Notas iniciais
Espero que gostem!

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— Ainda não acredito que você escolheu o Caleb. – Depois de expor seus pensamentos Chander me puxa para falar ao meu ouvido. – Esse é mesmo o irmão certo, ou eles trocaram de novo? Odeio essa brincadeira deles.

Olho para frente e vejo o garoto tentando acertar uma frutinha no tigre que o está ignorando. Com certeza é o Caleb. Tom parece maravilhado por estar aqui e a cada espaço que paramos ele diz algo como “é assim que é uma girafa?”. Pelo visto o menino realmente só viu os animais por imagens na internet ou em livros.

— O mais impressionante foi o que você fez com a mamãe. – Tom puxa a minha mão e me guia até uma jaula parcialmente vazia. Na placa disse que era para ter algum lobo aqui. Mas não vejo nada. – Foi exatamente como você me disse, Cassie.

— Han? – Eu coloco os dedos na grade e tento olha mais de perto.

— Aquilo de humanas também terem dons! Eu não sabia! Foi demais! – Tom também se aproxima da jaula tentando ver.

O som vem antes da imagem. Um lobo um pouco maior do que o esperado aparece na nossa frente e abre a boca como se pudesse arrancar um pedaço do nosso corpo, se não tivesse a grade ali. Ele é uma mistura de cinza com branco. Bem bonito e assustador.

Dou um passo para trás e piso no meio de duas pedras, tropessando e caindo. Quase caindo. Eu peço perdão antes mesmo de me virar para trás. Diferente de mim, Tom continuou parado satisfeito de ter um animal selvagem o encarando.

— Não foi nada. Afinal, estou aqui para isso. – Ao ouvir sua voz, seguro a mão do menino e o puxo para longe do lobo e para mais perto do irmão. – E sobre os humanos terem poderes, Tom, isso não é invensão. – Caleb se abaixa e olha bem nos olhos do irmão mais novo. – Os homens não são criados iguais. Nem nós, nem eles. – O ruivo aponta com a cabeça para mim. – Então, se podemos fazer essas coisas maneiras, imagina quem não vive escondido?

Tom abriu a boca e fez que sim com a cabeça, como se tudo fizesse sentido. Pobre menino... Sendo iludido pelo próprio irmão. Mentiras e trapassas serão substituidas por “brincadeirinhas” por esse garoto. Idiota.

— Que tal irmos ver os pinguins agora, Tommy? Eu nunca vi pinguins! Seria tão maneiro! – Chander anda mais rápido, e o outro tenta acompanhar. – Ouvi falar que eles deslizam de barriga!

— Só a Cassie pode me chamar de Tommy, Chan! E só eu posso chamá-la de Cassie. – Tom parece sério e eu tento andar mais rápido para não os perder de vista. Bem, se ele souber que no trabalho todos só me conhecem por esse apelido...

Os vejo entrando em um túnel, com a placa escrita “Aquarium”.

— Eu não esperava que Chan fosse se animar tanto. Achei que fantasmas andavam devagar e falavam arrastado. Sabe? Como se estivessem mortos. Esse novo mundo com novas realidades é tão difícil de absorver.

Caleb para de andar e eu viro para trás. Ele está com as duas mãos na barriga, rindo e deixando escorrer lágrimas no canto dos olhos.

— O que foi?

— Acho que você confundiu com Zumbi. – O garoto olha para mim, e consigo ver seus olhos verdes brilharem. – Eu vou ter que te dá algumas aulas de “o que tem no Outro Lado”.

— Não para de andar, Caleb! Se não vamos perder os meninos! – Vou até ele e puxo seu braço. Começo a correr, arrastando o garoto ruivo que continua a rir. – É sério! Sua mãe confiou em mim para cuidar deles, eu não posso me separar de Tom.

— Não importa como, sempre acontece uma forma de separação.

Paro de correr assim que os vejo de cara no vidro, tentando acenar para um pinguim nadador. Viro-me para Caleb, para dizer que ele está errado. Que as pessoas podem escolher ficar juntas ou não. Iria dizer que sempre há uma escolha, quando percebo que sua cara está séria. Diferente de qualquer outro dia. Não que eu o conheça tão bem assim.

— Você está presisando seriamente de uma namorada, garoto. – Solto sua mão e coloco a minha em meu peito, para respirar melhor.

— Eu tenho algumas namoradas, Cass. – Seu rosto já está melhor, como se aquele instante não tivesse acontecido. – E acredite em mim, todas me amam.

— Nenhuma delas é de verdade, idiota! – Olho para o aquario central, e toco no vidro. — Uma namorada não é algo que você consegue só por que quer. Você tem que encontrar alguém diferente dessas garotas que você não sente amor de verdade. Tanto você quanto ela tem que gostar de estar um com o outro, e você tem que querer passar o tempo todo junto dela.

Ele se aproxima de mim, e olha para os peixes.

— Está dizendo como se me conhecesse. Já pensou que todas podem ser diferentes, para mim? Todas podem ser especiais. Eu posso sentir amor por todas, não posso? Não acha possível sentir o mesmo amor por mais de uma pessoa, Cass?

Olho para o lado e lembro que não estou falando com um garoto normal. Esse aqui é um idiota. Provavelmente é um canalha que se aproveita das meninas, e as seduz. Apenas para proveito próprio. Ele é um demonio, assim como Tom disse, então seria impossível um ser desses entender o amor. Se nem os homens decentes entendem.

A mão dele se estica para tocar na minha, que está em cima do vidro do aquario. Olho para o seu rosto e vejo um sorriso simples, com convinha e seus olhos estão parados. Vidrados na minha boca.

Na verdade, Caleb é jovem, tem dezenove anos, é bonito, tem um corpo definido, é engraçado e tenho certeza que deve ter muitos outros atrativos. Seus olhos verdes são hipinotizante, assim como seus cabelos ruivos parecem tão sedosos que dá vontade de tocar. Tocar. É como se meu corpo se energisasse com seu simples toque e...

— O que está fazendo? – Dou um passo para trás, desencostando bruscamente dele.

— Eu só estava... – Ele desvia o olhar e para quando encontra as duas crianças. – Passando o tempo.

— Então, encontre alguma garota que queira passar o tempo contigo. – Balanço a cabeça, com raiva. É isso o dom dele? Ele me faz pensar possitivamente em relação a ele? Ele pode conseguir o que quiser com um simples toque? Se Caleb quiser eu posso acabar como uma das namoradinhas dele. — Se quiser se fingir de humano, pode ficar perto de mim, mas se usar seu poder em mim de novo...

— Calma! Eu não estou entendendo. – Ele levanta as mãos como se não estivesse fazendo nada. – Como você percebeu? – Caleb dá um passo para chegar mais perto de mim, e eu dou outro para trás.

— Não ouse me tocar! Eu sou tecnicamente – Da sua familia. – menor de idade! E...

— Cass, relaxa. – Ele consegue pousar a mão no meu ombro e, calmamente, coloca uma mecha minha atrás da orelha. – Não vou usar meu dom em você de novo, eu juro! Ao menos que você queira. – O garoto me solta e parece estar envergonhado. É bizarro que as bochechas dele estejam assim, já que ele é o demonio da sedução. — Eu só queria que você concordasse comigo que qualquer garota que me namorasse teria sorte... Eu não estava tentando fazer nada com você.

Apesar do que aconteceu, ele realmente parece estar falando a verdade. Tom está correndo de um lado para o outro, rindo e se divertindo. Isso por que Caleb veio comigo e me mostrou o lugar. Não era o que eu estava querendo, mas está sendo legal passar essa tarde com eles. E se ele não estava tentando nada comigo...

— Isso quer dizer que não foi você quem me beijou ontem a noite, não é?

Caleb parece surpresso com isso, mais do que eu fiquei. Ele nega com a cabeça e depois cruza os braços. Após um silêncio pertubador, o garoto chega ainda mais perto de mim.

— Foi por isso que você ficou sujestiva tão rápido. Eu usei apenas um pouquinho de poder, mas você já tinha algo ai dentro... Quando um Incubo se alimenta da vítima, ela gosta. Sempre. E se qualquer outro Incubo chega perto, fica difícil de seduzi-la. Deve ser por isso que conseguiu sair do tranze.

— O que isso quer dizer? – Também falo baixo, já que isso não é um assunto legal de se discutir nesse ambiente. Ou em qualquer outro.

— Sabe quando um cachorro faz suas necessidades na árvore? Ele quer marcar o território. É a mesma coisa com um Incubo. Apesar de que... Normalmente, eu não tenho esse problema com Dylan. – Caleb olha para a minha boca e depois de volta para o aquario. Não parece irritado com o irmão, na verdade, ele tem uma expressão triste no rosto. – Pensei que você soubesse nos diferenciar.

— Eu estava com os olhos fechados. Eu me lembro de ter escutado uma frase, mas não consigo relembrar da voz. Eu estava muito cansada. Na realidade, imaginava que teria sido seu irmão. – Dou de ombros. – Foi por isso que escolhi você para vir comigo, e não ele.

Notas finais
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