Invasão de Privacidade
12 Settle accounts with past – part I
Notas iniciais
“Penso no que faço, no que fiz e no que vou fazer;
Hoje o seu retrato só me mostra o que eu quero esquecer;
Quando o sol se for,meu amor vou onde você for
Quando o sol se for a luz indicará você pra mim…”
Quando O Sol Se For
Detonautas
Wall Market (Domingo, 29/10 – 13:45 p.m)
Felicity
Puta merda! Só pode ser piada. E de mau gosto. Destino, dá pra parar de brincar comigo!?....é tudo que consigo pensar naquele exato momento vendo minha mãe frente a frente com Tommy, o encontro que tanto quis evitar se materializando bem diante de meus olhos. E apenas algumas horas após ter pedido, não, exigido que ele tivesse cuidado para não dar de cara com ela nas dependências do condomínio...
—Como vai Donna?...Felicity — o cumprimento tem o poder de me fazer sair da letargia.
—É senhora Smoak pra você – mamãe o corrige aumentando o mal-estar.
—Mãe, por favor, não vá fazer uma cena – peço, olhando Tommy aflita....O que raios esse homem está fazendo em um supermercado a essa hora e porque, por tudo que é sagrado, com tanto lugar na cidade tinha que vir justamente neste?? , reflito, o riso torcido na boca de dele fazendo-me perceber que o questionamento não ficara apenas em minha mente – Eu falei isto em voa alta não falei? – interrogo, ele e minha mãe confirmando com um aceno – Merda! – xingo, olhando de lado, um calafrio percorrendo minha espinha ao visualizar Caitlin no setor de frios, distraída – Tá de brincadeira!?! – espanto-me, voltando o rosto rapidamente em direção a Tommy, um gemido escapando de minha boca.
— Corrija-me se estiver errada: não me parece surpresa em encontrar esse cafajeste! – mamãe exclama, cruzando os braços da forma que faz quando quer briga, olhando de mim para ele alternadamente.
—Aqui? A esta hora? Numa tarde de domingo? Acaso não escutou meu pensamento? – interrogo, sacudindo as mãos, não a deixando falar – Esqueça – digo.
— Esquecer o que? – questiona, a mudança na postura de Tommy denunciando o que mais temia: Caitlin estava se aproximando.
— Tudo mãe. O passado, o de que viemos comprar. Esqueça — reitero entrelaçando meu braço ao seu – Vamos embora. De repente perdi o apetite – digo, arrastando-a corredor afora, obrigando Tommy encolher-se no canto junto a prateleira ao passarmos por ele.
— Felicity, eu não vou deixar de comer por causa desse traste! – xinga, tentando liberta-se.
— E não vai mãe. Apenas iremos a outro lugar, aqui perto. Lá é até melhor. Certeza encontrarmos o que procura. Aliás, se não tivesse sido tão estúpida teria ido diretamente pra lá e evitado essa catástrofe! – bufo, continuando arrastá-la sem dó – Merda, merda, merda!! – xingo repetidamente não dando importância aos olhares de estranhamento – O que foi? Por acaso nunca viu uma mulher com TPM antes? – pergunto a uma loira que me olha mais acintosamente.
—Felicity Megan Smoak, faça o enorme favor de parar de me arrastar como uma mala vela por ai! – mamãe ordena, puxando o braço com força, o solavanco fazendo-a chocar-se com uma prateleira derrubando algumas coisas (nada quebrável, graças a Deus!) – Não darei mais um passo enquanto não esclarecer sua atitude – afirma, batendo o pé e bufo, fechando os olhos, apertando minha ponte nasal com tanta força que certamente iria deixar uma marca, imaginando mil e um maneiras de assassinar meu ex/melhor amigo de meu futuro marido com requintes de crueldade!
— O que está acontecendo aqui? – a voz de Oliver chega a meus ouvidos fazendo-me abrir os olhos, voltando-me para ele – Felicity???- interroga, olhando de mim para mamãe e depois o funcionário que recolhia as coisas que derrubáramos.
— Sabe aquela catástrofe anunciada a qual buscávamos maneiras de evitar? Não precisamos mais nos preocupar com isto! – digo, a confusão inicial dando lugar a incredulidade em seu rosto – Não pergunte nada. Apenas me ajude a sair daqui antes que mais alguma coisa saia dessas prateleiras e garanto que desta vez não irão parar no chão, mas no peito de certo idiota e não será minha mãe a fazê-lo! – ameaço de fôlego só, retomando a caminhada rumo a saída sem esperar os dois, xingando Thomas, a vida, o universo por essa droga de conspiração que pôs os dois frente a frente antes que tivesse a chance de explicar tudo a minha e mãe e quase fez com que descobrisse que Thomas estava namorando minha prima, sobrinha dela – Ok, já pode parar de rir destino porque não teve graça nenhuma! – resmungo, atravessando as portas automáticas, seguindo a passos largos, parando apenas quando alcanço o carro de Oliver, sentindo meu coração quase sair pela garganta.
Sento sobre o meio fio defronte respirando profunda e lentamente, erguendo os olhos ao vê-los aproximarem-se, Oliver ligeiramente à frente. Sem dizer nada, ele destrava o veiculo, abre a porta do passageiro para mamãe, estendendo-me a mão em seguida, fazendo-me levantar, me envolvendo em seus braços carinhosamente.
— Tudo bem Sweet, estou aqui com você – sussurra carinhosamente afagando meu cabelo e preciso me esforçar muito para não chorar.
Aninho-me a seu corpo apoiando a cabeça em seu peito, suspirando.
— Por que não te conheci antes dele? Por que tinha que me envolver tão cegamente e justamente com ele? – questiono baixinho, uma lagrima teimosa indo morrer no tecido de algodão de sua camisa – Seria tão mais simples se tivesse ido a Vegas com Thomas como ele queria, ao invés de partir em outra missão maluca! – resmungo no mesmo tom, fungando feito criança, sentindo o vibrar de sua pele sob o tecido quando ri – Não ria Oliver. É sério. Minha mãe ainda odeia Tommy e quando souber que é seu amigo e namora minha prima vai querer esganar nós três – afirmo, erguendo o rosto para ver o seu.
— Eu sei que é Sweet, mas não posso deixar de ver certa graça na ironia da situação – justifica-se – Quanto ao resto...- faz uma pausa, olhando algum ponto por cima de minha cabeça, baixando os olhos para olhar dentro dos meus –Vamos pôr tudo em pratos limpos assim que seu padrasto chegar mesmo que isto signifique sua mãe mudar o alvo de sua ira – diz, segurando meu rosto entre suas mãos – Vai ser melhor para todos nós, acredite – assegura, beijando-me demoradamente, cessando apenas quando escutamos o som de metal sendo martelado por unhas.
— Será que podemos ir ao tal outro mercado sobre o qual falou lá dentro Felicity? Ou inventou para me afastar daquele sujeitinho descarado? – inquire e armo as mãos como se fosse esganá-la, Oliver segurando-as, beijando-as antes de falar.
— Acalme-se amor. Em breve resolveremos essa situação – garante, falando propositadamente alto – Em qual mercado quer ir? – pergunta, me conduzindo ao lado do carona, abrindo a porta da frente.
— O Romman’s, aqui perto – digo, sentando e pondo o cinto de segurança, seguindo-o com o olhar enquanto dá a volta a frente do carro, parando no lado do motorista, demorando alguns segundos antes de abrir a porta e entrar, assumindo a direção.
— A qual situação meu futuro genro refere-se? – mamãe quer saber, nossos olhares cruzando-se no retrovisor interno.
— Sobre Thomas e Felicitye não tenho certeza de que irá me querer como genro depois de saber a verdade Donna – responde, sincero, acionando o motor, pondo o carro em movimento.
— Por que diz isso? – pergunta, estreitando os olhos.
— Façamos o seguinte: seu marido deve chegar entre amanhã e depois, correto? – pergunta, olhando-a pelo retrovisor mais uma vez.
— Correto – anui minha mãe.
— Faremos um jantar em meu apartamento, ou no restaurante de um amigo, após haverem se instalado e então esclarecemos todo este mal entendido. Seremos Felicity, eu, você, o juiz, Thomas e uma convidada, uma amiga, para fecharmos a mesa. Daí tudo será posto em pratos limpos. Por hora, lhe farei dois pedidos: não hostilize Tom...Thomas – corrige-se a tempo – Poderá encontrá-lo outras vezes posto que mora em um dos prédios do mesmo condomínio que nós – revela, mamãe soltando um impropério nada digno de uma dama – E que tenha paciência para aguardar o jantar. Quero esclarecer as coisas com todos de uma vez, sem precisar ficar repetindo , pode ser? – pergunta.
— Posso prometer tentar fazer as duas coisas. Não sei se vou conseguir – responde e rolo olhos prevendo um interrogatório completo e minucioso na primeira oportunidade, o pensamento me causando ânsia de vomito, obrigando-me tapar a boca com a mão – Está sentindo-se bem filha? – mamãe quer saber, preocupada.
— Estou. É este abafado que fica depois que chove. Isto é algo ao qual nunca vou me acostumar em Starling – reclamo, o amargor causando arrepios – Mãe, importa-se se não entrar com você no mercado? Minha cabeça está explodindo! Amor, poderia ajudá-la? – peço caprichando no olhar “faz isso por mime serei eternamente grata”.
— Claro – prontifica-se, estacionando – Não vamos demorar – promete, beijando minha testa antes de sair.
— Tudo bem mesmo querida? – mamãe insiste, pondo a mão sobre o mesmo local.
— Para mãe. É só uma enxaqueca. Vai logo, por favor – peço, emburrada.
— Enxaqueca é!?! Sei – diz, cochichando em meu ouvido antes de sair – Quero lembrá-la que da ultima vez sua enxaqueca melhorou...nove meses depois de ter começado! – lembra, saltando do carro, deixando-me pálida e atônita.
— Não é possível! De novo não! – choramingo.
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Estacionamento Wall Market (14:15p.m)
Tommy
Estanco com as sacolas em meus braços junto a porta de saída do mercado, Cait um passo atrás, observando Oliver fechar a porta do passageiro dando a volta, me encarando por breves segundos antes de entrar no carro aonde Felicity e sua mãe já se encontravam, deixando o local logo em seguida.
— Talvez tenha sido melhor assim – ouço Cait dizer – Não me agradava a idéia de ter que me esconder de minha tia. Agora pelo menos poderemos circular livres pelo condomínio...quer dizer, você poderá fazê-lo – corrige-se, retomando a caminhada a meu lado – Deveria ter-me deixado falar com ela lá dentro e acabar com tudo isto de uma vez por todas – comenta.
— Não é tão simples assim meu amor – digo, destravando o carro ao nos aproximarmos – Se mesmo após todos estes anos a raiva de Donna não parece ter diminuído, não quero nem imaginar o que ela irá dizer e fazer quando souber que estou namorando justamente a prima de Felicity – reflito, abrindo a mala para que pudéssemos colocar as compras – Não por mim. Aguento o que ela mandar mesmo porque de certa forma mereço – afirmo, fechando-a após Cait colocar a última sacola – Mas não gostaria de vê-la sendo pressionada ou que discuta com sua tia por minha causa.
—Não acha que deveria ser eu a decidir isto? – questiona, me encarando por sobre o capô – Para seu governo, tenho força de vontade e atitude suficientes para argumentar e me defender de seja lá o que Donna venha a dizer contra nosso namoro e se pensa que irei evitar que nos veja juntos está muito enganado – avisa, entrando no carro.
— Será mesmo? – sussurro para mim mesmo fazendo o mesmo – De qualquer maneira, vou conversar com Ollie sobre ter uma conversa definitiva com minha ex sogra para esclarecer os fatos de uma vez por todas. Tentei fazer isto na época, mas tanto ela quanto o juiz não me deram chance – lembro, dando partida no veículo, franzindo o cenho ao notar a calmaria no banco de trás – Está tudo bem com eles? – preocupo-me ao ver o casal de pugs deitado inerte sobre o banco – Não estão....
— Estão dormindo, não se preocupe – Cait me tranquiliza, estalando os dedos e ao faze-lo ambos erguem as cabeças, atentos – Viu? São assim mesmo, meio preguiçosos. Basta terem um pouco de privacidade e pronto, dormem feito crianças – diz, sorrindo, voltando a ficar séria logo a seguir – Vai procurar Oliver quando chegarmos em casa? – quer saber.
— Vou ligar, é melhor. Não quero causar nenhum novo desconforto ou atrito – afirmo – Além do mais preciso lhe contar o que vimos e ouvimos hoje nos Glades, sobre a atitude da Thea, caso ainda não saiba decidirmos o que fazer. Não vou ficar de braços cruzados assistindo meu pai...nossos pais destruírem um bairro inteiro por ganância – afirmo – Temos que pensar em uma forma de impedi-los ou pelo menos amortizar o estrago...E ainda tem a questão das benditas câmeras! – suspiro, entrando no condomínio.
— É muita coisa ao mesmo tempo para lidarmos – reflete e sorrio – O que foi? Disse algo engraçado? – questiona ela me encarando de cenho franzido, soltando o cinto enquanto estaciono em minha vaga.
— É reconfortante saber que tenho seu apoio pra enfrentar tudo isto – digo, segurando e beijando sua mão, encarando-a com um sorriso bobo – Te amo ainda mais sabia doutora!?
— Desconfiava, mas é muito bom ouvi-lo dizer abertamente – responde, devolvendo o sorriso.
Permanecemos alguns minutos perdidos um no outro, sem nada dizer, o laço invisível que nos unia sendo quebrado por dois sons distintos e simultâneos: o bufar dos cães no banco de trás, que se haviam erguido nas patas traseiras, as dianteiras apoiadas a janela direita, olhando para fora, e o toque de meu celular.
— O que foi amores? – Cait pergunta, voltando-se para olhá-los ao mesmo tempo em que atendo a chamada de Oliver.
— Oi? – interrogo, imitando-a, franzido o cenho ao notar um homem vestindo um uniforme da firma que fazia a limpeza do condomínio passando alguns metros de onde estávamos.
< Precisamos conversar > responde meu amigo < Pode me encontrar amanhã na empresa no primeiro horário? Meu pai não estará lá > — questiona.
— Posso – anuo, ainda observando o sujeito – E tente levar Thea com você. Temos que falar com ela não apenas sobre o projeto dos Glades – peço.
< Ok. Nos vemos amanhã. Boa noite > despede-se e desligo após retribuir.
— Limpeza no domingo? – Cait verbaliza meu questionamento, encarando-me – Estranho – comenta.
— Uhum – anuo, saindo do carro – Fique aqui enquanto verifico – peço, adiantando-me na direção que o homem sumira de nosso raio de visão sem esperar resposta.
— Thomas tenha cuidado -escuto-a pedir e ergo a mão em resposta.
Sigo a passos largo até o local, contornando o veículo alto por detrás do qual sumira, me deparando com uma porta de alumínio. Tento abri-la sem sucesso.
— Algum problema senhor Merlyn? – a voz familiar do sindico faz-me voltar em sua direção.
— Não sei ainda – digo, sincero, encarando-o – Esta porta, para onde leva? – quero saber.
— Trata-se de um túnel, por assim dizer, de ligação entre os três edifícios. Foi construído, acredito, que por um capricho ou momento de insanidade dos irmãos Chase – informa e enrugo o cenho, confuso – Derek e Steve Chase, os idealizadores/proprietários/engenheiros/construtores de nosso condomínio – revela.
— Os conhece? – pergunto, acenando para Cait, que responde, prendendo a guia dos cães a coluna antes de abrir a mala do carro começando a retirar as compras.
— Sim, conheço. Não temos mais a intimidade de antes, mas posso me considerar um amigo ainda. Creio – diz, duvidoso – Depois da tragédia envolvendo a família eles ficaram mais reservados, reclusos até. Fiquei surpreso quando soube desta empreitada – abre os braços indicando a área a nossa volta – Primeiro porque não sabia do interesse dos dois em construção ou mesmo engenharia. Segundo porque fizeram essa beleza e passam tão pouco tempo aqui – lamenta, acompanhando-me quando retorno até Cait – Boa tarde senhorita Snow. Como vai?
— Bem obrigada – Cait responde, parecendo incomodada.
— Que bom – responde ele, olhando dela para mim alternadamente – Estão juntos? – quer saber e franzo o cenho.
— Desculpe, mas não acho que isto seja de sua conta – adianto-me, algo na maneira como olhava para ela irritando-me – Quanto a porta, através dela dá pra ter acesso a todos os prédios?
— Sim. Os prédios e o exterior oeste do condomínio, razão pela qual o utilizo como via de transporte e descarte do lixo sem que seja preciso passar pelas áreas comuns – revela.
— Há uma saída para fora do condomínio por ali? – espanto-me.
— Há – confirma.
— Então se é possível sair sem ser visto, é igualmente possível entrar – Cait conclui — Essa porta é segura? – preocupa-se.
— Total e absolutamente. Apenas eu tenho a chave – assegura, exibindo um chaveiro prateado.
Nossa estou me sentindo extremamente seguro agora! – Então controla quem entra e sai por ali? – questiono – Apenas o senhor? Ninguém tem uma copia da chave, nem mesmo sua esposa? – quero saber.
— Evidente! Não arriscaria a segurança do condomínio e de nossas famílias senhor Merlyn – indigna-se, me olhando de cima para baixo, arrogante – Se me dão licença, estou preparando a minuta para a próxima reunião de condôminos, a segunda para ser honesto – admite – Deveria pensar em participar já que se preocupa tanto com segurança, senhor Merlyn – convida de maneira desdenhosa.
— Ah, irei sim. Iremos, Cait e eu, esteja certo disto– afirmo, envolvendo-a pela cintura.
— Serão muito bem vindos. Com sua licença – pede, girando no próprio eixo, dirigindo-se aos elevadores, os pugs acuando-o quando passa perto deles.
— Também não gosto dele amiguinhos – comento, seguindo-o até que entrasse no elevador.
— Digo o mesmo – ouço Cait dizer e volto o rosto para ela – Esse homem me dá arrepios desde a primeira vez que nos vimos – di, esfregando os braços.
— Não gostei da maneira como te olhou – assumo – Menos ainda de ter querido saber sobre nós – acrescento.
— Ciúmes senhor Merlyn? – questiona, envolvendo meu pescoço.
— Pode ter certeza que sim doutora Snow – respondo, apertando-a — Ele que não se meta a besta com você!
— Thomas, o homem é casado – lembra, rindo divertida ante minha resposta sarcástica.
— Mas não é capado! – exclamo, fazendo-a rir mais abertamente – Me garanto, com certeza. Mas nunca se sabe quem presta ou não e definitivamente a maneira como te olhou mais o fato de nossos amiguinhos ali o terem rechaçado, é um aviso para não menosprezar nosso pequeno ditador – digo, roubando um beijo.
— Certo, ciumento. Agora vamos subir que ainda tenho que ligar para Sara e vê se posso ir buscar meus outros dois bebês – Cait diz, me dando um selinho.
Dividimos as sacolas com as compras (não houve jeito de convencê-la me deixar levar tudo sozinho), fazemos o mesmo com os cães, cada um segura um, e subimos pelo elevador de serviço direto para meu apartamento, onde após organizarmos tudo e prepararmos o jantar, Cait liga para Sara pedindo que trouxesse os gatos e aproveitasse para jantar conosco.
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QC – Escritório Oliver (segunda, 30/10 – 10:36 a.m)
Narrador
Impaciente, Oliver suspira, massageando as têmporas, fechando os olhos ante a teimosia da irmã.
— Thea, vou repetir mais uma vez pra vê se entende: Nada naquele projeto que se refere aos moradores dos Glades irá ser realizado. Isto é um fato, não uma duvida ou suposição. Nem a QC muito menos a Global, pretendem tirar do papel o tal condomínio popular para onde supostamente iriam realocar aqueles que não possuem imóveis próprios e mesmo os que tem seus imóveis não possuem cem por cento de garantia de que irão receber o que lhes foi prometido – Thomas reitera pacientemente.
— Como pode ter certeza disto Tommy? – questiona a jovem, batendo o pé, deixando-os surpresos – Se fosse apenas Malcom envolvido, sem ofensas, eu duvidaria de cara. Não faz o estilo dele se preocupar com os menos favorecidos. Essa parte era sua mãe quem fazia muito bem – relembra, o rapaz entristecendo com a lembrança – Desculpa Tommy, mas é a mais pura verdade. Seu pai não faz o tipo milionário bem feitor – reforça, fazendo aspas no ar – Não quero exaltar os dois aqui, até porque ambos têm defeitos, mas este estilo é mais de meus pais mesmo – diz.
— Thea, não se engane com meia dúzia de boas ações, doações ou discursos bonitos. Nosso pais são tão focados no lado material, lucrativo, quanto Malcom o é – Oliver alerta, erguendo a mão, silenciando o protesto ensaiado pela irmã – Tommy e Caitlin passaram toda a manhã de ontem nos Glades conversando com os moradores. Roy estava com eles e viu e ouviu tudo. Sei que andam se vendo então se não quiser acreditar no que lhe dissemos, fale com ele. Peça que lhe conte o que vê e ouve todos os dias onde mora – sugere.
— Em primeiro lugar, Roy e eu somos apenas bons amigos...agora – diz a garota, mordendo o lábio, insegura – Sabe muito bem que estou interessada no idiota do seu amigo motoqueiro fantasma – ironiza, franzindo a boca – Aliás, por onde ele anda, sabe dizer? Há dias tento falar com aquela criatura e não consigo – reclama.
— Eddie teve que se ausentar da cidade. Está resolvendo algumas questões familiares. Deve voltar por estes dias – Oliver revela, sua atenção sendo chamada por Felicity, que adentra com uma expressão contrafeita – O que houve Sweet? Algum problema? – questiona, estendo-lhe a mão.
— Sim, mas resolvam aqui primeiro. Um problema por vez ou enlouqueço! – afirma a loira, limpando o suor da testa com a mão livre – Está quente aqui. Desligou o ar por acaso? – pergunta, olhando o controle do aparelho sobre a mesa.
— Não...Amor, está se sentindo bem? – questiona o loiro, estreitando os olhos ao encará-la.
— É só um mal-estar passageiro, nada demais – garante ela.
— Pois olhando daqui parece que vai desabar a qualquer momento – Thea comenta, observando-a atentamente – E não estou falando apenas fisicamente – acresce.
— Estou bem Thea, fique tranquila – reitera ela, respirando fundo – Apenas estou tendo que lidar com muitas coisas o mesmo tempo e se vocês – aponta do noivo para Thomas – Conseguem lidar numa boa, não posso dizer o mesmo. Na verdade, gostaria de abrir um buraco e sumir. Ou ir parar em uma realidade alternativa onde meu passado não me perseguisse e condenasse a cada meia hora e não pergunte nada! – pede, erguendo a mão ao ver Thea abrir a boca – Apenas resolvam essa situação aqui de uma vez por todas – pede.
— Não há o que resolver. Apoio o projeto e ponto final – decreta a garota, olhando os irmãos alternadamente – Eu realmente não vejo como a QC e a Global não irão realizar Todo o projeto especialmente após ser aprovado pela prefeitura.
— Estamos te garantindo que não irão fazê-lo Thea – Thomas repete, irritando-se – Droga, não pode deixar-se enganar desta maneira. Não pode ser tão ingênua a ponto de iludir-se com palavras doces. Ou será o aceno de mais um shopping e outro local de futilidades descritas....
— Opa, vê como fala Tommy! Não sou fútil muito menos tola – reage a jovem, levantando-se – Posso não entender de negócios como vocês ou de projetos, mas confio e acredito no que papai me explicou acerca do projeto. Ele não mentiria para mim – afirma.
— Uhum...não mentiria da mesma forma que não mentiu escondendo que não é filha dele e sim de meu pai? – Thomas contesta Felicity intervindo rapidamente.
— A prefeitura! – exclama a loira, estalando a língua – A prefeitura – repete, rolando os olhos ante a expressão confusa dos irmãos – Thea lembrou que o projeto precisa da aprovação da prefeitura, o que evidente irá acontecer já que Malcom, Robert e companhia estão pra lá de interessados em realiza-lo e certamente farão de tudo que estiver ao alcance, o que inclui sorry meninos e menina – pede, antecipadamente – Comprar o voto de algum ou alguns vereadores para ter certeza da aprovação– conclui.
— Disso sabemos Sweet. E daí? Qual sua idéia? – questiona Oliver, um sorriso matreiro iluminando o rosto da loira.
— E se nós... no caso vocês três como parte integrante da diretoria, mais o apoio que conseguirem dentro de ambas as empresas para...
— Felicity, daria para ser concisa, por favor? Quero entender seu raciocínio ainda neste século, se possível – Thomas ironiza.
— Mesmo que tentasse, não conseguiria – devolve a loira, estalando a língua mais uma vez, prosseguindo sem dar-lhe chance rebater – Se vocês conseguirem o apoio necessário dentro e fora das empresas e ainda por cima transformarem o projeto em algo de valor para a cidade, como forma de atrair turistas, ventos, convenções, o que seja! – exclama, sacudindo as mãos – Se fizerem os vereadores, em especial, verem no resort algo lucrativo não apenas a nível pessoal mas....
— A nível municipal – Oliver completa, sorridente – Se os fizermos enxergar o quanto a cidade pode ganhar a nível de divulgação positiva, transformando um bairro marginalizado em setor efetivamente produtivo, que gere ganhos para ambos: setor público e privado, poderemos obrigar QC e Global concretize todo o projeto – conclui.
— Mas para conseguirmos isto precisamos não apenas de apoio. Temos que alterar alguns pontos do projeto – Tommy racionaliza – Tem alguém , um engenheiro de confiança que possa nos ajudar com isto? –pergunta – Porque acho que John e o capitão Lance podem nos ajudar no quesito arrebanhar apoio de vereadores já que lidam diretamente alguns deles – pondera.
— Pode ser – Oliver anui, massageando o queixo, pensativo – Quanto ao engenheiro, um dos que assina o projeto é meu amigo. Confio plenamente nele. Já havia pensado em procurá-lo para saber como se meteu nesta empreitada, agora ganhei mais um motivo para fazê-lo – afirma.
— Me corrijam se estiver errada, e pelo que estão dizendo devo estar, esse projeto já não é de interesse publico? – Thea questiona.
— Não. Ele beneficia apenas o setor privado já que não inclui contratar mão de obra do próprio bairro, como fizemos na Verdant, para trabalhar tanto na construção quanto qualificando e empregando jovens e adultos para trabalharem dentro do resort, o que faria o nível de desemprego e violência no bairro e na cidade como um todo diminuir – informa-a o loiro, encarando a irmã.
— E como estamos em ano eleitoral, todos vão querer ficar bem na fita – Thomas comenta, animado – Pode dar certo. Só precisamos fazer as coisas na surdina, sem que ninguém saiba – diz, fazendo o mesmo que ele.
— O quê? Acham que eu vou dedurar vocês por acaso? – questiona ela, acertando Thomas no ombro com uma revista dobrada quando este abre as mãos sugestivamente – Ok. Se vai fazer os dois cabeças duras e minha futura cunhadinha felizes, vou conversar com Roy. Melhor: irei até lá com ele vê em loco...
— In loco – Felicity a corrige – É in loco que se diz.
— Ou isso – anui a jovem fazendo os três rolarem os olhos – E se, vejam bem, Se ele me provar que o que dizem é verdade, topo ajudar no plano – concorda, arrancando um sorriso de Felicity – Feliz futura cunhada? – indaga.
— Na verdade eu já fui sua cunhada, sem saber por...um curto período ...bem, não tão curto considerando que o divorcio saiu apenas umas semanas atrás – revela a loira, continuando antes que a garota perguntasse algo – O que me leva ao motivo de ter entrado em plena reunião familiar, muito embora já tenha feito e farei novamente parte da família....e tenho certeza que vou surtar nos próximos meses! – exclama ela, sacudindo a cabeça.
— Compreensível – Thomas declara rindo enviesado.
— Não pra mim – Thea diz, olhando-a, confusa.
— Ok...lá vai: Damien chega a Starling nesta madrugada justamente quando você vai estar viajando, portanto você vai ficar em prisão domiciliar até segunda ordem! – determina, apontando de Oliver para Thomas respectivamente.
— Como é? – questionam os irmãos em coro.
— Como assim chega hoje?
— Como assim prisão domiciliar?
— Quem diabos é Damien? –interrogam quase ao mesmo tempo.
— Adiantou a vinda para Starling, desconfio que por sua causa, e por isso vai ficar em casa sim pelo menos até Oliver retornar de Seatle...Meu pai...Esqueci alguma coisa? – Felicity indaga, batendo o dedo contra o queixo.
— Esqueceu: de fazer sentido! Ao menos para mim – Thea protesta – O que raios a chegada de seu pai tem a ver com Tommy? E que porra de história é essa de já ter sido minha cunhada sem saber? – irrita-se a garota, pondo as mãos na cintura – Comecem a explicar essa confusão agora mesmo! – ordena, com o dedo em riste.
— Eles explicam. Tenho que ir a Verdant. O pessoal do concerto está dando trabalho pro Roy – avisa, mostrando a mensagem que acabara de receber do barman.
— Não posso te acompanhar por conta dos preparativos para a vagem, mas se precisar de ajuda, estarei aqui até as quatorze horas – Oliver prontifica-se.
— Ok. Se precisar ligo e Felicity: nem a pau vou deixar de viver por conta de seu paidrasto! – Thomas declara, saindo em esperar resposta.
— Veremos Merlyn, veremos – sibila a loira, voltando-se para o noivo – Posso começar? – pergunta.
— Fique à vontade – Oliver libera, abrindo os braços – Vou agilizar algumas coisas. Estarei bem aqui, caso precise de ajuda – avisa, indo sentar-se atrás de sua mesa.
— Então, qual o babado? – Thea questiona, encarando-a de braços cruzados.
— Senta ai porque a historia é um pouquinho longa – Felicity pede, conduzindo-a ao sofá onde Thomas estava sentado anteriormente, passando a narrar tudo que acontecera quatro anos atrás minuciosamente.
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Seatle (Quinta, 2/11 – 13:15 p.m)
Oliver
— Sweet, fique tranquila. Apesar deste pequeno contratempo estarei em Starling a noite. Apenas não poderei te ajudar nos preparativos para o jantar – asseguro, olhando o pneu baixo com desanimo.
< Quanto a isto estou tranquila. Thea, Sara e Cait estão me ajudando. A propósito, já te falei que contei para Sara e Ray sobre meu passado com Tommy? > Felicity pergunta e rio pelo nariz.
— Já amor, já me falou – lembro, abrindo a mala do carro – Amor, tente relaxar um pouco ok? Posso me atrasar um pouco, porém não vou te deixar sozinha. Só me faz um favor – começo dizer, pegando o estepe.
< Pedir para Tommy e Caitlin virem somente quando estiver aqui? Já pedi! > adianta-se me fazendo rir divertido.
— Essa é minha garota – elogio – Falando neles, como estão as coisas? – quero saber, posicionando o macaco sob o carro, acionando-o (graças a Deus era um destes pneumáticos).
< Thomas está vivo, o que é um milagre considerando que o infeliz fez questão de desafiar a morte nas ultimas vinte e quatro horas > exagera...ou não?
— Sweet, seu padrasto odeia Tommy mais ou menos que sua mãe? Só para me preparar psicologicamente para o que irei enfrentar – pergunto, posicionando a chave de roda.
< Mesmo nível. O problema é que não dá pra comparar Damien e mamãe em nível de força, dá? > questiona, continuando < Outra coisa: ele gostou daqui e provavelmente irão comprar um dos apartamentos vagos na terceira torre o que implica contar aos dois sobre o maluco das câmeras > alerta.
— Como disse em minha sala na segunda, um problema por vez – relembro, retirando a última porca – Sweet, preciso desligar agora. Vou precisar das duas mãos livres para trocar o pneu. Nos vemos em algumas horas.
< Ok. Um beijo > diz, desligando após ter-me despedido.
Guardo o celular no bolso, suspirando, pensando em como iria iniciar a conversa com meus futuros sogros.
— Só espero conseguir chegar com uma pequena folga para respirar, tomar um banho e me preparar para o embate – murmuro, dedicando-me a tarefa de trocar o bendito pneu.
Estava a apenas alguns quarteirões do aeroporto...bem, nem tão perto assim, porém se acelerasse, dentro do limite permitido, conseguiria pegar meu voo sem maiores problemas.
— Finalmente! – exclamo ao apertar a ultima porca, levantando-me – Agora é guardar tudo e seguir para o aeroporto – digo, recolhendo o macaco após desativa-lo.
Abro a mala, pego o pneu furado e o macaco me voltando a fim de pegar o triangulo a alguns passos de distância. Caminho até ele e quando me volto sou pego de surpresa pela pequena figura parada na calçada me observando atentamente.
— Olá – digo, devolvendo o exame – O que faz aqui mocinha? – questiono atirando o triangulo dentro da mala do carro, fechando-a – Onde estão seus pais? – pergunto, olhando em volta.
— Não sei – responde a pequena, abrindo os bracinhos.
— Hum – murmuro, me agachando a sua frente de forma a ficar na altura dela – E onde mora, você sabe? – interrogo xingando mentalmente os pais da garotinha pela distração.
— Lá – volta-se, apontando uma construção alguns metros as suas costas – Com as tias e meus amiguinhos – conta, me encarando novamente, os olhinhos azuis brilhando – Você mora aqui? – pergunta, ajustando a tiara na cabeça posto que ameaçava cair.
— Não. Moro bem longe. Estava apenas passando por aqui – respondo.
— Muito, muito, muito longe ou só muito longe? – quer saber usando seu raciocínio infantil.
— Muito, muito, muito longe boneca – respondo, sorrindo e segurando sua mãozinha – Que tal eu te levar até em casa?
— Não é minha casa. É orfanato – me corrige, apertando e mexendo os lábios lateralmente, o gesto lembrando-me alguém – Você tem filho? Quer ter? – pergunta de repente.
— Ainda não e sim, quero muito ter filhos, mais de um. Se minha esposa quiser – garanto, ficando de pé – E agora, que tal te levar para ...o orfanato? – repito, uma sensação estranha me invadindo.
— Tia Sofia disse pra não falar com estranho....mas, já to falando ne? – pergunta, o dedinho apoiado no queixo, uma ruguinha se formando bem no meio de seus olhos.
— Então vamos corrigir isto agora mesmo. Oliver – me apresento, estendendo-lhe a mão.
— Amy Lee – apresenta-se, apertando minha mão solenemente – Agora já pode me levar pra lá – diz e sorrio novamente, pondo-me de pé.
— Ok. Vamos indo então – digo, travando o carro.
Deixo-me conduzir pela menina calmamente, imaginando o tipo de instituição que permite uma criança tão pequena sair sem ser notada.
Não levamos mais do que dez minutos para alcançar o portão principal (que se encontrava aberto) adentrando o terreno amplo. Seguimos pela passagem estreita ladeada por flores silvestres nos aproximando da construção principal quase no final do terreno, o som de gritos, risos e vozes infantis se fazendo ouvir a medida em que chagamos mais perto da casa.
— É hora da soneca, mas ninguém quer dormir. Ai as tias ficam malucas correndo atrás da gente – Amy conta, rindo travessa.
— Suponho que foi por isto que você resolveu dar uma voltinha não foi mocinha? – indago, subindo os degraus da escada que conduzia a uma ampla varanda.
— Não sou bebê. Não preciso dormir – reclama, estancando quando a porta é aberta de supetão.
— Ai está você pequena pilantrinha! – uma garota pouco mais velha do que Thea aparece, abaixando-se rápido, parecendo ou fingindo não perceber minha presença – Quantas vezes já falei para não sair da área de casa Amy? Coisas ruins podem acontecer quando faz isto. Já pensou se ao invés de mim fosse a senhorita Córdoba que viesse te receber? – questiona, a menina dando de ombros.
— Fugia dela – responde e preciso me esforçar para não rir – Linda, este é o Oliver. Ele quer filhos. Mais de um. Se esposa quiser – declara, a garota erguendo o rosto para mim.
— Uhum. Sei – responde, voltando sua atenção para a pequena novamente – Vê só princesinha, que tal se você entrar por aquela passagem que só nós conhecemos, subir direto para seu quarto e pular na sua cama antes que deem por sua falta? Daqui a pouco subo com uma bandeja com biscoito, doce e suco. O que me diz? – negocia.
— Tá. Mas tem que levar doce de leite – condiciona, o dedinho em riste.
— Combinado – anui a garota, unindo seu dedo mindinho ao da garotinha – Vai lá – comanda, erguendo-se.
— Tchau Oliver. Espero que sua esposa aceite muitos filhos – deseja, acenando antes de sair correndo varanda afora, sumindo em questão de segundos.
— Antes de qualquer coisa, quero dizer que isto não é uma rotina – a jovem adianta-se – Temos muito cuidado com todas as crianças, mas deve entender que as vezes é difícil manter tantas sob controle e algumas mais hiperativas...
— Como a Amy – interrompo-a, sério.
— Como a Amy – anui, apertando as mãos – As vezes driblam nossa vigilância. Especialmente quando não querem tirar a soneca d tarde – explica.
— Então deveriam pensar em não as obrigar a fazê-lo – critico – Poderiam realizar atividades onde pudessem gastar energia – sugiro.
— Não dispomos de pessoal suficiente no momento e trata-se de uma norma da casa senhor...
— Queen. Oliver Queen – apresento-me, o alarme de meu celular lembrando que não poderia continuar a perder tempo – Desculpe-me senhorita, mas não posso continuar nossa conversa. Tenho que pegar um avião – justifico-me, lhe dando as costas, parando ao por os pés no primeiro degrau, me voltando para ela – Seria bom providenciarem uma tranca para o portão principal. Uma eletrônica ou com segredo, talvez. Assim evitaria as crianças mais espertas saírem – sugiro, um sorriso iluminando seu rosto.
— Já temos uma tranca assim – avisa, completando – As crianças normais não conseguem abri-la...mas a minha pequena gênio do crime não tem nada de normal!- afirma, ficando séria novamente – Sei o quão perigoso isto é, mas tudo que posso fazer é alerta-la e rezar para que me dê ouvidos. Amy é uma menina muito esperta para a idade dela sabe. E inteligente também. Está adiantada em todas as matérias que ensinamos aqui e por vezes fica entediada – comenta, suspirando – Gostaria de oferecer algo mais a ela, bem, a todas na verdade, mas além de não termos recursos suficientes sou apenas uma funcionária – diz, o som de algo quebrando no interior da casa chamando sua atenção – Oh, céus, melhor ir botar ordem em tudo antes que Miss Taylor chegue ou terei problemas. Muito obrigada por ter trazido minha princesinha de volta – agradece, dando-me as costas, entrando.
Meu primeiro impulso é entrar para ver se poderia ajudar de alguma maneira, no entanto o novo toque do alarme me fazendo desistir.
Desço as escadas apressadamente fazendo o caminho até a saída quase correndo, parando junto ao portão a fim de confirmar que não mentira. Surpreso, noto a fechadura dessas com sequência numérica e instintivamente me volto para a casa no exato momento em que a pequena figura surge em uma das janelas, acenando eufórica, o som de risos chegando a meus ouvidos.
Retribuo, fechando o portão ao sair, pegando, por alguma razão que me é desconhecida, o nome e número do lugar, dando mais uma olhada em direção a casa antes de seguir para o carro e de lá para o aeroporto.
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Apartamento Oliver e Felicity (22:15 p.m)
Narrador
Passava das dez da noite quando Oliver chega a seu apartamento sendo recebido por uma Felicity extremamente estressada.
— Você disse que estaria em casa logo no começo da noite! – protesta a loira falando baixinho em seu ouvido.
— Desculpe amor – pede o loiro, beijando o rosto da noiva carinhosamente – Tommy e Cait? – pergunta, acenando com a cabeça ao ver a futura sogra.
— Estão apenas esperando um sinal para virem – avisa, tensa – Tem certeza de que quer fazer isto? Hoje, quero dizer. Podemos adiar – sugere, afagando o rosto dele, carinhosa.
— Tenho e de hoje não passa. Chega desse jogo de esconde-esconde. Vamos nos casar em breve e pretendo ter meu melhor amigo a meu lado no altar – avisa – Agora, me apresente a seu pai – pede, soltando-se, segurando a mão da noiva com firmeza, conduzindo-a até onde os pais dela estavam – Boa noite e me desculpem o atraso – cumprimenta, desculpando-se.
— Boa noite – Damien Darhk responde, pondo-se de pé – Damien Darhk – apresenta-se formalmente.
— Oliver Queen. É um prazer finalmente conhece-lo senhor – afirma apertando a mão que lhe era estendida.
— Felicity falou que teve um imprevisto – Donna comenta, depositando a bandeja que trazia sobre a mesinha de centro.
— O pneu resolveu furar algumas quadras do aeroporto – comunica – Mas conto tudo depois de um banho e trocar essas roupas suadas. Meu amor, pode fazer aquela ligação agora – pede, dando atenção a noiva – Peça que venham dentro de uns dez minutos.
— Ok — anui a loira, estalando a língua, celular em punho.
— Sirvam-se enquanto me apronto – sugere o empresário, dirigindo-se ao quarto, retornando alguns minutos depois, encontrando a noiva e os pais sentados, conversando surpreendentemente calmos.
— Muito melhor agora! – Felicity elogia, ganhando um beijo rápido.
— Também estou me sentindo assim – anui, o toque da campainha impedindo-o sentar – Nossos convidados chegaram – anuncia, dirigindo-se a porta.
— Finalmente – Damien declara, levantando-se, Donna e Felicity fazendo o mesmo.
— Pai, mãe, por favor, escutem primeiro ok? – pede a loira, não escondendo o nervosismo.
— Não vou sair por ai socando as pessoas filha – Damien afirma, abotoando o terno atento aos movimentos de Oliver, retendo a respiração ao ver Tommy e Cait entrando de mãos dadas.
— Boa noite a todos – Cait cumprimenta, rindo sem vontade.
— Imagino que tenha uma boa explicação para isto, não é mesmo? – Donna inquire, apontando-os.
— Existe. Mas para começar... – Oliver adianta-se, pondo a mão no ombro do amigo – Deixe-me apresentar-lhes meu companheiro de farda e melhor amigo Thomas Merlyn.
— Seu o que?? – Donna interroga, boquiaberta – Então quer dizer...
— Tudo que peço a vocês, meus sogros, é que nos deixem esclarecer todo este mal-entendido de quatro anos atrás – Oliver pede – Depois que nos ouvirem tenho certeza absoluta de que irão, senão perdoa-lo entender as razões que fizeram Tommy partir sem nenhuma explicação – garante.
— Muito bem senhor Queen. Sou todo ouvidos – Damien declara, sentando-se.
Continua...
“...Passo o tempo todo, tudo passa, passa a solução;
Sempre saio à noite e a noite sempre deixa a sensação;
Quando o sol se for meu amor vou onde você for;
Quando o sol se for a luz indicará você pra mim...”

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