Invasão

43 Perigo a vista


Jacob saiu da casa de Hope sentindo-se atordoado. Sua mente estava em conflito, como se estivesse à beira de se lembrar de algo importante, mas sem conseguir alcançar a verdade completa. Ele passou as mãos pelo rosto, tentando acalmar a tempestade dentro de si.

Foi quando ouviu uma voz familiar chamando por ele.

— Pai!

Ele virou-se rapidamente e viu Sarah correndo em sua direção. O coração de Jacob acelerou ao vê-la, como se aquela menina fosse a única âncora em meio ao caos que sua mente estava enfrentando.

— Sarah… — ele murmurou, ainda tentando organizar seus pensamentos.

Ela parou diante dele e segurou sua mão.

— Está tudo bem?

Jacob respirou fundo e assentiu.

— Sim, só… — Ele hesitou, olhando ao redor. — Onde nós vivíamos?

Sarah sorriu suavemente e puxou sua mão.

— Vem, eu vou te levar para nossa casa.

Eles caminharam por ruas desgastadas pelo tempo e pela guerra. Jacob sentia algo estranho a cada passo, como se já tivesse feito aquele caminho antes. Quando finalmente pararam diante de uma casa antiga, seu corpo congelou.

Ele conhecia aquele lugar.

Era a mesma casa dos seus sonhos.

Uma dor aguda atingiu sua cabeça, como se sua mente estivesse tentando romper uma barreira invisível. Sarah percebeu sua reação e segurou seu braço com preocupação.

— Pai?

Jacob cerrou os dentes, respirando fundo até que a dor diminuísse. Ele forçou um sorriso para tranquilizá-la.

— Estou bem. Vamos entrar.

Ao atravessar a porta, o cheiro familiar de madeira tomou conta dele. O lugar parecia ter sido abandonado há anos, mas ainda carregava vestígios de uma vida que um dia existira ali. Ele caminhou lentamente até uma mesa onde fotos antigas estavam espalhadas.

Seus olhos pousaram em um porta-retrato. Ele pegou a moldura e sentiu um choque percorrer seu corpo.

Era ele.

Vestido de terno, segurando a mão de uma mulher ruiva de vestido branco.

Uma noiva.

A respiração de Jacob ficou irregular.

— Quem… Quem é ela? — perguntou com a voz rouca.

Sarah sorriu, os olhos brilhando com emoção.

— Mamãe. O nome dela é Renesmee.

O nome atingiu Jacob como um trovão. Ele repetiu em voz baixa, tentando agarrar-se à memória.

— Renesmee…

Sarah pegou outra foto e mostrou a ele.

— Eu e Will amávamos ir com você e mamãe para Seattle. Você dizia que, quando fechava os olhos e respirava fundo, conseguia ouvir o som do oceano chamando por você.

Jacob piscou, tentando visualizar a cena, mas tudo o que vinha era um vazio doloroso.

— Seattle… Como está a cidade agora?

Sarah abaixou o olhar.

— Devastada. O governo a mantém sob vigilância, mas as pessoas vivem com medo.

Ele apertou a foto nas mãos, um peso se formando em seu peito.

— E Renesmee? Onde ela está?

Sarah o olhou nos olhos, sem hesitação.

— Em Washington.

O coração de Jacob disparou. Washington.


Jacob olhava para Sarah com intensidade, como se cada resposta dela fosse uma peça de um quebra-cabeça que ele tentava montar desesperadamente. Ele engoliu em seco antes de perguntar:

— E sua mãe? Como ela é?

Sarah sorriu suavemente, mas havia tristeza em seus olhos.

— Forte. Determinada. E teimosa. — Ela riu de leve. — Mas também doce. Ela te amava mais do que tudo, pai. Sempre fala sobre como vocês enfrentaram o mundo juntos.

Jacob sentiu um aperto no peito. Como ele podia ter esquecido alguém assim?

— E o Will? Como ele é?

Sarah hesitou, sua expressão ficando mais séria. Ela olhou para o pai, querendo contar tudo, mas sabia que havia algo ainda maior que precisava dizer. Algo que Jacob ainda não fazia ideia.

Ela respirou fundo.

— Pai… Tem algo que você precisa saber.

Jacob franziu a testa.

— O quê?

Sarah buscou as palavras certas, mas não havia um jeito fácil de dizer.

— Mamãe… Ela teve uma filha depois que você… se foi.

Os olhos de Jacob se arregalaram, e ele ficou em silêncio, tentando processar o que acabara de ouvir.

— Uma filha? — Sua voz saiu quase um sussurro.

Sarah assentiu.

— O nome dela é Julia. Ela tem três anos.

Jacob sentiu um choque percorrer seu corpo. Ele levou as mãos à nuca, o coração disparado. Uma filha. Ele tem uma filha… e não fazia a menor ideia.

Ele se sentou no sofá, atordoado.

— Eu… Eu não lembro de nada...

Sarah se ajoelhou ao lado dele, segurando suas mãos.

— Está tudo bem, pai. Você vai se lembrar.

Ele olhou para ela, os olhos cheios de confusão e dor.

— Como posso não lembrar dos meus próprios filhos?

Sarah apertou suas mãos, tentando passar conforto.

— Porque alguém não quer que você se lembre.

Jacob sentiu um frio na espinha. Ele não sabia como, mas tinha certeza de que ela estava certa.

Ele envolveu Sarah em um abraço apertado, sentindo-se perdido, mas ao mesmo tempo grato por ainda ter sua filha ali com ele.

— Obrigado por não desistir de mim, Sarah.

Ela sorriu contra o ombro dele.

— Nunca, pai. Nunca.

Jacob e Sarah saíram da casa abandonada, e ele parou por um instante para olhar ao redor. O lugar precisava de reparos, mas algo dentro dele dizia que aquela casa tinha sido importante.

— Acho que deveríamos reformar essa casa — sugeriu Jacob, lançando um olhar para a filha.

Sarah sorriu, gostando da ideia, mas logo sentiu um aperto no peito. Ele não sabia da verdade… não sabia que sua mãe havia seguido em frente.

— Seria incrível… — respondeu, evitando seus olhos por um momento.

Eles começaram a caminhar pela trilha quando avistaram uma figura familiar vindo na direção oposta. Seth Clearwater.

Ao ver Sarah, o olhar de Seth se fixou nela por um instante. Sarah também o encarou, e por um momento parecia que nada mais existia ao redor deles.

Jacob percebeu a troca de olhares e estreitou os olhos.

— Algum problema, Seth?

Seth desviou o olhar de Sarah e pigarreou antes de responder.

— Sim, um grande problema. Brad e os outros notaram algo estranho. Há uma quantidade gigantesca de insetos gigantes se movendo rapidamente para o oeste de La Push.

Jacob franziu a testa.

— Insetos ?Do que exatamente estamos falando?

Seth respirou fundo.

— Gafanhotos do tamanho de cachorros, aranhas que poderiam devorar uma pessoa inteira… Não é natural, Jake. Eles não estão apenas se movimentando… estão caçando.

Sarah arregalou os olhos.

— Caçando o quê?

— Qualquer coisa viva. Eles destroem tudo pelo caminho, e estão vindo em nossa direção. Precisamos tirar os habitantes daquela região antes que seja tarde.

Jacob sentiu um arrepio na espinha. Algo muito errado estava acontecendo.

— Certo. Vamos reunir todos e começar os preparativos para evacuação. Não podemos correr riscos.

Seth assentiu, e Sarah, embora assustada, ergueu o queixo, determinada.

— Eu vou com vocês — disse ela.

Jacob olhou para a filha, preocupado, mas sabia que não conseguiria convencê-la do contrário.

— Então vamos. Não temos tempo a perder.

Eles trocaram olhares rápidos antes de seguirem em direção ao centro da aldeia, onde precisariam avisar a todos antes que fosse tarde demais.

.....


Nahuel dirigia atento à estrada quando, de repente, precisou frear bruscamente. Renesmee se segurou no painel enquanto Julia resmungava em seu colo, assustada com o solavanco.

— O que foi? — Nessie perguntou, tentando ver o que havia à frente.

Nahuel soltou um suspiro frustrado e apontou. — A estrada está interditada. Algo aconteceu aqui.

Renesmee olhou pela janela e viu barricadas improvisadas, como se alguém tivesse bloqueado a passagem de propósito. O asfalto estava rachado, e marcas estranhas cobriam o chão. Ela engoliu em seco, sentindo um arrepio.

— E agora? — Will perguntou, inclinando-se para ver melhor.

Nahuel respirou fundo, analisando as opções. — Teremos que continuar a pé. O carro não passa por aqui.

— Mas La Push não está tão longe! — Will exclamou. Ele olhou para Renesmee e sorriu. — Mamãe e eu conhecemos um atalho.

Renesmee assentiu. — Certo. Então vamos rápido. Não quero ficar parada aqui por muito tempo.

Nahuel saiu do carro, pegou uma mochila e em seguida ajudou Julia a descer, mas a menina apontou para a floresta com os olhinhos arregalados.

— Olha, tio Nuel! Um passarinho grande!

Renesmee, Nahuel e Will seguiram a direção do dedo da garotinha — e sentiram o sangue gelar.

O que viram não era um pássaro.

Uma mosca gigante pairava sobre as árvores, suas asas emitindo um zumbido assustador. O corpo grotesco refletia a luz de maneira doentia, e seus olhos enormes e multifacetados pareciam observá-los atentamente.

— O que… o que é isso? — Will gaguejou, recuando um passo.

Nahuel rapidamente entregou Julia para Renesmee e pegou a arma. — Não sei, mas precisamos sair daqui. Estamos expostos.

Nessie apertou Julia contra o peito e olhou para Will. — Nos guie pelo atalho. Precisamos nos mover agora.

Will assentiu rapidamente e apontou para uma trilha estreita entre as árvores.

— Por aqui!

Sem perder tempo, eles começaram a correr, mas o zumbido aumentou atrás deles. Renesmee arriscou um olhar para trás e viu que a mosca gigante agora não estava mais sozinha. Outras duas haviam surgido, pairando no ar como predadores prestes a atacar.

— Elas estão nos seguindo! — Will gritou.

Nahuel xingou. — Corram! Não podemos lutar contra elas aqui!

Eles dispararam pela trilha, sentindo a adrenalina acelerar seus corações. Mas as criaturas não desistiriam tão fácil.