Invisible Play - Checkpoint
10 Astúcia e Vingança
Notas iniciais
Youmu dá um passo para frente e faz um corte com uma das suas espadas. Kurokawa mal consegue acompanhar o ataque e sofre um ferimento leve no seu rosto. O Herói dá outro passo e ataca com a sua outra espada. Kurokawa percebe que não vai conseguir esquivar então saca Eclipse e tenta se defender. O impacto é forte o suficiente para abaixar a sua guarda e no momento seguinte o seu corpo é projetado para longe por um chute:
—Não entendo porque você vale 100 mil IC para ser sincero, mas trabalho é trabalho. Não vou ficar reclamando.
Kurokawa levanta-se e percebe que está começando a ficar sem forças. Ele extrai o máximo de energia que consegue de Eclipse e faz tatuagens pretas e brancas surgirem nas suas mãos e punhos:
—Então você tinha alguns truques na manga, mesmo assim...eu estava à espera de mais...talvez esteja sendo cauteloso demais... -Comenta o caçador de recompensas.
Kurokawa divide a sua espada em duas e desfere uma sequência de golpes. Takeda, Lizzy e Sasesu chegam e começam a observar a batalha de longe:
—Temos que ajudar Kurokawa! -Afirma Lizzy sacando as suas armas.
—Não acho que isso seja uma boa ideia, não vamos conseguir derrotar aquele cara mesmo se lutarmos os quatro juntos contra ele. -Comenta Takeda.
—Então o você quer fazer? Deixar Kurokawa morrer? -Pergunta Lizzy.
—Não, eu quero observar mais a situação para conseguir fazer um plano.
—Eu concordo com isso... -Interfere Sasesu. -Eu também quero salvar Kurokawa, mas vai ser tudo em vão se interferimos sem um plano e acabarmos todos mortos.
Lizzy parece desconfortável com aquela situação:
—Kurokawa não vai durar muito tempo...você mesmo disse, Takeda! Ele está lutando contra alguém que nem nós quatro juntos conseguíamos derrotar!
—Temos que acreditar nele...
Youmu dá um passo para trás para se esquivar de um ataque:
—Tenho que admitir, você tem potencial. -Comenta ele. -Talvez em dois anos você fosse capaz de lutar de igual para igual contra mim. Mas agora...você não tem chance nenhuma de vencer...
Kurokawa consegue sentir a grande quantidade de mana que o seu oponente está espalhando à sua volta, mas ele não tem ideia de que tipo de ataque estava por vir. Youmu avança enquanto Kurokawa prepara-se para defender, mas no instante em que a distância entre eles diminui, ele não consegue respirar e a sua visão fica turva:
—Huh?
Ele tenta dar um passo para trás, mas tem pouco controle sobre o teu corpo. Ele ainda se lembra da direção de onde o primeiro ataque de Youmu vinha então consegue esquivá-lo, mas o segundo dilacera o seu tórax diagonalmente. Sangrando e sem entender o que aconteceu, ele se impulsiona para trás e coloca algum espaço entre os dois. A sua visão e corpo voltam ao normal, mas o ferimento é profundo:
—Estou um pouco impressionado que você sobreviveu àquele ataque.
Kurokawa já tinha perdido muito sangue e mesmo sem estar sob efeito daquela técnica estranha, a sua visão estava ficando embaçada:
—Isso não é nada bom... -Pensava ele. -Não entendo o que está acontecendo então não consigo pensar numa forma de defender. Não posso me aproximar, mas não tenho muita mana para ficar usando projéteis.
Ele respira fundo e sorri:
—Ele é forte! Eu quero derrotá-lo! Eu quero provar para mim mesmo que sou melhor que ele!
Kurokawa guarda Eclipse e projeta as suas garras. Ele utiliza toda a sua mana restante para fazê-las mais longas e mais resistente:
—Meu nome é Kurokawa! Você vai se arrepender por lutar contra mim por uma quantia insignificante de 100 mil IC!
—Gosto da tenacidade... -Responde Youmu. -Mesmo de frente com a morte você não recua. Vou te dar um final merecido.
—100 mil IC? -Pensa Takeda observando a luta de cima de uma construção próxima. -Aquele cara é um caçador de recompensas que veio matar Kurokawa!
Ele aproxima-se de Lizzy e Sasesu para explicar o seu plano. Youmu corre na direção de Kurokawa e faz dois golpes simultaneamente. Kurokawa consegue defender os dois sem perder a consciência:
—Ele aumentou o tamanho das suas garras para poder lutar sem entrar dentro do alcance da minha habilidade. -Pensa o Herói. -Bastante inteligente, mas infelizmente...as coisas não são tão simples assim...
Ele avança mais uma vez e faz um corte com um pouco mais de força. Kurokawa defende, mas vê uma das suas garras destruída. Youmu desfere outro ataque e desfaz a outra garra de Kurokawa:
—Eu podia ter feito isso a qualquer momento. E outra, eu consigo mudar o alcance da minha habilidade.
Kurokawa ao ouvir aquelas palavras tenta se afastar, mas imediatamente sente a sua consciência se dissipando:
—Merda...
—Te vejo no inferno.
Youmu atravessa o abdômen de Kurokawa com uma das suas espadas e decapita-o com a outra. Sangue espirra em todas as direções enquanto o Herói retira a sua espada daquele cadáver. Ele percebe a presença dos companheiros de Kurokawa se aproximando e decide se retirar. Enquanto se afasta daquele lugar, uma voz surge na sua mente:
—Youmu, não vai levar a cabeça como prova?
—Teria levado se os companheiros dele não tivessem aparecido, mas prefiro não interagir com pessoas próximas às minhas vítimas.
—Tudo bem, eu posso usar a minha habilidade para mostrar ao nosso cliente a tua visão da batalha.
—Obrigado, Ana.
Sasesu, Lizzy e Takeda aproximam-se de Kurokawa e conferem o seu corpo:
—Temos que parar o sangramento... -Diz Lizzy tirando bandagens e poções de cura do seu inventário.
—O que...acabou de acontecer? -Pergunta Kurokawa quase inconsciente.
—Eu usei pó de vidro para fazê-lo acreditar que te decapitou. -Responde Takeda.
—Você não podia ter feito isso...antes de ele ter atravessado o meu estômago?
—Não dava, ele é claramente alguém que conhece pó de vidro muito bem, quanto mais tempo eu o colocasse numa ilusão menor a probabilidade de as coisas darem certo. -Explica Takeda. -Então eu usei pó de vidro nele apenas para fazê-lo imaginar o golpe final, todo o resto aconteceu na realidade.
—E se eu tivesse morrido antes de você conseguir usar pó de vidro?
—E se você parasse de falar e se focasse em sobreviver? -Interfere Sasesu. -O que acha? Bem melhor né?
Kurokawa tenta retrucar, mas apenas manter-se acordado já é desgastante o suficiente:
—É melhor alguém ir para fora da cidade com Kurokawa. -Diz Lizzy. -Tudo vai ser em vão se o caçador de recompensa descobrir que ele continua vivo.
—Sim, mas temos que lidar com algo antes disso. -Responde Takeda.
—O que? -Pergunta Sasesu.
—Estamos bem longe da casa de Kurokawa e esse não é um lugar que frequentamos então como eles conseguiram encontrar Kurokawa? -Continua Takeda.
—Eles podem ter usado um feitiço de rastreamento ou um item. -Responde Lizzy.
—Sim, esse é o problema, existem muitas formas de encontrar uma pessoa e enquanto não soubermos qual eles usaram, não podemos sair agir. -Explica Takeda. -Se for um feitiço, fugir para longe para tentar sair do alcance é uma boa ideia, mas e se Kurokawa tiver sido marcado? No momento em que a marca começar a se mover no mapa, eles vão entender que Kurokawa está vivo.
—Então só temos que nos certificar que Kurokawa não foi marcado. -Conclui Lizzy.
—Marcado? Do que vocês estão falando? -Pergunta Sasesu.
—Existem ataques que ao invés de causar dano, deixam o teu oponente marcado. -Explica Lizzy. -São bastante úteis para monitorar pessoas.
—Então, Kurokawa, você levou algum ataque que não te causou danos recentemente? -Pergunta Takeda.
—Pensava que era para eu ficar quieto... -Responde ele ainda irritado com o comentário de Sasesu.
—Estamos tentando salvar a tua vida... -Suspira Takeda. -Você podia cooperar?
—Sei lá... -Responde Kurokawa. -Mas ontem algo estranho aconteceu, um cara furou o meu pé, mas não sangrou nem nada.
Takeda e Lizzy trocam olhares preocupados com a situação:
—E agora? -Pergunta Lizzy. -Sabemos onde a marca está, mas eu nem sequer consigo senti-la. Como vamos tirá-la?
—Eu não tenho nenhum feitiço que tire marcas... -Responde Takeda. -Mas você tem uma ótima regeneração, certo, Kurokawa?
—Isso não vai dar certo, Takeda. -Interfere Lizzy. -Talvez Kurokawa conseguisse fazer crescer um pé novo numa situação normal, mas ele já perdeu sangue demais. Ele vai morrer se for mais ferido do que isso.
—Calma...vocês acabaram de considerar a possibilidade de cortar o meu pé?
—Pessoal, eu recentemente ganhei uma habilidade chamada “Fluxo de Mana”. -Diz Sasesu. -Eu nunca a usei, mas ela supostamente me permite controlar a mana presente nas habilidades de outros jogadores.
—Você acha que consegue retirar a marca com isso? -Pergunta Takeda.
—Provavelmente não, mas eu talvez consiga mudá-la de lugar...tipo...para um dedo...
—Para um dedo... -Repetem Lizzy e Takeda.
—Ei...deve ter outra forma... -Recua Kurokawa.
—Faça isso, Sasesu. -Afirma Lizzy.
Sasesu ativa a sua habilidade e concentra-se em mover a marca:
—Amigos...? -Pergunta Kurokawa assustado.
Kurokawa sente uma pequena quantidade de mana passando pela sua pele até o seu dedo mindinho do pé:
—Está tudo bem, Kurokawa. -Diz Takeda tentando-o acalmar enquanto tira uma faca do seu inventário. -É só o mindinho, você vai sobreviver.
—Ei, ei, ei, como nós sabemos que vai crescer de-
Antes de terminar a sua frase, Kurokawa grita com dor e vê o seu dedo cair no chão:
—Filhos da...
—Não fale muito alto, Kurokawa. -Diz Lizzy estancando o sangramento. -O caçador de recompensas pode estar por perto.
—Tudo bem, eu vou levar Kurokawa para fora da cidade. -Comenta Takeda. — Comprem poções e mantimentos, Lizzy e Sasesu. Depois nos encontramos e podemos seguir a viagem.
—Combinado. -Responde Sasesu.
Lizzy termina de enfaixar Kurokawa e aplicar poções de cura nas suas feridas, mas ele continua sangrando. Takeda coloca-o nas suas costas, cobre-o com uma capa e começa a caminhar para fora da cidade. Lizzy e Sasesu aproximam-se do centro de Newton na esperança de encontrar uma boa loja. Após procurarem por alguns minutos, eles finalmente acham preços razoáveis:
—Acha que está faltando alguma coisa, Sasesu?
—Podíamos comprar carne e cozinhá-la numa fogueira.
—Essa é uma boa ideia, provavelmente não vai haver animais ou frutas em Masteam então temos que ter certeza que temos comida o suficiente. -Responde Lizzy.
—Se vocês querem carne de qualidade, eu recomendaria que vocês procurassem no interior da muralha de vidro. -Comenta um homem de longos cabelos negros próximo a Lizzy.
Apesar das palavras dele não carregarem más intenções, a sua aura deixava óbvio que ele era alguém perigoso. Lizzy segura no braço de Sasesu e começa a caminhar para longe:
—Muito obrigada pelo conselho.
—Você tem bons instintos, eu fiz o meu melhor para me manter calmo, mas você mesmo assim percebeu a minha intenção. -Continuou ele. -Mas sabe, eu não posso deixar vocês fugirem. Não depois do que vocês fizeram com Narzo.
Lizzy percebe que aquele homem é um inimigo e começa a se mover mais rápido. Waffe saca duas pistolas do seu inventário e começa a disparar. As pessoas próximas gritam em pânico enquanto tentam se afastar da batalha. Lizzy e Sasesu movem-se por trás de barracas, mas a precisão dos tiros é assustadora. Ela tem um mau pressentimento e para subitamente na posição onde está. No mesmo segundo uma bala atravessa o lugar onde ela estaria se não tivesse parado:
—Consigo entender como vocês derrotaram Narzo, vocês parecem ter experiência em lutas. Mas não acho que isso vá ajudar muito contra mim.
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