Notas iniciais
Me pediram para postar um novo capítulo hoje, então aqui está. Espero que gostem.

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— Maninha? – Escuto batidas na porta. – Cass, está ai? Você me pediu para vir...

Levanto da cama e vou até a porta. Eu já tomei banho e não pareço que fui atropelada, mas espero que Billy acredite em mim. O casaco de Amon está dentro da máquina de lavar, junto da minha calça. Seguro a maçaneta e abro a porta.

— Vim direto para cá. – Ele diz me abraçando. – Por que não está com os meninos?

Puxo meu irmão para dentro de casa e tranco a porta. O empurro até o sofá e tento controlar meus pensamentos.

— Eu quero saber se você é humano, Willian.

— Humano? – Ele ri e tenta se levantar, mas o empurro de volta. – Sim, Cass. Eu sou humano, por quê? Você não é?

Cruzo os braços e tento ver se Billy está ou não falando a verdade. Se ele é humano... Por que teria filhos assim... Isso não faz sentido.

— Seus filhos são uns monstros! – Solto meu pensamento e tento dizer tudo o que aconteceu. – Quando fui para lá eu esperava te encontrar, não cinco garotos imaturos e loucos. Quando tentei fugir da sua casa, fui atropelada e levada de volta pelo mais velho. Ai, pelo que eu entendi, eu morri, mas Matthew me reviveu. Eu não quero nem explicar como ele fez isso, mas fez. Eu nunca mais quero ver esses garotos e quero você longe daquela família!

Meu irmão parece quieto por uns instantes, seu rosto está sério e seus olhos estão no meu. Billy se levanta e me abraça forte.

— Que bom que não está morta! Terei uma longa conversa com eles...

— O que? – Fico pasma e o empurro de volta no sofá. – Como assim? Você não está nenhum pouco surpreso deles serem monstros? Pensei que só não sabendo disso, você estaria com essa família, mas pelo visto você é mais louco do que eles!

— Cass, senta aqui. – Sento-me ao lado dele no sofá quando ele respira fundo e sorri tentando ser condescendente. – Eu pensei em estar louco quando soube de tudo, no entanto, ao contrário de mim, você parece estar bem. Seu único problema não é a existencia deles, mas em seu irmão está morando com eles. – Billy segura a minha mão e passa o dedo sobre a palma. – Acho isso mais impressionante do que qualquer coisa.

— Como pode dizer isso, Willian? – Bato em seu peito e ele chega para trás. – Você é idiota ou o que? Como pode estar tranquilo?

— Eu amo a Pam, maninha. Eu não ligo se ela é um ser sobrenatural ou não. Isso realmente não vem ao caso. Para mim, a Pam é só a Pam e isso basta.

— O que ela é exatamente? O que eles são, irmão?

— Eu não queria te arrastar para o nosso mundo, mas acho que não tenho mais escolha. — Sua cara fica séria por um minuto e depois parece relaxar. – Pam é uma Norn. Norns são mulheres que controlam o destino dos deuses e de homens. Significado, minha mulher não é do tipo ruim, entende? Não precisa ficar tão irritada. Ela costumava conceder desejos em troca de algo importante para as pessoas, mas como isso me incomodava, Pam parou.

— Eu não sei se entendi bem... Mas deve ter algo na internet sobre isso... E os seus filhos?

— Amon é um Lobisomem

— Lobisomem loiro? – Tento ri, mas percebo que pode ser verdade.

— Não sabia que Lobisomens não podiam ser loiros, Cass. – Sua voz está séria, como nunca vi antes. – Ele é mais velho que você, porém ainda não controla todo o poder, sendo assim, não é bom deixá-lo sozinho. Ele puxou o pai. Dy e Cal são Incubos. Hum... Como dizer de uma forma que não vá ofende-los? São demonios... Não, acho que é melhor dizer que são um tipo de Fae que tormam forma de lindos rapazes para seduzir e levar mulheres ao pecado. Eles deveriam se alimentar da energia das pessoas. Mas deixei bem claro que não quero que machuquem ninguém.

Um humano tentando mandar em monstros...

— Mas os dois morenos são seus filhos! Eles não deveriam ser humanos?

— Hum... Bem, não fui eu quem os transfomou no que são. Ambos nasceram humanos, mas agora Matt é um Leanan sídhe, um tipo de fada amante dos humanos. Costuma dar muita inspiração para quem fica perto deles, também tem o dom da cura de feridas extremas e é muito ligado a natureza. – Explicação válida para me trazer dos mortos, eu acho. — E Tom um banshee, é quem eu tenho mais pena. Ele anuncia a morte com um grito potente. Tendo apenas cinco anos... Vendo, ouvindo e sentindo tudo isso... Acho terrível, mas não há muito que eu possa fazer.

— Como eles não são humanos?

— Essa é uma explicação mais difícil, maninha. – Billy olha para o meu rosto e parece notar que estou séria. – Como vou explicar isso... Existem camadas na nossa realidade. Aqui era para ser só dos humanos e na outra, seriam os seres sobrenaturais. Porém, tem um meio de passar de uma realidade para a outra, e foi isso que Pam e os três mais velhos fizeram para vir aqui. Quando Matt nasceu, outro bebê também veio ao mundo. Mas ao mundo sobrenatural. Quando colocados frente a frente, se tornam um. No caso dele, não é nem humano, nem fada e sim ambos. Isso fez com que seus poderes ficassem menores. Diferente dele, o garoto que nasceu na outra camada, era loiro e de olhos claros, não sei explicar por que no final ficaram de olhos e cabelos negros...

— Então, agora, para curar não basta Matthew querer, ele tem que tocar nas pessoas? – Tento entender, apesar de não ser muito difícil, não sei explicar por que faz sentido.

— Isso, e o mesmo foi feito no Tom. Pelo o que Pam disse, as cópias humanas de Amon, Dy e Cal estão bem longe dos Estados Unidos, então não tem que se preocupar de se esbararem e diminuirem seus poderes.

Suspiro, cansada disso tudo. Acho que entendi o que cada um é, e se for como meu irmão diz, existem muitos outros demonios aqui na Terra. Ele não vai deixá-los e não liga de ter uma família como essa. O que eu faço? Ele já está a dezeseis ou dezesete anos com os Petersons, então não vou conseguir mudar a mente dele. E estou com medo de voltar aquela casa. E agora?

— Bem... Acho que expliquei bem esse lado da família. E suspeito que seu atropelamento foi culpa de algum deles. Terei uma conversa com cada um e eles irão te pedir desculpas, Cass.

— Não sei bem como magia de fada funciona, mas me tirar dos mortos não é algo... Difícil? Não traria consequencias?

— Hum... – Billy pega o celular e disca um número. – Vou perguntar para quem sabe. – Demora alguns segundos até eu ouvir alguma coisa do outro lado da linha. – Ah, te contaram? Bem, e o que você acha? Cass está com medo de haver consequencias. Sim. – Meu irmão começa a me olhar e tocar alguns lugares no meu corpo. – Não, nada de errado. É, também achei. Uhum. Tudo bem, então, logo logo chego em casa, amor.

Levanto e vou pegar água na cozinha, quando volto ele parece estar bem pensativo.

— Cass, se você se sentir mal, me procure que eu te examino de novo. Agora, parece estar tudo bem.

Tudo bem? Eu acho que nunca vou entendê-lo. Monstros podem fazer lavagem mental, não é? E so for isso que fizeram com você? Billy se levanta e vai para perto da porta.

— Eu queria que vocês se dassem bem, maninha. – Billy dá de ombros. – Não tenho folga a um bom tempo e ficando em casa parece ser só mais problemas. Tínhamos planos de viajar por uma semana e...

— Não. Nem pensar!

— Eu ainda nem falei nada! – Apesar de ter quarenta e poucos anos, meu irmão acha que fazer birra vai adiantar. – Só queria saber se você poderia tomar conta deles...

— Sou humana! Não tem jeito deu ficar perto deles e... – O celular dele toca.

— Alô? Oi, amor. Ainda estou aqui sim. – O barulho é um pouco maior no celular e seus olhos param em mim por um segundo. – Não acho que seja fácil... Ok, anjo. Vou tentar.

Meu irmão desliga o telefone e continua me encarando.

— O que houve agora?

— Pam estava conferindo seu destino e...

— Eu não quero saber o meu destino, irmão! – Abro a porta e ele me acompanha. – Mas que loucura. Só quero ficar longe disso tudo e...

— Bem... Pelo o que me foi dito, você ainda não está completamente curada. – Billy cruza os braços. – E como me preocupo com sua saúde, faça suas malas agora.

— O que?

— Você vem para casa comigo. Não vou te deixar doente sozinha.

Estar com meu irmão sempre foi um plano e uma saudade. Mas não com aquela família por perto. Estou com medo. Dou um passo para trás.

— Não posso! Tenho aula amanhã e...

— Sua vida não vai mudar tanto assim, maninha. Só sua casa, por um tempo.

— Isso não é um plano para você ficar livre dos seus filhos, ou é?

— Na verdade, não tinha pensado nisso... Mesmo assim, você tem que ficar lá em casa agora. Por que Matt é o único que eu conheço que pode te manter viva... E te curar de vez.

Espera. Não. Isso não. Não quero ficar com um garoto que pode de repente... Não! Pelo amor de Deus! Alguém me ajuda!

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Já são nove e meia da noite quando desço do carro de Billy. Ele havia dito que apesar da casa ser grande, só tinha seis quartos. E todos ocupados. Falei que não tinha problema, eu podia ficar na minha própria casa, mas ele ligou para Pamela e ela falou que eu poderia dormir no quarto de Tom. Por ele ser o mais novo, seria o mais responsável a se fazer.

— Tia! – Tom corre e se lança nos meus braços. – Pensei que nunca mais te veria! Matt não nos contou por que você estava tão brava e...

— Tudo bem, Tomas. Pode ir para dentro, preciso falar com Cassandra. – Pamela sai da casa, antes mesmo deu subir todos os degraus até a porta. – Bem-vinda a minha casa. – Ela me abraça e eu tremo com isso. — Não precisa ter medo, minha querida. Eu não vou te machucar.

Eu não teria tanta certeza disso.

— Sinto muito por ser tão repentino. Sei que está na faculdade, apesar de ainda ser novinha. Seu irmão me contou o quanto você é inteligente e te pularam de classe. Fico admirada! Queria que meus meninos estivessem nesse nivel!

— O-obrigada. – Gaguejo um pouco, mas a palavra sai. – Eu não queria estar aqui.

— Cass! – Billy me repreende, mas Pam levanta a mão para ele parar de falar.

— Não se preoculpe, minha linda, eu já sei disso. No entanto, eu estava louca para te conhecer de verdade. O jantar foi um pouco rápido demais... – Eu ter fugido faz sentido agora... – De qualquer forma, Tomas vai te mostrar o quarto dele.

Ao falar o nome do caçula, ele resurge por de trás da porta tentando carregar a minha mala. E recusando ajuda. Vou atrás dele, me sentindo impotente e agora um pouco mal-humorada. Apenas os gêmeos estão na sala, vendo televisão. Não vejo os outros dois até eu chegar ao segundo andar. Amon está na porta de um dos quartos e Matthew em outro.

Assim que termina a escada, o corredor de divide em dois lados. O direito e o esquerdo. Parado no meio Tom começa a me explicar:

— Esse é o quarto do Caleb. – A primeira porta que aparece no lado direito. – O próximo é o de Dylan... Ou é o que eu acho... Aquele é o quarto de Amon. – Ele aponta para o primeiro quarto que aparece na parte esquerda. – E o outro é o do Matt. O meu é o último do corredor.

— E o banheiro? – Pergunto ao lembrar da quantidade de pessoas nessa casa.

— Tem apenas um banheiro nesse andar. Aquele do outro lado do corredor. A última porta. – Ele aponta para o lado onde estão os quartos dos gemêos. Têm fila toda a manhã ou algo do tipo? Como vou usá-lo amanhã?— O quarto da mamãe e do papai é no primeiro andar. Amanhã eu mostro.

Concordo com a cabeça e o sigo até seu quarto. Passando pelos dois garotos na frente da porta, sem nem ao menos olhá-los e entro no quarto. O quarto dele é bem como imaginei. As paredes são listradas de azul e brancas, todos os móveis são brancos. Têm algumas caixas de brinquedos, alguns bonecos de ação. Em cima da cama tem alguns bichos de pelucia. É um quarto bonitinho. Mas a cama é de solteiro e tem apenas uma.

— Bem, só tem uma cama. – Tom dá de ombros arrastando minha mala para o canto do quarto. – Mamãe disse que vai arranjar um cochão para colocar no chão. Já está bem tarde e mamãe disse que amanhã você tem aula bem cedo... Então pode ir dormindo na cama. Eu durmo no cochão que ela trouxer.

Que fofo. Sei que tenho medo dos outros. Mas não de Tom, ele é tão bonitinho e parece menos... Preocupante. Ele boceja e anda até a porta.

— Você está com sono? – Tom faz que sim com a cabeça. – Hum, então hoje a gente dorme junto. Está bem?

Tom me olha por um minuto e depois vira o rosto para a porta. Vou até a mala e pego meu pijama. Ele é bem simples, é branco com uns detalhes azuis. O short é um pouco curto e tem rendinha no final.

— Só vou pedir para você esperar do lado de fora do quarto enquanto eu troco de roupa, pode ser? – O menino volta a me olhar e depois vê as roupas na minha mão.

— Você tem que se trocar no banheiro. – É a resposta dele. Eu sorrio e dou de ombros, apesar de não querer andar fora desse quarto.

— Está bem, Tom. – Passo por ele e ando até o banheiro, do outro lado do corredor.

Piso tentando não fazer barulho. Sinto alivio assim que fecho a porta do banheiro. Troco de roupa bem rápido e volto com pressa para o quarto. Assim que entro, o quarto está escuro e Tom já está na cama. Coloco a muda de roupa dentro da mala e olho para a cama. Ele está na ponta, então tenho que dar a volta e tentar não mexer muito na cama. Vou devagar, mas a cama faz alguns rangidos enquanto estou me movimentando.

— Boa noite, Tom. – Digo assim que consigo um espaço na cama.

— Boa... – A palavra noite se perde.

É... Ele ainda é um menininho, está com mais sono do que eu. Já passam das dez... A aula amanhã é as oito, e aqui é mais longe da faculdade do que minha casa. Tenho que acordar cedo o suficiente para pegar o metrô. Fecho os olhos e viro para a parede, a última coisa que quero pensar nesse momento é onde estou.

— É estranho ver uma garota por aqui. — A voz é baixa e parece ser no meu ouvido de tão próxima. Meus olhos estão fechados, é como se eu estivesse dormindo, mas não consigo acordar. Levo um susto e sinto um calafrio por todo o meu corpo. – Ainda mais ela!

— Verdade... Isso não dá medo? E se ela se mudar para aqui de verdade? Acho que sinto uma esperança voltando. — Uma voz conversa com a primeira. – Apesar de que eu prefiro a casa dela. É mais... Vazia.

— Acha que ela já está pronta? – Essa é a mesma voz que ouvi primeiro. Do que eles estão falando? Não consigo identificar de quem é essa voz.

— Não. Creio que não. Depois do que aquela velha fez... Eu não sei se ela vai voltar a nos ver.

— Mas ela está aqui. Isso significa alguma coisa, não é?

— Bem... – A segunda voz fala mais baixo e parece mais longe. – Vamos voltar amanhã, e tentar de novo.

— Você não cansa? — A primeira voz ainda está muito perto de mim. Não consigo me mexer para entender isso. – Já se passaram dez anos. Ela não vai de repente voltar para a gente.

— Eu sei. Mas não fui só eu que viu. – A voz do segundo está quase sumindo quando escuto. – Ela estava lá de novo. Então, com certeza alguma coisa mudou hoje.

Notas finais
Comentários são bem vindos