Invasão
10 O genro do presidente ( parte 2)
Jacob foi conduzido por dois soldados até uma sala improvisada de comando dentro de um prédio parcialmente destruído. Mapas estavam espalhados por mesas, e homens e mulheres em uniformes do exército discutiam estratégias. Ao entrar, Jacob viu Jasper Whitlock, usando um uniforme impecável, gesticulando enquanto dava ordens.
Ao notar Jacob, Jasper parou imediatamente, seus olhos arregalados de surpresa.
— Black? – Jasper exclamou, sua voz carregada de incredulidade.
O soldado que acompanhava Jacob franziu a testa e perguntou:
— Comandante, o senhor conhece esse civil?
Jasper riu brevemente, mas havia algo tenso em seu tom.
— Civil? Ele não é um mero civil. Este é o Black... Major Black.
Jacob balançou a cabeça, o semblante firme.
— Nunca aceitei essa patente, Jasper. Portanto, nunca fui Major.
Jasper deu de ombros com um sorriso contido.
— Tecnicidades. Para mim, você sempre será o Major.
Jacob ignorou a troca de gentilezas e foi direto ao ponto, sua voz carregada de urgência.
— Eu vim atrás da minha família. Onde eles estão, Jasper?
O sorriso de Jasper desapareceu rapidamente. Ele desviou o olhar por um instante, antes de voltar a encarar Jacob, visivelmente nervoso.
— Renesmee está no centro médico.
O coração de Jacob acelerou.
— O centro médico? – ele repetiu, a preocupação evidente em seu tom. – Por quê? O que aconteceu com ela?
Jasper hesitou, escolhendo cuidadosamente as palavras.
— Ela passou por um susto... mas está estável agora.
Jacob estreitou os olhos, percebendo que algo estava errado.
— E as crianças? Onde estão Sarah e Will?
Jasper respirou fundo, seus ombros tensos.
— Jacob... Renesmee e as crianças estavam no aeroporto, voltando para La Push quando o ataque aconteceu.
O rosto de Jacob endureceu.
— Isso não responde à minha pergunta, Jasper. Onde estão meus filhos?
Jasper fez uma pausa, claramente desconfortável.
— Nós só encontramos Renesmee.
O silêncio que se seguiu foi opressivo. Jacob deu um passo à frente, sua voz baixa, mas cheia de uma raiva contida.
— Como assim só encontraram Renesmee? Onde estão os meus filhos?
Jasper ergueu as mãos, tentando acalmar Jacob.
— Estamos fazendo todo o possível, Jacob. Ainda temos equipes procurando.
Jacob balançou a cabeça, a fúria brilhando em seus olhos.
— Isso não é suficiente! São meus filhos, Jasper! Eu vou encontrá-los.
Jasper colocou uma mão no ombro de Jacob, tentando mantê-lo focado.
— Eu entendo, Black. Mas não podemos agir impulsivamente. Se quer ajudar, venha comigo. Vamos verificar o centro médico e conversar com Renesmee. Talvez ela tenha alguma informação que nos ajude.
Jacob hesitou, lutando contra o desejo de sair correndo à procura das crianças. Finalmente, ele assentiu com relutância.
...
Renesmee abriu os olhos lentamente, sentindo a luz branca da enfermaria incomodar sua visão. Tudo parecia um borrão, e a dor física que sentia era pequena comparada ao vazio que tomava conta de seu peito. Ela olhou para o soro conectado ao seu braço e, instintivamente, levou a mão à barriga.
Uma enfermeira ao seu lado percebeu o movimento.
— Você precisa descansar, senhora Black – disse a enfermeira, com um tom suave, mas preocupado.
Nessie balançou a cabeça, sua voz embargada.
— E meus filhos? Eles estão bem? E o meu bebê?
A enfermeira hesitou, um brilho de compaixão nos olhos.
— Senhora... eu sinto muito.
As palavras foram como um golpe. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Nessie, e um soluço de desespero tomou conta dela. Foi nesse momento que Bella entrou na enfermaria.
— Nessie – disse Bella, apressando-se até a cama e envolvendo a filha em um abraço apertado.
— Mãe... – Nessie sussurrou, a voz fraca. – Eu perdi o bebê. Eu... eu não consegui proteger nenhum deles.
Bella acariciou o cabelo de Nessie, tentando acalmá-la enquanto também lutava contra as próprias lágrimas.
— Não diga isso, filha. Você fez o que pôde. Tudo isso não é sua culpa.
Nessie olhou para Bella, desesperada.
— E as crianças? Onde estão Sarah e Will?
Bella respirou fundo, tentando transmitir calma.
— Seu pai colocou todo o exército atrás deles. Ele não vai descansar até encontrá-los.
Antes que Nessie pudesse responder, a porta da enfermaria se abriu. Ela viu Jacob entrar, seu rosto sério e marcado pela preocupação, mas seus olhos suavizaram ao encontrá-la. Ele caminhou rapidamente até a cama, e Bella se afastou para dar espaço.
Jacob sentou-se ao lado de Renesmee, puxando-a gentilmente contra seu peito e envolvendo-a em um abraço protetor.
— Jake... – Nessie sussurrou, soluçando contra o peito dele. – Me perdoa... Eu não consegui proteger nossos filhos. Nem nosso bebê. Eu falhei com você.
Jacob segurou o rosto dela com as mãos, forçando-a a olhar para ele.
— Não diga isso, Nessie. Não é sua culpa. Nada disso.
Ela tentou protestar, mas ele a interrompeu, a voz firme, mas cheia de amor.
— Eu te amo. Você me ouviu? Eu te amo, e nada vai mudar isso. Sarah e Will estão bem. Eu sei que estão. E eu vou buscá-los, não importa o que aconteça.
As lágrimas continuavam a escorrer pelo rosto de Nessie, mas havia algo na voz de Jacob que trouxe uma centelha de esperança em meio ao desespero.
— E se... e se não os encontrarem? – ela sussurrou, a voz quebrada.
Jacob balançou a cabeça, determinado.
— Eu vou encontrá-los. Eles precisam de nós, e eu não vou parar até trazer nossos filhos de volta.
Ele a abraçou novamente, envolvendo-a com todo o amor e proteção que podia oferecer. Bella observava a cena em silêncio, seu coração dividido entre o medo e a esperança, mas uma coisa era clara: Jacob não estava disposto a desistir.
...
Jacob ajustou os cobertores ao redor de Renesmee, que finalmente havia sucumbido ao cansaço e às medicações. Ele a observou por um momento, o rosto delicado marcado pelo sofrimento recente, mas ainda cheio de força. Inclinando-se, ele a beijou na testa, como se prometesse silenciosamente que tudo ficaria bem.
— Cuide dela – Jacob disse a Bella, que estava ao lado da cama, seus olhos preocupados fixos na filha.
— Pode deixar – Bella respondeu com firmeza.
Jacob assentiu, deu uma última olhada em Nessie e saiu da enfermaria.
Jacob caminhou rápido pelos corredores, sua presença imediata impunha respeito. Alguns soldados pararam ao vê-lo e bateram continência, mas ele apenas acenou de forma breve, focado em seu objetivo. Ele abriu a porta de uma sala onde Edward estava reunido com o Major Laurent.
Laurent virou-se ao ouvir a porta abrir, e seus olhos se estreitaram ao ver Jacob.
— Black – Laurent começou, mas antes que pudesse dizer mais, Jacob falou.
— Vou com vocês.
Laurent ergueu uma sobrancelha, trocando um olhar com Edward, que permanecia em silêncio.
— É arriscado demais – disse Laurent – Estamos lidando com algo que não entendemos completamente. Enviamos os melhores soldados, e cada movimento precisa ser calculado.
Jacob cruzou os braços, firme.
— Se existe alguém que pode trazer meus filhos de volta, esse alguém sou eu.
Edward finalmente falou, sua voz autoritária e calma.
— Ele está certo. Sarah e Will são filhos dele. E se alguém conhece as habilidades de seus filhos é Jacob.
O Major hesitou por um momento antes de assentir, aceitando a decisão.
— Muito bem, mas eu não assumo a responsabilidade por qualquer risco, senhor – disse Laurent a Edward, mas Jacob interrompeu.
— Eu assumo minha própria responsabilidade. Mas vou precisar de armas e de uma equipe que saiba seguir ordens.
O Major respirou fundo, indicando que Jacob continuasse.
— Sarah é minha filha. Ela sabe o que fazer em situações extremas. Eu treinei cada movimento que ela faz, cada decisão que toma. Sei exatamente para onde ela foi com Will.
Edward inclinou-se para frente, interessado.
— E para onde você acha que eles foram?
Jacob fixou o olhar em Edward, com a convicção de alguém que conhecia a própria família como ninguém.
— Para o ponto de segurança que eu ensinei a ela. Há uma área no subsolo do antigo museu militar, fora do centro. É para onde ela levaria o Will para se esconder.
Laurent analisou rapidamente as informações.
— O antigo museu militar? Aquele lugar é praticamente um labirinto agora. Está infestado dessas criaturas.
Jacob deu um passo à frente, com determinação.
— Então, eu sugiro que vocês me deem armas que consigam derrubar essas coisas. Porque eu não estou pedindo. Eu vou.
Edward assentiu, sua expressão sombria, mas resoluta.
— Major, prepare o que for necessário. E que Deus esteja com você, Jacob.
Laurent virou-se para o comunicador e começou a organizar os preparativos enquanto Jacob permanecia em silêncio, focado em sua missão. Ele sabia que cada segundo contava, e o pensamento de seus filhos sozinhos, com o perigo à espreita, o movia como nada mais.
...
Nessie abriu os olhos lentamente, sentindo o calor reconfortante do corpo de Jacob ao seu lado. Por um momento, ela se perguntou se estava sonhando, mas o peso familiar do braço dele ao redor dela era real. Ela se virou, seus olhos pousando no rosto dele. Jacob estava de olhos fechados, mas ela sabia que ele não estava dormindo.
Levantando a mão, ela acariciou o rosto dele suavemente, como se precisasse se certificar de que ele estava mesmo ali. Jacob abriu os olhos, encontrando os olhos verdes dela cheios de tristeza e perguntas silenciosas.
— Você está aqui – ela murmurou, com a voz rouca de cansaço e emoção.
— Sempre estarei – ele respondeu baixinho, sua voz grave e firme.
Por um momento, eles ficaram em silêncio, apenas olhando um para o outro. Então, Nessie respirou fundo, e as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.
— O amendoim... – ela começou, a voz embargada. – Ele se foi, Jake. Eu não consegui protegê-lo.
Jacob sentiu a dor rasgar seu coração, mas segurou firme. Ele não podia desabar agora, não quando ela precisava dele. Ele levou a mão ao rosto dela, enxugando as lágrimas com o polegar.
— Não diga isso, Ness. Você fez tudo o que podia. Nenhuma força no mundo poderia ter evitado isso.
Ela balançou a cabeça, sentindo a culpa apertar seu peito.
— Mas eu deveria... eu deveria ter sido mais forte. Por ele, por nós.
Jacob a puxou delicadamente para mais perto, seus lábios encostando na testa dela em um beijo cheio de amor e dor compartilhada.
— Ness, ouça-me – ele disse, olhando profundamente nos olhos dela. – Você é a mulher mais forte que eu conheço. Eu sei que essa dor é insuportável, mas você precisa ser forte agora. Por Sarah e Will. Eles precisam de nós.
Ela fechou os olhos, tentando controlar os soluços.
— E se não conseguirmos encontrá-los? E se eles...
— Não diga isso – Jacob interrompeu, sua voz firme, mas gentil. – Eu vou trazê-los de volta. Sarah e Will estão lá fora, esperando por mim. E eu vou buscá-los, não importa o que seja necessário.
Nessie o olhou, vendo nos olhos dele a determinação que sempre a impressionou.
— Eu confio em você – ela disse, com um fio de voz.
Jacob sorriu, um sorriso pequeno, mas cheio de promessa.
— Então se apegue a isso. Confie em mim, Ness. Quando eu voltar, trarei nossos filhos comigo.
Ele a abraçou mais uma vez, segurando-a como se pudesse transferir sua força para ela.
— Agora descanse – ele disse suavemente. – Eu preciso que você esteja bem quando eu voltar.
Nessie assentiu, embora as lágrimas ainda corressem por seu rosto.
— Eu amo você, Jake.
— E eu amo você, Nessie. Mais do que qualquer coisa.
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