Invisible Play - Checkpoint
12 Música p/ Acampamentos
Notas iniciais
Kurokawa está sentado no chão dormindo enquanto Takeda reúne madeira de árvores próximas. O sol lentamente aproxima-se do horizonte e Takeda percebe a presença de Lizzy e Sasesu :
—Uau, você tem feridas pelo teu corpo inteiro, Sasesu. -Repara Takeda. -O que aconteceu?
—Fomos atacados por um membro da guild Royalty. -Responde ele.
—Sério? Foi vingança por vocês terem derrotado aquele outro membro da guild? -Pergunta Takeda.
—Sim, mas não faz sentido nenhum. -Comenta Lizzy. -Foi Narzo que nos atacou e perdeu, vir buscar vingança por causa disso é tão...estúpido...
—Euler é uma cidade que valoriza muito a força. -Explica Takeda. -Royalty é uma guild recente e todos os membros com a exceção do líder são novatos, mas era suposto eles serem jogadores promissores que se tornariam grandes guerreiros no futuro. Um deles ser derrotado por pessoas que nem sequer pertencem a uma guild destrói toda essa imagem. Então eles provavelmente te atacaram para preservar a integridade da guild.
—Eles me irritam, se é guerra que eles querem então é guerra que eles terão. -Acrescenta Sasesu.
—Eu gostaria de achar uma solução mais pacífica. -Diz Lizzy.
—Vocês podem criar uma guild também. -Sugere Takeda. -Se eles perderem para uma “guild forte” e não para “pessoas desconhecidas” é provável que eles aceitem a derrota.
—Isso é uma boa ideia. -Sorri Lizzy. -Como fazemos isso?
—Vocês precisam de no mínimo três membros, alguns ingredientes específicos e um bom ferreiro. -Responde Takeda. -A maioria dos ingredientes são fáceis de achar ou de comprar, mas tem um que só pode ser encontrado dentro do Calabouço da Mina Abandonada. Depois vocês levam todos esses itens para um ferreiro e pedem para ele criar um cristal chamado gema de guild. Com o cristal vocês podem criar a guild.
—Obrigado pela informação, Takeda. -Agradece Lizzy. -Vou tentar fazer isso quando voltarmos.
—Não há de quê. O sol está se quase pondo, vamos acampar hoje aqui?
—Sim, Kurokawa e Sasesu estão bastante feridos. -Responde Lizzy. -Acho melhor descansarmos por hoje e seguirmos viagem amanhã.
Kurokawa abre os seus olhos e começa a rir percebendo as feridas de Sasesu:
—Muito irônico! Irônico, não é mesmo? Você estar todo machucado depois de ter rido das minhas feridas!
—Eu nunca fiz isso, Kurokawa. -Responde Sasesu. -Pare de delirar.
Lizzy começa a montar duas tendas enquanto Takeda acende uma fogueira. Kurokawa e Sasesu permanecem parados para não abrirem os seus ferimentos. Eles temperam a carne que compraram com sal e pimenta, e em seguida assam-na na fogueira:
—Hoje foi um dia tão agitado... -Suspira Lizzy. -E foi só o primeiro dia...
—Foi um bom dia. -Comenta Kurokawa mordendo um pedaço de carne e falando de boca cheia. -Quer dizer, podia ter sido melhor se eu tivesse descido a porrada naquele caçador de recompensas, mas eu ganho na próxima.
—Por favor, não deixe uma “próxima” acontecer. -Interfere Lizzy.
—E como está o teu dedo, Kurokawa? -Sorri Takeda.
Todos olham para baixo e observam o pé de Kurokawa. Metade do seu dedo havia crescido de volta, mas ele ainda não tinha uma unha. A absurdez daquela situação faz com que o resto do grupo desate a rir:
—Ei, parem de rir, não é engraçado! -Resmunga Kurokawa.
—Mano, o teu dedo está parecendo uma minhoca! -Gargalha Sasesu.
—Cale a boca! Vocês cortam o meu dedo e me humilham por causa disso? É esse o tipo de pessoas que vocês são?
—Tem certeza que você não é um lagarto disfarçado de humano, Kurokawa? -Brinca Lizzy. -Não acho que seja normal um dedo crescer tão rápido.
—Sabe o que era mais bizarro ainda? -Interrompe Takeda. -Se voltássemos em Newton e do dedo de Kurokawa tivesse crescido um outro Kurokawa!
Kurokawa observa o seu grupo de amigos dando risada enquanto se questiona porque convive com aqueles seres humanos:
—Deixando de lado o dedo de Kurokawa, essa carne que compramos está bastante boa para o preço. -Comenta Sasesu.
—Eu acho que sim também. -Responde Lizzy.
—Ainda não consegui parar de pensar sobre o dedo de Kurokawa... -Diz Takeda rindo um pouco.
—Esqueçam o meu dedo...
—Piadas à parte, a tua regeneração é muito boa, qual é a tua classe, Kurokawa? -Continua Takeda.
—Descendente Negro.
—Sim! Eu já vi as características de Kurokawa uma vez. -Participa Lizzy. -É bastante insano. Ele tem velocidade, força, regeneração, agilidade e mana muito acima da média. Acho que o único ponto fraco seria ele ter poucas habilidades, só uma até agora se não me engano. Mas isso talvez nem seja uma desvantagem para o Kurokawa já que ele tem um estilo de luta bem direto e simples.
—E qual é a tua classe, Takeda? -Pergunta Kurokawa curioso.
—A minha classe? -Responde Takeda fazendo uma pausa para pensar. -Eu sou um Lutador Polivalente. As minhas características são um pouco acima da média, eu tenho um número reduzido de habilidades, mas diria que tenho bastante mais mana do que o normal. Eu não sou particularmente bom em nada, mas ao mesmo tempo consigo ocupar qualquer posição numa batalha.
—Lembram que o meu pai explicou que as classes eram baseadas na tua personalidade? -Pergunta Lizzy. -Eu acho que isso faz algum sentido para ser sincera. A personalidade inteira de Kurokawa é correr na direção de alguém e bater nessa pessoa. E a classe dela reflete exatamente isso, características altas e poucos feitiços. Pouca estratégia e mais porradaria.
—Sim, eu lembro disso. -Responde Takeda. -Mas sendo assim, você acha que a minha classe reflete a minha personalidade?
—Eu acho que sim. -Interfere Sasesu. -Eu, Kurokawa e Lizzy somos pessoas completamente diferentes, mas você consegue se dar bem com nós todos. E não só, você tem bastante conhecimento geral, é calmo e sabe lidar com várias situações diferentes. Se a vida fosse uma batalha você definitivamente conseguiria ocupar qualquer posição.
—Interessante e qual é a tua classe, Lizzy?
—Eu sou uma Kunoichi, pelo o que eu sei é um tipo de ninja do sexo feminino. -Responde ela. -Minhas características são abaixo da média com a exceção da minha velocidade e agilidade que são bastante altas. Sinceramente eu acho que perderia em combate direto contra qualquer classe com o mesmo nível que eu, é por isso que eu nunca luto em combate direto. Tenho várias formas de colocar armadilhas, aumentar a minha mobilidade e debilitar o meu oponente. Mas não acho que a minha classe seja uma boa reflexão da minha personalidade. Ninjas são assassinos, eu nem sequer gosto de machucar pessoas, muito menos matá-las.
—Eu não vejo as coisas dessa forma. -Comenta Sasesu. -Ninjas podem ser assassinos, mas as tuas habilidades te dão a opção de evitar o combate se você quiser. Eu não te conheço há tanto tempo assim, mas do pouco que eu sei, você é uma pessoa que se esforça muito. Você está sempre treinando e perseguindo os teus objetivos. Eu acho que a tua classe representa bem isso, porque te dá a oportunidade de derrotar oponentes muito mais fortes do que você com boas estratégias e esforço.
Lizzy cora um pouco:
—Nunca tinha pensado dessa forma...
—Só falta você agora, Sasesu. -Sorri Takeda.
—Bem, a minha classe é Manipulador. As minhas características são todas medianas, mas eu tenho uma boa quantidade de mana. Eu também consigo fazer um pouco de tudo, mas as minhas habilidades são focadas em controlar mana, movimentar objetos, esse tipo de coisa.
—Hmnn, essa é difícil de interpretar. -Responde Takeda. -A tua classe é bem focada em mana, mas não sei muito bem como mana poderia se relacionar com a sua personalidade.
—E se víssemos mana como a vida? -Sugere Lizzy.-Eu vejo Sasesu como uma pessoa que não sente a necessidade de se impor nos outros, mas quando a situação pede, ele faz o que é necessário. Ele também não se importa de perder discussões, mas quando é realmente importante, ele não muda de opinião. Essa capacidade de ceder, mas se manter fiel aos teus pensamentos é uma característica de um bom líder. Então eu acho que Sasesu podia “manipular” a vida, tipo motivar pessoas e liderar grupos tão bem quanto a classe dele manipula mana.
Sasesu sorri ao perceber melhor a perspectiva de Lizzy:
—Obrigado...não sabia que você pensava assim...
—Isso ou ele é literalmente um manipulador. -Interfere Kurokawa. -Alguém que pretende ser uma boa pessoa apenas para apunhalar as tuas costas no momento em que você ficar distraído.
Sasesu irrita-se e franze as suas sobrancelhas:
—O que você tem contra mim?
—Não gosto de te ver feliz.
—O que eu fiz para você me tratar dessa forma?
—Você passou um ano inteiro me irritando só para depois ir embora e me deixar sem nenhum bom oponente!
—Isso foi dois anos atrás, Kurokawa!
—Eu não me importo! Certas coisas nunca deveriam ser esquecidas!
—Nós tínhamos quinze anos e éramos estúpidos. Você achava que platelmintos era um tipo de pastel e eu achava que podia ser um herói da justiça e salvar o mundo. Deixa isso no passado...
—Você fala como se não continuasse estúpido.
—Olhe para si mesmo! Duas semanas atrás você foi desintegrado por um soco de Lyonel! E não foi um acidente! Você pediu para ser socado!
—Se você não tem coragem, não critique aqueles que têm.
Sasesu olha para Takeda e Lizzy à espera de algum tipo de ajuda:
—Não tente, Sasesu... -Diz Takeda. -Não...não vale a pena...
—Tentar discutir com Kurokawa é como tentar cortar as unhas com uma faca. -Responde Lizzy. -É difícil, desnecessário e você vai acabar machucado.
Kurokawa boceja e entra dentro de uma das tendas:
—Falar tanto assim me deixou cansado, estou indo dormir.
—Está ficando tarde. -Comenta Takeda. -Talvez fosse melhor todos irmos dormir.
—Preciso descansar mesmo. -Responde Sasesu. -Mas calma só temos duas tendas, quem vai dormir com Kurokawa?
—Eu achei que o plano era eu dormir com o Kurokawa e você dormir com Lizzy. -Diz Takeda entrando na tenda onde Kurokawa já estava.
Lizzy e Sasesu encaram-se durante alguns segundos:
—Ah...se você não estiver confortável, eu posso dormir com eles...
—Eu...acho que está tudo bem para mim... -Responde Lizzy desviando o seu olhar.
—Tudo bem...
Os dois entram na tenda e deitam-se com alguma distância entre eles:
—Boa noite, Lizzy.
—Boa noite, Sasesu.
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