pouco cansado. -Ter que correr da casa do Kurokawa até A Vila e depois até aqui é bem...cansativo...
—Sim, mas apenas cidades possuem portais de teleporte... -Responde Lizzy.
—Eu já ouvi falar dessa planície algumas vezes, mas essa é a primeira vez que venho aqui. -Diz Sasesu.
—Eu também. Mas eu sei que esse é um lugar muito importante.
—Porque?
—Por causa dos três calabouços que existem aqui. -Responde Lizzy. -Um deles pertence ao território de Euler, outro ao território de Kepler e o último está entre os dois territórios. Calabouços são zonas importantes por causa da experiência e dos recursos que eles providenciam, mas esses calabouços são ainda mais valiosos. Por exemplo, o calabouço que pertence ao território de Euler é o calabouço da Mina Abandonada, e é desse calabouço que Euler tira grande parte do metal que usa para fazer armas e armaduras, juntamente de bastante dinheiro que vêm das pedras preciosas que existem dentro do calabouço.
—Você realmente sabe bastante.
—Meu pai já esteve bastante envolvido com a política de Euler e Kepler então eu já escutei algumas histórias dele.
—Mas onde exatamente estamos indo?
—Minha mãe disse que um amigo dela morava aqui por perto, mas ela não mostrou a posição no mapa então estamos apenas explorando essa área.
—Calma, o que é aquilo ali? -Pergunta Sasesu.
Lizzy foca a sua atenção na direção em que Sasesu apontou e vê uma casa no topo de uma árvore não muito longe:
—Não sei...mas acho melhor irmos lá ver.
Os dois aproximam-se com alguma cautela e a porta da frente da casa abre-se. Uma voz é ouvida, mas não é possível ver um rosto:
—Não se aproximem, forasteiros. Meus animais não são amigáveis com estranhos.
—Ah, desculpa, não era a nossa intenção incomodar, mas estamos à procura de alguém. -Responde Lizzy.
—Identifique-se primeiro.
—Eu sou Lizzy, filha de Lyonel e Roberta.
Um homem sem camisa, usando calças rasgadas e uma máscara tribal com chifres de veado se aproxima da porta:
—Então você é a cria do leão. E o que te traz aqui, filhote?
—Eu estou à procura das Bestas Lendárias.
—Filho de peixe realmente sabe nadar. -Ri aquele homem. -É incrível como o destino da tua família está entrelaçado com aqueles seres, mas não ache que a jornada será fácil, filhote. De qualquer forma, suba as escadas e entre, podemos discutir os detalhes aqui dentro.
—Lizzy, esse cara parece meio estranho. -Sussurrou Sasesu. -Tem certeza que podemos confiar nele?
—Minha mãe disse que ele era excêntrico, mas não era perigoso. -Respondeu Lizzy.
Lizzy e Sasesu aproximam-se sem pressa. Eles sobem as escadas e adentram aquela peculiar casa. Existe apenas um cómodo não muito espaçoso, as paredes estão repletas de totens e crânios de animais, no centro há uma pequena mesa quadrada com quatro cadeiras. Três janelas espalhadas pelas paredes permitem a entrada de luz:
—Sentem-se. -Aconselha aquele ser fazendo o mesmo. -Me permitam fazer a minha introdução, eu sou Yulifer, o filho da natureza, em que posso vos ajudar?
—Eu tenho quase certeza que esse não era o nome dele... -Pensa Lizzy.
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