Invisible Play - Checkpoint

13 Extra - As Desventuras Românticas de Sasesu


Notas iniciais
Capítulo extra para terminar o volume! Estava meio sem ideia sobre o que fazer com esse capítulo extra. Pensei em introduzir uns outros personagens, mas não me parecia necessária por enquanto. Por outro lado, o fim do último capítulo pareceu bastante anticlimático. Lizzy e Sasesu finalmente tem a oportunidade de compartilhar um momento fofo juntos e...literalmente nada acontece XD. Por isso decidi escrever esse capítulo focado um pouco mais no romance dos dois. A história ainda vai durar bastante então por enquanto não vamos ter muitos avanços, mas qualquer coisa é melhor do que nada! Já agora, se tiverem interesse em ler uma história de drama/romance escrita por mim que se passa no mundo real eu deixo aqui o link para Glass Humans https://fanfiction.com.br/historia/802907/Glass_Humans/

Sempre tive confiança em mim mesmo e até consigo dizer que me considero alguém atraente. Conforme progredia na minha vida escolar, a atenção e gentileza que eu recebia do sexo feminino apenas confirmou as minhas suspeitas. Apesar disso, até ter dezesseis anos nunca tinha estado num relacionamento. Talvez por estar ocupado estudando, tentando deixar os meus pais orgulhosos e lutando com Kurokawa. Ou talvez apenas por não ter encontrado alguém que atraísse a minha atenção.

De qualquer forma, aos meus dezesseis eu consegui a minha primeira namorada. Nos conhecemos num jantar organizado pelos meus pais. Aparentemente, os pais dela apoiavam alguns dos negócios que a minha família tinha. Acabamos por ficar sozinhos quando os adultos decidiram visitar a adega da minha casa. Talvez por estar me sentindo nervoso por estarmos em silêncio, eu iniciei uma conversa. Algo simples como perguntar onde ela estudava ou o que ela gostava de fazer no seu tempo livre.

Ela tinha longos e lisos cabelos negros. O tom da sua pele era bem claro e eu conseguia perceber traços de ascendência asiática no seu rosto. Ela era um pouco tímida, respondia às minhas perguntas, mas raramente fazia contacto visual. Eu não conseguia ler bem a situação, será que ela estava se divertindo? Ou eu estava incomodando? Sem chegar à uma resposta, nós acabamos conversando por dezenas de minutos. Conforme o tempo passava, ela parecia ficar cada vez mais inquieta, como se estivesse à espera que algo acontecesse.

Repentinamente os olhos dela encontram-se com os meus e ela diz o meu nome. Não preparado para aquilo, eu dei-lhe toda a minha atenção:

—Eu acho que gosto de você. -Ela diz.

Lembro-me claramente daquele momento. Foi a primeira vez que eu escutei aquelas palavras e eu não sabia como reagir. Eu sorrio e respondo:

—Obrigado...eu...também acho que gosto de você. -Percebo imediatamente que estou me deixando ser levado pela situação.

Antes que eu possa me afundar ainda mais, os adultos regressam. Eles conversam por mais alguns minutos e em seguida vão embora. Mesmo que momentaneamente, naquele dia eu tinha sentido algo novo. Ela permanece na minha cabeça durante algumas semanas até que voltamos a nos encontrar. Ela parece hesitante, mas diz ter certeza do que sente e me pergunta se eu queria namorar com ela. Muitas coisas passam pela minha mente. Eu não queria fazê-la chorar ou causar problemas para os meus pais. Aceitar parece a única decisão.

Quatro meses se passam. Ao longo desse tempo, nós fomos à vários restaurantes, cinemas, lojas e teatro juntos. Mas o máximo que fizemos foi dar as mãos, ela sempre parecia bastante desconfortável quando tínhamos muito contato físico. Um dia ela me liga dizendo que precisamos falar. Ela aparece na minha casa e vamos para o meu quarto. Sentamo-nos lado a lado na cama, ela olha nos meus olhos e conta a sua história.

Aparentemente, os pais dela acharam que uma boa forma de manter uma relação saudável entre as nossas famílias era ela namorar comigo. Naquela época eu também seguiria qualquer ordem que os meus pais me dessem então consigo entendê-la. O problema foi que ela conheceu outra pessoa ao longo destes meses. Então agora o nosso relacionamento tinha se tornado um incómodo. Ela tinha que estar com o seu outro namorado escondido dos seus pais e ainda tinha que “perder tempo comigo” (foram literalmente essas as palavras que ela usou).

Ela começa a chorar. Dizendo que não sabe o que fazer e que não pode continuar vivendo essa vida dupla. Apesar do nosso relacionamento ter sido bastante superficial, de ela estar me contando como está me traindo e que na verdade não gosta de mim, eu ainda me sinto inclinado a ajudá-la. Sinto que somos apenas duas crianças tentando ser felizes num mundo complicado:

—O que eu posso fazer para te ajudar? -Pergunto eu inocentemente.

—Termine comigo. -Responde ela. -Se você terminar o relacionamento, os meus pais vão aceitar e tudo vai dar certo.

Eu reflito um pouco sobre a situação:

—Será que terminar com ela é a resposta certa?

—Sasesu, você é uma ótima pessoa, apesar de ser carente demais e ter chulé horrível, tenho certeza que você vai encontrar alguém que te faça feliz. -Continua ela acrescentando informações desnecessárias.

—Terminar com ela é a resposta certa. –Concluo eu.

E essa foi a última vez que nos vimos. Eu passei a colocar talco nos meus tênis depois desse dia e entendi que era melhor não mostrar os meus sentimentos à outras pessoas. Essa é a minha história. Isso tudo é relevante porque nesse exato momento eu me encontro deitado ao lado de Lizzy e o meu coração bate numa velocidade preocupante. Não faço ideia de como comecei esse monólogo dizendo que tinha confiança em mim mesmo. Estou virado na direção contrária dela, com medo de me mover e acidentalmente tocá-la.

Provavelmente estou exagerando, já que essa situação não é muito diferente dos dias que dormimos na sala de Kurokawa. Mas ao mesmo tempo, estamos apenas nós dois aqui dentro. Ninguém mais consegue nos ver e se falarmos baixo Kurokawa e Takeda não conseguem nos ouvir:

—Sasesu? -Pergunta Lizzy.

—AH! -Respondo eu assustado. -Desculpa...não estava à espera que você fosse falar comigo...

—Não tem problema, mas está tudo bem contigo? Você está respirando de uma forma estranha.

—Sim...está tudo ótimo...

—Tem certeza que você não sente dor?

—Dói um pouco, eu não tenho a regeneração estúpida que Kurokawa tem, mas não é nada demais.

—Posso ver?

Eu me viro para cima e levanto um pouco a minha camisa mostrando a área do meu tronco que foi mais ferida:

—Isso ainda está um pouco sério. -Diz ela tocando o meu abdômen com gentileza. -Vou tentar te ajudar.

Ela começa a concentrar mana nas suas mãos e eu sinto um pequeno formigamento nas minhas feridas:

—Não dói? -Pergunta Lizzy.

—Não, só faz um pouco de cócegas.

Mesmo naquela situação, eu reparo no tamanho e na textura das suas mãos. Senti-las a tocar a minha pele causa uma sensação agradável:

—Melhor?

—Sim, muito obrigado.

—Não tem de quê. -Sorri Lizzy. -Você faz musculação, Sasesu?

—Já não faço há alguns meses, mas costumava fazer.

—Hmnn, sinto até um pouco de inveja, os teus abdominais são mais definidos do que os meus. -Reclama ela levantando um pouco da sua camisa e mostrando a sua barriga.

Eu não consigo evitar sorrir:

—Eu acho os teus abdominais bastante fofos.

Lizzy desvia o seu olhar, se deita ao meu lado e vira na direção oposta:

—Mas não era suposto eles serem fofos...era para eles serem intimidadores.

—Você já vai dormir?

—Acho que sim, vamos ter um dia longo amanhã.

—Oh, tudo bem...

—Mas sabe... -Diz ela de mansinho.

—O que?

—Está bastante frio...

—Sim, é verdade.

—Talvez você devesse chegar um pouco mais perto...só para estarmos mais quentes mesmo...

Eu finalmente deixo de hesitar, me aproximo de Lizzy e lentamente coloco um dos meus braços por cima do seu corpo:

—Assim está bom?

—Sim...dorme bem, Sasesu.

—Você também, Lizzy.

Notas finais
Um capítulo extra mais longo do que o normal para celebrar os progressos na vida romântica de Sasesu! Eai, o que acharam? Já tem volume novo de IP! https://fanfiction.com.br/historia/804667/Invisible_Play_-_Cursed_City/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!