Inverno em Arendelle
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Esta história acontece entre os capítulos 18 e 19 da minha outra história chamada Cantos de primavera.
Então e recomendável que leia pelo menos até o capitulo 18 para entender melhor.
Espero que apreciem.
23 de dezembro de 1836
11:00
A neve caía lentamente lá fora enquanto tudo era arrumado para a noite de amanhã.
E a rainha mais uma vez olhava pensativa para fora.
A neve branca lembrava do que sempre definiu a sua vida.
Havia alguns meses que havia não só subido ao trono como também havia retomado a vida ao lado de sua irmã.
Mas não havia apenas elas.
Junto sempre havia Gerda, Kai, Olaf, Kristoff, Sven e outros empregados.
Muitos novos que haviam sido contratados após a abertura dos portões.
Mas e ele ?
O que havia para ele ?
Elsa encostava seu rosto no vidro frio tentando se esquecer de lembranças que teimam em retornar.
— Não te tornes o monstro que eles temem ? —
A voz dele sempre ressoava em sua alma.
Mas quem foi o mostro a final ?
Havia meses que ocorrerá a tragédia da coroação mas até hoje ela não entendia exatamente o porque daquilo.
Porque ele agiu daquela forma ?
Porque pediu a mão de Anna se ele sempre se mostrou interessado em Elsa ? Porquê tentou matá-las ?
Esse assunto era considerado um tabu em todo o castelo mas uma noite as irmãs de Arendelle falaram sobre esse assunto.
28 de outubro de 1836.
Estava uma fria noite de outono quando Elsa mais uma vez estava mergulhada em seus pensamentos até sentir uma mão gélida em suas bochechas.
— Anna,se está tentando me assustar com suas mãos geladas devo lembrá-la que essa jogada não funciona comigo. -
Rapidamente a princesa pulava para cima do sofa com um cobertor de lã rosa claro onde tinha diversos desenhos de renas bordadas.
— Droga, você realmente não sente frio. Desisto. —
A cara emburrada de Anna fez a sua irmã dar um leve riso mas logo a rainha retomava a leitura que fazia antes de se distrair.
— Sobre o que está lendo ? -
— Sobre a história de Arendelle. Suponho que tenha estudado em algum momento.
— Bem eu não era a menina mais estudiosa do mundo mas tive que estudar sim. -
Elsa então passava a mão por um dos papéis delicadamente onde havia a árvore genealógica dos reis e rainhas de Arendelle desde a fundação do reino no final da idade média.
E no final, na última aba da árvore havia uma imagem dela como rainha e a data que ela começou a reinar.
Ficava alguns segundos olhando para sua própria imagem até um pensamento que corria em sua cabeça saia por seus lábios.
— Sabe, fico pensando se um dia os futuros livros de história me tratarão como uma boa rainha. —
A fala logo chamava a atenção de Anna que se aconchega feliz no sofá enrolada pela coberta.
— Hora, mas e claro Elsa. Porque não o fariam ? -
— Porque congelei Arendelle. -
— Mas você não fez porque quis. No final e tudo culpa… culpa… daquele monstro. -
Elsa engolia seco com as palavras da irmã.
Então decidiu fazer uma pergunta arriscada.
Tinha medo da resposta mas precisava saber.
— Diga me Anna, o que realmente aconteceu aquele dia ? -
— Como assim ? -
— Como encontrou Hans ? O que ele realmente fez com você. … -
As duas irmãs ficavam durante um bom tempo em silêncio.
Ouvia se apenas o crepitar do fogo naquela que era uma das inúmeras salas do castelo.
— Eu estava dançando feliz pela cidade quando os portões foram abertos
Estava tão animada. Finalmente minha vida ia começar.
Até que sem olhar atravessei o cais e fui atropelada…. Ou diria quase atropelada.
Era ele em cima de um cavalo.
Imediatamente ele saltou para me ajudar e então me encantei por ele…. Acho que estava desesperada por amor e atenção então praticamente me joguei aos pés do primeiro homem que me demonstrou o mínimo de cuidado comigo.
Nos reencontramos no baile onde dançamos e ficamos conversando horas sem parar.
Até que ele me pediu em casamento. -
Naquele momento Anna parou de falar mas logo suspirou cansada. Aquelas lembranças doiam em sua alma.
Mal sabia ela que na de Elsa também.
— Então fomos anunciar a você que entrou em pânico e logo sumiu. Rapidamente fui a sua procura e deixei ele no comando de Arendelle. -
— Sim. Soube que ele ficou no comando. Até vir a mim. -
Elsa já havia procurado saber sobre o breve período de comando de Hans em Arendelle para descobrir se mais alguém fora prejudicado pelo décimo terceiro; mas não.
Todos acabaram por elogiar o comando do príncipe que demonstrou muito preocupado em ajudar.
— Ele foi até você? -
— Sim. Ele chegou com soldados do duque no palácio para me buscar.
Os soldados do duque me atacaram e ele me protegeu. Então depois de um acidente acabei por desmaiar. -
— Ele te protegeu ? Mas ele havia dito para mim que queria matar a nós duas. Isso está muito estranho. -
Elsa balançava a cabeça em concordância para sua irmã enquanto Anna lembrava-se de algo.
— Sabe. Teve algo que eu achei muito estranho quando eu o conheci. Ele… e que na época não dei importância pois eu estava cega por ele, mas…. Ele sempre falava de você nas conversas que tivemos. -
Imediatamente a atenção da rainha voltava-se a de sua irmã que continuava a falar.
— Ele dizia muitas coisas de você, de forma íntima. Como se já a conhecesse. Coisas maravilhosas. O quanto você é linda e incrível. Ele parecia te conhecer melhor que eu…. -
Ao olhar para o lado ela apenas via Elsa levantando -se sem falar nada até chegar na porta da sala.
— Tenha uma boa noite Anna. -
Então o som da porta fechando era ouvido e os passos rápidos de Elsa que silenciosamente chorava confusa.
23 de dezembro — retorno -
Aquelas lembranças. Seja da coroação ou a conversa com sua irmã a fazia chorar.
Aquilo não parecia ter solução e a atormentava.
— E por isso que não respondia minhas cartas ? —
Naquele momento ela se lembrou mais uma vez.
As cartas.
Todas escritas durante anos e invioladas debaixo daquele chão de carvalho.
Talvez ali tivesse a resposta. O porque dele ter agido daquela maneira.
Ela aproximava se da cama mais antes mesmo de fazer qualquer coisa Anna batia em sua porta.
— Você quer brincar na neve ? -
E mais uma vez a porta abria-se para a animada princesa.
Mas que rapidamente ficava preoculpada.
— Elsa, você está chorando ? -
Era evidente que ela estava mas a rainha para não preocupar a sua irmã e não mencionar o motivo real de seu pesar apenas tentava disfarçar.
— Não Anna. Não estou. —
Mas nem a voz de choro ao falar se alterava. E assim Anna cruzava os braços e fazia biquinho, emburrada.
— Você é uma péssima mentirosa. Fale; o que te deixa assim… eu posso te ajudar Elsa. Somos irmãs. -
— Nada que mereça ser mencionado Anna. Vamos apenas esquecer….. Eu quero esquecer. —
Anna queria muito ajudar Elsa a superar seus fantasmas mas seria muito difícil ajudar se ela não tinha ideia do que realmente se passava no coração de sua irmã.
E Elsa sempre fugia de certos assuntos.
As vezes era melhor não insistir.
As duas saiam daquele cômodo e então foram ao grande depósito onde havia muitas lembranças guardadas.
Mas onde fora parar o boneco de neve ? Ele não estava em lugar nenhum.
Outro que também sumiu foi Sven. Aquilo era muito estranho.
Sven até chegou a aparecer mais tarde mas mencionou que Olaf havia se perdido no meio da floresta que circundava a capital.
Então houve logo uma busca massiva pelo boneco de neve.
Todos na capital se juntaram e procuraram Olaf que quase se camuflava em meio toda aquela neve.
E lá estava ele.
Triste, cabisbaixo.
— Eu só queria arranjar uma tradição de natal para vocês. -
Elas então se ajoelharam diante do boneco de neve e abriam uma caixa ornada com desenhos feito a mão e sinos com fitas.
— Você e nossa tradição Olaf. -
Aquela visão encantava o boneco que era abraçado pelas irmãs.
E assim tudo voltava ao normal.
20:08
Anna rodeava a árvore do castelo ansiosa para abrir os presentes enquanto Elsa em uma mesa arrumava a mesa onde havia algumas decorações.
— Anna, não adianta ficar aí. Isso não vai fazer os presentes se abrirem magicamente e nem fazer o tempo passar mais rápido. -
— Eu podia ter o poder de fazer os presentes se abrirem assim como você tem o poder do gelo. —
Aquela frase fazia a rainha rir e voltar o olhar a sua irmã.
Mas logo atrás via algo que chamava sua atenção.
A boneca de Anna.
A quanto tempo não via isso ?
— Nossa, eu lembro dessa boneca. Onde a achou ? -
— Achei no depósito junto com as outras coisas. Lembra que mamãe fez ? -
— Claro que lembro. Também tinha….. A minha…. -
Ao lembrar de sua boneca; Aquela que sua mãe havia feito que era parecida com ela; tinha sua voz falhando.
— Sim. Tinha a sua. Eu só não sei o que aconteceu com a sua. Procurei mas não consegui achar. -
— Ela está longe daqui. -
Elsa começava a andar até a porta enquanto Anna olhava sem entender o porque dela sair tão de repente.
— Onde vai ? —
— Me desculpe Anna mas tem algo que eu preciso fazer. Depois nós falamos. -
Anna não teve nada a fazer a não ser dar de ombros e retornar ao que fazia antes enquanto Elsa andava até seu escritório.
25 de dezembro de 1836.
21:23
O mar de águas gélidas se encontravam relativamente calmas naquela noite de inverno.
Mas o som das ondas não podia ser ouvido devido as janelas fechadas do palácio das Ilhas do sul.
E o silêncio também era sepulcral naquela grande mesa de jantar.
Ouvia se apenas os talheres e de vez em quando o balbuciar do príncipe Elrich que já estava com sono.
Mas dessa vez não havia brigas…. Ao menos por enquanto.
O incitador de maioria das brigas estava finalmente preso.
Haakon agora mesmo estava em uma cela na prisão imperial.
O que Lars achava um alívio.
Mas havia mais alguém de suma importância para o rei na mesma prisão.
Seu irmão mais novo também foi preso após diversos problemas que causou em Arendelle.
E já esteve lá pela manhã para visitar mais uma vez Hans Westergaard. O décimo terceiro príncipe das Ilhas do sul.
E junto com ele foram sua mulher, Dagmar, Charlotte e seus respectivos maridos assim como Søren.
Pela primeira vez em muito tempo viu seu caçula feliz.
O jovem rei parava de divagar em seus pensamentos quando ouviu sua mulher ao lado.
— Está tudo bem meu amor ? -
Ele abria um leve sorriso tentando reconfortar a linda mulher de cabelos negros como a noite e o olhar acinzentado.
— Sim, tudo ótimo. -
Mas ela sabia quando ele estava mentindo.
Apenas olhava de canto para ele; mas antes que ela pudesse pronunciar algo a atenção dela e de seu marido eram chamadas.
Um pigarro ouvia-se logo atrás deles e o mais fiel servente vinha com uma pequena bandeja de prata em suas mãos.
— Majestade,acho que temos um problema. -
— E o que seria esse problema ? -
— Olhe por si mesmo. -
Lars então olhava a bandeja e arregalava seus olhos e imediatamente se levantava da mesa.
— Dagmar, Charlotte, Søren. E melhor vocês virem comigo. —
Naquele momento todos naquela mesa olhavam uns para os outros e então os que tiveram seu nome mencionado se levantavam e junto com o primogénito saiam para o escritório dele deixando um burburinho atrás de familiares curiosos.
23:00
— Não sei o que pode acontecer se levarmos isso a ele. -
Charlotte encontrava-se encostada em uma das paredes do ambiente iluminado pela luz da lareira enquanto próximo a ela havia Søren sentado e tentando iluminar o pacote para ler através dele com uma vela.
— Eu não consigo ver nada. -
— Eu acho que ele tem o direito de ver. Afinal e para ele. Deve ser algo importante. -
Dagmar falava enquanto andava de um lado para o outro e logo voltava a olhar para Lars que se encontrava sentado em uma poltrona no canto do escritório com seu típico ar pensativo.
— Sim. Estão todos de acordo ? -
Os irmãos apenas concordaram e os quatro logo botavam seus agasalhos e pegavam a carruagem real até o seu destino.
A prisão imperial.
23:30
Os guardas se impressionaram com o fato do rei estar na prisão a essa hora da noite junto com alguns de seus irmãos.
Deveriam eles estar na frente da árvore, comemorando aquela noite.
Mas não era segredo para ninguém que a vida familiar deles não era um mar de rosas.
— Queremos vê-lo. -
Aquelas palavras de Lars foi mais que o suficiente para que eles fossem levados até uma das celas.
E lá estava ele, com seu rosto surpreso, iluminado pela luz da lua e da vela.
— O que fazem aqui a essa hora ? Não deviam estar na arvore ?
— Devíamos, mas preferimos passar aqui com você. -
Søren se aproximava de seu irmão mais novo.
Assim todos eles entravam ali e se aproximavam do décimo terceiro que parecia não acreditar no que acontecia.
Eles preferiam passar o natal naquela cela com ele do que no conforto do castelo.
Charlotte entregava a Hans dois recipientes de madeira onde em um encontrava-se a ceia de natal e outro os doces que ele tanto gostava.
— Recebemos isso no castelo Hans, e para você. -
Hans tomava da mão de Lars o envelope sem entender nada.
De onde vinha aquela carta.
Ao ver o remetente seu coração parou por alguns segundos.
Ele suava frio e suas mãos tremidas abriam a carta com dificuldade.
Ao seu lado seus irmãos se reuniam curiosos com o conteúdo da carta que vinha de uma das pessoas mais importantes da vida do príncipe.
Os seus olhos verdes começavam a passar por entre letras e palavras enquanto dizia em voz alta o que ele lia para seus irmãos tão curiosos.
— Primeiramente não sei o porque eu escrevi para você apesar de tudo que você fez para mim e minha irmã.
Nem sei ao menos se essa carta chegará a você.
Mas senti a necessidade de escrever.
Talvez seja por causa da nossa ligação que por mais que eu odeie admitir, ainda existe.
Mas isso não importa mais.
Pois essa carta serve apenas para lhe desejar um feliz natal apesar de tudo.
E que você se arrependa de tudo nos próximos anos.
Porque assim talvez nossos destinos possam se reencontrar e nossas almas descansar em paz.
Ass: Elsa de Arendelle. —
O príncipe não tinha palavras.
Ele tremia e deixava a carta cair naquele chão frio.
E logo ele também estava no chão,ajoelhado, chorando.
Mas; enquanto o sino tocava no lado de fora anunciando meia noite de natal o calor dos abraços de seus irmãos que o contornavam e aqueciam o seu coração.
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