Invincible

2 Praying won't do it


O inesperado aconteceu. Hoje de manhã quando eu estava acordando, meu celular tocou. Era um número que eu nunca tinha visto, demorei um pouco, mas atendi.

– Alô, quem fala? — Eu disse.

– Oi, acho que você não vai reconhecer a minha voz, mas sou eu, Nathan, o qual você caiu em cima uns dias atrás, lembra? — Nathan disse.

Era claro que eu tinha reconhecido a voz do Nathan, ele tinha uma voz grossa para a idade dele, ele falava como um adulto de 30 anos.

– Ah sim, mas é claro que eu lembro, você está com os meus livros, certo? — Respondi.

– Certo, aquele dia você saiu correndo, só fui perceber que fiquei com alguns livros quando você já estava longe e eu acho que você não me escutou — Disse Nathan.

– Pois é, como você pode notar, sou totalmente distraída — Comecei a rir.

– É, notei isso — Nathan riu — Mas preciso devolver seus livros né, como faço para te encontrar?

Tenho certeza se fosse a Amanda que estivesse ouvindo isso, já teriam ambulâncias na casa dela levando ela para o hospital para cuidar do ataque cardíaco que ela teve.

Hoje como era sábado, eu não teria nada absolutamente nada para fazer, e bom, eu estava precisando mesmo dos meus livros, os testes na escola já estavam chegando.

– Hum, será que você pode me encontrar mais tarde na Cabot Square? Lá pelas 19:00?

– Para mim tudo bem, estarei lá — Disse Nathan.

– Obrigada mesmo Nathan, até mais tarde então — Eu disse por fim.

Acho que sobre a ligação, eu não iria contar para Amanda. Ela pode ter até ficado feliz por eu ter conhecido ele, mas eu acho que ela já ia começar a dar crises de ciúmes quando eu falasse que ia me encontrar com ele.

Eram quase 19:00 horas e eu já estava pronta. Eu ia apenas me encontrar com ele, sem nada demais. Eu estava sentindo alguma coisa. Medo ou eu estava ficando afim dele, talvez?

Mas isso não pode acontecer, primeiro porque eu só devo ser mais uma entre muitas meninas que aparecem na vida dele e segundo, tem a Amanda, ela realmente gosta dele.

Quando cheguei na Cabot Square, já conseguia ver o Nathan. Fui me aproximando e ele finalmente me viu.

– Aqui está ela, não vai cair em mim, vai? — Disse Nathan rindo.

– Engraçadinho, mas pode deixar que hoje não vou cair em você — Eu disse.

Ele se aproximou e deu um abraço para me cumprimentar.

– Ah claro, aqui estão seus livros — Disse Nathan.

– Muito obrigada — Eu disse enquanto começavamos a caminhar — Fiquei realmente impressionada quando você me ligou, achei que você ia joga-los fora ou ia mandar algum agente seu me devolver.

– Agente? Meu Deus, não sou o presidente dos Estados Unidos — Disse Nathan zoando de mim.

Eu ri um pouco, me senti uma babaca falando com ele. Ele era famoso, mas agia tão normalmente que isso me deixava em pânico.

Mas aos poucos o meu pânico de falar com Nathan foi passando. Ele falava tão normal comigo que eu sentia vontade de conversar com ele para sempre.

Ele me tratava como uma velha amiga, como se nos conhecêssemos a anos. Eu estava adorando isso, nunca imaginei que poderíamos algum dia ser amigos e se fosse para nos tornarmos alguma coisa, eu tinha decidido que nunca iria passar de uma grande amizade.

Eu realmente adorei conhecer o Nathan.

– Já andamos e conversamos sobre tudo, sinto que te conheço muito bem agora — Disse Nathan sorrindo.

– Digo o mesmo — Comecei a sorrir.

– Quer ir comer alguma coisa? — Perguntou Nathan.

– Eu adoraria, mas eu disse para minha mãe que ia sair só para encontrar a Amanda rapidinho e que logo depois voltava — Eu disse.

– Amanda? — Perguntou Nathan.

– Amanda é minha melhor amiga, faço questão de te apresentar ela algum dia, você não sabe, mas já é casado com ela, tudo bem? — Comecei a rir.

– Então, quer dizer que sou casado com a sua melhor amiga? — Disse Nathan sorrindo.

– Sim, isso mesmo — Eu disse — Querendo ou não, você ainda vai ser meu amigo por muito tempo.

– Muito tempo, assim espero– Disse Nathan sorrindo.

Fiquei vermelha e rezei para que ele não tivesse notado.

– Preciso realmente voltar para casa — Eu disse desanimada.

– Não, fica mais um pouco — Disse Nathan — Você vai sair correndo todas as vezes que a gente se encontrar?

– Bobo, eu saí correndo porque eu estava atrasada para escola — Comecei a rir — Não vou sair do país, até porque como eu te disse, acabei de chegar nele.

Nathan começou a rir.

– Então anota meu celular, pode me ligar quando quiser — Ele disse.

Anotei seu celular e achei muito fofo da parte dele me passar. Acho que nesse pouco tempo, Nathan já se tornou meu grande amigo.

– Promete que não vai sumir? — Disse Nathan rindo.

– Prometo, pode me ligar sempre também — Comecei a sorrir.

Abracei o Nathan e comecei a andar de volta para minha casa.

Andei algumas quadras e já estava quase na frente de casa, quando ouvi alguém me chamar. Olhei para trás e vi o Nathan correndo atrás de mim.

– Nathan, o que você está fazendo aqui? — Perguntei espantada.

– Precisava saber onde você morava — Disse ele — E também, para isso...

Nesse momento, Nathan se aproximou de mim, e me beijou.

Eu não deveria, mas correspondi o beijo. Nunca na vida tinha beijado alguém como Nathan, seu beijo era doce, suave e ao mesmo tempo, delicioso e excitante, mas sabia que estava fazendo a coisa errada, então o empurrei.

– Por que você fez isso? — Perguntei olhando para baixo.

– Porque depois que você saiu de lá, fiquei pensando, não quero ser só seu amigo — Disse ele colocando a mão no meu rosto.

Tirei a sua mão e respondi.

– Nathan, você estava sendo meu amigo e é só como meu amigo que eu te quero, nada mais.

– Você nem me deu uma chance — Disse Nathan.

– Você não deveria ter vindo e não deveria ter feito isso — Eu disse por fim.

Logo depois disso, corri para casa e fechei a porta. Encostei minha cabeça nela e fiquei repetindo pra mim mesma que isso não deveria ter acontecido. Não deveria.