Notas iniciais
Hello! Acho que agora dá pra dizer que vamos começar uma contagem regressiva oficial para o fim da fic, certo? Depois desse são apenas 5. Esse aqui saiu bem maior do que eu esperava (novidade kkkk), mas como estamos chegando no fim, tem plots que devem ser trabalhados e alguns para serem fechados... Se eu posso dar uma sugestão, a música desse capitulo é "This Is Me Trying" da Taylor Swift (link nas notas finais) eu colocaria ela lá no meio, depois das estrelinhas, mas caso não queiram apenas ouçam depois porque é MUITO o Bucky aqui de IA (e nem tô falando isso porque TayTay é minha Patroa não viu? É porque a música realmente combina com ele) Boa leitura!

Eu só quero que você saiba
Que esse sou eu tentando.

This Is Me Trying – Taylor Swift

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Seu despertar foi tranquilo, o corpo parecia aconchegado e relaxado, mas a claridade excessiva do lugar lhe cegou por um momento quando os olhos avelãs se abriram.... Savannah se sentiu perdia no espaço tempo, sua mente parecendo dopada demais para lembrar de eventos recentes. Era como estar de ressaca, mas não havia dor de cabeça ou desconforto, apenas um pouco de sede.

— Olá Bela Adormecida... — A voz conhecida lhe saudou e logo os olhos seguiram na direção do som. — Como está se sentindo?

Savannah sorriu sonolenta, quando viu a figura se aproximando alguns passos até que sua imagem viesse a foco totalmente.

— Sierra... Oi. — Cumprimentou em meio a um bocejo e moveu a mão direita no intuito de esfregar o rosto, para então ver que havia algo sobre ela, quente e peludinho. — Oi, Alpine.

— Ela está aqui com você desde que chegou. — Sierra comentou, usando aquele tom calmo que tinha sempre.

Savannah moveu a outra mão então, e foi nesse instante que notou que estava sendo monitorada por uma dezena de aparelhos, em um lugar totalmente estanho...

Dois segundos, foi esse o tempo que demorou para que a realidade clareasse em sua mente e todas as lembranças viessem de uma vez só.

— Aí, meu Deus, James! — Arrancou todos os fios presos a si e estava pronta para pular da cama, ignorando um protesto de Alpine, quando as mãos firmes de Sierra seguraram seus ombros.

— Ele está bem. — Ela disse de forma calma, fazendo com que Savannah se sentasse de novo. — Perfeitamente bem, eu prometo.

A ruiva respirou fundo e tentou relaxar, Sierra não mentiria afinal. Olhou ao redor e notou que o local era totalmente desconhecido.

— Onde estamos? — Perguntou, puxando Alpine para perto de si, que não pareceu muito satisfeita, resmungou, mas logo se aconchegou.

Se James estava bem, por que ele não estava ali?

— É um lugar seguro, cortesia de um amigo do Sam e do Bucky. — Sierra explicou, se sentando em uma poltrona ao lado da cama. — Eles acharam melhor que ficássemos em segurança até que a Ministra Lucia Von Bardas seja localizada.

— Ela fugiu? — Savannah questionou, sentindo a frustração lhe atingir em cheio.

Não conseguia acreditar que aquela louca maldita tinha conseguido se safar... Não era justo!

— Cadê o James? — Não queria transformar sua interação com Sierra em um interrogatório, mas era inevitável, estava inquieta e sabia que precisava olhar nos olhos azuis de seu Sargento para ter certeza que ele estava bem, seguro e que ainda era mesmo ele.

— Em uma missão. — A loira informou sem qualquer tipo de preocupação na voz.

Mas não foi desse jeito que as palavras atingiram Savannah.

— O que? Não! — Ela jogou os pés para fora da cama e deu um pulo que fez Alpine se afastar irritadiça.

— É uma missão inofensiva. — Sierra garantiu, mas não se deu ao trabalho de levantar. — A Ministra deixou dois homens para trás, eles foram interrogar um desses homens hoje. Agora gostaria que se acalmasse, seu cabelo está em chamas.

Só então Savannah notou que de fato os fios ruivos eram fogo nas pontas. Passou a mão rapidamente neles, mas não adiantou.

— Bucky está bem, S. — A voz da amiga ainda era calma e lenta, nada parecida com a forma frenética como Devenport tentava apagar o fogo dos cabelos. — Ele vai voltar logo. Preciso que respire fundo e fique calma, se estiver apavorada ou nervosa o fogo não vai parar.

Savannah não gostou muito do que ouviu, mas a forma como Sierra lhe encarava, com os olhos calmos e firmes, a fez perceber que não teria qualquer informação enquanto não fizesse o que a biomédica dizia.

Respirou fundo então, tentando relaxar o corpo como fazia no yoga e logo não havia mais nenhum sinal das chamas em parte alguma. Nem mesmo seu cabelo estava queimado ou sequer cheirando fumaça. Mas devia esperar algo assim, não é?

— Acho que devíamos falar sobre isso... — Sierra declarou apaziguadora. — Bucky me disse o que aconteceu e o que ele viu... Eu fiz uns testes e de fato você é mesmo uma Inumana, exatamente como disse pra ele.

Savannah soltou todo o ar do pulmão, frustrada por ver que não conseguiria qualquer informação sobre James. Sierra era muito focada em seus propósitos, e se ela queria falar sobre aquele lance todo de Inumanos e terrigênesis não havia escapatória...

— Eu virei fogo. — Revelou enquanto voltava a se sentar na maca. — Uma raposa de fogo.

— Uma raposa? — Sierra franziu as sobrancelhas, intrigada daquele jeito interessado que tinha. Ela conhecia bem a história da tatuagem.

Pensou por alguns instantes, se colocando de pé e andando pelo quarto. Savannah a conhecia o suficiente para saber que a loira estava montando suas próprias teorias sobre tudo aquilo, puxou Alpine para mais perto enquanto esperava, ganhando um resmungo ronronado em resposta.

— Faz sentido... — Sierra declarou finalmente. — Sua mente controla seus poderes e Inumanos podem quebrar as leis da física. Eu já vi um garoto que pode fazer o corpo todo virar gelo e um homem que pode se curar de basicamente qualquer coisa. Eles não eram Inumanos e sim mutantes, mas a base a mesma, então a extensão dos poderes é parecida... — Ela se apoiou aos pés da maca enquanto falava naquele tom acadêmico que lhe era natural. — E já que a raposa de fogo era algo muito marcante pra você, faz sentido que suas células e átomos tenham se moldado dessa forma quando tudo virou chamas.

— Ou talvez seja algo mais simples que isso. — Savannah moveu os ombros sem grande comoção.

— Simples como?

— Era pra ser assim... Chame de Destino se você quiser. — Respondeu, acariciando Alpine distraidamente.

— Você parece bastante conformada. — Sierra observou, sentando-se novamente e curvando o corpo até apoiar os cotovelos nos joelhos.

Savannah pensou naquilo por um instante.... Sim, estava conformada demais para alguém que tinha passado por uma experiencia maluca daquelas.

— Você disse outro dia que os Inumanos têm algo em seus genes, algo que é passado através das gerações, isso significa que esses poderes... — Focou os olhos castanho-esverdeados em Sierra. — São parte de quem eu sou. Sempre estiveram aqui.

— Exato. Tudo isso é parte de quem você, mas permaneceria adormecido se não tivesse passado pela terrigênesis — As íris azuis estavam calmas como sempre, mas havia uma certa tensão na voz da biomédica. Ela estava preocupada. — Isso vai mudar sua vida, S. Não vai ser fácil e não tem uma “cura”.

Savannah assentiu devagar, com os olhos focados em um ponto fixo, mas sem enxergar de fato, porque sua mente estava longe. Não estava assustada, ou com medo do que viria pela frente, talvez uma parte de si soubesse que seria a reação sensata diante da situação, mesmo assim sentia uma calmaria reconfortante no peito.

— Quando a gente descobre quem a gente é de verdade nossa vida sempre muda, não é? E nunca é fácil. — Encolheu os ombros e sorriu, focando os olhos em Sierra outra vez. — Você sabe disso melhor que ninguém.

— E como sei... — A loira sorriu também, um misto de compreensão e nostalgia, entendia exatamente como era descobrir uma verdade sobre si mesma que estava lá o tempo todo, mas não podia ser vista antes.

Uma parte de Savannah estava calma exatamente por isso, porque Sierra e ela já tinham vivido a mudança uma vez, não fora fácil, e em muitos dias não fora bonito. Mas para alguém que tinha visto de perto como era outro alguém se aceitando e assumindo seu verdadeiro “eu”, apesar de todo o preconceito e injustiça da sociedade, Savannah sabia que o certo era abraçar sua nova realidade de peito aberto. Sierra tinha passado por todo aquilo de cabeça erguida e foi a melhor coisa que tinha feito na vida, era inspirador.

— É isso que eu sou agora: Inumana, com fogo e tudo. — Sorriu, se movendo para segurar a mão de Sierra. — E sejamos honestas, eu já estou na vantagem por ter uma perita por perto, porque, sabe, não faço ideia como isso funciona e não estou muito afim de queimar minha casa, meus amigos e principalmente meu namorado.

A loira riu revirando os olhos e negando algumas vezes.

— Principalmente? — Repetiu em um misto de deboche e acusação.

— Prioridades... Você já viu aquele homem? Aquele corpinho tem que ser protegido. — Savannah devolveu como se fosse a coisa mais óbvia de todas.

Riram as duas, incomodando Alpine com sua barulheira animada. No entanto, irritada ou não, a gatinha não arredou o pé dali.

Enquanto isso, Sierra se levantou e checou os sinais vitais de Savannah, medindo temperatura e anotando tudo em meio a procedimentos que a ruiva não estava realmente preocupada em aprender. Sabia que estava em boas mãos.

— Seus poderes são como qualquer outro músculo do seu corpo, eles têm que ser exercitados, quanto mais você fizer isso mais controle vai ter sobre eles. — A biomédica explicava toda profissional. — É como aprender a andar, às vezes podem rolar uns incidentes até você aprender, mas uma hora vai ser tão natural que você sequer vai precisar pensar nisso.

Savannah procurou se concentrar em tudo que foi dito e nas dicas, Sierra tinha um certo conhecimento por já ter observado e ajudado outras pessoas com habilidades antes, sua convivência habitual era com aquilo que ela chamava de “mutantes”, porque sua chefe Moira, era intimamente ligada a eles. Não haviam tantas diferenças, no entanto, a principal delas ficava por conta da forma como os poderes eram ativados, Inumanos precisavam da terrigênesis e mutantes ativavam os poderes durante eventos de alto impacto emocional, geralmente durante a adolescência.

As pesquisas de Sierra e Moira indicavam que as duas variações compartilhavam de uma variação genética em comum, por isso a forma de controle podia ser bastante parecida, manter a calma, controlar a respiração e se concentrar, até que tivesse uma certa prática era melhor evitar emoções extremas. Ela continuou falando, mas a mente de Savannah já tinha voado bem longe e perdido o fio das palavras há um tempo...

Vagava entre lembranças e preocupações, uma parte de si questionando aonde exatamente James estaria e em tudo que ele estaria pensando; será que ele lidaria com tudo aquilo tão bem quanto ela e Sierra? Outra parte de sua mente revivia o instante em que a explosão lhe atingiu, a consciência vagando naquele momento e trazendo memórias esquecidas ou reprimidas. A maioria delas sobre sua mãe.

— S.? — A voz de Sierra, alinhada ao toque em seu ombro direito fez com que Savannah erguesse os olhos.

— Acho que minha mãe era uma Inumana... — Disse sem rodeios, sabendo que meias palavras e cuidados bobos não eram necessários quando falava com Sierra.

A biomédica e psicóloga ficou pensativa por alguns instantes, se sentou ao lado de Savannah na maca e assentiu algumas vezes:

— Pode ser... Alguém da sua família tinha esse gene, com certeza. Mas provavelmente nunca ficaram sabendo disso.

— Não... — Savannah discordou da linha de raciocínio. — Eu acho que minha tinha esses genes e sabia muito bem disso, e acho que meu pai acabou descobrindo também.

As peças se encaixaram em sua mente como nunca antes. Pela primeira vez tudo fazia sentido.

— S... — Sierra usou um tom cauteloso. — Eu não acho que seja um bom momento pra reviver esse trauma, você já trabalhou tudo isso e seguiu em frente, lembra? Encontrar um motivo não vai fazer as coisas ficaram mais fáceis ou menos terríveis.

— Não é sobre isso. — Savannah devolveu, sabendo que isso também se encaixava nas coisas ditas antes da morte de sua mãe, mas entendendo perfeitamente que mexer nessa ferida não lhe faria bem. — É sobre... Eu acho que ela tinha poderes e via o futuro.

— Por que acha isso? — A loira perguntou antes de levantar, um tanto inquieta como sempre ficava quando sua mente se enchia de teorias e possibilidades. Não havia dúvida em sua voz, apenas curiosidade. A melhor parte com Sierra é que ela nunca descartava nenhuma teoria, sua mente era aberta demais para desconsiderar qualquer vertente.

— Eu descobri que já tinha visto essa raposa antes, em um desenho que minha mãe fez quando eu era pequena... junto com um lobo branco... — Savannah revelou suas memórias recém lembradas. — Entrelaçados como yin e yang, sabe?

Sierra parou onde estava, os olhos azuis-escuros seguindo para os castanho-esverdeados, surpresos e incrédulos.

— Um Lobo Branco? — Ela repediu como a voz oscilando em um tom de empolgação, como quem acaba de achar um trevo de quatro folhas ou algo assim, mas Savannah estava presa demais em seus próprios questionamentos para notar.

— É, eu sei, o lobo ainda não faz muito sentido. — A ruiva moveu a mão no ar como se desconversasse, entendia a raposa o fogo o laranja na imagem, porém o Lobo Branco era algo que parecia fora de contexto, por mais que seu coração vibrasse no peito como se soubesse exatamente a resposta, sua mente parecia presa demais na realidade para fazer a ligação quase óbvia.

— Acho que faz sim, na verdade... — Sierra devolveu, fazendo um gesto com a mão direita. — Acho que você dá conta de levantar. Vem. Tem alguém que eu quero que você conheça.

Feliz por poder sair da maca e daquele cômodo com cara de hospital, pensando que teria noticias de James, Savannah se colocou de pé em um pulo e, depois de arrumar Alpine entre os lençóis, seguiu Sierra, procurando conter as perguntas.

O lugar onde estavam parecia uma construção térrea, mas não haviam janelas, toda a ventilação era artificial, tudo ali era muito claro e um tanto tecnológico demais, será que era uma base dos Vingadores?

Seguiram por corredores e corredores, enquanto Sierra explicava meio por cima a direção dos dormitórios, cozinha e sala comum. Também parecia haver uma sala de treinamento e aquela parte em que estavam era um tipo de ala médica.

Todos os corredores e portas pareciam exatamente iguais, Savannah já nem lembrava mais qual era o caminho de volta e até aquele momento Sierra não tinha dito uma única palavra sobre James...

Tinham virado em outro corredor quando deram de cara com alguém que Savannah definitivamente não conhecia. Era uma jovem, talvez tivesse acabado de sair da adolescência, a pele negra brilhante se destacava em contraste com o jaleco branco, seus cabelos de um castanho bem escuro estavam presos em um penteado complicado feito com um número incontável de tranças bem finas.

— Aí, está ela. — Sierra sorriu quando ficaram as três cara a cara. — Procurávamos por você.

— Alguma coisa errada? — A jovem perguntou e seu sotaque peculiar fez com que Savannah soubesse que com certeza que ela não era americana.

— Essa aqui é a Savy. — A biomédica apresentou. — S. essa é Shuri, princesa de Wakanda.

Puta merda! As palavras “princesa” e “Wakanda” fizeram Savannah arregalar os olhos em surpresa. Caralho a menina era da realeza de um país misterioso! Ficou sem saber o que fazer, tinha que se curvar? Tinha que beijar a mão dela? Havia uma forma específica que tratá-la?

Puta que pariu, mataria a Sierra por não ter falado nada antes!

— A famosa! — A princesa Shuri abriu um sorriso amigável e extrovertido. — Todo mundo falou tanto de você nesses últimos três dias que eu já não via a hora de te conhecer por mim mesma.

Savannah tentou não entrar em choque por ter uma princesa de verdade conversando consigo como se fosse algo perfeitamente normal, mas assim que Shuri terminou de falar seus olhos avelãs raivosos seguiram para Sierra, totalmente esquecidos da realeza ali ao lado.

— Três dias?! — O tom da ruiva elevou duas oitavas. — Você pretendia me contar isso quando?

— Ops... — Shuri soprou, observando a cena com um sorriso divertido.

— Não achei relevante. — Sierra respondeu, senhora de toda a calmaria do mundo.

— Sério?! — Savannah cruzou os braços contrariada, mas não arrancou reação alguma da loira.

Três dias... Será que James estava fora tudo aquele tempo? Será que ele estava bem?

— Vocês precisam de um momento? — A princesa questionou divertida, apontando de uma para outra. — Acho que eu tenho que ver meu paciente mesmo...

Savannah não pensou muito antes de segurar a jovem em um ato totalmente instintivo.

— Espera. Um paciente? Você é médica? Tem alguém machucado? É o James? — Encheu Shuri de perguntas que apenas alternou o olhar entre o rosto e as mãos da ruiva e foi largada no mesmo momento. — Me desculpe, alteza.

— Meu deus do céu, eu já disse que o James está bem! — Sierra jogou as mãos para o ar e revirou os olhos.

— Vocês são engraçados. Todos vocês. — Shuri riu e por um instante pareceu muito mais nova. Apontou para Savannah então: — E, sério, não precisa disso de “alteza”. Mas não, eu não sou médica, pelo menos não exatamente. Sou a garota que chamam quando um cara branco precisa de conserto.

A ruiva abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi interrompida pela própria princesa:

— Mas não, não é o Bucky, é um soldado que eles trouxeram.

Savannah olhou pra Sierra em busca de informação e foi assim que soube que um dos trigémeos, Nikolaj Novokov — ou apenas Nik — tinha sido neutralizado por Barnes e estava ali, depois de ter passado por uma cirurgia coordenada por Shuri para que o chip em seu cérebro fosse removido.

James não tinha permitido que o levassem detido.

Nik, segundo as palavras de Shuri, estava estável, mas ainda confuso sobre alguns dos eventos em seu passado.

— Posso vê-lo? — Savannah questionou e as outras duas mulheres trocaram um olhar.

— Eu não vejo problemas nisso. — Shuri declarou e Sierra acabou concordando.

A princesa entrou no quarto primeiro, outro cômodo claro com ares de hospital como o que Savannah estava antes, mas ali havia muito mais aparelhagem médica.

— Nik? — Shuri chamou ao se aproximar da maca. — Você tem visitas.

O grande homem tinha sua careca enfaixada e moveu os olhos na direção da porta.

— Menina Migalha! — Abriu um grande sorriso ao ver Savannah. Seu tamanho intimidador era o completo oposto de seu comportamento.

— Você se lembra de mim? — A ruiva se aproximou em passos monitorados por Sierra.

— Lembrar algumas coisas, não tudo ainda. — O homem respondeu naquele sotaque enrolado que tinha. — Doutora Princesa e Doutora Brava cuidar de mim.

Savannah franziu as sobrancelhas, era claro quem era a “Doutora Princesa”, mas o outro apelido a pegou de surpresa?

— Brava? — Repetiu ao encarar Sierra que apenas deu de ombros ao responder:

— Ele tinha acabado de remover um chip intraneural e queria sair por aí atrás de uma psicopata.

— Brava. Brava. Brava. Muito, muito Brava. — Nik reforçou como se tivesse medo de Sierra.

Justo de Sierra? Savannah achou aquilo muito engraçado, não só porque a biomédica era a imagem da calmaria e totalmente inofensiva, mas também porque perto de Nik, Sierra era pequena, magra e absurdamente frágil. Ele a quebraria ao meio com uma mão se quisesse, mesmo assim parecia respeitá-la.

— Mas assim que ficar bom, eu precisar salvar meus irmãos, não querer que eles ficar com Madame, ela muito má. — Disse convicto, então parou, como se lembrasse de algo. Não. Esperar. — Limpou a garganta e respirou fundo. — Eu preciso salvar meus irmãos, não quero que eles fiquem com a Madame, ela é muito má.

Savannah o viu repetir, como se tivesse treinado essa frase diversas vezes.

— Nada mal! Estão te ensinando a nossa língua? — Comentou orgulhosa. Só de terem tirado alguém das garras daquela maluca já era uma grande vitória.

Nik parecia um bom homem, e certamente tinha vivido coisas bem similares aos terrores que James havia sofrido com Soldado Invernal.

— Gasparzinho ensinar pra mim. — O russo disse animado e Savannah teve que encarar Sierra em busca de informação outra vez.

— É o TJ. — A loira explicou de forma simples.

— Ser branco branco branco, como aquele fantasma do filme. — Nik explicou soltando uma risada trovão tão potente que deu a impressão de fazer tudo ao redor tremer.

— Não posso discordar. — Shuri anuiu, enquanto mexia nos aparelhos médicos, e ajustava soro e outros medicamentos no suporte que levava esses suprimentos para as veias do paciente.

— TJ está aqui? — Savannah ainda estava presa na surpresa da revelação.

— Todo mundo está aqui, Bucky fez questão, ele não queria ninguém correndo em perigo. — Sierra explicou como se lhe fosse algo normal e é claro que a ruiva sorriu em um misto de orgulho e pura paixão.

Como ele podia ser tão perfeito?

Pelos próximos minutos, enquanto Shuri fazia os procedimentos necessários com Nik e trocava os curativos da pequena incisão por onde haviam retirado o chip, Sierra finalmente deu algumas respostas.

Depois que Savannah desmaiou — um processo que a biomédica achava normal por causa da grande quantidade de energia que a transmutação total em fogo devia exigir — Bucky e Sam haviam, com a ajuda de Sharon, feito uma varredura na base da Ministra e emitido os alertas necessários para que ela fosse caçada.

Nesse meio tempo, Sharon levou o doutor Freakmann sob custódia, esperando que os testemunhos dele ajudassem a agilizar as coisas com a CIA. Sam e Bucky entraram em contato com o Rei T’chala e conseguiram aquela base Wakandana emprestada. Estavam fora de Nova York, em uma instalação que o Pantera Negra havia adquirido depois de Thanos, um lugar que ele pretendia manter na América do Norte para algum imprevisto. Shuri viera como um favor para Bucky, depois que ele falou sobre o caso de Nik.

Todos os amigos de Savannah estavam ali, incluindo Beverly e Mike, embora esses dois tivessem vindo a convite de Sam. O esconderijo estava equipado com todo tipo de firehall Wakandano para que nenhuma invasão remota fosse possível, mesmo assim, enquanto estivessem ali, e até que Lucia Von Bardas fosse pega, eles não estavam usando seus próprios celulares ou internet, o único contato com o mundo exterior — e nesse caso com Bucky e Sam que estavam fora — acontecia através de um equipamento seguro para envio de mensagens. Sierra fora instruída a dar noticias de quatro em quatro horas.

— Mas não precisa se preocupar, eles estão apenas tentando conseguir alguma informação relevante com Freakmann, já que Nik não lembra de nada que possa ajudar.... — Shuri disse quando Sierra terminou com suas explicações. — Logo vão estar de volta.

Savannah encarou a biomédica e cruzou os braços.

— Custava me dizer isso? — Jogou contrariada e não ganhou mais que um revirar de olhos.

— A última vez que você soube onde Bucky estava, você saiu em uma missão suicida atrás dele. — Sierra acusou como se fosse a coisa mais simples de todas. — Quanto menos você souber melhor.

— Menina Migalha ser muito irritada. Bem corajosa ela. — Nik opinou e Savannah sorriu superior para a outra, crente que seria elogiada. — Mas muita miúda, qualquer um derrubar com um empurrão.

Estreitou os olhos avelãs na direção do Russo e rebateu de imediato, enquanto Sierra ria de canto:

— Só pra constar agora eu tenho poder de verdade. Poder de fogo.

— Ainda ser Menina Migalha. Como velinha de aniversário, soprou, apaga. — Nik fez o gesto de um sopro pra ilustrar e riu daquele jeito meio trovão que tinha, sendo acompanhado pelas outras moças na sala.

Savannah prendeu o sorriso com os dentes, nada inclinada a dar o braço a torcer para a piadinha.

— Bom, no meu país as mulheres são guerreiras muito mais competentes que os homens, então acho que você está certa em proteger seu namorado. — Shuri opinou, se recompondo e terminado o que fazia nos aparelhos médicos.

— Viu? — Savannah apontou para a médica. — Ouçam o que ela diz. Ela é a princesa aqui. Autoridade máxima.

— O único problema é que você não é Wakandana. — Sierra jogou de volta. — Mas já que estamos falando de Wakanda, me lembrei do motivo de te trazer pra conhecer a Shuri.

A princesa ergueu a cabeça, tão curiosa quanto Savannah.

— Se lembra daquela história que contou sobre Bucky e as crianças? — A loira questionou, recebendo um aceno afirmativo em resposta. — Pode contar pra Savy? Vai ter mais impacto se vier de você.

Os olhos avelãs franziram, encarando uma e outra de modo desconfiado. O que poderia ser que parecia tão importante para Sierra?

— Não é nada demais, é só que as crianças da aldeia em que ele estava adoravam ficar importunando ele, todas as manhãs estavam por lá, espreitando e rodeando. — Shuri moveu a mão no ar como se fosse nada demais, aparentemente ela também não entendia a importância da história. Savannah achou uma graça, é claro, mas ainda não via o propósito ali. — Elas deram um apelido pra ele e acabou pegando... Lobo Branco.

Como uma luz que simplesmente se acende ao toque de um interruptor todo fez sentido finalmente. O Lobo Branco no desenho era James.

Mas é claro que era! O azul, o gelo, a ideia de oposição... Tudo indicava que era ele, como pôde ser tão burra de não ter notado logo? Savannah sorriu, seu coração se enchendo de calor.

Se sua mãe podia mesmo ver o futuro, isso queria dizer que ela e James estavam destinados... Eles se pertenciam.

— Tudo bem? — Shuri perguntou, provavelmente notando a reação exagerada para a simples história boba.

— Tudo ótimo na verdade! — Savannah respondeu, incapaz de conter a felicidade em sua voz.

— De nada por contribuir para seu conto de fadas. — Sierra declarou rindo de cantou e fazendo um gesto de convite. — Agora vamos, você tem que se alimentar.

Se despediram de Shuri e Nik, então deixaram o cômodo enquanto ainda podiam ouvir a princesa resmungar de forma divertida:

— Norte Americanos...

Enquanto voltavam pelos mesmos corredores idênticos Savannah notou que Sierra estava mais calada que o comum, pensativa... A conhecia bem o bastante para saber que havia algo ali.

— Você está com aquela cara introspectiva de quem sabe mais do que está falando. — Declarou, batendo no braço dela com o cotovelo de leve.

— Estou preocupada com o estado do Nik... — Sierra respondeu e seu tom reforçava essa verdade.

— Por que? Pensei que ele estava estável. — Savannah devolveu, automaticamente interessada na situação.

Mal conhecia Nik, porém ele tinha sido prisioneiro mental de Lucia por anos, era claro que precisava de cuidados e de toda a ajuda possível. Tinha uma certa simpatia gratuita por ele...

— Não é sobre a saúde física dele. Me preocupo com sua estabilidade emocional. — A psicóloga explicou. — Sharon pesquisou sobre o Nik e os irmãos dele e nos trouxe o resultado... Ele não tem irmãos.

— Mas eu vi os três juntos. — Savannah declarou, confusa com aquela revelação inusitada. — São idênticos.

— Exato. Sabe o que mais pode ser idêntico a alguém? — Sierra focou os olhos azuis na ruiva, mas mão esperou resposta para continuar: — Clones.

Savannah demorou alguns segundos para absorver aquela verdade... Quis dizer que era impossível, mas como diria que qualquer coisa era impossível depois de ter virado uma raposa de fogo.

— Espera... Mas ele não sabe disso? — Ela se deu conta, ao lembrar que Nik estava focado em se recuperar para ajudar os “irmãos” de alguma coisa.

— Ele não se lembra de muito, e eu e Shuri acreditamos que o implante intraneural pode ter colocado memorias falsas na mente dele. — Sierra explicou e seu tom preocupado dizia muito. — Nik acha realmente que tem irmãos, tenho medo que quando a verdade voltar, ou quando tivermos que contar, isso o leve a um rompante emocional e psicológico. Tenho trabalhado com ele aos poucos, espero que isso ajude.

As duas se encararam por um momento, não havia muito mais o que fazer a não ser esperar e estar por perto para apoiar Nik quando a verdade viesse à tona. Torcer para que ele não surtasse de forma violenta também era aconselhável, afinal o homem tinha o tamanho de um urso selvagem...

— Nanah! — A voz infantil atraiu a atenção das duas moças e logo um pequeno corpo infantil se jogava contra Savannah.

Ela sorriu, avaliando o rosto de Mike depois de abraçá-lo e instantes depois estava cercada por todos os seus amigos. Sua família...

E logo a situação não parecia tão ruim, talvez porque fosse difícil pensar em qualquer outra coisa com todas aquelas pessoas tão diferentes entre si falando ao mesmo tempo. Perguntas, respostas e novidades se misturavam todas de uma vez, com ao menos três conversas paralelas sendo mantidas ao mesmo tempo.

Abby, TJ, Gus, Bev, Mike, Sierra, todos estavam ali reunidos na ampla cozinha, e sim, Savannah se sentia feliz ao lado deles, ria e participava das conversas com empolgação, mas inevitavelmente olhava para a entrada do cômodo esperando que alguém mais parecesse...

“Alguém mais” não. James.

Comeram algo juntos enquanto contavam cada detalhe dos últimos três dias, TJ mais empolgado do que qualquer outra pessoa, até mais que Mike. No entanto as melhores noticias vieram em uma conversa privada, enquanto Savannah e Beverly lavavam a louça... Só então a ruiva ficou sabendo da denúncia, da ajuda de Sam e de uma novidade crucial:

A última noticia que Bev havia recebido, antes de abrir mão da tecnologia por segurança, era que Ryan fora preso por Dominic Castillo graças as denúncias de violência doméstica e, já que estava em condicional, ficaria na cadeira por um tempo. Havia um senso de justiça nisso, mesmo que também houvesse a certeza que era apenas o começo dos tramites legais...

Beverly estava assustada, com medo do que teria que enfrentar, cheia de dúvidas sobre como seria a vida depois de tudo aquilo, mas também havia nela algo que não estava ali antes, um tipo de brilho que lhe contagiava os olhos, a pele e até os fios negros. Esperança.

Era um começo, e era bom...

Mais tarde, quando estavam todos juntos novamente, Sierra revelou que não contaria para Barnes sobre Savannah ainda, uma mensagem curta e rápida não responderia as dúvidas dele e podia fazer mais bem do que mal.

A ruiva até quis retrucar, mas aceitou que talvez Sierra estivesse certa, deixar James ansioso, preocupado ou qualquer coisa no meio de uma missão parecia pouco seguro. Podia esperar pela volta dele.

Só não imaginou que demoraria tanto...

O primeiro dia passou depressa, gastou mais um tempo com os amigos que — com exceção de Bev e Mike — acabaram no quarto de Nik, tentando ensinar ao russo algumas gírias novas. Era evidente que todos ali tinham adotado o grandalhão como parte integrante da família assim fácil simples e rápido. Talvez tivessem um fraco por soldados russos desmemoriados com cara de mau, mas que na verdade era um doce.

E estar com Nik, só fez com que Savannah pensasse ainda mais em James... Ao cair da tarde a preocupação e saudade eram tantas que ela apenas pegou fogo “do nada”, acabou tendo que ser “apagada” por um extintor de incêndio... Na verdade a ideia inusitada viera de Mike e TJ pareceu muito feliz em testá-la.

O restante da noite foi sobre exercícios de controle e respiração dados por Sierra, e foi assim no segundo dia também. Savannah aprendeu um pouco sobre a extensão de seus poderes em um ambiente controlado com a ajuda de Shuri; podia gerar e manipular fogo conforme sua vontade e não, não era tão difícil como parecia.

Claro, que teve alguns problemas, não conseguia mais virar a tal raposa de fogo, ou qualquer coisa assim, embora seu corpo ficasse em chamas ainda era um corpo e Savannah sabia que não era nada como o que tinha vivido quando sobreviveu a explosão. Além disso, cada vez que tentava perdia algumas peças de roupa, porque diferente de seu corpo e de seu cabelo, qualquer outra coisa virava cinzas rapidamente...

Isso era uma grande merda, afinal Savannah não era uma princesa Wakandiana com uma grande fortuna pra gastar em roupas novas. E gostava bastante das que já tinha.

No final do segundo dia Sierra já estava impressionada com seu avanço, Savannah podia criar fogo na palma das mãos, lançá-lo e apagá-lo segundo sua vontade. E segundo a biomédica não tivera contato com muitas pessoas que haviam conseguido ir tão longe em tão pouco tempo.

Ela acha que aquele progresso rápido se devia ao fato de Savannah estar empenhada em jamais machucar algum dos amigos em um acidente bobo. Precisava controlar aquelas habilidades para que elas fossem seguras para aqueles ao seu redor. Além disso, o apoio de todos eles era um fator crucial para que a ruiva não desistisse.

No entanto, lá no fundo, Savannah também tinha um motivo a mais para estar tão focada. James. Não era apenas sobre feri-lo, era sobre estar pronta para defendê-lo caso Lucia tentasse tocar nele outra vez... Aqueles poderes tinham que ter aparecido por um motivo afinal, e que motivo mais pertinente e nobre do que proteger aqueles — aquele — que amava?

— Por que não vai descansar um pouco, S? — A voz de Sierra lhe pegou de surpresa.

Estavam no meio da noite, todo mundo dormindo e Savannah sentada no chão, de frente para a porta que dava acesso a garagem do lugar, esperando a chegada de alguém que nunca vinha...

— Não estou cansada. — Jogou sem dar importância. Mas a verdade é que seu corpo e sua cabeça doíam do esforço que fizera para controlar os poderes durante o dia. Estava exausta.

Sierra encarou a amiga for alguns instantes e se sentou ao lado dela, no chão também.

— Sabe que ele vai chegar e vai direto procurar você, não é? — Não havia necessidade de citar nomes, só havia um “ele” que interessaria Savannah e claro que era James Barnes. — Não vai fazer diferença se estiver aqui ou no seu quarto.

A ruiva respirou fundo, tinha um bilhão de dúvidas e inseguranças na mente, queria poder contar algumas delas para Sierra, porém a verdade é que estava tão assustada com o rumo dos próprios pensamentos que não conseguia colocá-los em palavras...

— Ele fez isso também... — A psicóloga sorriu de canto, como se lembrasse algo adorável. — Ficou do lado da sua cama por dois dias, até a exaustão. Dava pra ver que lutava com o senso de dever, não queria sair antes que você acordasse, mas sabia que tinha que fazer isso... Aquele homem que prenderam pode ter informações cruciais sobre o paradeiro da Ministra.

Savannah sorriu, pensando no quão doce e atencioso aquilo era, ao mesmo tempo em que se preocupava com James levando o corpo ao limite do cansaço apenas para estar ali ao lado dela. Talvez suas inseguranças fossem tolas afinal...

Sierra lhe analisou por algum tempo, pensativa e calada, como se ensaiasse palavras em sua mente antes de dizê-las.

— Savy? — O apelido completo e o tom preocupado fizeram com que Savannah soubesse que teriam uma conversa importante. — Vocês passaram por um evento muito traumático, sabe disso, não sabe? — A ruiva moveu a cabeça devagar em resposta. — Esse tipo de coisa tem impacto nas pessoas e eu... eu só quero que fique preparada para caso ele não lide com tudo isso tão bem quanto você, tudo bem?

O coração de Savannah bateu apressado e apavorado, suas dúvidas e inseguranças esmagando seus pulmões de um jeito fisicamente dolorido, se é que algo assim era possível.

— Acha que ele não vai aceitar minha... condição? — Tentou não tremer ao dizer as palavras. Era isso não era? O fogo mudaria tudo.

— O que? — Sierra uniu as sobrancelhas como se tivesse acabado de ouvir uma grande besteira. — Não. Isso não é sobre seus poderes. Ele seria um grande idiota se fizesse isso. — Ela moveu a mão em movimento displicente, descartando aquilo. — Eu estou falando sobre... Você morreu Savannah, bem diante dos olhos dele. Sim, você está aqui viva agora, mas por algum tempo, que deve ter parecido uma eternidade, ele perdeu você, o luto foi real pra ele. Bucky está muito abalado. Esse tipo de evento muda as pessoas e as faz repensarem as coisas, pode ser bom ou ruim, é melhor estar preparada.

Savannah lembrou do quão quebrado James parecia quando se encontraram depois da explosão e soube que Sierra podia estar certa...

Para si própria aquela situação tinha sido um tipo de aventura mística e transformadora, mas para James fora tragédia e perda em primeiro lugar.

— Você falou com ele? — Perguntou, sabendo que uma conversa com alguém como Sierra seria muito benéfica para o seu Sargento.

— Eu tentei, mas ele não é alguém de fácil acesso... — A psicóloga lamentou. — Na verdade nenhuma pessoa com traumas é, mas ele em particular é ainda mais difícil.

Savannah respirou profundamente, embora sentisse que só fosse capaz de fazê-lo pela metade, então suspirou, conseguindo formar uma imagem mental de toda a situação.

— Ele vai dizer que a culpa é dele e vai querer se afastar de mim, não é? — Ponderou, pousando os olhos avelãs na loira.

Podia visualizar James ao seu lado por dois dias remoendo todas as coisas que podia ter feito para evitar aquilo. Podia sentir o quanto ele tinha se martirizado por coisas que não eram culpa dele. Podia até mesmo prever o olhar perdido, quebrado e dolorido que ele teria no rosto assim que se encontrassem...

— Eu não sei... — Sierra negou algumas vezes e se colocou de pé. — Mas se eu fosse você descansaria, talvez vocês tenham uma conversa complicada e importante pela frente.

Ela se retirou e Savannah tirou mais dez minutos para ficar ali, antes de decidir seguir o conselho de sua amiga. Seguiu para o quarto então, não aquele espaço médico onde acordara, um quarto de verdade. O mesmo cômodo onde James havia deixado uma mala com as coisas dele...

Na verdade, Savannah tinha um quarto apenas para si mesma, algo que achou estranho desde o primeiro momento e que foi o começo de todas as suas inseguranças... Talvez James quisesse se afastar por causa do perigo e do fogo.

Porém, depois de sua conversa com Sierra, aquela separação de coisas e cômodos parecia ter um outro motivo. Seja como fosse, Savannah decidiu esperar por James ali, no quarto dele, onde Alpine já dormia confortavelmente.

Não podiam ficar fugindo daquilo. Se ele estivesse se sentido culpado ou se realmente se incomodasse com os poderes, era algo que Savannah só saberia quando conversassem... Tentou ser racional sobre isso.

O cômodo era amplo demais, o que o deixava um tanto vazio pelos poucos móveis minimalistas, a maior coisa ali era a cama, Savannah honestamente nunca tinha visto uma tão grande... O quarto tinha um banheiro privativo — assim como todos os outros quartos do lugar — um cômodo igualmente amplo com uma pia dupla, banheira e ducha.

Depois de pegar as próprias malas, ela tomou um banho rápido. Tinha acabado de vestir uma calcinha quando encarou a mala de James por um instante... tinha acostumado a dormir com ele de uma forma tão rápida e natural, que sentia falta, não tinha conseguido pregar o olho na noite anterior de saudade dele. Caminhou até a mala e pegou uma das camisetas das camisetas masculinas.

Cheirou o tecido enquanto o apertava contra si, antes de vestir a peça, era impressionante que tivesse o perfume de James, mesmo estando evidentemente lavada...

Vestida de calcinha e camiseta roubada, deitou na enorme cama de lençóis frios, nada ali tinha o cheiro do seu Sargento, provando que ele sequer usara a cama desde que havia chegado ali. Não demorou muito para que Savannah percebesse que odiava aquele colchão grande e solitário, mesmo Alpine que era toda espaçosa, parecia incomodada ali.

Ambas sentiam falta de James...

✪ ✪ ✪ ✪ ✪

As estradas escuras tinham uma calmaria inquietante, Bucky encarava os carros sendo ultrapassados sem de fato vê-los, apenas luzes diversas ficando para trás enquanto seu próprio pensamento ia e vinha por sua mente, dando voltas em dois assuntos principais de uma vez só...

— Você parece preocupado. — Sam comentou casualmente, com as duas mãos no volante e os olhos alternando entre Barnes e a estrada.

— E você não está? — Bucky devolveu de forma neutra. — Ficamos quase três dias tentando tirar algo daquele idiota e nada.

O “idiota” no caso era o Doutor Freakmann, o cientista estranho que tinham capturado no esconderijo da ministra. Sharon havia levado o homem em custódia, por isso Sam e Bucky tiveram que atravessar um estado para interrogá-lo em busca de informações sobre Lucia Von Bardas.

A Ministra estava foragida e o cientista idiota não abria a maldita boca.

— Seria melhor que não tivéssemos deixado a CIA cuidar disso. — Bucky resmungou irritadiço, sabendo que conhecia formas bem eficazes de fazer Freakmann cooperar, caso ele não estivesse sob a guarda da organização governamental. Às vezes as leis podiam atrapalhar.

— Fizemos a coisa certa. — Sam declarou, e sua calma constante era irritante de vez em quando.

Mas talvez ele estivesse certo, ter mantido Freakmann como prisioneiro, longe dos olhos da lei, talvez levasse Bucky à tentação de fazer o homem abrir a boca usando métodos nada ortodoxos.

O Soldado Invernal podia ser muito persuasivo.

— Além disso, agora sabemos que ele sabe de alguma coisa, só não vai contar pra gente... — Wilson prosseguiu e recebeu um olhar nada amigável em retorno.

— Fora de cogitação! — Barnes foi duro e frio como o gelo que habitava suas íris. — Daremos outro jeito.

— Não está mais aqui quem falou... — Sam se apressou em responder, dando o assunto por encerrado.

Bucky respirou fundo, passando a mão esquerda sobre o rosto em um gesto de frustração. Sim, Freakmann sabia de alguma coisa, mas depois das extenuantes horas de interrogatório naqueles dias, ele tinha sido categórico em dizer que só falaria com uma pessoa...

E, se a fuga de Lucia e a falta de cooperação do cientista idiota eram uma das preocupações de Barnes, a outra preocupação — a principal certamente — era a pessoa com quem o prisioneiro exigia falar... Savannah.

Sair do complexo, emprestado gentilmente por T’chala para servir de esconderijo enquanto preciso, fora uma das coisas mais difíceis que Barnes fez, abandonar Savannah naquela maca, desacordada e indefesa parecia um crime. Um dos piores que já havia cometido.

Sabia que precisava agir contra Lucia o mais rápido possível, atacar primeiro era a única forma de garantir que ela não os pegasse de surpresa. Afinal aquela mulher não parecia o tipo que deixaria um confronto de lado. Era como um vespeiro, estava quieta por todo o tempo até que foi cutucada, depois disso era bom que se preparassem para as ferroadas...

E mesmo entendendo que agir rápido era sua melhor vantagens, ficou arrumando desculpas para ficar perto de Savannah todo aquele tempo. Primeiro disse a si mesmo, e a Sam, que tinham que ficar porque o Soldado Russo não era confiável e não podiam deixar todos ali no complexo sozinhos com ele... Apelou para o nome de Bev e Mike para que Sam concordasse sem mais perguntas. Porém, quando Nikolaj Novokov se provou mais inofensivo que um urso de pelúcia gigante, Bucky perdeu seus argumentos, além disso Shuri tinha tudo sob controle nesse sentido e Sierra era responsável o bastante para cuidar de todos os outros.

Principalmente de Savannah...

A biomédica garantiu que a demora em acordar era perfeitamente normal, que todos os sinais vitais estavam estáveis e que tudo estava sob controle. Barnes notou que ela era a melhor pessoa para estar ao lado de Savannah naquele momento, a única que parecia saber o que estava fazendo.

Nunca diria em voz alta para ninguém, mas sabia que assim que Savannah acordasse a vida dela mudaria para sempre por causa de suas novas e enigmáticas habilidades. E era tudo culpa dele...

Seus inimigos e seu passado haviam saído da tumba para lhe assombrar e Savannah arcara com todas as consequências, tinha sido atingida no fogo cruzado e nunca mais teria uma vida normal outra vez. Bucky nunca se odiou tanto quanto naquele momento.

Ela podia ter morrido por causa dele... Droga, por algum tempo — que mais pareceu uma eternidade — ela de fato morreu.

Bucky tinha uma única certeza: Não podia deixar acontecer de novo.

Essa era a coisa principal no foco de suas preocupações naqueles últimos dias, ele sabia que precisa tomar uma atitude e a pior parte é que sua mente gritava a solução em looping, a solução logica, certa... porém nada fácil.

Tinha que deixá-la. Tinha que partir e nunca mais voltar. Tinha que desaparecer da vida de Savannah Devenport para sempre. Porque ela estaria melhor e mais segura sem ele.

Seu curso de ação era simples, primeiro resolveria o problema que tinha trazido consigo, Lucia tinha que ser detida definitivamente para que nunca mais ameaçasse a segurança de Savannah ou de seus amigos. Depois disso Bucky tinha que se afastar... Isso impediria que outro fantasma do passado o encontrasse cedo ou tarde.

Porque, da próxima vez, o que aconteceria? Savannah sobrevivera por um milagre e nunca mais poderia ter a vida de antes, se Bucky ficasse o que isso significaria a longo prazo? O que ela perderia da próxima vez? Um braço? Uma perna?

No entanto, saber o que era certo não tornava o certo mais fácil... Estava em guerra consigo mesmo durante todos aqueles dias, tentava convencer sua mente que era a escolha errada, que ficar com Savannah naquele momento e apoiá-la era o correto.

Mas era? Savannah realmente precisava dele quando tinha Sierra ali? Alguém que sabia o que estava fazendo, alguém que de fato entendia a situação e que tinha estudado pra isso a vida toda. Não haveria nada que Bucky pudesse fazer que Sierra não faria melhor.

E Savannah teria os amigos, todos eles, nunca ficaria sozinha. Ela não precisava dele...

— Ela está bem, Bucky. — Sam declarou, como se pudesse ler os pensamentos de Barnes. —Alguém teria mandado uma mensagem se tivesse acontecido alguma coisa.

Nomes eram desnecessários. Havia apenas uma “ela” realmente importante na vida de Bucky.

Talvez Wilson estivesse certo, Sierra tinha enviado todas as mensagens na hora certa e todas tinham a informação de que tudo estava sob controle. Era apenas um tanto frustrante que tivessem combinado mensagens tão curtas, porque queria saber de detalhes sobre o estado de Savannah... Nunca deixaria de se preocupar com ela.

— É eu sei... — Assentiu, procurando ser um pouco mais racional. — Acha que devíamos ficar e tentar de novo amanhã?

— É isso que você quer fazer? — Sam questionou, sem dar meia volta ou diminuir.

Não, não era isso que Bucky queria fazer...

Porque apesar de saber que Savannah não precisava dele, apesar de saber que ela estava segura e sendo bem cuidada... Ele precisava dela.

Era um sentimento irracional, se sentia incompleto longe dela. Talvez por isso lutasse tanto contra si mesmo sobre as coisas que devia fazer para mantê-la segunda a longo prazo.

A amava demais e talvez esse fosse o exato problema... Se a amava tinha que fazer o certo, mesmo que isso doesse de todas as formas que algo poderia doer...

A viagem durou mais algumas horas, chegaram ao esconderijo no meio da madrugada, Sam passou pela porta estralando os ombros e acenou um boa noite indo direto para o próprio quarto. Já fazia dias que nenhum deles dormia bem.

Bucky respirou fundo, seria mentira se dissesse que não estava cansado, mesmo assim não havia nenhum outro lugar onde ele iria antes de ter certeza que Savannah estava bem. A quem estava enganando afinal? Assim que colocasse os olhos nela, desacordada naquela maldita maca, com certeza não arredaria o pé dali para coisa alguma.

Comer ou descansar eram irrelevantes.

A porta do aposento médico estava fechada e o lugar todo silencioso, isso era estranho, geralmente a porta ficava aperta e o monitorador de sinais vitais permanecia sempre ligado. Bucky girou a maçaneta e... seu coração parou de bater por alguns segundos, sua respiração travou no peito e seu estômago revirou de modo enjoado e apavorado. Não havia ninguém ali.

Uma dezena de possibilidade horríveis passou pela mente de Barnes, suas pernas pararam de obedecer aos seus comandos... aquilo não podia estar acontecendo.

— Ela está acordada. — A voz feminina comentou e Bucky notou que estava tão distraído que sequer tinha visto Abigail se aproximar. — Bom, tecnicamente ela está dormindo no outro quarto agora, mas você entendeu. Ela já acordou.

Ele conseguiu respirar, embora ainda achasse que desabaria ali mesmo. Copiou o exemplo de Abby que estava encostada despretensiosamente na virada do corredor e se apoiou na parede também.

Ela tinha uma xícara fumegante entre as mãos — pelo cheiro que emanava parecia café fresco — e vestia um pijama de flanela com calça e blusa comprida, estampado com diversas pequenas imagens de um urso amarelado, com uma camiseta vermelha que mal lhe cobria a barriga e abraçado a um pote de mel. Parecia calma demais, e isso apaziguou um pouco os pensamentos de Bucky.

— Sierra mandou mensagens de checagem e não disse nada. — Ele comentou, vendo o quanto sua voz saiu trêmula.

— Ela decidiu que não era um jeito bom de contar e poderia atrapalhar a missão de vocês. — Abby deu de ombros e assoprou a própria xícara por um tempo insuficiente, já que foi óbvio quando queimou a língua ao dar um gole no café.

Bucky respirou fundo, encarando o quarto vazio uma vez mais. Savannah estava acordada, graças a deus...

— Como ela está? — Questionou, sentindo uma vontade latente de correr até o quarto, mas sabendo que suas pernas ainda estavam trêmulas demais.

— É a Savy, ela sempre surpreende. — Abigail ponderou e abriu um sorriso como se lembrasse de algo. — Sierra começou com alguns exercícios de autocontrole, mas mantemos o extintor de incêndio por perto.

Barnes franziu as sobrancelhas sem entender a piada e a garota abanou a mão no ar.

— Esquece. Piada boba.

Só então de fato encarou Abby, era meio de madrugada por que ele estava tomando café?

— Você não devia estar dormindo também? — Questionou, medindo a reação da jovem e vendo ela murchar instantaneamente.

O sorriso sumiu do rosto redondo e Abigail arrumou os óculos com a ponta dos dedos encarando o chão de forma constrangida. Bucky percebeu que algo estava errado, por isso permaneceu ali mais um pouco, dando oportunidade para que a garota falasse.

— Você acha que eu sou uma idiota? — Ela ainda manteve os olhos no chão quando começou. — Você me disse pra não mexer com isso, eu não te ouvi e ferrei tudo.

Ainda estava envergonhada com isso, o que era uma grande besteira, porque Barnes tinha escutado a garota pedir desculpas mais de quinhentas vezes nos dois dias que ficou ali. Não era culpa dela, Lucia fazia parte do passado do Soldado Invernal, cedo ou tarde ela viria e talvez o resultado tivesse sido até pior sem uma câmara de terrigênesis por perto...

— Eu não acho que você é idiota, Abby, eu acho que você é obstinada em fazer o que acha certo, e na verdade essa é uma boa qualidade. — Respondeu com honestidade.

— É... uma boa qualidade que quase matou você e a Savannah. — Abigail retrucou com um suspiro pesado.

— Não foi sua culpa. Cedo ou tarde aquela mulher viria atrás de mim. — Outra leva de verdades que pareceu não surtir efeito nenhum na jovem. — Além disso, estou acostumado a ter amigos que fazem coisas que eu disse pra não fazer e que quase me matam no processo.

Bucky riu de canto e isso sim atraiu um olhar interessado. Sempre podia contar com a curiosidade de Abby.

— Steve fazia muito isso, antes de ser o Capitão América. — Explicou em um tom casual e soube que Abigail só não puxou uma cadeira e sentou com os olhos vidrados nele, porque estavam no meio de um corredor. — Tinha esse garoto na escola, ele estava prestes a se formar depois de ter repetido uns anos e nós tínhamos acabado de entrar no ensino médio. Billy... — Ele negou algumas vezes, puxando com nostalgia as memórias em sua mente. Tudo parecia tão engraçado olhando em retrospectiva... — Ele era um valentão, tinha um grupo de amigos que andavam com ele e se achava o maioral. Steve estava pronto pra uma briga desde o primeiro dia, enquanto eu dizia que não era uma boa ideia e que ele devia desconsiderar, deixar pra lá, afinal sequer éramos alvo, ficaríamos bem.

— Ele não deixou pra lá... — Abby presumiu certeiramente e a empolgação em sua voz era evidente.

— De jeito nenhum. E me arrastou junto, é claro, porque era o Steve, eu não podia deixá-lo apanhar... Não sozinho pelo menos... Apanhamos os dois juntos então. — Bucky riu daquela lembrança de adolescência e viu um sorriso iluminar o rosto de Abigail. — Quebrei um braço e o nariz, levei uma suspensão e ainda fiquei de castigo por meses... Nada novo quando se era amigo de Steven Rogers.

— E o valentão?

— Ele deixou a gente em paz, o diretor disse que mais uma briga daquelas e era expulsão. Se formar parecia uma prioridade maior do que quebrar nossos dentes... Ainda bem. — Ele sorriu enquanto negava algumas vezes. Sentia falta de seu maior problema ser um valentão repetente.

Abigail o encarou por alguns segundos longos. Seus olhos enchendo de lágrimas de repente.

— Eu sinto muito, de verdade. — Pediu uma vez mais, como se as outras quinhentas vezes que o fez não fossem o bastante.

— Eu sei... — Bucky se aproximou e apoiou a mão direta no ombro dela. — Está tudo bem, Abby. Sério.

A viu respirar fundo e assentir diversas vezes, piscando para espantar as lágrimas.

— Agora vou deixar você ir ver a Savy. Acho que já te monopolizei o bastante. Não deixa ela saber, já levei bronca demais por uma vida. Se você contar que demorou dez minutos a mais porque estava comigo acho que eu vou virar churrasco. — Despejou tudo de uma vez, naquele jeito muito rápido de falar que tinha. Então parou, encarando os olhos azuis por alguns instantes. — Ela sentiu sua falta. Muito mesmo.

Bucky não soube o que dizer, sequer responder o “boa noite” que Abigail lançou antes de sumir pelo corredor. Ficou ali sozinho por uns segundos, sabendo muito bem que encarar uma Savannah acordada, que tinha sentido muito a sua falta, era bem diferente de encarar uma Savannah desmaiada em uma maca. Seria muito mais difícil se manter firme no que era certo...

Queria colocar os olhos nela mais que tudo, porém, ao mesmo tempo, tinha medo... Não poderia adiar a conversa que teriam, seria desleal e cruel enganá-la para dizer a verdade apenas depois que Lucia fosse encontrada. Além disso, se a tivesse em seus braços uma vez mais nunca teria forças para se afastar.

Com peso incomparável no coração, decidiu que a deixaria dormir naquela noite e conversariam pela manhã. Talvez fosse melhor. Por esse motivo, ao invés de seguir para o quarto de Savannah foi direto para o próprio.

Não esperava abrir a porta e dar de cara com os inconfundíveis cabelos ruivos espalhados em sua cama. Não estava preparado para isso.

Alpine ergueu a cabecinha e o encarou com seus olhos felinos, acusando Bucky de todos os seus crimes até dos que ele ainda não havia cometido.

Com passos cautelosos Barnes se aproximou da cama, a única iluminação do quarto vinha da luz que passava por através da porta entreaberta do banheiro. Savannah dormia profundamente e mesmo assim não era nada como observá-la em uma maca, ali ela parecia saudável e bem. Perfeita e linda como sempre.

Bucky tocou os fios ruivos próximo ao rosto com a ponta dos dedos da mão direita, a caricia era quase uma brisa, mas foi o bastante para que notasse o quanto Savannah estava quente, muito mais que o normal, um efeito de sua nova condição, certamente.

Notou que ela usava uma de suas camisetas, assim como na primeira noite em que fizeram amor, e isso fez seu coração bater de angústia e saudade. A convicção de fazer o certo nunca havia doido tanto quanto naquele momento...

Nunca mais a teria em seus braços, nunca mais a ouviria rir ou beijaria seus lábios doces... Nunca mais seria feliz outra vez.

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se afastou, abriu a porta do quarto para Alpine que repentinamente pareceu empolgada para dar uma volta, depois pegou uma toalha e entrou direto no banheiro, fechando a porta atrás de si. Sim, estava protelando...

A água quente não lhe trouxe qualquer conforto, o banho não foi relaxante e sequer existiu um momento de paz, mesmo que estivesse sozinho no banheiro cheio de vapor.

O que faria a seguir? Tiraria Savannah de seu descanso para terem uma conversa nada agradável sobre dever e segurança? Deitaria ao lado dela e fingiria que tudo estava bem por mais algumas horas?

A segunda opção lhe soou perigosamente atraente, abraçar Savannah por uma noite inteira e aspirar o perfume dela até que seus pulmões se enchessem com ele, na esperança que isso permanecesse guardado quando não estivessem mais juntos... Um breve momento de paz antes da guerra. No entanto isso seria hipócrita e injusto. Não seria certo com Savannah...

Saiu do chuveiro e passou a mão direita sobre o espelho acima da pia, encarando o próprio rosto de forma apática. A verdade é que, se passasse uma noite a mais ao lado de sua Boneca não teria forças o bastante para fazer o necessário no dia seguinte. Parecia muito mais fácil apenas ir embora, deixar uma carta talvez... No entanto nada daquilo era sobre fazer o mais fácil, era sobre fazer o certo.

E o certo era olhar os olhos castanhos-esverdeados que tanto amava e dizer a verdade. Ser honesto com ela era a coisa mais descente que podia fazer.

Com isso decidido e depois de respirar fundo, Bucky soube que devia se vestir e acordá-la, saiu do banheiro com a toalha enroscada na cintura, mas com certeza não esperava encontrar o foco de suas preocupações ali sentada no meio da cama, com as pernas cruzadas como um buda, os cabelos ruivos caindo pelos ombros e os olhos brilhando me expectativa.

— Savannah... — Sua voz veio em um sopro de dor, alivio, saudade e surpresa. Parou onde estava, mesmo que seu corpo inteiro gritasse implorando por proximidade.

— James... — Ela sorriu, aquele sorriso-sol que era apenas dele.

Bucky teve que piscar para impedir os olhos de formarem lágrimas, doía, doía como se tivessem arrancando seu coração, saber que aquele sorriso não seria mais seu depois daquela noite. Passar a vida toda em uma cadeira de eletrochoque lhe machucaria menos.

— Tudo bem? — Savannah questionou, movendo-se na cama para mais perto da beirada, seus olhos preocupados só deixaram tudo ainda mais terrível.

Bucky deu um passo para trás instintivamente e tirou os olhar dela, como se impedir a aproximação dos dois fosse a única forma de manter suas convicções. Quis falar, mas sua garganta travou e só conseguiu mover a cabeça em negativa.

Nada estava bem.

— É sobre a sua missão com Sam? — Outra pergunta preocupada, outro menear de cabeça. — Quer falar sobre isso?

Savannah desceu da cama, dando um passo para mais perto e movendo o rosto para a linha de visão dele, fazendo com que os olhares se encontrassem novamente.

Sim, tinham que falar sobre isso... Ele só não sabia por onde começar.

— Como você está? — Questionou, sabendo que essa era sua primeira preocupação, sua voz saiu um tanto estrangulada, mas Bucky tentou disfarçar.

— Eu estou ótima. Mike aconselhou o TJ a me apagar com um extintor de incêndio. Muito divertido, sabe? — Ela riu ao dar de ombros, toda sol de verão como era sempre.

Bucky se sentiu fraco, teve que desviar o olhar, mas não foi capaz de impedir uma lágrima de rolar daquela vez.

— Eu sinto muito... De verdade. — Ele murmurou, mal conseguindo fazer as palavras se formarem.

Estava morrendo por dentro, lenta e dolorosamente. Porque permitir que seu passado machucasse Savannah de qualquer forma era, despois de tudo que já havia vivido, a única coisa que realmente teria o poder de acabar com ele...

— James... — Ela soprou o nome dele tão calma quanto uma cantiga. — Nada disso é sua culpa.

— Você estava lá por minha causa. — Bucky rebateu, tendo que se mover alguns passos pelo quarto, porque Savannah estava perto demais outra vez.

— E você estava lá por causa da Abby. E a Abby estava lá por causa daquela maluca idiota... — A mão feminina se moveu no ar em gestos banais. — Às vezes as coisas acontecem porque simplesmente têm que acontecer.

Barnes respirou fundo, seu peito desnudo subindo e descendo em angústia.... como ela podia ignorar o perigo e fazer tudo parecer simples daquela forma?

— Você quase morreu, Savannah. — As íris azuis um tanto vermelhas focaram no rosto dela, firmes em uma convicção dolorida.

— “Quase” é a palavra chave na situação, não é? — Savannah devolveu com um sorriso compassivo.

— Foi real pra mim... — Bucky rebateu, sentindo o corpo tremer com a lembrança. — Eu te vi morrer diante dos meus olhos e eu só...

Não terminou, dizer que simplesmente não podia respirar sem ela teria sido inútil naquele momento. Não precisavam de dor gratuita, já haveria o bastante quando falasse o que realmente precisava ser dito...

— Hey. Eu estou aqui agora, okay? — Savannah declarou, doce e carinhosa. Cruzando o espaço que separava os dois — Eu não vou a lugar nenhum, James. Eu prometo.

Ela tocou o rosto dele de forma suave, deslizando os dedos pela barba em uma caricia lenta. Bucky fechou os olhos, as lágrimas escapando por eles sem controle, foi desmoronando no decorrer dos segundos, como se tivesse segurado o mundo nos ombros por tempo demais e seus joelhos finalmente cedessem...

Colocou a mão sobre a de Savannah e a apertou contra sua pele por alguns segundos, para então puxá-la para si e abraçá-la como se temesse que ela fugisse. Sua respiração saía aos trancos do peito em um choro estrangulado que ele não era capaz de conter.

Todas as suas convicções e certezas estavam desmanchando em lágrimas pesadas, Savannah lhe apertou mais forte, dizendo que tudo ficaria bem e Bucky se sentiu fraco, sabia o que precisava fazer, porém não tinha forças...

Era um covarde egoísta, porque sabia que aquilo era certo e necessário, sabia que Savannah estaria melhor sem ele. Sabia que era uma ameaça para a segurança dela, porque a conhecia bem; Savannah Devenport era maravilhosa, leal, corajosa... Ela faria qualquer coisa por quem você amava.

E ela o amava, então faria qualquer coisa por ele, incluindo enfrentar psicopatas, balas e explosões.

Bucky sabia disso com todo seu coração e por esse motivo se sentia tão covarde e egoísta em não fazer o certo. Savannah o amava mais do que qualquer pessoa já tinha amado na vida. Ela o amava como ele sempre quis ser amado.

Era egoísta, fraco e hipócrita, sabia que as pessoas não deviam destruir aquilo que amavam, e sabia bem que seu passado cedo ou tarde alcançaria Savannah, mesmo assim ainda estava ali, com ela entre os braços, apertando forte, se recusando a soltá-la.

E vinha sendo egoísta desde o primeiro dia, desde o momento em que a conheceu... Porque ele sempre soube que cedo ou tarde apagaria o sol que Savannah era e mesmo assim ele a quis, mesmo assim ele ficou. Egoísta.

Não queria deixá-la. Sequer conseguia respirar sem ela...

Só foi preciso um toque e Bucky desistiu do que era certo. Esse era o tipo de poder que Savannah tinha sobre ele.

Subiu a mão direita para a nuca dela, infiltrando os dedos entre os fios ruivos para puxar o rosto feminino na direção do seu. Os lábios buscaram os dela com desespero, afoitos, saudosos e todo o resto deixou de importar.

Podia sentir o gosto das próprias lágrimas enquanto Savannah correspondia, havia uma intensidade melancólica naquele beijo, a angústia era sentida em cada movimento, em cada toque. Bucky sequer tinha noção da intensidade dolorosa com a qual sentira falta dela até aquele momento, sequer se dera conta do quanto pensar que ela tinha morrido havia lhe abalado.

Era o medo de que acontecesse de novo que tinha enchido sua mente de pensamentos fatalistas e cruéis por todos aqueles dias. Barnes não conseguia mais saber se o certo ainda era certo, ou se era apenas uma expressão de seu desespero. Era apenas exagero ou aquilo era ele cedendo à sua fraqueza e ao seu egoísmo?

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Porque não podia, não queria, e não conseguiria ficar longe de Savannah, não quando ansiava pelo Sol que ela era com todas as forças que tinha dentro do corpo. Enquanto ela estivesse por perto ele nunca seria capaz de se afastar.

— Me desculpa... — Pediu segurando o rosto dela entre as mãos e a beijando mais três vezes, com a respiração entrecortada pela dor ainda presa em seu peito. — Me perdoa por ser egoísta e não conseguir fazer o certo por você.

A beijou outra vez e outra e mais outra vez, a angústia, desespero, agonia e sofreguidão explícita em cada pequeno gesto. Seja na forma como seu braço de vibranium a apertava contra si, como seus dedos se agarravam aos fios de Savannah ou como seus olhos focavam nos dela toda vez que suas pálpebras se abriram entre um curto beijo e outro. Seus sentimentos eram claro como o azul gélido de suas íris.

— Hey. Do que você está falando? — As mãos de Savannah lhe tocando com tanta doçura eram um balsamo que faziam com que Bucky sentisse que não se aguentaria sobre as próprias pernas por muito mais tempo.

Estava atormentado pelo senso de dever e pela intensidade avassaladora de seus sentimentos. Sua mente — certa ou errada, falando por traumas ou por razão — não seria capaz de vencer daquela vez. Seu coração estava vencendo... e seu coração era de Savannah.

— Eu devia te proteger do meu passado e de mim... E o único jeito de fazer isso é me afastando, mas eu não consigo, eu sou egoísta e fraco, e eu preciso de você, Savannah. Eu preciso de você pra respirar. Eu preciso de você pra ser feliz. Você é tudo que eu sempre quis. Eu não... não consigo ser forte o bastante pra fazer a coisa certa. — As palavras saíram em uma mistura de angustia e paixão. — Acho que o único jeito de proteger você de mim é se eu tivesse morto, em outro planeta ou em uma outra linha do temp...

— Cala a boca, James. — Savannah pediu, pousando os dedos nos lábios de Bucky e focando os olhos nos azuis. Ela sorria, calma como uma manhã de sol fresca em um dia de primavera. — Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Entendeu? — Ela disse com convicção, sem tirar o olhar do dele por nenhum momento. — Eu não quero que vá pra lugar nenhum. Se é egoísmo ficar comigo, então seja egoísta, eu ainda vou te amar, na verdade vou te amar até mais.

Bucky soltou todo o ar de seus pulmões, aliviado como um prisioneiro que escapa da pena de morte. Sua testa encostou na dela e os dois respiraram em conjunto por alguns segundos.

— Tudo bem ficar com medo. Eu estou com medo também. Eu estou apavorada. Mas se o seu passado vier atrás da gente vamos dar um jeito. Juntos. — Savannah soprou baixinho, sendo capaz de apaziguar o coração dele. Porque todo era melhor com ela, mais fácil, mais bonito... — Vamos ser como Rose e Jack no Titanic, “você pula, eu pulo”. Mas nesse caso eu vou deixar você subir na minha porta ao invés de te deixar congelar no oceano.

Bucky deixou um sorriso aliviado escapar. Ela nunca esqueceria aquela coisa da porta, e isso só a fazia ainda mais adorável.

Era por isso que não podia se afastar de Savannah. Eram todas as pequenas coisinhas que separadas pareciam tão pouco, mas juntas.... Juntas, elas formavam tudo aquilo que Bucky sempre quis na vida.

Não estava fazendo o que sua mente achava certo, estava fazendo o que seu coração desejava... E pela primeira vez, considerou que talvez devesse seguir esse caminho mais vezes. Se não podia confiar na própria mente, devia confiar no próprio coração então.

— E se nada der certo eu coloco fogo em tudo e a gente corre. — Ela completou, simples, leve, tão fácil como só a vida ao lado de Savannah podia ser. — Só não esquece do extintor de incêndio.

Ela riu daquele jeito contagiante que tinha, mas algo cortou o raciocínio de Bucky como uma flecha; rápido e direto no alvo. Talvez não o fosse o certo, mas era um meio termo aceitável. Se Savannah quisesse.

— É isso... — Ele disse, segurando o rosto dela entre as duas mãos e fazendo com que seus olhares se encontrassem. — Se não posso proteger você, eu vou te ensinar a se proteger sozinha. Incluindo de mim, se precisar.

Savannah deu um daqueles sorriso-sol empolgados, como se tivesse acabado de ouvir que ganharia um doce.

— Você está falando sério? — Seu tom de voz não escondia sua animação.

— Eu vou te ensinar a lutar, Boneca. — Bucky declarou, sem precisar perguntar para saber que ela topava.

Na verdade, se soubesse que ganharia um daqueles sorrisos, teria pensado em fazer essa proposta há muito tempo...

— Isso é bem mais sexy que aprender russo, Sargento. — Savannah apoiou os braços nos ombros dele despretensiosamente e aproximou os lábios dos dois. — Quando começamos?

Bucky a beijou de leve duas vezes, incapaz de resistir àquela proximidade. Naqueles últimos dias haviam se tornando tormento, angústia e um martírio infinito, pensar que nunca mais teria aquela felicidade-sol em sua vida oprimiu seu peito mais que quase qualquer outra coisa em mais de cem anos. Somente o momento em que pensou que Savannah estava morta fora pior isso.

Seus dedos de vibranium correram a lateral do rosto dela, arrumando alguns fios ruivos atrás da orelha com delicadeza, enquanto as íris avelãs lhe olhavam como se ele fosse algo mais que um simples soldado destruído pela guerra de outras pessoas.

— Começamos amanhã. — Respondeu finalmente. Focando os olhos azuis em seu sol particular e sabendo que não havia nada mais preciso que ela em todo o universo. — Agora, tem uma coisa importante que eu preciso te dizer.

— E o que é? — As sobrancelhas femininas se franziram em curiosidade.

Bucky sorriu antes de declarar com toda a sinceridade e certeza de seu coração:

— Eu amo você, Savannah Devenport.

Ela sorriu, sua doce, corajosa e extraordinária Boneca.

— Eu amo você também, James Barnes.

E o que mais poderiam fazer depois de disso a não ser se beijarem, como se selassem seu amor com um beijo?

Uma promessa.

Porque lá fora o mundo ainda era cruel e cheio de perigos, ainda havia um passado terrível que podia surgir das sombras a qualquer momento, mas naquele momento Bucky decidiu esquecer de tudo isso, escolheu ouvir seu coração uma vez mais: ali, naquele quarto, quando estava com a mulher que amava, ele não era Bucky Barnes o Soldado Invernal, ele era apenas James. O James da Savannah.

Ela impulsionou o corpo com um pulo e o braço de vibranium envolveu a cintura feminina, enquanto as coxas se prendeiam no quadril de Bucky. Ele virou o corpo em direção a cama com os lábios ainda colados nos de Savannah e logo os fios ruivos estavam espalhados por toda a parte do colchão enorme.

Linda. Bucky nunca foi muito religioso, mas se um dia fosse venerar um deus, seria ela. Savannah. Sua Deusa Sol. Seu paraíso...

Beijou-lhe o corpo parte por parte, se concentrando entre as coxas quentes, despindo-a da lingerie que havia por baixo da camiseta dele, e descendo os beijos para aquela região, sem pressa, enquanto Savannah arqueava as costas e gemia baixinho para que ninguém mais pudesse ouvir a não ser seu amado Sargento...

Depois de se dedicar àquele beijo por um tempo que não se preocupavam mais em contar, Bucky a penetrou com os dedos de vibranium, porque sabia dos gostos de sua garota e conhecia o corpo dela bem o bastante para entender todos os sinais.

Não demorou para que Savannah se derramasse em um prazer intenso. Seus fios ruivos pegaram fogo como mágica, mas Bucky não se preocupou com isso, porque as chamas desapareceram quando ele passou a mão esquerda sobre elas. Pela primeira vez ter um braço metálico pareceu certo.

A toalha que cobria sua nudez tinha ficado em algum lugar do chão, Bucky estava nu, os músculos a mostra, iluminado pela luz que vinha do outro cômodo, a ereção evidente e um sorriso nada inocente no canto dos lábios. Mas Savannah ainda estava muito vestida.

— Não ouse rasgar essa camiseta, eu já queimei muita roupa hoje. Não precisamos de mais prejuízo. — Ela advertiu, quando Bucky levou as duas mãos ao tecido que ainda cobria o corpo que ele tanto desejava. Sim, ele pretendia rasgar a camiseta.

Com a mente nublada de desejo ele não conseguiu entender de imediato o sentindo da frase, principalmente quando Savannah usou a força das coxas para fazê-los rolarem pela cama e montar no corpo dele com agilidade.

E logo não havia mais nada além de seus corpos unidos em um encaixe perfeito, como se tivessem sido moldados um para o outro, duas peças de um mesmo quebra-cabeças, complementares em suas diferenças, polos opostos que se atraiam. Gelo e Fogo....

Um sublime Inverno Ardente.

— Eu te amo, minha Boneca. — Bucky soprou com a voz rouca e cheia de desejo, enquanto ambos se moviam no mesmo ritmo, os narizes e testas colados e o prazer cada vez mais perto de atingir o ápice.

Savannah teria respondendo, mas foi arrebatada pelo clímax e seus gemidos languidos foram tudo que Barnes precisava para atingir o orgasmo também...

Ofegantes e sorridentes eles se enroscaram um no outro, prontos para deixarem a letargia gostosa do pós-sexo trazer um sono merecido. Bucky, com os dedos enroscados nos fios ruivos, não tinha certeza do que lhes aguardaria no dia seguinte, não tinha certeza se ouvir o próprio coração havia evitado algum tipo de autossabotagem ou se era apenas idiotice...

Ele só sabia que não estava arrependido, que estava feliz e que, acima de tudo, estava disposto a tentar. Esperava que isso fosse o bastante...

Ele dormiu primeiro, o corpo pedindo por descanso depois de dias, mas os braços firmes ficaram ao redor de Savannah de forma tão protetora que ela teve alguns problemas para escapar desse abraço quando Alpine miou do lado de fora da porta algum tempo depois.

De pé, enquanto a gata entrava sem qualquer pressa, Savannah encarou James adormecido e sorriu. Qualquer insegurança que tivera ao longo daqueles dias totalmente extinguida. Nada tinha mudado...

James ainda era o mesmo de sempre, com seus questionamentos exagerados, mania latente de culpa, senso apurado de dever e pequenos contratempos de uma mente acostumada demais ao sofrimento e ao trauma.

Mas era um homem maravilhosamente bom e ele a amava...

Sabia que teriam um longo caminho pela frente até acharem Lucia, porém escolheu não pensar nisso aquela noite, voltando para os braços de James e cultivando aquela pequena bolha de amor um pouco mais.

Entendia que nada na vida era garantido ou eterno, mas enquanto durasse seria perfeito, e isso era o bastante...

Notas finais
Música: https://www.youtube.com/watch?v=9bdLTPNrlEg Se Savky não é o OTP mais amorzinho do mundo, eu definitivamente não sei qual é... Tô muito orgulhosa do Bucky, mas confesso que foi difícil escrever esse capitulo, porque a angústia dele era algo muito latente (e me deu uma dó) Agora é só mais cinco gente, o próximo se chama "Treinamento", depois temos "Heróis"; "Pedido"; "Compensação"; "Fim". Façam suas teorias e apostas... Nos vemos em breve Beijos e até!