Invisible Play
14 Extra - Pecador
Notas iniciais
Mais um trem passou enquanto aquele menino esperava sentado num banco. A típica neblina da cidade acompanhada de uma chuva leve fazia com que a visibilidade diminuísse. Por sorte, ele estava protegido da chuva e suas roupas, mesmo rasgadas, ainda faziam um bom trabalho em aquecê-lo. Este esfregou suas mãos frias e sorriu quando viu outro trem se aproximar.
Ele levantou-se rapidamente e aproximou-se do local de desembarque. O trem finalmente parou e várias pessoas começaram a descer. Ele olhava para cima, observando os rostos dos homens que estavam a sair na esperança de achar alguém. Cinco minutos se passaram e a ansiedade começou a dominar o rosto daquele jovem. Ele abaixou a cabeça e começou a lentamente caminhar para casa:
—Ei, é você, Krutz? -Perguntou aquela voz, tão gentil quanto ele se lembrava.
O menino imediatamente voltou-se naquela direção. Ao avistar aquele rosto, um grande sorriso abriu-se em sua face e lágrimas começaram a escorrer:
—Pai! -Gritou ele correndo em direção àquele homem.
Os dois se envolveram num aconchegante abraço:
—O que você está fazendo aqui com essa chuva, Krutz? -Perguntou o homem.
—Eu estava te esperando...
Ele bagunçou o cabelo de seu filho enquanto olhava-o com o mais puro carinho:
—Mesmo sem saber que dia eu voltava? Parece que você também tem se esforçado...
O menino respondeu que sim enquanto mais lágrimas fluíam de seus olhos:
—Vamos lá, não chore. -Disse aquele homem limpando as lágrimas da criança. -Vamos para casa, a mãe já fez o jantar?
—Ela estava fazendo quando sai de casa, Marie está ajudando-a. -Respondeu o jovem tentando parar de chorar. -Ainda temos que ir chamar Matt e Delfius, eles saíram para brincar.
O homem levantou seu filho, colocou-o em suas costas e cobriu-o com o seu casaco enquanto os dois caminhavam para casa. O menino abraçou seu pai, fechou seus olhos e apreciou aquele momento de ternura. Ele queria que aquilo durasse para sempre. Mas uma voz o interrompeu:
—Chefe? Está tudo bem?
Ele abriu seus olhos e percebeu sua posição. Sentado num trono, com seis pessoas ajoelhadas a sua frente. Ele sentiu algo em seu rosto e ao passar sua mão descobriu uma lágrima:
—Então até mesmo eu ainda sou capaz de sentir emoções...
Ele rapidamente limpou a lágrima de seu rosto e levantou:
—Não se preocupem, eu apenas me lembrei novamente do motivo de ter feito tudo o que fiz.
Todos os outros seis presentes na sala, permaneceram imóveis e quietos. Ele começou a caminhar em direção à porta:
—Vamos, agora ainda não é a minha hora de descansar.
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