Invasão Alienígena
4 O jantar
No dia seguinte, Thomas e Bruna se encontraram novamente e passaram horas na rua, pois ela, ainda acreditando que ele era um humano novo na cidade, tinha muito a mostrar pra ele, no final, lhe fez um convite:
–Thomas, o que você acha de jantar lá em casa?- perguntou Bruna.
–Jantar? Na sua casa?- ele perguntou, meio receoso.
–É. Eu também fiquei meio surpresa de ter que te falar isso, mas quando meus pais souberam de nós dois, eles pediram pra eu te chamar pra jantar lá em casa porque eles querem te conhecer.- aquilo deixou Thomas em dúvida, porque Bruna não conseguiu descobrir quem ele é, será que os pais dela vão conseguir descobrir? Depois de muito pensar, disse:
–Tudo bem, eu vou.- e sorriu.
–Tudo bem, então, esteja no portão da minha casa hoje às oito da noite.- ela disse lhe dando um selinho.
–Tá bem.- ele sorriu e lhe deu outro selinho antes de ir embora.
Enquanto isso...
–Majestade, quero fazer uma pergunta muito importante antes de qualquer coisa: o Thomas não quer que a invasão seja realizada porque se "apaixonou" por uma terráquea nojenta, ele será punido por isso?- perguntou Munhoz para o Rei Magoo.
–Bom, isso é um absurdo, completamente inaceitável, mas não, ele não será punido por isso, mas se ele fizer algo pior, talvez ele vá ser punido sim.- disse Magoo, e todos os aliens respiraram aliviados.- Mas já que a invasão foi autorizada, quero que vocês estejam no morro onde foram deixados hoje à noite, para que possamos abduzir vocês de volta para a nave e lhes contar todos os detalhes da invasão.
–Tudo bem Majestade, estaremos lá.- disse Joseph.
Horas depois...
Finalmente chegou a hora do jantar, Thomas havia furtado mais uma vez uma loja de roupas e ainda descolou um perfume bom para ficar cheiroso, com uma roupa mais elegante: uma camisa branca sem muitos detalhes, um casaco de moletom verde por cima da camisa branca, uma calça social preta e um tênis de marca que ele havia achado no galpão, sujo, mas ele limpou, chegando lá, Bruna foi atender a porta. Ela parecia ter ficado pasma com as roupas dele, pois abriu um sorriso sem graça e ficou meio sem jeito, mas Thomas achou que não estava tão bem vestido quanto ela, que estava com uma saia preta não muito longa, uma blusa de uma só manga toda branca, saltos pretos e brincos dourados, ao ver a expressão no rosto da menina, ele entendeu porquê ela ficou sem graça e corou, mas mesmo assim, entrou e entregou as rosas brancas que havia "comprado" no caminho.
Foi quando ele notou uma mulher parada próxima á mesa, usava um vestido azul metálico, brincos pretos e grandes, cabelos longos num tom de castanho escuro, iguais aos de Bruna, olhos verdes, usava uma maquiagem forte, só podia ser a mãe de Bruna.
–Thomas, essa é a minha mãe, Valentina.- disse Bruna.
–Senhora Valentina, prazer, boa noite.- ele cumprimentou meio sem jeito e Valentina, disfarçadamente, lançou um olhar de agrado e aprovação para Bruna, que suspirou aliviada.
Depois, Valentina se sentou e ao mesmo tempo, apareceu um homem alto, de cabelos lisos e pretos e expressão alegre entrou na sala, ele olhou para Thomas da cabeça aos pés e depois falou:
–Oh! Você deve ser o Thomas! Prazer Mariano. Fique à vontade.- disse Mariano, já se sentando.
Thomas ficou meio confuso com a gentileza dele, seus irmãos Prayers disseram que os humanos são muito mal-educados e rabugentos, mas esses três foram bem simpáticos com ele, ou era só momentâneo? Isso ele ainda ia descobrir.
Depois disso, todos se sentaram, Mariano se sentou na ponta, Valentina à sua direita e Bruna à sua esquerda, logo depois, ela fez sinal para que Thomas sentasse ao seu lado e ele sentou, Thomas ficou maravilhado ao levar a comida humana à boca pela primeira vez, ele achou que tudo seria uma gororoba, mas ele adorou, depois de alguns minutos em silêncio, Valentina se pronunciou:
–Então... Thomas, quantos anos você tem?- perguntou, ele hesitou em responder, não poderia dizer que tinha 17 mil anos-luz, então, ele se lembrou da idade de Bruna, e disse:
– 17.
–Hmmm...um ano mais velho que Bruna. Estuda na escola dela?
–Não, mas eu ainda vou.- ele falou baixo e sorriu fraco.
–Como você conheceu minha filha?- dessa vez foi Mariano quem perguntou.
Essa pergunta fez Bruna quase se engasgar, ela teve que beber um pouco de suco pra poder disfarçar, mas Thomas seguiu firme e contou toda a história deles, desde o encontro no mercado até o dia anterior.
–Seu pai trabalha em quê?- perguntou Valentina.
–Meus pais morreram quando eu tinha 7 anos, agora, eu moro com minha irmã na casa dos meus tios, minha tia é dona-de-casa, meu tio é professor de inglês.- mentiu Thomas, todas essas coisas ele já havia planejado falar antes de ir para o jantar, então, ele não teve problemas em contar.
Quando o jantar acabou, Mariano pediu licença e disse que tinha que terminar sua invenção que impediria os aliens de uma futura invasão.
–Que invasão o senhor está falando?- perguntou Thomas.
–Não ficou sabendo? Uma nave vai invadir a Terra daqui a dois meses. Tudo isso está escrito aqui nesta carta.- disse Mariano, entregando a carta para Thomas, que reconheceu a letra e percebeu que Munhoz havia mesmo autorizado a invasão, então, furioso, ele soltou sem querer:
–Queria tanto poder fazer alguma coisa também.
–Quer me ajudar? Estou inventando uma coisa que pode nos ser útil para impedir a invasão.- disse Mariano.
–Pode ser.
Então, Mariano levou Thomas até seu laboratório, que se localizava no porão da casa, Thomas ficou admirado com o lugar e se surpreendeu com o tamanho do lugar, como um porão tão pequeno pode sustentar um laboratório tão grande? Então, Mariano combinou com Thomas de encontrá-lo no dia seguinte para ajudá-lo a terminar, pois agora ele teve um dia cheio e longo e precisava descansar, Thomas concordou, ele também precisava pensar nessa decisão, se era mesmo o certo a fazer, saiu do laboratório, se despediu de todos e, ao chegar na porta, deu um selinho em Bruna e foi embora.
Enquanto caminhava, ele teve uma sensação de estar sendo seguido, mas sempre que olhava em volta, não via ninguém, até que ouviu uma voz feminina sussurrar:
–Thomas?
Ele olhou pra trás e viu sua irmã Prayer, Yuka, sair de trás de uma árvore com uma cara de poucos amigos:
–O que está fazendo aqui?- perguntou Thomas.
–Eu é que pergunto, não era pra você estar sendo levado de volta para a nave?- disse Yuka.
–Não posso, levaram meu cinto.
–Quem levou? Fala que eu mato agora!- Yuka quase gritou.
–Calma, o cara que me roubou já está bem longe, não adianta procurar, porque ele estava mascarado na hora.- explicou Thomas com uma voz calma.
–Thomas, desiste dessa loucura, eu sei que você está apaixonado por uma humana, mas ela é perigosa, escute o que eu tô te falando.
–Não parece ser perigosa, hoje eu jantei com ela e todos foram legais comigo, nem sequer tentaram me liquidar.
–Mas é claro que eles não te machucaram, é só pra disfarçar, mas eles são perigosos sim!- Yuka já estava impaciente.
–Não adianta gritar, espernear, eu já estou decidido, nada vai mudar isso.
–Não???
–Não.
Yuka ficou pasma, mas concordou ao ver que ele estava irredutível, depois disso, pediu que Thomas ficasse com ela o tempo todo, pois não queria que ele se sentisse sozinho na Terra depois que os Prayers fossem exterminados, então, Thomas a levou ao galpão abandonado, deu à Yuka um outro colchão que estava lá e o ajustou ao lado do seu e assim, os dois dormiram, porém, Thomas dormiu sorrindo, não só porque ele teve um dia maravilhoso com Bruna, mas também porque ele conseguiu ao menos uma pessoa ficar do seu lado, que foi sua irmã.
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