Invasão

39 Desertora


Renesmee entrou no quartel com passos rápidos, seu coração pesado de preocupação. Algo estava errado, e ela sabia disso. Rosalie não fora clara ao telefone, o que só aumentava a ansiedade que a consumia.

Um soldado a conduziu até a sala do General Hargrove, e ao entrar, ela viu um homem que não conhecia ao lado do general. Ambos estavam sérios.

– General Hargrove – começou Renesmee, com a voz tensa –, fui chamada para falar sobre minha filha, a cadete Sarah Black. Onde ela está?

O general gesticulou para o homem ao seu lado.

– Senhora Cullen, este é o comandante Archer Montgomery, da Fortaleza do Norte. Ele tem informações sobre o paradeiro de sua filha.

Renesmee voltou seu olhar ao comandante, que parecia tão sério quanto o general.

– Senhora Cullen – disse ele, cruzando os braços –, há algo que precisa ver antes de qualquer explicação.

O comandante pegou um tablet e mostrou um vídeo. Era uma gravação de uma jovem se apresentando como Sarah Black na Fortaleza do Norte. A imagem mostrava claramente a garota em trajes militares, mas algo no jeito dela estava errado.

Renesmee inclinou-se para mais perto da tela, analisando cada detalhe até que finalmente soltou um suspiro incrédulo.

– Essa jovem... essa não é minha filha. É minha sobrinha, Emma McCartney.


O general e o comandante trocaram olhares, e o general falou com um tom grave:

– Então foi como suspeitávamos. Sarah Black cometeu uma grave infração ao trocar de lugar com sua prima.

Renesmee sentiu o sangue ferver. Sua voz subiu um pouco enquanto encarava o general.

– Grave infração? Expulsão? Isso não importa agora! Eu quero saber onde está a minha filha!

O comandante Montgomery suspirou, parecendo compreender o desespero dela.

– Senhora Cullen, sua filha se voluntariou para substituir Emma em uma missão. Ela partiu para Seattle no lugar da prima.

Renesmee congelou, surpresa.

– Seattle? – murmurou, sentindo o coração apertar.

O general assentiu, mas não havia consolo em seu tom.

– É uma situação complexa, Senhora Cullen. A missão era arriscada, mas Emma deveria ser a designada. Sua filha assumiu o lugar por conta própria.

Renesmee fechou os olhos por um instante, tentando processar tudo.

– Seattle... – repetiu, mais para si mesma do que para os homens à sua frente.

Renesmee segurou a borda da mesa à sua frente, tentando manter a compostura enquanto os pensamentos sobre Sarah se misturavam com memórias dolorosas. Sua filha sempre falara sobre La Push com nostalgia, especialmente depois da perda de Jacob. Ela se sentia como uma prisioneira em Washington, cercada por regras e expectativas.

– Onde está minha filha? – insistiu Renesmee, sua voz carregada de determinação e ansiedade.

O comandante Montgomery trocou um olhar preocupado com o general antes de responder.

– Recebemos informações do comboio que entregou suprimentos para Seattle. Houve um ataque na região. Sua filha, Sarah Black, desertou durante o incidente.

Renesmee deu um passo à frente, os olhos flamejando de incredulidade.

– Desertou? Minha filha jamais faria isso!

O general respirou fundo, mantendo o tom profissional.

– Senhora Cullen, entendemos sua preocupação, mas a situação é delicada. O presidente está ciente dos acontecimentos. Sarah Black cometeu infrações gravíssimas ao trocar de lugar com Emma McCartney e agora desertar durante uma operação.

Renesmee sentiu um calafrio ao ouvir o tom formal e impiedoso nas palavras do general.

– E Emma? – perguntou, tentando manter o foco.

– Emma está sob custódia – respondeu o comandante Montgomery. – Por ordem do presidente, o mesmo acontecerá com Sarah assim que for encontrada. As regras são claras, Senhora Cullen. Nenhum soldado pode agir dessa forma sem sofrer as consequências.

Renesmee respirou fundo, tentando controlar a mistura de fúria e desespero que tomava conta dela.

– Minha filha não é uma criminosa. Ela não desertou, vocês simplesmente não a encontraram ainda.

O general manteve a expressão séria.

– Uma equipe já foi enviada para localizar sua filha. Assim que for encontrada, será colocada sob custódia para responder por suas ações.

Renesmee olhou para os dois homens à sua frente, sentindo-se impotente diante da frieza burocrática com que tratavam Sarah.

– Vou encontrá-la antes de vocês – declarou com firmeza. – E provarei que vocês estão errados sobre ela.

Sem esperar uma resposta, ela saiu da sala, já traçando planos para descobrir o que realmente havia acontecido com sua filha.

...

Renesmee entrou na sala da presidência, o coração ainda acelerado pela conversa com o general e o comandante. Para sua surpresa, Edward estava sentado atrás da imponente mesa, os olhos dourados fixos nela com uma mistura de preocupação e autoridade.

– Estava te esperando – disse Edward, a voz calma, mas carregada de gravidade.

Renesmee parou à sua frente, cruzando os braços.

– Imagino que saiba o que está acontecendo.

Edward assentiu lentamente.

– Sei de tudo. Conversei com o general Hargrove e o comandante Montgomery. Fiz o possível para amenizar a situação, Renesmee. Sarah e Emma são duas Cullen. Se não fossem, nenhuma delas teria retornado à Fortaleza.

Renesmee franziu o cenho, confusa e irritada.

– O que quer dizer com isso?

Edward levantou-se, caminhando até ela com passos calculados.

– Sarah está contaminada, Renesmee. A equipe que retornou de Seattle confirmou que houve um ataque biológico na região. É por isso que ela não retornou. Fiz o que pude para evitar uma punição ainda mais severa.

Renesmee sentiu um choque percorrer seu corpo.

– Contaminada? Você está dizendo que minha filha está doente e, em vez de ajudá-la, vocês a chamam de desertora?

Edward suspirou, como se estivesse tentando conter sua paciência.

– Não é tão simples. As regras existem por um motivo, e Sarah as quebrou. Além disso, Seattle não é um lugar seguro. Se você sair daqui para buscá-la, estará colocando sua própria vida em risco.

Renesmee deu um passo à frente, os olhos brilhando com fúria.

– Minha filha não é uma criminosa, pai! Ela não desertou. Ela fez o que achou que era certo. Sempre quis voltar a La Push, você sabe disso! E agora vocês a deixaram à própria sorte.

Edward a encarou com um olhar firme.

– Não vou permitir que você saia de Washington.

Renesmee riu, mas o som era amargo.

– Permitir? Você acha que pode me manter aqui como uma prisioneira?

Edward manteve o tom firme.

– Estou tentando proteger você. Já perdi muitas pessoas que amo, não quero perder você também.

Renesmee balançou a cabeça, os olhos marejados.

– Proteger não é prender, pai. Sarah é minha filha. Se você não vai ajudar, eu mesma vou.

Ela virou-se para sair, mas Edward deu um passo à frente.

– Renesmee!

Ela parou por um momento, mas não olhou para trás.

– Não tente me impedir – disse ela, a voz carregada de determinação. – Porque nada vai me fazer desistir da minha filha.

Sem esperar por uma resposta, Renesmee saiu da sala, o coração pesado, mas a determinação inabalável. Ela faria o que fosse preciso para proteger Sarah, mesmo que tivesse que enfrentar o mundo inteiro.


Renesmee avançou pelos longos corredores da Casa Branca, o coração pulsando com raiva e determinação. As palavras de seu pai ainda ecoavam em sua mente, mas ela sabia que não podia se deixar deter. Quando se aproximou da saída principal, um grupo de soldados surgiu repentinamente, formando uma barreira diante dela.

– O que significa isso? – perguntou Renesmee, com a voz carregada de autoridade.

Um dos soldados, aparentemente o líder, deu um passo à frente.

– Ordem direta do presidente, senhora. Não podemos permitir que saia.

Renesmee estreitou os olhos, cruzando os braços.

– Meu pai acha que pode me manter aqui contra a minha vontade? Eu não sou uma prisioneira. Agora, saiam do meu caminho.

Os soldados mantiveram a posição, mas antes que Renesmee pudesse reagir, uma voz familiar soou atrás dela.

– Isso não será necessário.

Ela se virou rapidamente e viu Rosalie caminhando em direção ao grupo, o olhar frio e calculado.

– Dispensados – ordenou Rosalie, olhando para os soldados.

O líder hesitou por um momento, mas logo assentiu.

– Sim, senhora.

Os soldados se afastaram, deixando Rosalie e Renesmee a sós.

– Rose, o que está acontecendo? – perguntou Renesmee, ainda irritada. – Por que você está aqui?

Rosalie cruzou os braços, olhando diretamente nos olhos de Renesmee.

– Se você quiser salvar sua filha, vai fazer exatamente o que eu mandar.

Renesmee franziu o cenho, desconfiada.

– E por que eu confiaria em você? Nosso pai acabou de tentar me prender aqui, e agora você aparece com soluções mágicas?

Rosalie suspirou, aproximando-se.

– Porque eu sei como você se sente, Nessie. Já vi de perto o que acontece quando perdemos quem amamos. Não vou deixar isso acontecer novamente com você.

Renesmee respirou fundo, tentando avaliar a situação.

– Tudo bem. O que você tem em mente?

Rosalie sorriu de leve, mas havia uma sombra de urgência em seu olhar.

– Primeiro, precisamos sair daqui. Sem o conhecimento do nosso pai. Depois, vou te levar para alguém que pode ajudar.


– Alguém? Quem?

Rosalie olhou ao redor para garantir que não estavam sendo ouvidas.

– Não faça perguntas agora. Confie em mim.

Renesmee hesitou por um momento, mas o pensamento de Sarah perdida e sozinha foi suficiente para convencê-la.

– Certo, Rose. Vamos fazer do seu jeito.

Rosalie assentiu, seu rosto sério.

– Ótimo. Vamos sair antes que o presidente descubra.

Sem perder mais tempo, as duas começaram a se mover rapidamente pelos corredores, cada passo aproximando Renesmee de uma chance de encontrar Sarah.