Logo que o Jay disse isso, pulou em cima do Nathan. Os dois caíram no chão e começaram a se bater. O restaurante inteiro estava olhando para nós. Eles se socavam um em cima do outro, deitados no chão e eu e a Amanda fazíamos o possível para tentar separa-los.

Mas claro, era quase impossível separar dois meninos, loucos de raiva, agindo feito criança. Precisaram de dois garçons pra segurar cada um.

– Não pensa que isso acabou aqui Nathan — Disse Jay, tentando se soltar dos garçons.

– Você acha que me assusta? — Disse Nathan — O que mais você pode fazer? Vai roubar minha família agora?

Dava até medo olhar para os dois. Estavam com os rostos todo sujo de sangue, parecia que acabaram de voltar de uma guerra.

– Chega Nathan — Disse Amanda — Vamos embora.

Amanda saiu segurando o braço do Nathan. E finalmente o garçon soltou o Jay.

– Vamos lá pra fora. Agora — Eu disse com raiva.

Peguei um lenço úmido na saída, Jay pagou o que precisava e fomos lá pra fora.

Chegando lá, começamos a conversar.

– Me diz, precisava atacar o Nathan? — Eu disse.

– Vai defender ele agora também? — Jay disse olhando para o lado.

– Não vou defender ninguém, os dois estão errados. Agiram como crianças de 8 anos — Eu disse.

– Ele começou, tudo estaria ótimo ainda se ele não abrisse a boca — Jay disse.

– É, e tudo estaria ótimo se todos nós só conversássemos também — Eu disse.

Jay olhou pra baixo.

– Por que você beijou ele? Achei que gostasse de mim — Jay disse.

– Não foi um beijo mesmo. A gente só encostou... Hã... Uma boca na outra — Eu disse.

– Nossa, isso parece um beijo pra mim — Jay disse.

– Você entendeu, não foi um beijo mesmo — Eu disse — Agora fica parado, vou cuidar desse seu rosto.

Eu não sabia por onde começar, o rosto do Jay sangrava desde a testa, até o canto da boca. Mas fui tentando.

– Ai — Jay disse — Está doendo.

– Fica parado que não dói — Eu disse.

– Ai — Jay continuou reclamando.

– Fica quieto, não doeria tanto se você se mexesse menos — Eu disse.

Fiz o possível. Ficamos sentados no capô do seu carro até minha mãe chegar. Não falamos uma palavra até ela vir, e depois só me despedi dele.

Fiquei em silêncio até chegar em casa. Essa noite foi um total fiasco. Eu estava brava com o Jay porque ele bateu no Nathan, mas também estava brava com o Nathan que abriu a boca dele e estava mais brava ainda com a Amanda por não ter me contado.

Fui dormi porque amanhã ainda teria a prova de matemática...

Mesmo com a cabeça nas nuvens fui bem nessa prova e finalmente estava de férias. Ainda assim, eu estava sem o Jay, Nathan e Amanda.

Fui pra casa, nem almocei e dormi.

Esse foi o primeiro dia que eu tinha dormido a tarde sem ser acordada pelo Nathan ou Jay.

Mas resolvi ligar pra uma pessoa que eu sabia que poderia conversar.

– Alô? — Ele disse com seu sotaque maravilhoso.

– Oi Siva — Eu disse — Aqui é a Yasmin.

– Oi, como foi nas provas? — Ele disse.

– Fui ótima, muito obrigada pela ajuda — Eu disse — Siva, não queria te atrapalhar, mas, você está ocupado?

– Não, por que? — Ele disse.

– Preciso de conselhos, e você foi a pessoa que mais me ajudou até agora — Eu disse.

– Vai ser um prazer ajudar de novo — Ele disse — Vamos dar uma volta pelo seu bairro.

– Ótimo, obrigada mesmo — Eu disse.

Passei meu endereço pro Siva e fui sentar na escada da entrada da minha casa para esperar ele chegar.

Acho que quando ele me passou o seu celular no dia que me ajudou a estudar, ele estava querendo dizer pra eu ligar se houvesse problemas com a matéria, mas valeu pra agora também.

Ele chegou, estacionou o carro e falou:

– Eaí, vamos?

Comecei a rir, cheguei perto dele, lhe dei um beijo na bochecha e começamos andar.

– O que aconteceu? — Ele disse.

– Bom, vou começar... — Eu disse.

Comecei e lhe contar tudo. Desde como conheci o Nathan, contei do nosso beijo, contei da minha briga com a Amanda por causa disso, contei da balada em que eu tinha conhecido o Jay, e principalmente, contei da noite de ontem.

– ... E agora não sei o que fazer. Não sei se o Jay vai vir atrás de mim, não sei se o Nathan está bravo comigo por alguma coisa, não sei de qual dos dois eu estou gostando e também não sei se eu que terei que ir atrás da Amanda — Eu disse.

– Nossa, sua vida em Londres está realmente agitada né? — Siva disse rindo de mim.

Comecei a rir também. Agitada? Minha vida estava sendo perseguida por satanás, isso sim.

– Olha, eu acho que os dois sentem coisas por você — Siva começou a falar — E também acho que você sente alguma coisa pelos dois. Ou você da uma chance para o Nathan ou você volta para o James, mas a escolha é sua, não minha.

Comecei a sorrir, ele estava totalmente certo. Já estava pensando em um, se essa escolha estava certa ou errada, eu ainda não sabia, mas a vida ia me mostrar.

– Obrigada mais uma vez Siva — Eu disse sorrindo — Você não sabe o quanto ajudou.

– Por nada, estou aqui sempre que você precisar — Ele disse me abraçando.

Andamos mais um pouco e voltamos para minha casa. Ele foi embora e eu entrei em casa.

Eu já tinha tomado a minha decisão.

Ontem, eu fui dormir pensando nisso. Essa decisão podia me tornar uma pessoa com um bom coração ou uma completa idiota. Mas no momento, parecia a certa.

Tomei essa decisão baseada em uma única palavra que o Siva tinha usado, na verdade, três. Mas que mexeram completamente comigo. ''... dar uma chance'' me perseguiu a noite toda, a minha decisão foi: Dar mesmo uma chance ao Nathan.

Acho que eu estava sendo injusta com ele o tempo todo e para melhorar, o Siva aparece com a mesma coisa que ele já tinha dito pra mim.

Era um sinal, e eu acabei decidida que iria fazer isso.

Acordei cedo hoje. Pedi uma carona para minha mãe até a casa do Nathan e ela concordou. Ela me deixou lá e eu toquei a campainha.

– Pois não? — Disse uma mulher, que parecia que trabalhava lá.

– Oi, sou amiga do Nathan, ele está? — Eu disse.

– Está sim, entre querida — A mulher abrindo o portão.

Ela estava sendo muito gentil. Assim que eu entrei ela veio ao meu encontro.

– Pode entrar, o Nathan ainda está no quarto dormindo. Se quiser falar com ele, é a primeira porta a direita.

– Vou lá então, muito obrigada — Eu disse.

Fui entrando no corredor até ficar de frente para sua porta. Abri ela cuidadosamente e já conseguia ver o Nathan.

Ele estava deitado de barriga para cima e estava usando uma samba-canção florida. Me segurei muito para não morrer de rir.

Fui me aproximando dele.

– Nathan? — Eu disse.

Nada, silêncio completo.

– Nathan, acorda — Eu disse de novo.

Ele ainda não respondia. Me ajoelhei ao seu lado e pude ver que o seu rosto estava tão terrível quanto o do Jay. Segurei o meu cabelo para o lado com a mão esquerda, me aproximei e lhe dei um beijo na bochecha.

Nesse mesmo momento, ele começou a abrir os olhos... E deu um pulo quando me viu.

– Yasmin? O que você está fazendo aqui? Eu to acordado? — Ele disse se embrulhando no edredom.

– Vim te fazer uma visita, eu acho... — Eu disse — Ainda temos coisas para conversar.

– Ok, mas, antes de tudo, você viu a minha... — Ele disse.

– Samba-canção florida? — Eu disse interrompendo ele — É, eu vi sim.

– Droga — Ele disse.

Nós dois rimos.

– Bom, mas o que você está fazendo aqui? — Ele disse.

– Nathan, eu vim aqui pra falar que eu estava errada, eu acho que sempre gostei de você, mas eu mesma escondia...

Nesse momento, Nathan fechou minha minha boca e começou a cantar:

– Some people fall to hold on to their tears, and if you want it all, I'd do anything to see you through, and if I fall, my heart holds on to you

– Demorou, mas eu nunca deixei de gostar de você — Ele continuou.

Ficamos em pé e começamos a nos beijar. O beijo dele nunca deixou de ser maravilhoso.

– Nathan, você não está bravo né? — Eu disse.

– Como eu posso estar? — Ele disse rindo.

– Fico feliz, mas, agora eu tenho que ir — Eu disse.

– Mas já? Você mal chegou — Ele disse.

– Nathan, vou ficar junto com você por muito tempo, não se preocupe — Eu disse.

– Hum, já ouvi isso antes — Ele disse.

– Pode deixar, dessa vez é real — Eu disse.