Invasão
22 Eu estou grávida!

Jessica estava em um dos corredores menos movimentados do abrigo, a iluminação fraca dando ao local um ar mais clandestino. Ela estava de braços cruzados, encostada na parede, quando Edward se aproximou, o semblante calmo, mas os olhos denunciando uma tensão fria. Ele parou diante dela e a encarou por um instante antes de falar.
– Alguma novidade? – Edward perguntou em tom controlado.
Jessica balançou a cabeça, um sorriso cínico brincando em seus lábios.
– Nenhuma. Jacob não vai ceder. Ele me ignora completamente.
Edward suspirou, como se já esperasse aquela resposta. Ele se aproximou um pouco mais, inclinando-se ligeiramente para frente, com o tom de voz baixo e firme.
– Claro que ele não vai ceder se você continuar batendo de frente com ele. Jacob é teimoso, isso é óbvio. Se quer resultados, precisa mudar de estratégia, ser mais esperta.
Jessica arqueou uma sobrancelha, interessada.
– E o que sugere, presidente? Que eu me torne a melhor amiga da esposa dele?
Edward a olhou com paciência quase calculada, ignorando o sarcasmo.
– Não seria uma má ideia. Mas, acima de tudo, você precisa parar de insistir diretamente com Jacob. Seja sutil, crie situações que o façam parecer o errado. Deixe que ele mesmo se destrua.
Jessica estreitou os olhos, avaliando Edward.
– Por que tudo isso é tão importante para você? – Ela perguntou, cruzando os braços novamente. – Jacob é um general, alguém com um cargo relevante. Por que não usá-lo em vez de tentar separá-lo da sua filha?
Edward deu um passo para trás, soltando um suspiro pesado. Ele parecia escolher cuidadosamente suas palavras antes de responder.
– Não se trata de cargos ou poderes. Isso vai além disso. – Ele olhou para Jessica, a expressão séria. – Jacob vai afastar minha filha e meus netos de mim assim que essa guerra acabar e eles puderem voltar a ter uma vida normal. E eu não vou permitir isso.
Jessica franziu o cenho, desconfiada.
– Então é isso? Você só quer os netos perto de você?
Edward sorriu de lado, mas havia algo de frio naquele gesto.
– Quero mais do que isso. Tenho planos para eles, planos que exigem que estejam sob minha influência.
Jessica soltou uma risada incrédula.
– E se Renesmee descobrir? Você sabe que, se isso acontecer, vai perdê-la para sempre.
Edward ficou em silêncio por um instante, como se ponderasse aquela afirmação. Finalmente, ele deu um passo à frente, com o tom mais baixo, quase ameaçador.
– Isso não vai acontecer. Eu conto com você para garantir isso.
Jessica o encarou por um momento, antes de dar um breve aceno de cabeça.
– Certo, presidente. – Ela respondeu, o sarcasmo deixando sua voz.
Edward deu-lhe um último olhar significativo antes de se afastar.
– Não me decepcione, cadete Stanley.
Jessica o observou desaparecer pelo corredor, seu semblante carregado de dúvidas, mas sua ambição ainda maior.
...
Sarah estava encostada na parede de vidro, observando os cadetes em treinamento no campo logo abaixo. Cada disparo das novas armas ecoava no ambiente, uma lembrança constante do perigo que os aguardava lá fora. Ela sentiu um aperto no peito ao pensar em seu pai enfrentando aquelas criaturas monstruosas, arriscando a vida para protegê-los. Seu olhar perdido foi interrompido pela voz de um jovem.
– Você é Sarah Black, a filha do general? – perguntou o adolescente, com um tom curioso e respeitoso.
Sarah se virou e viu um garoto de cabelos castanhos despenteados, olhos curiosos e um uniforme que indicava que ele ainda estava em treinamento.
– Sou, sim. – Ela respondeu com educação, mas sem muito entusiasmo. – E você é?
– Benjamin Carter. – Ele estendeu a mão de forma amigável, e Sarah apertou brevemente.
Benjamin parecia empolgado, o sorriso largo enquanto olhava para o campo de treinamento.
– Deve ser incrível ser filha do general Black. Ele é uma lenda!
Sarah deu de ombros, sem saber como responder.
– É... algo assim.
Benjamin não pareceu notar a hesitação dela e continuou, apontando para os cadetes.
– Essas armas são incríveis! Você viu como elas funcionam? Estão dizendo que usam tecnologia alienígena. Um dia quero ser um cadete e lutar como eles. Fazer a diferença, sabe?
Sarah o observou por um momento, intrigada pela empolgação genuína dele.
– Espero que não precise chegar a tanto. – Ela respondeu com sinceridade. – Quanto menos pessoas precisarem lutar, melhor.
Antes que Benjamin pudesse responder, duas garotas se aproximaram. Amanda, alta e confiante, e Emma, que lançou um olhar interessado para Benjamin assim que o viu.
– Oi, Ben! – Emma chamou, com um sorriso que claramente tinha intenções além de amizade.
Benjamin se virou para elas, parecendo um pouco desconfortável.
– Oi, Emma. Amanda.
Amanda lançou um olhar de curiosidade para Sarah.
– O que faz por aqui prima?
– Nada– Ela respondeu calmamente. – Estou só de passagem.
Emma, no entanto, parecia focada em outra coisa.
– Você conhece o Ben?
Benjamin, percebendo a tensão que começava a se formar, deu um passo para trás.
– Preciso ir. Tenho que ajudar na organização do estoque. Foi um prazer te conhecer, Sarah.
– Igualmente. – Sarah respondeu com um pequeno aceno enquanto Benjamin se afastava rapidamente.
Assim que ele sumiu de vista, Emma se virou para Sarah, cruzando os braços.
– Então... qual é o seu interesse no Ben?
Sarah levantou uma sobrancelha, surpresa pela abordagem direta. Ela deixou escapar um sorriso irônico antes de responder.
– Interesse? Ah, claro. Meu único sonho é passar o resto do dia discutindo sobre armas com um garoto que acabei de conhecer.
Emma franziu o cenho, claramente irritada com a resposta.
– Não precisa ser tão grossa.
Sarah deu de ombros, já se afastando.
– Relaxa, Emma. Ele é todo seu. Boa sorte.
Ela saiu antes que Emma pudesse dizer mais alguma coisa, sentindo-se levemente divertida pela situação, apesar da tensão que ainda pairava em seu peito pelo que estava por vir.
....
Jacob estava na sala de simulação da aeronave, analisando os resultados do treinamento recém-encerrado. As luzes da sala piscavam suavemente enquanto os sistemas encerravam a simulação. Um dos engenheiros, um homem magro com óculos grandes e uma prancheta nas mãos, aproximou-se dele.
– Você foi bem, general. – O homem disse com um sorriso. – Se continuar assim, estará mais do que pronto para liderar a missão.
Jacob assentiu, mas sua expressão era grave.
– Não se trata de mim estar pronto. Se todos nós não estivermos no mesmo nível, essa missão será um fracasso antes mesmo de começar.
O engenheiro fez um gesto de concordância, e Jacob saiu da sala, caminhando para se reunir com os cadetes.
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Na grande sala de reuniões, os cadetes se levantaram assim que Jacob entrou. Ele olhou para cada um deles, homens e mulheres jovens, mas determinados, com um peso invisível nos ombros: o destino da humanidade. Ele tomou posição na frente do grupo e começou a falar, sua voz firme e clara.
– Em sete dias, faremos a missão de nossas vidas. Não será fácil. Não será limpo. Mas será decisivo. – Ele fez uma pausa, observando os rostos atentos. – O destino da humanidade depende de nós. Nossos amigos, nossas famílias... tudo o que amamos está em jogo. E se existe um grupo capaz de mudar o curso desta guerra, é o que está aqui diante de mim.
Os cadetes ergueram a cabeça, orgulhosos, mas conscientes da responsabilidade. Jacob ergueu a mão, chamando todos a se aproximarem.
– Unidos somos mais fortes. Juntos, venceremos. Agora, comigo: “Para a terra, pela vida, pela vitória!”
Os cadetes gritaram em uníssono:
– Para a terra, pela vida, pela vitória!
A energia na sala era palpável enquanto eles batiam as mãos em celebração. Jacob, no entanto, percebeu um movimento no canto do olho. Jessica estava ali, um pouco afastada, com uma expressão que misturava desconforto e nervosismo. Ele se aproximou dela com passos firmes.
– Cadete Stanley, posso saber o que aconteceu mais cedo? Você quase machucou um dos seus companheiros no treinamento.
Jessica levantou a cabeça, surpresa pela abordagem direta.
– Eu... sinto muito, senhor. Não estava bem. Talvez fosse melhor colocar outra pessoa em meu lugar.
Jacob franziu a testa, surpreso pela resposta.
– Não precisa agir dessa forma. Todos temos dias difíceis, mas você precisa ser mais profissional. O time depende de você.
Jessica mordeu o lábio, claramente abalada, e antes que Jacob pudesse dizer mais alguma coisa, lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.
– Desculpe, general. Eu só... eu não consigo... – Ela virou as costas e saiu apressadamente.
Jacob ficou parado por um momento, completamente confuso com a reação dela. Finalmente, com um suspiro, decidiu ir atrás para esclarecer as coisas.
Jacob alcançou Jessica no corredor próximo, encostada na parede, os olhos vermelhos enquanto ela enxugava o rosto com pressa.
– Jessica, espera. – Jacob disse, aproximando-se com cuidado. – O que está acontecendo?
Jessica ergueu os olhos para ele, parecendo ainda mais desconfortável.
– Desculpe, general. Eu... eu deveria ter sido mais forte. Não devia deixar isso atrapalhar meu trabalho.
Jacob cruzou os braços, a expressão endurecida.
– Não vou falar mais sobre esse assunto. Apenas resolva o que está te afetando e volte ao foco, cadete.
Jessica hesitou, respirando fundo antes de continuar, a voz embargada.
– Jacob... – Ela parou por um momento, como se buscasse coragem. – Eu não posso simplesmente ignorar. Estou com um atraso.
Jacob franziu a testa, confuso.
– Um atraso? Do que você está falando?
Jessica desviou o olhar, mas finalmente deixou escapar.
– Estou grávida. E você foi o único homem com quem estive nos últimos meses.
O choque percorreu Jacob como uma descarga elétrica. Seu coração disparou, e por um momento ele não conseguiu dizer nada.
– Isso não pode ser... – Ele balbuciou, quase sem acreditar.
Antes que ele pudesse processar totalmente as palavras dela, uma voz atrás dele o fez congelar.
– Grávida? Do que ela está falando, pai?
Jacob virou-se lentamente para encontrar Sarah parada no corredor, os olhos arregalados e cheios de desconfiança.
– Sarah... – Ele começou, mas não conseguiu encontrar as palavras.
Jessica olhou para Sarah, sua expressão alternando entre culpa e hesitação.
– Isso não é algo que você deveria ouvir...
– Eu ouvi o suficiente! – Sarah interrompeu, cruzando os braços. – Pai, o que está acontecendo aqui?
Jacob passou a mão pelos cabelos, claramente lutando para recuperar o controle da situação.
– Sarah, volte para o quarto. Agora.
– Não antes de você me dizer se isso é verdade. – Sarah insistiu, a voz embargada de raiva e confusão.
Jacob sentiu o peso da situação crescer como um nó em seu peito. Ele sabia que precisava enfrentar isso, mas naquele momento tudo parecia desmoronar ao seu redor.
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