Notas iniciais
Peço desculpas pela falta de atualização nas fics tô com bloqueio mas prometo finalizar as histórias


Antiga Zona Norte — Refúgio Rebelde.


No silêncio pesado da sala improvisada de contenção, apenas o som da respiração de Edward Cullen quebrava a quietude. As paredes eram frias, de concreto descascado. Ele estava sentado em um canto, os punhos marcados pelas algemas que não usava mais, mas cujas marcas ainda eram visíveis. A porta rangeu, e Bella entrou com uma bandeja. Água. Um pouco de pão. Uma maçã.

— Trouxe isso — disse ela, colocando a bandeja sobre a mesa de metal.

Edward a encarou. Estava mais magro, os olhos fundos, mas ainda mantinha aquela intensidade que ela conhecia tão bem. Ele não disse nada. Ela tampouco por um instante. Apenas o encarou. Então, quebrou o silêncio:

— Você destruiu tudo, Edward. — A voz de Bella era firme, amarga, como se cada palavra queimasse em sua garganta. — A família que construímos... as pessoas que confiavam em você... nossos filhos. Você acabou com todos nós por poder?

Edward abaixou a cabeça, a culpa pesando sobre seus ombros.

— Não foi por poder, Bella. Foi por medo. Medo de perder o controle... de perder vocês. E no fim, perdi do mesmo jeito.

Bella deu um passo à frente, as mãos tremendo.

— Você perdeu porque se tornou exatamente o que jurou destruir! — Ela bateu a mão na mesa, a maçã rolou e caiu no chão. — Eu não sei se Renesmee está viva! Não sei se meus netos estão seguros! E você... você simplesmente... sumiu!

Edward levantou o olhar, a voz mais baixa, carregada de emoção:

— Renesmee está viva, Bella. Ela e os netos estão bem. Estão com Jacob.

Bella recuou um passo, surpresa.

— Jacob...? Jacob está vivo?

Edward assentiu lentamente.

— Sim... ele sobreviveu. E está protegendo todos eles. Inclusive Julia... a caçula.

O nome da neta a fez estremecer. Seus olhos se encheram de lágrimas. Mas não permitiu que elas caíssem. Apertou os lábios, furiosa, confusa.

— E por que está me contando isso agora?

— Porque eu estava indo até eles. Para consertar o que puder... para me redimir.

Bella cruzou os braços, controlando o turbilhão dentro de si.

— Você não pode consertar o que destruiu, Edward. Mas talvez... talvez você ainda possa escolher quem deseja ser a partir de agora.

Ele encarou Bella com uma tristeza que não podia ser fingida.

— Você ainda me ama?

Bella hesitou, depois respondeu com sinceridade crua:

— Amo o homem que você era. Mas não sei se ele ainda está aí dentro.

Ela pegou a bandeja caída, virou-se para sair. Antes de cruzar a porta, ouviu a voz de Edward, baixa, mas firme:

— Vou provar que ainda sou aquele homem. Pela Nessie... pelos nossos netos. E por você, Bella.

Ela não respondeu. Mas parou por um segundo antes de sair. O suficiente para Edward saber que, talvez, ainda houvesse uma esperança.


O silêncio na cela era quebrado apenas pelo som da respiração ritmada de Edward. Ele dormia, mas sua expressão era tensa, como se até nos sonhos estivesse sendo perseguido pelos próprios fantasmas. A maçaneta da porta girou com um estalo metálico, e a luz invadiu o pequeno cômodo quando a porta se abriu com um rangido agudo.

— Bom dia, senhor presidente — disse uma voz carregada de ironia.

Edward despertou sobressaltado e, ao focar os olhos, viu Jessica Stanley parada à porta, com os braços cruzados e um sorriso ácido no rosto.

— Jessica...? — ele murmurou, confuso. — Como...?

Ela deu alguns passos, parando à frente dele.

— Surpreso? Pois é, eu também fiquei surpresa quando seus homens apontaram armas pra mim e disseram que era o fim. — Ela arqueou uma sobrancelha. — Mas, como pode ver, não foi.

Edward se levantou devagar, ainda abalado.

— Eu nunca ordenei sua execução. Isso não foi... — ele balançou a cabeça, tentando entender. — Deve ter sido Hargrove... ou alguém abaixo dele.

— Claro — ela rebateu com sarcasmo. — O presidente inocente, de novo. — Se inclinou levemente. — Você sabia muito bem o que estavam fazendo em seu nome. E deixou.

Edward suspirou, derrotado. Jessica virou-se e abriu a porta novamente.

— Venha. Jasper e Emmett querem falar com você.

Sala de reunião improvisada — minutos depois

Jessica empurrou a porta, e Edward entrou, deparando-se com dois homens à mesa. Jasper, com o olhar frio e calculado de sempre. E Emmett — grande, mesmo com o braço ausente, transmitia força e raiva.

— Então... — disse Emmett, sem se levantar — acordou o suficiente pra encarar a verdade?

Edward parou diante deles, o maxilar tenso.

— O que querem de mim?

— O que o mundo quer — respondeu Jasper. — A verdade.

— Verdade? — Edward riu, amargo. — O mundo não se importa com a verdade. Só querem alguém para crucificar.

Emmett se inclinou para frente.

— Vamos te levar de volta a Washington. Você vai dizer ao mundo o que fez. E o que tentou esconder.

— Não vai funcionar — Edward rebateu. — Meu desaparecimento já deve ter sido descoberto. O general Hargrove já deve estar em movimento. Ele não deixará vocês chegarem perto da capital.

Jasper cruzou os braços.

— Não nos subestime, Edward. Você não é mais o homem mais poderoso do mundo.

Edward os encarou por um momento... depois sorriu.

— Vocês acham mesmo que me derrotaram? Que é o fim? — Olhou diretamente para Emmett. — Você falou em verdade... então aqui vai uma: Jacob Black está vivo.

O silêncio que se seguiu foi denso como chumbo.

Jasper e Emmett se entreolharam, surpresos.

— Está mentindo — murmurou Jasper.

— Não estou — Edward disse com serenidade. — Vi imagens de drone. Ele está em La Push. Está com Renesmee. E com os filhos deles.

Emmett ficou em silêncio por alguns segundos, depois se levantou devagar, a expressão endurecendo ainda mais.

— Mudança de planos.

Jasper assentiu.

— Se Jacob está vivo... então com certeza vai querer estar presente quando tudo isso vier à tona.

Edward virou o rosto devagar, encarando Jasper com uma mistura de espanto e dúvida.

— Jacob? Envolver Jacob nisso é suicídio. Ele... ele está com minha filha, com meus netos! Isso não é uma missão militar, é uma zona de guerra.

Emmett bateu com o punho na mesa, firme, o som ecoando pelo cômodo.

— Ele já está envolvido, Edward. Estava envolvido desde que você destruiu tudo. Desde que começou essa loucura. — Seus olhos escureceram. — Jacob perdeu o pai, o lar, foi dado como morto... e mesmo assim está lá. Sobrevivendo. Protegendo a sua filha melhor do que você jamais fez.

Edward cerrou os dentes. O golpe doía. Mas era verdade.

Jessica, encostada à porta, ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços.

— Já está tudo pronto. Os veículos, os suprimentos, o plano de rota. Partimos hoje.

— Hoje?! — Edward recuou um passo, a voz carregada de incredulidade. — Isso é loucura. La Push é um alvo, vocês sabem disso. Se eu estou lá, eles vêm. Eles sempre vêm.

— Ótimo — respondeu Emmett, seco. — Que venham. Estamos cansados de fugir.

Jessica se aproximou, seus olhos afiados presos em Edward.

— Você pode ficar aqui... ou pode encarar as consequências dos seus atos. Dizer ao mundo o que fez. Mas saiba de uma coisa, Edward: o tempo de controlar tudo com ordens frias e decretos acabou. Agora é o tempo da verdade. Com ou sem você.

Edward olhou para os três — Emmett sem um braço, mas de pé como uma montanha, Jasper com seus olhos cortantes de estrategista, e Jessica, marcada, mas viva e implacável. Todos haviam sido vítimas dele. E todos estavam ali. Juntos.

Por fim, suspirou, derrotado e tenso.

— Então vamos a La Push.

Jessica assentiu. Jasper pegou o rádio e começou a dar as ordens.

Do lado de fora, os veículos já estavam prontos. A fumaça dos motores se erguiam contra o céu cinzento da zona norte. Um novo capítulo estava prestes a começar — e dessa vez, a verdade viria com força.