Invasão
5 Família
No quarto de hóspedes, Renesmee estava sentada na cama, enquanto Bella observava-a com um olhar preocupado, sentada em uma poltrona próxima.
— Nessie, você sabe como seu pai é – começou Bella suavemente. – Ele não expressa as coisas da melhor maneira, mas ele ama você. Ele só tem uma maneira... difícil de mostrar isso.
Renesmee suspirou, segurando o travesseiro em seu colo.
— Não é só sobre hoje, mãe. Isso vem acontecendo desde que me casei com Jacob. É como se ele nunca aceitasse que a escolha que me faz feliz não é a que ele queria para mim.
Bella hesitou antes de responder, sentindo o peso das palavras da filha.
— Ele só tem medo, Nessie. Medo de não poder proteger você como antes, de perder o controle sobre sua vida. É algo que ele precisa superar, mas... talvez você possa ajudá-lo a enxergar isso.
Nessie olhou para Bella com um sorriso triste.
— Você sempre tenta aliviar tudo, não é?
Bella deu de ombros, com um sorriso gentil.
— É o meu papel.
Renesmee se levantou e foi até Sarah, que estava entretida com Will no sofá.
— Sarah, fique aqui com seu irmão, tudo bem? Eu preciso conversar com sua avó por um momento.
Sarah assentiu com um pequeno sorriso, e Nessie seguiu Bella para o corredor.
— Não é justo, mãe – disse Renesmee assim que estavam sozinhas. – Eu sempre tentei manter uma relação com ele, mesmo sabendo que ele desaprova o Jacob. Mas ele nunca para de tentar colocar o meu marido em um lugar inferior, como se o Jake não fosse bom o suficiente para mim ou para as crianças.
Bella colocou uma mão no ombro da filha.
— Ele não entende o amor que vocês têm, Nessie. Mas isso não significa que ele não ama você. Dê a ele a chance de tentar melhorar.
Antes que Nessie pudesse responder, Edward apareceu no corredor, parecendo mais contido do que o habitual.
— Bella, eu posso falar com a Nessie?
Bella olhou para a filha, esperando sua decisão. Nessie hesitou, mas finalmente assentiu.
— Tudo bem.
Bella deu um sorriso encorajador antes de se afastar, deixando os dois sozinhos. Edward abriu a porta de uma sala próxima e fez um gesto para que Renesmee entrasse.
Assim que estavam a sós, ele começou:
— Nessie, eu sinto muito pelo que aconteceu no jantar. Eu... nunca quis magoar você ou as crianças.
Nessie cruzou os braços, esperando por mais.
— Eu amo você, e amo meus netos. Mas eu sinto que o Jacob tem... jogado Sarah contra mim. Ela fala comigo como se eu fosse um inimigo.
Renesmee balançou a cabeça, incrédula.
— Pai, isso não é verdade. Jacob jamais faria isso. Ele sempre disse que queria que as crianças respeitassem você, mesmo quando você o tratava como se ele fosse inferior. Sarah já tem idade suficiente para perceber quando é bem-vinda ou não.
Edward pareceu surpreso com a firmeza da filha, mas não interrompeu.
— Eu entendo que você tenha dificuldades com o Jacob, mas ele é meu marido, e é o pai das crianças. Ele me faz feliz, e isso deveria ser o suficiente para você.
Edward abaixou a cabeça, claramente refletindo sobre as palavras dela.
— Você tem razão – ele disse finalmente, com um tom mais suave. – Eu preciso aceitar que sua felicidade não depende das minhas expectativas. Eu prometo que vou tentar melhorar, Nessie.
Renesmee o observou por um momento, procurando sinceridade em suas palavras.
— Isso é tudo que eu peço, pai. Que você tente.
Edward assentiu e, pela primeira vez em muito tempo, sorriu de maneira genuína.
— Eu vou tentar.
Nessie sentiu um pequeno alívio, embora soubesse que as feridas entre eles levariam tempo para cicatrizar.
...
Nessie se aproximou da cama dos filhos com passos suaves, observando-os com ternura. Will dormia profundamente, os cabelos bagunçados, e Sarah, ainda emburrada pela noite anterior, estava quieta, como se sua expressão de descontentamento permanecesse mesmo em seus sonhos. Nessie tocou a barriga levemente, já sentindo um amor indescritível pelo bebê que mal começava a crescer em seu ventre.
Ela se inclinou para dar um beijo em Will, que murmurou algo incompreensível e se virou, ainda adormecido. Em seguida, beijou a testa de Sarah, que sequer se moveu, e saiu do quarto com cuidado, indo para o quarto de hóspedes.
Ao se deitar, viu o celular acender ao seu lado. O nome de Jacob no display fez seu coração acelerar, e ela rapidamente atendeu.
— Oi, Jake.
— Oi, amor— a voz grave dele soou do outro lado, carregada de saudade. – Como estão as crianças?
Nessie sorriu, acomodando-se melhor na cama.
— Estão bem. Will dormiu com um sorriso no rosto depois de passar o dia se divertindo. E Sarah... bom, ela ainda está chateada, mas acho que consegui acalmá-la.
— E o amendoim?— perguntou Jacob com uma risada leve, a ternura evidente em sua voz.
Nessie riu também, acariciando instintivamente a barriga.
— O amendoim está ótimo. Nenhum enjoo, nada de estranho até agora. Parece que ele já está se comportando bem.
— Claro, é filho do Jake Black— ele brincou, arrancando mais uma risada dela.
— Ah, claro, porque ser teimoso e cheio de energia não é nada típico do pai, né?
— Ei, sem me difamar. Eu só sou cheio de energia quando estou com você – respondeu Jacob em um tom que era metade brincadeira, metade malicioso.
Nessie suspirou, sentindo a saudade apertar ainda mais.
— Eu sinto sua falta.
— Eu também, Ness. Tá difícil dormir sem você aqui.
— Só mais dois dias, Jake. Estarei em casa antes que você perceba.
— Dois dias ainda parecem uma eternidade— ele disse, a voz carregada de emoção.
— Mas vai passar rápido. E quando eu voltar, você vai me abraçar tão forte que nem vou conseguir reclamar – respondeu ela com um sorriso, mesmo que ele não pudesse vê-lo.
— Pode apostar que vou. Eu amo você, Nessie.
— Eu também te amo, Jake. Mais do que tudo.
Eles ficaram em silêncio por um instante, saboreando a conexão mesmo à distância, até que Jacob murmurou um "boa noite" antes de desligar.
Jacob, ainda deitado em sua cama em La Push, olhou para o celular e depois para a janela. A lua iluminava o quarto, mas o brilho suave não aliviava o peso que sentia no peito. Algo não estava certo.
Com um suspiro, ele passou as mãos pelos cabelos, inquieto. A sensação persistente de que algo estava errado não o abandonava, e ele sabia que não conseguiria ignorar por muito mais tempo.
— Amanhã – murmurou para si mesmo –, vou pegar um voo para Washington.
Ele fechou os olhos, tentando afastar o desconforto, mas o sono foi difícil de alcançar naquela noite.
...
Madrugada de 28 de março de 2024
36 horas antes do primeiro ataque em Washington
Casa Branca – Sala da Presidência.
Edward Cullen ajustava o hobby sobre o pijama enquanto entrava na sala, o cansaço evidente em sua expressão. Ele lançou um olhar inquisidor ao Primeiro-Ministro Henry Carter e ao Coronel James Whitaker, que estavam de pé ao lado de uma tela cheia de gráficos e números.
— Isso é sério o suficiente para me tirar da cama a essa hora? – Edward começou, a voz ainda rouca de sono, mas com o tom firme de quem está acostumado a lidar com crises.
Henry deu um passo à frente.
— Senhor presidente, recebemos informações do Departamento de Defesa sobre um objeto se aproximando da atmosfera terrestre.
Edward franziu a testa, o olhar fixo na tela.
— Um meteoro?
O Coronel Whitaker respondeu, a postura rígida de alguém acostumado a situações críticas.
— Não temos certeza, senhor. O objeto não apresenta as características típicas de um meteoro, e nossos radares não conseguiram identificar sua composição ou origem exata.
Edward cruzou os braços, a preocupação começando a se formar em seu rosto.
— E a trajetória?
— Se continuar na mesma rota – respondeu Whitaker –, o impacto será em algumas horas. Ainda estamos calculando o local exato, mas a situação é delicada.
— Quais são nossas opções? – Edward perguntou, o tom impaciente, mas calculado.
Henry interveio.
— Podemos utilizar nosso sistema de defesa orbital, senhor. As armas podem neutralizar o objeto antes que ele atinja a superfície. No entanto, precisamos da sua autorização.
Edward passou a mão pelo queixo, os olhos fixos na tela enquanto absorvia as informações.
— E se errarmos?
— É arriscado – admitiu Whitaker. – Mas nossas chances de sucesso são altas, senhor.
Edward respirou fundo, ponderando as consequências.
— Não podemos correr riscos com a vida de milhões de pessoas. Se for necessário, autorizo o uso das armas.
Henry e o Coronel assentiram, mas Edward levantou uma mão antes que pudessem sair.
— Isso não pode vazar. A última coisa que precisamos agora é de um tumulto desnecessário entre civis.
— Entendido, senhor – confirmou Whitaker. – Já estamos mantendo a informação restrita a um grupo mínimo.
— Certifiquem-se de que continua assim – Edward disse, os olhos frios e calculistas. – E me mantenham atualizado. Quero saber o que é isso antes que precise explicar qualquer coisa à imprensa.
— Sim, senhor presidente – responderam os dois em uníssono antes de se retirarem.
Quando a porta se fechou, Edward suspirou, sentando-se pesadamente na poltrona de couro. Ele olhou para a tela apagada, os pensamentos fervilhando.
— O que mais pode acontecer nesta semana? – murmurou para si mesmo, antes de pegar o telefone para ligar para a equipe científica da NASA.
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