Invisible

1 She will never notice,


Notas iniciais
Hhm, não sei se deu pra passar a "essência" da estrofe nesse capítulo XD

Capítulo 1. She will never notice how you stop and stare whenever she walks by

She can\'t see the way your eyes light up when you smile;

She\'ll never notice how you stop and stare whenever she walks by.

And you can\'t see me wanting you the way you want her,

But you are everything to me.

Kaoru.

— Hey, Kaoru. Kaoru.

Eu sabia que ele estava mais animado do que o normal naquele dia; o fim de semana havia apenas começado, e Hikaru era sempre — com raras exceções — o mais animado de nós dois. Algo, é claro, longe de ser identificado por pessoas comuns.

Mas nós não queríamos em nossas vidas pessoas comuns, não é mesmo?

— Que foi, Hikaru?

Ele vinha com algo nas mãos, algo longo e peludo... seria um animal? Uma roupa? Um jogo? Ele chegou perto de mim e sorriu, enlaçando meu pescoço com aquilo.

Ah. Cachecol.

— Estava olhando algumas roupas antigas nossas, e encontrei isso. O que você acha? — antes que eu pudesse responder, ele já tinha atacado novamente. — Acho que você fica uma gracinha.

— Ah — falei, fingindo surpresa por alguns instantes —, mas eu sou uma gracinha.

Ele encolheu os ombros, como se concordasse, e logo estava me puxando pela mão, me pegando pela cintura, fazendo de tudo para que eu me levantasse e deixasse de fazer o que quer que estivesse fazendo ao invés de lhe dar atenção. Sua expressão compenetrada me dava vontade de rir, e então eu o fiz.

Você sempre foi tão bobo, não é? O mais engraçado, com certeza (embora nem eu mesmo saiba dizer isso com certeza). O mais velho, e o mais engraçado. E era isso o que me surpreendia quando era eu e não você que acabava consolando ou dando conselhos a alguém; não seria isso tarefa sua?

— Vaaaamos, Kaoru! — você dizia, me puxando, usando todas as suas forças. Coloquei aquele jogo de lado, e em vez de deixar ser puxado, te puxei para mais perto de mim. Você, desequilibrado, acabou caindo.

— Pra que tanta pressa, Hikaru? Parece até que vai morrer hoje.

Com aquela expressão surpresa, você me encarou por alguns segundos. E então sorriu — e apenas eu e Deus sabíamos o quão bonito era aquele teu sorriso.

— Ah — ainda surpreso, você se apoiou nos meus joelhos, com um sorriso entusiasmado. — Eu tinha pensado que nós poderíamos... Você sabe, visitar a Haruhi ou algo assim, fazem séculos que não saímos todos juntos.

Consegui rir, quando percebi que o conceito que Hikaru tinha de “todos” não incluía o tono, o Kyoya-sempai ou mesmo Hani-sempai e Mori-sempai. Mas o fato de que ele me incluía em seus conceitos, em todos eles, já era motivo suficiente para me deixar feliz.

x

Ding, dong.

Uma hora e vinte minutos depois lá estávamos nós, na porta da frente da casa de Haruhi, Hikaru apoiado em meu braço e tagarelando sobre um parque de diversões que havia chegado na cidade, e se Haruhi gostava desse tipo de coisa. Eu achava aquilo engraçado — o modo como ele passara a se importar com coisas tão frívolas após ter descoberto que gostava dela. Havia um outro sentimento envolvido, e por minha parte... embora nem eu mesmo soubesse qual era.

— Hhhm...? — a porta logo se abriu, revelando uma Haruhi sonolenta e maravilhosamente vestida com uma calça e uma camiseta comuns. Ela esfregava um dos olhos, e ninguém poderia dizer que ela ficava extremamente fofa senão nós.

— Haruhi! Vamos ao parque de diversões? — dissemos juntos eu e Hikaru, piscando os olhos sedutoramente. Demorou algum tempo até que ela entendesse que nós realmente estávamos ali.

— Não.

— Por favooooor! — fizemos, já acostumados com aquela reação automática de Haruhi.

— Não. Além disso, hoje é meu dia de estudar.

— Haruhi — falou Hikaru, e eu sabia o que ele iria dizer; eu mesmo diria aquilo, se ele não tivesse começado. — Você sabe que não tem opção.

— Ou você vem, ou nós te trazemos — completei, com meu melhor sorriso. Ela pareceu refletir por alguns segundos.

Obviamente, o fato de o tono não estar conosco ajudou bastante.

— Está bem — respondeu ela, relutante. — Eu vou me arrumar.

— Nós podemos entrar, então? — perguntei, maravilhado, meus olhos brilhando de expectativa. Ela bateu a porta na minha cara.

Eu deveria ter percebido. Típico de Haruhi.

Hikaru, no entanto, já me arrastava escada abaixo e dava pulinhos de excitação, me girando antes mesmo que eu percebesse o que estava acontecendo.

— Santo Deus, Hikaru! Acalme-se!

Ele me encarou, com um olhar animadíssimo. A coisa que eu sentira hoje mais cedo pareceu achar meu estômago um petisco pronto para se morder, e eu fiz uma careta; ele se esqueceu da animação repentina e apertou meus ombros, encarando-me com um ar de preocupação.

— Kao... ru?

E, de repente, passou. Como se tivesse surgido apenas para criar aquela reação que meu irmão tivera.

— Não foi nada, Hikaru, já estou melhor. — Sorri ternamente. — Ei, veja, Haruhi já...

Antes que eu conseguisse terminar a frase, o pescoço dele já estava torcido.

A simples menção do nome dela.

Por que aquilo me consumia?

— Hikaru, Kaoru! — ela já estava diferente (de certo ponto de vista, poderia-se até dizer sorridente) e descia as escadas em nossa direção, apoiados no Rolls Royce que nos trouxera até ali. — Estou pronta, vamos? — e olhou nervosa na direção da porta de sua casa.

— Seu pai? — rimos eu e Hikaru, percebendo que ela estava com uma roupa excessivamente feminina para seus gostos. Haruhi nos encarou, com uma expressão de martírio, e abrimos a porta do carro para que ela entrasse. Deixei que o Hikaru entrasse primeiro, e então fechei a porta e entrei do outro lado, de modo que ela ficasse no meio.

Por nós dois (se não por nós, por eles) aquele diz seria o mais divertido de toda a existência.

Notas finais
Reviews não matam XD