Notas iniciais
[Capítulo editado] [Tive que fazer algumas alterações para manter a coerência da história] Oh, no, chegamos ao fim dos capítulos que eu tinha preparado (⌐■_■) Eu escrevi 37 palavras do próximo capítulo há 2 meses e nunca mais toquei naquilo. ୧(﹒︠ᴗ﹒︡)୨ Tenho que voltar a escrever...

Kurokawa abaixa-se para desviar de um ataque. As grandes garras da criatura destroem pedaços da parede próximos a ele. O monstro levanta sua longa cauda e balança-a na direção de Kurokawa. Sem conseguir acompanhar a velocidade dos ataques, Kurokawa é forçado a usar suas garras para se defender. Mas mesmo bloqueando, o impacto ainda é forte o suficiente para jogá-lo alguns metros para longe.

Sem sofrer muitos danos, e finalmente conseguindo colocar alguma distância entre ele e aquela besta, Kurokawa observa-a com mais atenção. Sua mente não consegue evitar chegar a uma conclusão:

—Isso não é um coelho! Em que tipo de realidade distorcida isso seria um coelho!?

—Ele é o Guardião do Santuário do Deus Coelho, eu entendo que você tenha imaginado que fosse parecer mais um coelho normal, mas ele continua sendo o monstro mais poderoso deste calabouço. -Comenta Takeda.

Kurokawa pula para trás na intenção de esquivar-se de outro ataque e seus pés tocam as paredes laterais de um dos cantos da sala. A besta faz um ataque com sua cauda, dessa vez, Kurokawa utiliza a parede como apoio e impulsiona-se em outra direção:

—Falta quanto tempo, Takeda? -Pergunta ele.

—Dois minutos. -Responde Takeda olhando em sua interface a uma distância segura da besta.

Kurokawa continua fazendo o que pode para evitar ataques até o momento em que vê Takeda mover-se em sua direção. Takeda retira um machado de seu inventário e dispara na direção do monstro. Ele faz seu ataque, mas as feridas causadas regeneram-se quase instantaneamente. De qualquer forma, ele havia conseguido atrair a atenção do Guardião do Santuário.

Kurokawa aproveita o momento para afastar-se do combate.

—Sabe, quando você disse que esse calabouço ia ser um desafio, eu fiquei à espera de algo totalmente diferente disso. -Diz ele à Takeda. -Eu achei que fosse ser uma batalha épica com as nossas vidas em risco, mas agora, apesar das nossas vidas estarem em risco, tudo o que fizemos foi brincar de pega-pega com um coelho mutante durante vinte minutos.

—Então até mesmo você possui um senso de humor! — Sorri Takeda esquivando um ataque.

Kurokawa ignora o comentário e foca-se em descansar, passados cinco minutos, ele e Takeda trocam de posições de novo:

—Essa é a última. -Diz Takeda ofegante.

Kurokawa ataca o monstro para atrair sua atenção e logo em seguida começa a esquivar de seus ataques:

—Cinco minutos... Só tenho que esperar cinco minutos...

Talvez por serem os últimos cinco minutos de uma longa meia hora, Kurokawa sentia que o tempo estivesse passando ainda mais devagar. O seu inimigo não era especialmente forte ou rápido, mas possuía uma habilidade que o impedia de morrer durante trinta minutos. Kurokawa já cansado dessa desnecessária e longa luta, utilizava o mínimo possível de suas forças. Foram cinco minutos de agonia que quando acabaram, trouxeram poucos segundos de felicidade.

—Acabou! -Grita Takeda.

Kurokawa imediatamente dispara na direção do Guardião do Santuário e desfere uma sequência de ataques. O monstro sofre bastante danos e tenta atacar. Kurokawa esquiva-se sem dificuldades e continua sua saraivada de golpes. Em questão de segundos, aquela criatura desfaz-se. Kurokawa respira ofegantemente, sabendo que acabou, mas não satisfeito.

—Eu sabia que ele tinha uma habilidade de regeneração que durava trinta minutos, mas eu não achei que ela fosse ser forte o suficiente para torná-lo praticamente imortal. -Explica Takeda.

—Ganhamos, isso é tudo o que importa... -Responde Kurokawa um pouco exausto.

—Talvez esse não seja o melhor momento para dizer isso, mas tem outro chefão depois desse...

—Outro chefão...como assim?

—O nome desse era Guardião do Santuário, certo? Então, daqui alguns segundos, não, para ser sincero, nesse exato momento, o Deus do Santuário dos Coelhos deve estar vindo para cá. -Explica Takeda.

Kurokawa levanta-se:

—Isso parece divertido. Quão forte ele é?

Em um dos quantos da sala, um altar quebrado começa a vibrar. As rochas do altar rapidamente juntam-se e um grande portal forma-se no teto da sala. Nada foi visto. Nada foi ouvido. Nada aconteceu. E mesmo assim, Takeda e Kurokawa entendiam completamente a situação onde estavam:

Kurokawa demorou alguns segundos para conseguir mover-se. A mera existência daquele monstro causava uma pressão tão grande e aterrorizante que até mesmo respirar tornava-se difícil:

—Vamos embora, eu não quero morrer hoje.

Assim, Kurokawa e Takeda fugiram. Eles recusaram o convite de adentrar a dimensão do Deus Coelho por apenas um motivo: instinto. Qualquer animal teria feito o mesmo. É natural fugir quando confrontado com o sentimento de iminente e inevitável morte. Aquele era um inimigo que Kurokawa e Takeda sequer eram capazes de entender.

Os dois refazem o caminho de volta até a entrada e veem-se de frente com o portão onde tudo aquilo começou:

—Como você se sente, Kurokawa?

—Normal. Que tipo de pergunta é essa?

—Achei que você fosse ter uma reação diferente, considerando que é a tua primeira vez. -Continua Takeda.

—Talvez tenha sido a minha primeira vez lutando contra um chefão dentro de um calabouço, mas eu já derrotei um chefão na montanha próxima à Vila.

—Eu não estava falando disso.

—Do que você estava falando então? -Pergunta Kurokawa.

—Essa foi a primeira vez que você decidiu não lutar.

A expressão descontraída de Kurokawa foi rapidamente substituída por um olhar frio:

—Eu ainda considerei a possibilidade de você escolher lutar contra o Deus Coelho, mas parece que você entendeu a diferença de força. -Comenta Takeda.

—Eu sou ganancioso, não estúpido. Para você, talvez apenas pareça que eu estou tentando me matar, mas eu nunca entro numa luta que eu não tenha certeza que vá vencer.

—Entendo. No mundo em que vivemos batalhas são inevitáveis, não seria errado dizer que pessoas fortes em batalhas sejam capazes de mudar o mundo. Então eu não posso dizer que lutar é errado. Mas ser forte traz consequências, Kurokawa. Eu acho que você deveria pensar melhor nas suas ações.

—Consequências por ser forte? Quem se importa com isso? Eu não devo nada ao mundo. Tudo o que eu tenho eu conquistei com as minhas mãos. Eu decido como a minha força é usada!

—Você parece bastante frustrado, Kurokawa. — Comenta Takeda. -Sabe, às vezes, eu sinto que é difícil comunicar com palavras. Então vamos lutar, Kurokawa. Talvez assim você entenda.

Notas finais
Sim! Tudo é motivo para eu escrever uma luta!