Inverno

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Loucura

(...)

— Garotos, o café da manhã está pronto e não demorem a descer. John, seu pai mandou te avisar que hoje irá te buscar. — Minha mãe havia entrado no quarto e foi diretamente em direção as janelas deixando com que entrasse iluminação.

— Ele já foi trabalhar? — Indaguei ainda sonolento.

— Sim e eu terei que ir logo em seguida. Só que consegui roubar mais uns minutos para chegar atrasada. Acorde seu amigo, isso que acontece quando se dorme tarde, o resultado é se atrasar pra aula. — Depois de ter dito isso, recolheu alguns cobertores e saiu do quarto.

Aquela noite Liam dormiu lá em casa. Eu me lembro de ficar parado observando-o. Por muitas vezes já me imaginava sendo um pai. Pensamento bobo e imaturo, mas que para uma criança da minha idade era tão mágico.

Um anjo dormia em meu quarto. Dizem que anjos costumam proteger os humanos, mas este era indefeso e precisava de proteção.

— Ei, acorda dorminhoco! — Disse, balançando-o sobre o colchão ao lado de minha cama.

(...)

As mãos largas tocava-me a face aquela madrugada, depois encontraram minha nuca e logo em seguida invadiram meus cabelos. Pude sentir também sua respiração em contato com minha pele. Aquecida.

— Agora não, Liam. Está tarde, precisamos dormir. — Tentei falar afastando o loiro de mim.

— Eu necessito. — Sussurrava, suplicando por mais de mim.

Suas mãos ainda lutavam para aproximar meu corpo do seu. Fui tão fraco que acabei perdendo forças e deixando com que o loiro conseguisse alcançar meus lábios e então devorá-los para tentar saciar sua fome por sexo.

— Quero mais que isso. — Sussurrou mais uma vez.

Despertou seus desejos mais íntimos quando pude sentir o toque do seu membro contra meus quadris. Liam estava quente como brasa de fogo e a qualquer momento poderia incendiar a sua cama. Quando suas mãos, com facilidade, tocou-me a coxa e a pressionou tive a certeza de que eu, agora, estava querendo.

— É exatamente isso que quero. — Disse quando fora correspondido com toques semelhantes.

O loiro subiu em cima de mim, mordiscou meus lábios e sussurrava coisas quentes em meu ouvido. Era tão atrevido quando estava excitado. O vi retirar a camiseta verde e esboçar em sua face um sorriso, logo já estava novamente beijando-me. Cada toque seu era único e estratégico, sabia perfeitamente meus pontos sensíveis. Quando ouvia-me urrar o loiro adorava e cada vez mais provocava-me. Fui rápido e me desfiz da cueca que estive usando. Liam, finalmente, retirou sua última vestimenta, sendo agora fiel ao toque de peles despidas sobre a mesma cama. Sobre beijos, arranhões, mordidas e apertos explorávamos juntos cada extremidade da cama. Até que juntos caímos da cama. Gargalhávamos da situação um tanto constrangedora. E quando achei que teria fim ali, o loiro transformou o sorriso bobo em algo libidinoso. Fora descendo com seus lábios até encontrar meu membro e devorá-lo por completo. Lábios macios que sabiam proporcionar prazer.

Nessas horas a imagem de anjo desaparecia.

Liam continuou por minutos apreciando meu falo com seus lábios, até que me pegou em seus braços e jogou-me na cama. Pulou em cima de mim com o mesmo sorriso libidinoso que tinha em momentos como esse. Virou-me e esfregou seu membro entre minhas nádegas. Mais uma vez sussurrou coisas quentes em meus ouvidos. Estava agora me preparando para recebê-lo.

Foi então que fui invadido.

O loiro sabia manter controle sobre a situação. Prosseguiu com seus movimentos dentro de mim até que eu pudesse aceita-lo sem algum incomodo. Mordiscar meu pescoço fez com que rapidamente o prazer já estivesse no domínio da situação. Não demorei a demonstrar tamanha necessidade de tê-lo em mim quando sussurrava coisas que aprendi com ele em momentos assim.

— Como eu te quero, John. — Dizia em meio aos movimentos.

Tinha vergonha de falar algo e acabar com todo o clima, optando assim por ficar em silêncio recebendo e proporcionando prazer.

Não conformou-me em me ter somente daquele jeito e me pôs em cima dele para que continuasse com seus movimentos. Rápidos e intensas eram as cargas de prazer que eu recebia; como raios que vinham a terra e para mostrar sua força o trovão anunciava que era ele o dono daquilo tudo: Assim fora nossos principais urros quando, juntos, havíamos chegado ao clímax.

— Agora sim você pode dormir. — Falou sorriso ainda recuperando o fôlego perdido.

— Não tenho tempo para segundo round. — Falei deitando-me ao seu lado e esperar com que o sono nos abraçasse.



E o arrebol formava-se no céu. O sol estava dando espaço a lua, para que nós apreciássemos uma de suas belezas: o céu avermelhado. Os pássaros, mesmo que minúsculos comparados a distância em que eu estava, completavam a beleza. Com o passar de mais alguns minutos, as estrelas que antes lutavam para terem seu brilho durante aquele horário, finalmente venceu a guerra e nos agraciou com sua presença.



— Não estou tão animado pra esse baile de primavera. — Falei afastando-me da janela e me jogando na cama.


— Pra ser sincero também não estou. Mas preciso ir. — Adam dissera repousando sua cabeça em meu tórax.

— O que você está planejando?

— Nada. — Sabia que ele estava mentindo.

— Há dias a tensão entre você e Henry aumentou. Até acho que você tá jogando o mesmo jogo que ele.

— Estou — confirmou — e acho que serei o vencedor. Há dias estou machucando-o, mesmo que me doa. Quero fazê-lo acordar de forma dolorosa. John, você acha que Henry não gosta de mim?

— Ele gosta. E muito. Mas só acho que você deveria conquistar algo melhor, desistir desse jogo. Nunca tem um bom resultado. Henry ainda é imaturo e bem, ele se importa com o que as pessoas pensam e com sua imagem, vai ser difícil muda-lo. — O menor tocou minha mão e a levou para seus cabelos. Adam pedia cafuné.

— Não posso parar por agora, tenho que ir até o fim. Estou na frente e há um passo de fazê-lo acordar.

— Quem brinca com fogo sempre acaba se queimando. — Alertei.

— Deu pra filosofar?

— Todo mundo conhece essa frase. Não estou filosofando.

— Você já deveria ir tomar um banho. Do jeito que Liam é e te trata como uma princesa, aposto que deve chegar antes da hora marcada. E claro, estou falando isso pra mudar de assunto. — Adam levantou-se caminhando em direção a janela.

— Então você deveria também fazer o mesmo. Irei com você.

— Vai largar o Liam pra ficar comigo? Ótima escolha. — Brincou.

— Idiota. A verdade é que não quero te deixar ir sozinho ao baile. Então nós três iremos juntos.

— Não vou dispensar a carona. Espera, iremos caminhando?

— Sim. Por que não? A escola é próxima daqui.

—Você acha que eu vou sair de smoking na rua?

— Pegamos um táxi, pronto.

— Você é esperto, John. — Ele disse voltando a deitar-se do meu lado.

— Não antes de descobrir quem é que está mandando essas fotos pra acabar com nossas vidas. — E havíamos entrado em mais um novo assunto. Um pouco mais difícil de resolver.

— Desconfia de alguém? — Adam fora direto ao ponto.

— Esse é o problema. São tantas suspeitas e isso me mata.

— Aposto todas as minhas fichas em Henry. Ele odeia Liam.

— Mas isso seria muito óbvio e Henry seria burro demais sabendo que todos conhecem essa rivalidade entre eles. E me parece que a pessoa é apaixonada por Liam. Ou seja, descartamos o ódio.

— Mesmo assim, Henry faz tudo sem pensar. É ele e fim.

— Tem a Anna. — As ex-namoradas são capazes de tudo.

— Emma, Laura, Victor e Oscar. Sabe que desconfio do ruivinho? Ele parece ser dos nossos.

— Você nunca perde a oportunidade de fazer uma piada. — Disse afastando-o de mim. — Vou tomar meu banho e então me arrumar.

— Pode ir princesa, fique bem bonita pro seu príncipe. — Seu sorriso me irritou.

— Vai se ferrar, Adam. — Falei deixando-o sozinho em seu quarto.

Foi um banho demorado. Meus pensamentos focaram-se na imagem do loiro e me fizeram perder noção do tempo. Um sorriso se formou em meu rosto sem minha permissão. Tudo por culpa daquele anjo.

Ao sair do banheiro, ouvi a voz de Liam. Estava conversando com minha avó. Merda! Quanto tempo demorei no banheiro? Arrumei-me o mais rápido possível para que o loiro não ficasse chateado com minha demora e evitar com que Adam fizesse a mesma piadinha.

Encontrei o loiro na cozinha, sentado e observando minha avó tomar do seu chá.

Estava lindo. Aquele sorriso aquietava-me o coração enquanto os olhos cinzas perfuravam-me a alma. Era engraçado admirá-lo usando smoking, roupa essa obrigatória para todos os homens.

— Cadê Adam? — Falei tentando não parecer admirá-lo.

— Vocês irão se atrasar se esperarem por ele. — Minha avó dissera — E querido, você está lindo. — Sorriu.

— Concordo com você, Isobel. — O loiro sorria para mim.

— Está acostumando a me chamar de “você”. Adoro esse garoto, já te disse John? — Fazia um tempo em que não via minha avó tão entusiasmada ao pronunciar as palavras dando vida a elas.

— É só pra tentar te conquistar. — Brinquei indo em direção aos dois — Não sei se me alimento aqui ou se deixo pra fazer isso lá.

— Acredito que só terá bebida nessa festa. Então fiquem aí que vou preparar algo para os dois, pode ser?

— Adam vai se atrasar mesmo, então esperamos. — Liam dissera.

— Também me atrasei. — Confessei.

— Eu não estou me atrasando coisa alguma. Na verdade só passaram-se dez minutos e odeio chegar no início da festa. E vocês não irão comer. Seria triste vê-los com os dentes sujos. — E lá estava ele, parado em frente a porta da cozinha. — O que estão esperando? Vamos! — Falou saindo.

— Tem certeza de que não querem comer alguma coisa? Adam irá esperar. O atrasado aqui é ele, não vocês.

— Se tratando do Adam é melhor irmos antes que ele seja capaz de desistir de ir a essa festa. — Falei, mas logo pensei que ele tinha planos.

— Então está bem. Se divirtam, garotos. — Beijou-me a testa e fez o mesmo com Liam.

Encontramos Adam na sala. Estava tão perdido em pensamentos que não notara nossa presença. Fora necessário Liam tocar em seu ombro para que esse despertasse. Com certeza ele estaria pensando em Henry.

— Pretendo beber durante a noite toda. — Ele disse ao sairmos de casa, mas fizera uma pausa quando notou o automóvel a sua frente — Um carro?

Também desentendido olhei para Liam. Como assim um carro? Ao que sei Liam anda de moto, sem contar que hoje não iria dirigi-la.

— Qual é, minha mãe pode emprestar seu carro para ocasiões como essas. — Sorriu.

Eu não disse nada, apenas o vi abrir a porta para Adam e logo em seguida para mim.

— Desde quando você é cavalheiro? Isso é tão...

— Bonito da sua parte. — Falei completando Adam.

— Na verdade eu iria dizer gay, mas já que você achar melhor assim.

Liam apenas deixara escapar uma gargalhada e deu partida. Como já era de se esperar, não demorou muito para chegarmos à escola. Muitos jovens estavam indo em direção ao ginásio do local e era de lá que estava vindo o som. Liam conseguira uma vaga para que pudesse estacionar. Demoramos um pouco para descer, já que ainda conversávamos ali dentro sobre os alunos e como ainda estava cedo.

— Uma mudança. — Adam comentou ao sair do carro.

— A começar pelas músicas. — Liam deu continuidade a conversa.

— Sim, odiava quando viviam colocando músicas chatas.

— Ou então tinha um chato discurso antes de começar o baile.

— Lisa realmente enxia o saco quando resolvia falar das normas da escola.

— Principalmente quando pedia pra alguns professores falarem.

— Podem me enturmar na conversa de vocês? — Indaguei atrapalhando-os.

Os dois começaram a rir e aquilo me deixou desconfortável. Odiava ser o novato dali e na maioria das vezes ter milhares de duvidas sobre o que se passava.

— Bom, vocês podem ficar juntos. Irei procurar Nat e Phill.

— Você os convidou? — Perguntei espantado.

— Claro. Você acha que eu iria me divertir sozinho? Ninguém precisa saber que eles estão aqui. Nat pode ser confundida com qualquer aluna e Phill com qualquer professor. Esqueceram que Lisa não trabalha mais aqui? Então. — Nem mesmo me esperou falar algo, simplesmente saiu sem se despedir.

— Ele vai ficar bem. Está preocupado? — O loiro dissera posicionando-se ao meu lado.

— Claro! Sempre quando Adam está sozinho algo de ruim tem que acontecer. Hoje pela manhã, depois que cheguei da sua casa, minha avó pediu para que eu ficasse de olho nele.

— Adam já é bem grandinho.

— Mas Henry é uma criança. E sabemos que crianças costumam aprontar.

— Estamos aqui pra nos divertir ou conversar sobre os problemas da escola e seus respectivos alunos?

— Você tem razão.

A mão do loiro envolveu meu ombro. Fiquei constrangido e com medo de que pudesse pensar algo. Veriam apenas dois amigos. Eu sei.

Logo, esboçara na face um sorriso deixando-me tranquilo. Como ele conseguia sempre conseguir me acalmar? Era incrível como um simples sorriso pudesse deixar no ar a certeza de que tudo estaria bem.

— Vamos fazer o que todos estão fazendo?

— Dançar? — Indaguei como resposta.

— É claro.

E o loiro desapareceu fazendo-me ir atrás dele.

Havíamos encontrado Anna e Tobias dançando. Ela sorriu para mim. Provavelmente estava esperando alguma resposta. Infelizmente não sabia o que realmente estava acontecendo e que não comentei com Liam que ela queria a minha ajuda.

Logo a frente a turma de Henry se divertia. Esses eu ignorei. Mas não pude deixar de observa Emma que era a mais ousada.

Encontrei, também, Adam dançando com Nat e Phill. Esses parecia viverem conectados. Suas danças eram loucas e até mesmo engraçadas, mas pouco se importava com os que estavam observando-o. Ficamos um pouco afastados, apenas observando o trio.

Liam já estava dançando. Quis rir por dentro, mas resolvi me entregar ao ritmo da música. Dois garotos dançando juntos. O que pensariam? Arrependi-me desse pensamento quando uma mulata aproximara de Liam. Era linda. Eu tinha que admitir. Mas tentara se aproximar logo dele? E então, pra ficar pior, mais uma garota resolveu entrar no meio e dançar comigo. Como resolver uma situação dessas?

Não pude fazer nada além de por o meu melhor sorriso e as boas aulas de teatro em prática. O que me constrangia, realmente, era saber que Liam estava rindo de mim.

— Helena. — Disse a dona dos cabelos cacheados e dourados.

— Como?

— Me chamo Helena. — Ela já estava bêbada.

— Ah — perdido e parece um idiota dei continuidade a conversa — me chamo John.

— Eu sei. E agora o vendo dançando sozinho na pista seria uma boa oportunidade de nos conhecermos.

Que ousada! Há quanto tempo ela me observava?!

Queria muito poder dispensá-la, mas não sabia como fazer isso. Olhava para Liam que continuava a rir da situação. Quis naquele momento arremessar qualquer objeto em sua cara para que ele parasse com aquilo. Não estava sendo nada engraçado. Eu estava constrangido.

A garota ia aproximando-se cada vez mais de mim. Sentia-me pressionado e com certeza prestes a ceder seu beijo. Tentei deixar claro de que não queria nada. Mas a mesma insistia.

— Está calor, não é? — Falei tentando-a manter longe de mim.

— Exato. — A frase só apimentou ainda mais o seu desejo.

Olhei em outra direção para evitar um pouco a cena constrangedora até observar algo curioso.

Adam estava dançando. Seria algo normal. Se não fosse pelo fato de, com certeza, querer provocar Henry, que usando um smoking branco — sempre querendo chamar a atenção — estava há um metro de distância dele. Meu primo estava ao lado de Phill e percebi surgir ali um clima. Está certo que o irmão de Nat era um pouco mais velho que meu primo, não tanto, mas aquilo para mim era nojento.

Adam ora olhava para Henry ora estava olhando para Phill. E a provocação com direito a sedução tivera início. Os dois conversavam algo enquanto Nat parecia perdida tentando se enturmar na conversa.

“Quem brinca com fogo costuma se queimar”

Lá estava Henry beijando a primeira garota que passara ao seu lado. Foi algo fatal e o suficiente para Adam. Seus movimentos tiveram fim quando ele observava aquela cena. De longe, via seus olhos brilharem devido às lágrimas.

Nat e Phill logo perceberam o que se passava. O tempo havia parado para meu primo enquanto observava, sem tirar os olhos, Henry ainda beijar a garota. Maldito!

Quem venceu o jogo fora Henry.

Minha atenção voltou à garota que estava mais próxima do que nunca. Dessa vez pouco me importei com a educação e parti pra grosseria.

— Não rola. — Falei afastando-me dela.

Quando dei os primeiros passos Liam se colocou a minha frente, com sua mão impedira-me de prosseguir. — Mão que estava tocando-me o tórax.

— O que houve?

— Adam.

— Ele esta dançando. — Olhou para trás e percebeu que o garoto já não estava mais lá.

— Ele está precisando de mim.

— Não quer que eu vá com você?

— Adam não irá se sentir bem. Deixa que eu cuido disso. Está certo? E por favor, sai daqui. Essas garotas estão te cercando. — Quis esconder meus ciúmes, mas fui pego pelo olhar sapeca.

— Só você tem o direito de me provar. — E o sorriso travesso formou-se em seu rosto.

— Isso fica pra depois daqui. — Eu tinha que começar a provocar.

— Ficarei ao lado das bebidas, tudo bem? Qualquer coisa sabe onde me procurar. E depois do que acabei de ouvir pode ter certeza que estarei esperando e ansioso para que cheguemos em casa.

—Tudo bem.

O loiro apertou minha mão ali, no meio de todos. Por sorte ninguém havia notado.

Encontrei Adam fora do ginásio, ao lado de Nat. Quando me aproximei, vi as lágrimas descendo de sua face. Constrangido a me ver, virou-se de costas e pediu para que eu fosse embora.

— Não adianta me xingar, me chamar de idiota ou repetir sua frase. Sei que me queimei.

— Não estou aqui pra isso.

— Olha Adam, eu também sou sua amiga. Mas tenho que te dizer que John fora sábio ao te dizer aquilo. — Provavelmente ele já havia dito tudo para Nat sobre o que eu achava disso.

— Até você? — Ele perguntou virando-se.

— É a verdade, meu lindo. Você precisa parar com isso. Quando as coisas estiverem pra acontecer, elas simplesmente acontecem. Se não acontecer, é porque não tinha que ser. — Nat consolava-o repousando a mão em seu ombro.

— Concordo com a Nat. Você fala tanto que Henry precisa acordar, mas você também precisa acordar para a realidade. Nem só de amores vive o homem.

— Vocês não entendem.

— O que tem pra entender nisso?

— Vocês estão aqui pra me ajudar ou me deixar mais triste? Vão se ferrar. — Ele indagou irritado.

— Quando eu mandei você parar de ser emo, não estive mentindo. — Nat brincou conseguindo arrancar o primeiro sorriso de Adam.

— E olha que você está usando preto. — Entrei na brincadeira indo na direção dos dois.

— Eu poderia mandar vocês irem se foder. Mas vou deixar isso para o Henry e me divertir.

— Isso quer dizer que você vai voltar ao ginásio, dançar até sair bêbado? — A asiática mais uma vez conseguira arrancar um sorriso do meu primo. Senti ciúmes daquilo.

— O que você acha? — Ele indagou sorrindo.

— Acho que estou sobrando aqui, não é? — Chamei a atenção dos dois.

Chega dessa aproximação toda. Estou aqui, caralho! — Pensei.

— Vamos conosco, John. Larga o Liam um pouco e vem se divertir. Se eu não te conhecesse, diria que vocês dois são gays. Mas ignora o que falei.

Quis, naquele momento, desaparecer. Tamanho fora o constrangimento que não soube o que falar. Apenas olhar para Adam que foi um desgraçado quando gargalhou a ter que me ajudar e fazê-la retirar o que disse.

— Lá está Anna saindo da festa. O que essa vadia está fazendo aqui fora? — Distante de nós, ao lado da porta, a garota estava com Tobias. Nat até mesmo ignorou as gargalhadas de Adam para que pudesse comentar.

— Se você não maneirar na bebida com certeza irá acabar brigando com ela novamente. Então ficarei de olho em você. — Meu primo falou alertando a asiática.

— Não estou aqui pra brigar. Isso já aconteceu há um tempo. Deixa com que ela seja feliz. Em pensar que brigamos por besteira.

— Verdade. — E lá estava eu, observando e me sentindo excluído mais uma vez.

— Isso porque Laura havia me dito que Anna e Liam estavam se pegando. E eu que tanto considerava ela, lógico que me senti traída.

— E no final vocês brigaram a ponto de jogar cadeiras para o alto e claro, você sair como a culpada por ser a primeira a lançar a cadeira em Anna. — Adam completou.

— E errei. Nossa, eu deveria ter acertado nessa vadia. Laura foi mais falsa ainda quando ficou ao lado de Anna e confirmou a sua versão. Não se deve confiar em ninguém nessa escola. Bem, vamos entrar porque não quero mais desperdiçar um minuto dessa festa. — A asiática o puxou pelo braço e o mesmo fizera comigo.

Quando entramos já encontramos a primeira confusão. Não fora surpresa para nós quando vimos Henry gritar com Phill. Nat rapidamente puxou seu irmão para próximo de nós e o repreendeu.

— Você está louco? Ele é uma criança, não vale a pena.

— Garoto atrevido. Não o quero mais na minha casa. — Phill realmente estava bravo.

— Ele é meu amigo e olha o estado de vocês dois. Alterados pela bebida.

— Mas ele quem começou me agredindo com palavras, não fiz absolutamente nada. — Ele ainda tentava se defender.

— Ficaria feliz se você o socasse. — Adam se intrometeu na discussão dos irmãos.

— Está vendo aí? Até ele concorda.

— Bom, vamos parar com isso e realmente fazer o que vocês estavam falando? Tô cansado de ouvir a palavra diversão e nada disso se concretizar.

Foi o suficiente para que todos se entregassem a dança.

Os deixei sozinho e fui procurar Liam ao lado das bebidas. Ele não estava lá. Sai caminhando buscando o loiro, mas nada de encontra-lo em qualquer outro lugar da festa. Fui até mesmo para fora do ginásio e tentar encontra-lo, mas falhei. Onde será que o loiro se meteu?

— Você viu Liam? — Perguntei a Adam quando voltei para pista de dança.

— Se você que é — aproximou-se de mim e sussurrou — namorado dele não sabe. Por que eu teria que saber?

— Ele disse que estaria ao lado das bebidas e não o encontrei. Pode me ajudar a procura-lo? Estou preocupado.

— Você se preocupa demais com as pessoas. Mas está bem, irei ajuda-lo. — Adam virou-se para Nat e Phill que continuavam dançando e bebendo — Me esperem, já volto. — E segurou em minha mão, afastando-me dali.

— Tem certeza que já procurou em todo o ginásio?

— Absoluta. Até nos banheiros já fui. Estou realmente preocupado, Adam.

— Cara, se fosse pra algo de ruim ter acontecido já saberíamos. Tanto porque a pessoa parece estar somente interessada em tirar fotos de Liam e foder com a vida de todos que se aproximarem dele.

Tinha algo fazendo sentindo. Caralho! Era ela!

— Bingo! — Gritei.

— Que susto, porra! O que houve?

— Acho que sei quem é que está por trás das fotografias.

— Sabe? Você bebeu hoje, John? Deixa eu te cheirar. — Enquanto caminhávamos atravessando os milhares de carros no estacionamento, Adam realmente tentava me cheirar.

— Não tenho tempo pra explicar. Procura nas salas de cima que eu fico com as de baixo.

— O que eu não faço por você? Olhar sala por sala vai ser difícil.

Sai gritando chamando por Liam do estacionamento até o pátio da escola. Olhei em todas as salas, uma por uma e nada de encontrar o loiro. Até mesmo algumas salas duas vezes para ter certeza. Não havia sinal da sua presença naquele lugar. Fui até à sala da diretoria na esperança de encontra-lo lá. Minha preocupação só aumentava a cada vez de imaginar o que estava acontecendo com ele.

E lembrei-me do lugar na qual é esquecido por todos.

Nem mesmo esperei Adam voltar e fui correndo em direção aos fundos da escola até encontrar o lugar onde Anna e Tobias foram flagrados. Pude perceber que as luzes estavam acesas, mas lembro-me de que não havia lâmpadas naquela sala. Sem nem pensar duas vezes e ficar parado, chutei a porta, algo que Liam já havia feito.

— Que merda você acha que está fazendo, Laura? — Confirmei minha teoria.

A garota olhou-me assustada.

A sala estava decorada. Velas espalhadas por todo o local, rodeado por tecidos vermelhos e algumas rosas também vermelhas. Incensos tornava o cheiro do lugar agradável. Sobre uma das mesas encontrava-se taças e bebidas, ao lado também podia-se encontrar frutas. No chão, deitado sobre um cobertor vermelho e almofadas brancas, lá estava Liam desacordado.

—Hein, garota?! Você tem algum problema? — Laura continuava assustada com minha presença.

Logo o olhar assustado se desfez. Eu estava de cara com o diabo quando a vi gargalhar. A maldita câmera estava em sua mão. Por alguns minutos Laura tirava fotos de mim enquanto ainda demonstrava sua loucura em suas risadas. Os flashs me incomodavam a ponto de me fazer fechar os olhos.

— Você precisa saber como está agora! — Continuava gargalhando.

— Para de palhaçada, sua louca! — Gritei. — O que você fez com Liam? — Indaguei indo em direção ao loiro.

— Não fiz nada. E não seria louca de machuca-lo. — A morena estava agora ao lado da porta, fechando-a mais uma vez. — Por que você tinha que atrapalhar tudo?

— Você está obcecada por Liam. Isso não é normal. — Nem mesmo respondi sua pergunta e tentei agredi-la com palavras.

— O que é normal nessa escola? Lembre-se que a partir do momento em que você resolveu estudar aqui passa a se entregar a loucura. Pobre, John. Você ainda é novo aqui um dia irá entender do que estou falando. — Continuava sorrindo.

— Vá se tratar! — Gritei, pondo a cabeça do loiro em minhas coxas.

— Veadinho de merda. Olha como você fala comigo. — Laura foi até uma das taças que continua bebida e as segurou. Jogou a bebida em meu rosto e logo em seguida pôs a taça no lugar — É isso que você merece. — Pegou mais uma taça e voltou para porta.

— O que você fez com ele?! — Indaguei tentando acordar Liam.

— Você o deixou sozinho. Então não coloque a culpa toda em mim. Sem você eu poderia cuidar dele. Simples. Apenas coloquei algo em sua bebida. Tão fácil e tão comum em festas como essas.

— A mesma que você colocou na bebida na festa em que você e Henry fizeram? Só que dessa vez em dose mais forte.

— Até que você não é tão burro quanto eu pensei.

— Eu disse para você não me subestimar. Esqueceu? — E meu olhar fora de encontro ao dela.

Engraçado era vê-la não se intimidar com nada que estava acontecendo. Deveria sentir medo de ter sido flagrada e imaginar o que iria acontecer daqui pra frente. Mas não acontecia nada disso. Apenas abusava do seu sorriso. Estava louca.

— Desgraçado! — E mais uma vez houve mudança. A começar pela alteração da voz. Laura transpirava fúria, principalmente quando lançou a taça em minha direção, por sorte havia errado — Eu preparei tudo isso para ter minha primeira noite com ele. Você sabe quanto tempo eu esperei?

— Você precisa se tratar, Laura. Você está doente. Isso não é normal! Liam nunca que iria fazer sexo com você.

— Não sou a única louca aqui, sou?

— Claro que é. Olha o que você está fazendo. Tentou ferrar com a vida de todos que se aproximavam de Liam. Resolveu se livrar primeiro de Nat, sabendo que ela gostava de Liam e fez com que as duas brigassem, seus planos ultrapassaram os limites, quando por sorte, a asiática foi expulsa. Até mesmo expulsão tem nesse meio por sua culpa.

— Realmente, você é esperto. — Voltou a gargalhar, desfazendo-se da imagem anterior.

— Depois disse para Henry que Anna traia Liam. — Continuei falando —E sabia que seu irmão com certeza não conseguiria ficar calado quando se tratava da rivalidade deles. E o resultado, foi o término foi a humilhação pública que Anna passou.

— E então tentei ferrar com sua vida. A decepção da mamãe, não foi? — Laura não tinha noção do quanto aquilo doía nas pessoas e falava com naturalidade — Infelizmente não deu certo e esse seria mais um plano para acabar com a relação de vocês. O que aconteceria se você recebesse uma foto minha deitada com Liam após uma longa noite de prazer. Apesar de que ele não se lembraria de nada, mas eu sim iria me lembrar de tudo. E claro, eu sendo a vítima da história enquanto você ainda tentaria descobrir quem é que manda as fotos.

— Doente! — Gritei. — Você está doente, Laura. Até mesmo foi capaz de fazer uma professora ser demitida. Minhas duvidas sobre ser você começaram aquele dia quando a vi chegar depois na confusão e depois começar a ligar tudo que eu ouvia. Eu observo tudo, Laura. Quando te falei pra não me subestimar é porque realmente você teria que ser mais cautelosa.

Até mesmo me surpreendi com minha capacidade de descobrir as coisas somente por ouvir.

— Palmas para o John. — E sozinha estava ela batendo palmas. — Quer um troféu por descobrir tudo? Desgraçado! — Mais uma vez adotou outra personalidade. Laura voltou a ficar enfurecida. Fora até a garrafa de champanhe e derramou o líquido sobre mim e Liam. — Vamos fazer um brinde aos pombinhos! — Depois arremessou a garrafa contra a parede.

O loiro havia se movido, praticamente já estava despertando do sono profundo. Fiquei observando Laura mudar constantemente enquanto com seu olhar ora me fuzilava e ora sentia pena de mim.

— A única coisa que não entendo é porque você mandou a foto para meu primo.

— O que aconteceu com sua família quando descobriram sua sexualidade?

— Você não conseguiu ferrar a vida de Adam, minha avó sabe dele. Mais uma das suas falhas.

— Mas fiz com que ele se afastasse do meu irmão. Você acha mesmo que meus pais suportaria saber que o filho deles é gay? Apenas quis alertá-los de que eles estavam sendo observados. Meu irmão é tão veado que não deixou de encontra-lo. Não quero o fim da minha família, John. Somos os mais perfeitos de toda essa cidade. Meu pai, minha mãe, eu e meu irmão e ainda tem o Fred, que estar pra nascer. Já você tem um histórico familiar nada agradável, hein. A começar pela avó que há bastante tempo está sozinha.

— Cala a boca, Laura! — Gritei impedindo-a de continuar. Arremessei a almofada em sua direção, mesmo que sendo algo leve e não consegui impedi-la. Tocar nesse assunto era o mesmo que me ofender profundamente.

— Quem está no controle aqui sou eu. Não me manda calar a boca. — Laura ria quando me viu lançar a almofada — Filho de pais divorciados. De mãe traída e de tia falecida. E agora sem mãe, não é? Você acha que um dia ela vai te perdoa? Abominação! Você está levando Liam para o lado errado. Ele não era assim antes de você chegar aqui. Sou quem irá cuidar dele e livrá-lo dessa doença.

— Você tem a mente tão fechada, Laura. Sinto pena de você. Olha o que está falando. A única doente aqui é você.

— Isso é errado! — Se exaltou, adotando outra personalidade mais uma vez.

— Sabe de uma coisa, não vou perder mais tempo tentando entender o que se passa com você. Vá se tratar, sua louca!

Com dificuldade, estava tentando levantar o loiro até Laura arremessar mais uma garrafa por cima de mim.

— Não iremos sair daqui, John. — Gargalhou, aderindo a mais outra personalidade. — Por que não morrermos?

Laura rapidamente empurrou uma das mesas contra a porta e arremessou velas contra os tecidos ali. Começou com uma curta chama de fogo, que logo se espalhou pelos demais tecidos encontrados. Larguei Liam no chão e corri em direção à saída, mas a chama já estava grande o suficiente para me impedir de aproximar dali. Laura, ainda gargalhando, ia arremessando as demais velhas sobre os outros tecidos ainda intactos. Foi então que o fogo encontrou a primeira madeira e logo, estávamos cercados pelas chamas.

Corri na direção da garota impedindo-a de continuar a jogar velas pelo lugar. Quando cheguei próximo dela, o máximo que fiz foi arremessa-la no chão.

— Eu sou a dona morte! — Em meio as gargalhas, Laura repetia diversas vezes.

Notas finais
A sessão de beijos:
http://vocaroo.com/i/s1EZ1wHOHpSU
E cá estou divulgando o tumblr mais uma vez:
http://noinverno.tumblr.com/
E ah, eu adoro esse flashback de início de Liam dormindo na casa de John na infância.
Sei que o capítulo foi longo e ainda não está betado, mas tentei o máximo remover os erros. Outra coisa é que passei horas só nesse capítulo. De 00:00 até agora. Claro que tive direito a pausas para um lanche, haha. Amo de paixão Inverno.
Muito obrigado a cada comentário e logo responderei os reviews que faltam do capítulo anterior, preciso dormir gente. Beijão, amo todos vocês!!!