Notas iniciais
Tudo bem? De ontem pra cá tenho postando muita fanfic aqui, pois, posto apenas no spirit por eu ter um desempenho maior lá, e acabo esquecendo daqui. Então, ontem/hoje estou tentando postar alguns aqui.

Esse capítulo tá marcado como único, mas vou deixar uma espécie de 'epílogo' logo em seguida (posto ainda hoje).

Tenham uma boa leitura!

Inventar o Próprio Amanhã

A pior coisa que lhe aconteceu foi ser enxotado da casa do Hiashi Hyuuga, seu patrão. Não perdeu somente o emprego, moradia e a comida de graça que ali tinha, como também havia perdido Hinata.

Bem antes de se aproximar da princesinha da casa, Sasuke sabia qual era o seu lugar na mansão do Hyuuga, era um mero empregado, filho de uma empregada da mansão. Entretanto, sequer lembrava-se disso no seu dia-a-dia ― do quanto estava abaixo daquelas pessoas. Era uma perca de tempo pensar nisso, e as vezes dava graças aos céus porque passava a maior parte do tempo cumprindo seus deveres, ocupando sua mente com problemas e pensamentos insanos apenas a noite, imaginando um futuro melhor para ele e sua mãe. E embora sua pequena aproximação com Hinata o fizesse sentir-se menor que ela, o que havia feito por ela teve um significado importante para ambos. Até que Hiashi chegasse e os colocasse cada um no seu devido lugar.

Impedir que alguém se mate era difícil, mas ele conseguiu, mesmo não conhecendo Hinata e os problemas que levaram ela a pensar em cometer suicídio. Ainda que não soubesse que aquele gesto mudou algo nele também, Sasuke estava definitivamente disposto a provar para Hinata que valia a pena viver. Mas agora, longe dela ― sabe-se lá a quantos quilômetros de distância ― ele não sentia mais aquela vontade de viver e mostrar para alguém o quão é bom viver.

Ele não entendia ainda, mas era ele quem precisava dela agora.

Não consigo dormir com tantos filmes passando
Se eu fecho os olhos vejo infinitos momentos
Sempre voltando no tempo e mudando o futuro
Tentando me encaixar

Os dias agora se passavam tão vagarosamente que até sua mãe, que mal tinha tempo para o único filho, percebia o quanto estava triste nos breves encontros que tinham aos finais de semana.

Com a perca do emprego do rapaz a situação não ficou nada boa entre mãe e filho. Mikoto quase abandonou o emprego, mas por muita insistência do filho, permaneceu lá até que Sasuke se estabilizasse e ela pudesse arrumar um novo emprego. Sasuke ainda pediu diversas vezes desculpas aos pés da mãe pelo o que havia acontecido, e quando se encontravam e esse assunto os atingia, ele voltava a dizer que ela não precisava pedir demissão. Não era como se ela tivesse outras opções; ela tinha que ficar na mansão para ao menos se manter financeiramente bem até que Sasuke arrumasse um emprego que pudesse manter ambos.

― Ainda pensando na Hinatinha? ― perguntou Mikoto uma vez ao filho, fazendo um cafuné na cabeça dele.

― Sempre. ― respondeu Sasuke, deitado no colo materno.

E agora, deitado no pequeno sofá, observava o teto como se procurasse Hinata por entre as teias de aranha que tinha. O lugar que agora morava não era tão ruim. Era pequeno e repleto de teias de aranha, mas dava para se viver. O ruim era sobreviver sem nenhuma notícia de Hinata, da garota pela qual imaginava um lindo futuro ao lado dela.

Não pensava em qualidade de vida
Eu só queria sal, açúcar e aromatizantes
Ei soldadinho, tá perdidinho
O lance é inventar
Fazer teu próprio rolimã

Deixada na casa de um primo distante, Hinata agora se sentia presa, mais presa do que já era em sua antiga casa, onde não podia nem frequentar as escolas da cidade ― tinha aulas em casa. Ninguém ali a trancafiava, mas quem a fez parar ali, longe de sua vida antiga (banal para ela), era o responsável por fazê-la se sentir tão inútil longe de um Sasuke que prometera fazer ela mudar de opinião em relação ao suicídio que pretendia cometer.

Seu primo Neji não era tão ruim, pelo contrário. Mas o que lembrava dele da infância era apenas a imagem de um garotinho de longos cabelos, bem maiores que os seus. Hoje, com o cabelo totalmente curto, demonstrava uma postura madura, masculina, firme e mais séria. Mas ele ainda era aquele Neji irmãozão.

Apesar de contrariar o seu tio com sua decisão extrema ao mudar Hinata de uma hora para outra, Neji juntamente de sua esposa, Ino, faziam de tudo para que a morena sentisse bem na nova casa. Ino, uma mulher loura e incrivelmente atraente ― porém não vulgar ― também era adorável.

Hinata não era egoísta, adorou saber que seu primo e sua mulher não foram cretinos com ela quanto o seu pai, porém, ela não queria estar ali com eles. Se pudesse, estaria com Sasuke agora, e apenas com ele.

Um mal entendido e um orgulho nunca inflamado daquele jeito (o do seu pai) era o responsável pela mudança repentina dela de estado. Hinata nunca imaginaria que o homem que chamava de pai pudesse agir daquele jeito, autor de uma crueldade sem limites, que acabou resultando numa pele ― que era branca como a neve ― violentada terrivelmente por um dos brutamontes segurança da casa, deixando inúmeras marcas por onde quer que tenha batido.

Antes fosse em minha pele. Às vezes Hinata pensava assim, imaginando que se sentiria mais útil perante à confusão.

Quando finalmente sua vida estava fazendo sentido novamente, tudo mudou bruscamente. Será que seu pai não poderia ter esperado somente uma semana para tomar aquela decisão? Poderia seu pai fazer o que quisesse com ela depois, mas antes queria mostrar a Sasuke que não queria mais morrer, que não queria mais cometer suicídio, que queria viver com e como ele.

As linhas telefônicas foram todas cortadas, a pedido de Hiashi. Neji não aceitava tanto tudo aquilo. Certo que ele era pai dela e que a encontrou nos braços do empregado da casa, mas era tudo muito absurdo. Mas além de sua mulher ter ficado incomodada com os pedidos do tio, ele também ficara.

Não era verdade que Hinata ligaria para alguém e pedisse socorro ― ela estava lidando muito bem na casa do primo, sem estresse, sem neura ―, mas, para o cabeça dura Hiashi, que fazia visitas frequentemente, era um perigo. Neji atendeu com o pedido, embora achasse desnecessário, visto que sabia das condições de Hinata na antiga casa. Até onde seu tio iria com aquela história? O empregado já tinha sido despedido, precisava mesmo mudar Hinata de lugar? Teve dó de Hinata.

Muito pouco conformada com a nova vida, ainda pensava em Sasuke e em algumas de suas palavras que sempre pareciam sábias. Pensava em como as palavras dele a mudaram, gradativamente, naquele curto espaço de tempo. Ela não sentia que ele estava a mudando, porém, ele a mudou. E pensar nele dava uma nostalgia quase sem fim, que só acabava quando ela lembrava aonde estava e o porquê que estar ali, ou quando alguém simplesmente interrompia seus devaneios na sacada.

Saiu do seu transe quando ouviu algumas batidas na porta de seu novo quarto. Fazia alguns meses que morava ali, mas nada no seu novo quarto parecia com o antigo. A nova sacada do quarto agora era um espaço para leituras, e também para lembrar de um certo alguém que a fez mudar de ideia. Levantou-se da poltrona e esgueirou-se para ver quem era. Uma cabeleira loura surgiu na porta de seu quarto, perguntando se estava tudo bem.

Parou um pouco. Por um segundo esqueceu-se de respirar. A brisa da tarde que embalou o local fez seus cabelos, prendidos com alguns frisos, soltarem-se e dançarem em seu rosto. Em seguida Hinata desencadeou em choro, percebendo que não estava tão bem assim.

― Ele só queria me ajudar! Eu estava me sentindo bem como nunca. E-ele e eu... Nós nos amamos, e agora não tem mais um nós. ― lamentava aos soluços, na presença de Ino que a tomou num abraço acolhedor instintivamente.

Chorou como se nunca tivesse chorado antes, e chorou tudo que queria chorar. Ino, naquele espaço e como uma boa pessoa, virou cúmplice de Hinata, determinada a ajudá-la com o que lhe fosse possível.

Ino e ela não eram grandes amigas antes desse pequeno pacto, mas agora que o plano estava no papel, Hinata tinha uma pontinha de certeza de que aquele elo tinha tudo para ser forte o suficiente até que conseguisse chegar em seu objetivo ― e Ino no dela própria: ajudar a prima do marido. E assim foi.

No começo foi difícil convencer o pai de Hinata deixá-la frequentar uma escola, mas uma hora ou outra ela teria que voltar com os estudos, e como Ino ― que estava de férias ― voltaria ao trabalho em breve, não teria como Hinata ter aulas em casa. Não sozinha sem um supervisor que não fossem Neji ou Ino ― eles não tinham empregados. E a ajuda de Neji foi simplesmente essencial, quando contrapôs os protestos do Hyuuga mais velho sobre não ter problema em ficar sozinha com um professor em sua casa. Neji não aceitou isso.

Uma vez, no jantar, Neji estranhou o comportamento de Ino e Hinata. Algumas vezes elas se encontravam no quarto de Hinata aos cochichos, e quando ele entrava no local tudo ficava silêncio, e logo em seguida começavam a rir. Pareciam duas adolescentes.

― Vocês estão muito suspeitas ultimamente... ― comentou, quando Hinata ajudava Ino a pôr a mesa.

― Ah, Neji... é o novo namoradinho da Hina, sabe? Só não conta pro Hiashi, não ainda. É segredo. ― respondeu Ino, depositando a macarronada no centro da mesa, e piscou para Hinata.

― Namorado?! ― perguntou, surpreso. Fazia apenas duas semanas que Hinata estudava na escola. ― Você já se adaptou?

Ela respondeu apenas com um “uhum”, poupando palavras.

Quando Ino conseguiu, finalmente, depois de um mês do plano todo arquitetado, o endereço de Sasuke, Hinata teve que comemorar silenciosamente o sucesso de mais uma etapa do plano, pois não queria estragar tudo agora que conseguira o endereço. Depois do jantar, trancou-se no quarto e se dedicou à carta que escreveria para Sasuke.

Eu não preciso disso
Alguém desliga os aparelhos e me ajuda a respirar
Eu não preciso disso
Alguém desliga os aparelhos e me ajuda a levantar

Por um tempo Sasuke dedicou-se a procura de um emprego, até achá-lo. Suou um pouco até achar a Web Deidara, uma lan house da região. Não era ruim o local de trabalho, e o fato de agora poder contribuir um pouco com as suas próprias despesas ― pois sua mãe o sustentou durante esse tempo que ficou desempregado ― o deixava menos infeliz.

Não podia negar, ainda pensava em Hinata. Tudo o fazia lembrar dela. Às vezes até se sentia ansioso demais quando pensava em que fim levara a morena, imaginando sempre o pior. E até que um dia ele pudesse ter a certeza que tudo estava bem com ela, ele não sossegaria.

― Calma, meu filho. Ela está bem. ― afagou o rosto do filho em seu peito ― Ele não fala sobre ela, mas aposto que as novas viagens dele rotineiras tem algo a ver com ela.

― Mãe, eu não tô aguentando.

― Vai ficar tudo bem, sim? Quero poder ir embora e ver você melhor, tudo bem?

Sasuke apenas esboçou um sorriso fraco. Não convencia nem a ele próprio. A mãe visualizou o rosto do filho, repleto de olheiras. Ele estava cansado. Deu um beijo na testa do rapaz e o deixou, na esperança de que ficasse bem de verdade.

Acordou com um bater na porta. Mal conseguia abrir seus olhos, mas batiam tão forte na sua porta que foi o suficiente para fazer levantar-se sobressaltado e assustado do sofá. E esfregando os olhos antes de chegar a porta, nem ligando que pudesse estar parecendo com um mendigo.

Ao abrir a porta o sol fez questão de bater em sua face, o cegando instantaneamente. Quando conseguiu recobrar a visão e olhar para a pessoa, mal falou, a pessoa estava muito animada.

― Sasuke Uchina? ― perguntou a moça do lado de fora.

― Sim?

― Ah, me desculpe acordá-lo. Está bem cedo, realmente. Mas como aqui não tem caixinha de correio, e não costumo entregar nada no seu endereço, eu quis entregar diretamente em mãos e me certificar que é aqui mesmo. Vai que eu passava para debaixo de outra porta senão a sua? Bom, aqui está! ― e a moça, com dois coques na cabeça, esticou um envelope para ele.

Segurou-o um pouco inseguro. Nunca recebera correspondências, principalmente no novo endereço. Quando ia questionar, lembrou-se que ela perguntou seu nome para se certificar que estava entregando certo. A moça despediu-se com um sorriso e continuou a sua entrega de cartas pelo bairro.

Curioso, olhou o remetente. Seus olhos abriam cada vez mais, de espanto, felicidade, um misto de sentimentos misturados, como se aquele envelope de remetente “Hinata Hyuuga” fosse uma ilusão de seus olhos recém acordados.

A carta era realmente de Hinata. Ela estava bem, estava viva, estava querendo vê-lo, estava querendo fugir com ele. Tinha tantas coisas! Coordenadas de como ele enviaria a resposta, sobre o pai dela, sobre seu primo, sobre a mulher do primo que estava a ajudando...

E, pelo visto, ela também estava lúcida, com certeza, o que era diferente dele, que mesmo após de vários cafés naquele dia, não acreditou no sinal de vida da morena.

Gritou. Sorriu. Chorou.

Mandou a resposta no mesmo dia, tendo cuidado em não confundir os endereços. Mandaria a carta para o endereço de uma revista de moda, pertencente a Ino Yamanaka.

“Sim, eu quero te ver. Quero estar com você.

Saudades, Sasuke”

Ei soldadinho, tá perdidinho
O lance é inventar, fazer teu próprio amanhã

― Hinata. Nem acredito que hoje é o grande dia! Meu Deus! Eu estou tão... ― dizia Ino, afobada ― Será que vai dar tudo certo? Ai, Hina, me abraça mais uma vez! ― e apertou a morena em seus braços, pela milésima vez naquele aeroporto.

― Bom, arquitetamos tudo isso com a finalidade de fazer acontecer. E está acontecendo! Ino, sem você e seu carinho por mim eu não sei o que seria de mim hoje. Obrigada mesmo. ― respondeu Hinata ― Sentirei saudades de vocês dois. ― desvencilhou-se de Ino e abraçou Neji ― E, muito obrigada por tudo, hospedagem, casa, confiança. Serei uma nova pessoa depois disso, podem ter certeza!

A essa altura do campeonato, Neji já tinha descoberto o que planejavam. Não apoiou, mas também não impediu. No fundo ele estava apreensivo com o que poderia acontecer com a prima quando o pai descobrisse, além do fato de ficar preocupado com a nova instalação dela num outro lugar, e com um rapaz. Mas Ino o fez compreender do que se tratava, e agora, afetado com a história por detrás de uma sacada, a apoiou.

Com certeza seu pai iria borbulhar de raiva, porém, por Hinata, ele poderia explodir. E o melhor de tudo: ela tinha apoio, e das melhores pessoas que poderiam existir em sua vida.

Com tudo certo ― casa (emprestada por um tempo indeterminado por Ino, situada no norte do país), passagens compradas e em mãos, malas prontas e em postos, Sasuke inteirinho do seu lado, e um sorriso enorme no rosto de Hinata, eles partiriam. Estava ambos nervosos.

Sasuke deixara sua mãe a par de tudo na última semana que passara perto dela, e mesmo achando que aquilo tudo era uma loucura, como uma boa mãe que era, Mikoto entendeu que o filho teria que tomar um rumo melhor na vida, que teria que seguir ― longe ou perto dela. Desejou boa sorte a ele, e mandou abraços e energias positivas para Hinata.

― Lembre-se, Hina: o lance é inventar, e fazer o teu próprio amanhã. Sejam felizes, e tenham juízo. ― disse Ino, emocionada, ao lado de Neji, despedindo-se dos jovens.

Hinata guardou aquelas palavras em seu coração, e aquele virou seu lema.

Dentro do avião, sentados um do lado do outro, Hinata apoiou sua cabeça no ombro de Sasuke e segurou firme na mão dele, disposta a nunca mais soltá-la.

Notas finais
Não gosto de me gabar, mas eu tive a ideia dessa fanfic num dia e escrevi ela em menos de 24h haha. Essa fanfic também faz parte de um evento de um grupo no facebook (https://www.facebook.com/groups/CurtidoresSHBR/).

Espero que possam me dizer o que acharam dessa fanfic ;D

Link da fanfic no Spirit ~> https://spiritfanfics.com/historia/inventar-o-proprio-amanha-5968695