Notas iniciais
Oi flores. Retornando para mais um cap. Não vou me estender muito por estar concentrada em finalizar os demais capítulos das outras fics. Quero apenas agradecer a paciência de vocês. Juro que estes atrasos não têm culpa minha! Vamos lá. Por aqui, algumas novidades sobre as investigações, várias revelações, Tommy ciumento e algumas pontas ainda soltas. Grata por todas as rewiews passadas....Espero mais rewiews, pleasee...Boa leitura....Bjinhos flores.

“How can you see into my eyes;

Like an open door?;

Leading you down into my core;

Where I’ve became so numb?;

Whitout a soul;

My spirit’s sleeping somwhere cold;

Until you find it there and lead it back home..”

Bring Me To Life

Evanescence

Proximidades do hospital de Starling(segunda, 4/12 – 14:00 p.m)

Narrador

—Louco não é? – Thea pergunta, encarando Caitlin, que permanecia calada, estática, a sua frente – Muita coisa para processar não? – acresce, roendo a unha a fim de conter a ansiedade, rindo ao ver a médica fazer um gesto com a mão em volta da própria cabeça, respirando profundamente – Tô rindo de nervoso, só para que saiba – justifica-se a jovem, apontando o próprio rosto, sem graça – Pode nos ajudar? – inquire.

—Thea, bem...- titubeia a médica – Eu nem sei o que te dizer – responde, sincera.

—Diga sim! – exclama a garota, sorrindo amarelo.

—Sim o que? – Cait questiona, momentaneamente confusa – Ah, sobre ajudar vocês. Claro! Tenho tanto interesse em saber a verdade quanto você e Oliver – afirma, a garota a sua frente respirando aliviada – Mas veja bem, temos que ser cuidadosos. Lissy sofreu muito no passado com toda situação envolvendo o nascimento precoce da filha e tudo que seguiu-se. Não quero enche-la de esperanças para depois decepciona-la, caso o resultado do exame seja negativo. Nem a Thomas– acresce – Ele não verbaliza, passa a impressão de haver superado o passado, mas a verdade é que ainda sofre muito com tudo que aconteceu e saber que a filha pode estar viva com certeza vai mexer demais com ele – pondera a médica.

—E por essa razão não queremos falar nada aos dois, por enquanto – Thea responde, inquietando-se – Muito embora, particularmente, acho pouquíssimo provável Amy não ser filha deles. São coincidências demais, Cait. Data, lugar, o mesmo nome escolhido por Felicity, os bloqueios, por assim dizer, encontrados sempre que se busca informações sobre ela – enumera a jovem, animando-se – Isto sem contar a aparência física e aquele jeitinho terrivelmente fofo!!! – exclama, apertando as próprias bochechas – Deixa te mostrar – pede, pegando sua bolsa sobre a cadeira.

—Reconheço a validade de tudo que citou Thea, porém não são fatores determinantes para afirmamos sem sombra de duvidas que seja a bebê, a filha que disseram a Lissy haver morrido – argumenta a médica.

—Sabemos Cait, por isso o DNA – Thea anui, abrindo a galeria de vídeos em seu celular – Olha isto e me diz se não dá pra ficar no mínimo balançada – pede, entregando-o a médica, que assiste ao vídeo atentamente, sorrindo de forma carinhosa – Ela é ou não é a coisa mais fofa que já viu? E esse sorriso, não te lembra alguém? E os olhos? O jeitinho meigo e sapeca? Sem contar o quanto é esperta e inteligente! – elogia, suspirando.

—O sorriso, em minha opinião, lembra ambos, Thomas e Lissy e de fato tem uma expressão muito viva e inteligente, o que a torna ainda mais parecida com Felicity quando tinha a mesma idade – concorda Cait, devolvendo-lhe o aparelho– Mas, como já disse não é fator determinante e como médica devo me ater aos fatos concretos, ou seja, o resultado dos exames que faremos – informa, olhando o relógio em seu pulso.

—Sei disso também Cait e não posso dizer sobre Felicity mas posso te afirmar que a Amy é uma miniatura do Tommy, só que de saias! – brinca, ambas rindo – Eu sei que posso estar enganada, este exame pode dizer que ela não é minha sobrinha, mas enquanto isso vou me permitir sonhar porque já me sinto tia dela independente do resultado. Honestamente, não sei se conseguirei me afastar. Estou sofrendo antecipadamente só em pensar de um resultado negativo – confessa, suspirando mais uma vez.

—Mas deve preparar-se assim mesmo – aconselha, olhando o relógio novamente – Meu tempo de almoço está acabando. Você e Oliver já pensaram aonde e como irão fazer os exames? Posso pensar numa maneira de coletar o material necessário de Thomas e pegar o de Lissy amanhã, quando vier coletar sangue para os exames extras que Megan pediu, mas ainda há a questão do material da garotinha e qual laboratório usarão. Somente depois destas informações poderei ajudar melhor – informa, tomando o ultimo gole do suco que pedira.

—Na verdade...- Thea começa a dizer, cuidadosa – Pensamos se seria possível realizar os exames no hospital – revela, prosseguindo antes que Cait pudesse contestar – Por tudo que te contei, Ollie e eu concordamos que não dá pra cofiar em realiza-lo sem uma pessoa acompanhando o processo de perto. Se não puder fazê-lo ferrou porque não temos um plano B – admite, sincera.

—Em segredo, honestamente não sei Thea – Cait avisa, pensativa– É preciso a requisição de um médico para o laboratório do hospital realizar qualquer exame, mas este nem é o problema pois posso fazê-lo. A questão é que terei de especificar e justificar meu pedido bem como identificar as amostras. Não sei se consigo fazer tudo isto sem que Isabel, por exemplo, fique ciente de tal fato – explica.

—Não tem nenhuma alternativa? Realizar os exames numa clínica particular não rola mesmo! – Thea questiona, encarando-a ansiosa.

—Bem, talvez haja uma maneira, mas precisarei contar pelo menos uma parte da história a outra pessoa. Você autoriza? – interroga, encarando a jovem.

—Se você confiar, por mim tudo bem – libera, levantando-se junto com a médica.

—Neste caso venha comigo – Caitlin convida, retornando ao hospital em companhia da garota, as duas seguindo direto para o setor de Patologia aonde a médica apresenta a futura aliada.

—Thea Queen, esta é April Choi, nossa brilhante chefe Patologista e minha amiga pessoal – diz, sorrindo amavelmente.

—Muito prazer – Thea diz, estendendo a mão para a mulher a sua frente.

—Igualmente. O brilhante é exagero de Cait– afirma a mulher, sorrindo, apertando a mão da jovem – Em que posso te ajudar? – pergunta, voltando sua atenção para Cait.

—Não tenho muito tempo por isso vou resumir – Caitlin avisa – Quatro anos atrás minha prima deu à luz uma menina fruto de um relacionamento relâmpago. Cerca de uma hora após o nascimento do bebê, foi informada que ela morrera no entanto temos razões para acreditar que tenha sido enganada– confidencia, a outra abrindo a boca, surpresa – Por uma coincidência do destino, seu atual noivo esbarrou em uma criança com características físicas, entre outras coisas, que pode ser essa filha Lissy julga estar morta – conta, fazendo uma pausa para a Patologista assimilar a informação – Agora vem a parte complicada – alerta, April Choi arqueando a sobrancelha de forma interrogativa.

—Pois é. Complicação é o que não falta neste caso! – Thea comenta, sentando em um dos bancos, suspirando desanimada.

—Estou notando – April diz, voltando sua atenção para Cait novamente – Prossiga– incentiva.

—Precisamos realizar o teste de DNA porém nem Felicity nem o pai da criança podem saber – avisa – Pensei que poderia nos ajudar com isto – conclui, encarando-a esperançosa.

—Na verdade ninguém pode saber nada ainda – Thea a corrige – Pelo menos não até termos as respostas de quem e o porquê do sequestro da bebê, o que inclui, por hora, Isabel Rochev – especifica.

—Deixe-me ver se entendi direito. Vocês querem que eu realize um exame delicado e demorado como este, no laboratório deste hospital, sem a requisição de um médico, sem a devida autorização dos pais e ainda por cima em segredo? – enumera, olhando de uma para outra.

—Basicamente... Sim – Thea declara, o paiger de Caitlin chamando atenção da três.

—Entenderei se não quiser fazer April, há muito em risco incluindo nossos empregos – declara a médica, verificando a mensagem que recebera – Caso não tope, buscaremos outra solução – afirma, tranquila.

—E ficar de fora da diversão? Deve estar brincando! – exclama a Patologista fazendo o rosto de Thea iluminar-se em um sorriso – Traga-me as amostras que pensarei numa maneira de realizar o exame em sigilo – garante.

—Thea trouxe amostras da garotinha, mas não sabemos se servirão. Quanto aos pais, irei providenciar a partir de amanhã – Cailtin avisa, seu paiger tocando mais uma vez – Eu preciso mesmo ir. Entregue o que trouxe para que April possa avaliar – pede – Muito obrigada por nos ajudar. Qualquer coisa me liga ok? Até mais – despede-se, saindo apressada.

—O que tem ai senhorita? – interroga a Patologista.

—Coletei vários fios de cabelo porque sei que somente aquelas com bulbo podem servir, correto? – indaga, abrindo a bolsa, retirando um saco plástico lacrado e entregando-o a médica.

—Correto – anui April, olhando as amostras com atenção – Não tenho como te dizer agora se há material suficiente. Vou verificar e aviso se irá precisar coletar novamente. É o tempo necessário para Cait coletar dos pais – avisa, pegando caneta e etiqueta – O normal é colocarmos sobrenomes ou um código de identificação. Como o primeiro não posso fazer e o segundo necessita do código do médico que solicitou, terei que bolar uma maneira de identificar as amostras para que somente eu saiba do que se trata – pondera, pensativa.

—Bring me to life – Thea sugere após alguns segundos – Bring me to life, BMTL na forma abreviada, seguido por um numero ou data. O que acha? – questiona.

—Pode ser – concorda, escrevendo na parte externa do envelope pardo dentro do qual coloca as amostras – BMTL- dec.4 – diz em voz alta, enrugando o cenho – Por que escolheu essa frase? – pergunta, curiosa.

—É uma música do Evanescence, grupo favorito da mãe...provável mãe dela– corrige-se.

—Entendo. Bom, ainda hoje, depois que liberar os exames internos já solicitados, tentarei verificar se o material é valido e pensarei numa maneira de realizar o exame em segredo. Me passa seu número para que possa te manter informada — pede, a garota anotando-o em uma folha de papel – Ok. Por hora é só Thea. Entro em contato em breve – avisa.

—Estarei aguardando. Obrigada April. Muito obrigada mesmo – agradece a jovem, despedindo-se, sacando seu celular enquanto caminha para o estacionamento – Feito Ollie. Falei com Cait e já temos um Patologista de sua confiança nos ajudando. Agora é coletar as amostras de Tommy e Fel e rezar para estramos certos – declara, entusiasmada.

< Bom. Falarei com o juiz amanhã. Hoje, muito provavelmente, não terei tempo por conta da reunião com Roger. Por falar nisso, irá juntar-se a nós? Marcamos na Verdant as dezessete e quinze > questiona o empresário.

—Humm, não sei. Já tinha me comprometido sair com mamãe e Donna. Estou indo ao encontro delas agora – avisa a garota.

< O que vocês vão fazer? > Oliver quer saber, a preocupação transparecendo em sua voz.

—Exatamente o que pensou: compras para meu sobrinho – revela a garota, rindo ao escutar o xingamento do outro lado da linha – Veja pelo lado positivo Ollie: melhor as duas fazendo compras para o neto do que falando mal de Tommy não acha? – questiona, entrando em seu carro.

< Honestamente? Nenhuma das opções! > declara o loiro fazendo-a rir divertido < Ok Thea, por favor, tentem não comprar nada espalhafatoso muito menos exagerem nas compras > implora.

—Posso tentar. Conseguir são outros quinhentos – afirma, atirando sua bolsa sobre o banco traseiro do veículo – Relaxe Oliver, na pior das hipóteses meu sobrinho terá antes mesmo de nascer, vestes suficientes até a adolescência – brinca, ouvindo-o xingar novamente – Não seja tão mal humorado maninho – ralha.

< Difícil, com tudo que anda acontecendo > retruca o empresário.

—Se é pra te deixar feliz, prometo que vou tentar manter as duas sob controle ok? – promete a garota, manobrando o carro – Vou desligar que estou dirigindo. Se conseguir irei a reunião. De qualquer maneira, me liga contando como foi. Até mais maninho – pede, desligando após o irmão tê-lo feito, assobiando feliz em ter conseguido dar o pontapé inicial para solucionar o mistério envolvendo a pequena Amy Lee.

—Ao menos este mistério tem prazo para ser solucionado – comemora, acelerando em direção a mansão de seus pais.

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Verdant (17:10 p.m)

Tommy

—Pode ligar Harper – libero, apoiando meu braço em um dos degraus da escada aonde me encontrava, sorrindo confiante (tá, convencido) quando o jogo de luminárias acende, toda ele, girando em volta de seu próprio eixo como deveria ser – Beleza! – exclamo, feliz, limpando as mãos no molho de trapos que mantinha pendurado perto de mim.

—E não é que concertou mesmo? Parabéns boss – Harper elogia, os aplausos e assobios que ele e Sin emitiam sendo interrompidos pela chegada de alguém.

—Não acredito que vivi para ver Thomas Merlyn de mangas arregaçadas, trabalhando duro como qualquer pobre mortal! – o homem de estatura média usando um terno de corte impecável, cabelo na moda e sorriso cínico, ironiza, batendo palmas lentamente enquanto caminha até onde estou – Eu deveria filmar ou fotografar este fato para a posteridade porque ninguém, absolutamente Ninguém, irá acreditar quando contar – acrescenta, parando alguns passos da escada.

—Sebastian Blood! A que devo a honra em receber a visita do ilustríssimo vereador representante dos Glades na câmara municipal de Starling? – devolvo no mesmo tom, descendo sem pressa.

—Esqueceu de citar que fui o parlamentar mais bem votado de todo o Estado – frisa, seu riso cínico aumentando, desabotoando o terno ao mesmo tempo em que olha ao redor – Uau! Devo reconhecer que Verdant, ao contrário do que esperava...

—Previu – corto-o, postando-me de frente para ele quando chego ao final da escada – Ao contrário do que previu, ou estou enganado? Não foi você, desculpe, o ilustríssimo vereador, que votou contra a abertura da boate e ainda fez loby tentando convencer aqueles que eram favoráveis mudarem o seu e não nos concederem a licença de funcionamento?- interrogo, desdobrando as mangas de minha camisa, rindo junto com ele – O que faz aqui Sebastian? – pergunto, cessando o riso, o encarando sério.

—Seja honesto comigo Merlyn: o que pensaria se os dois playboys mais baderneiros, mulherengos e irresponsáveis da cidade, surgissem, um belo dia em seu gabinete em busca de concessão para abrir um estabelecimento comercial em plena área mais pobre, desprivilegiada e desprotegida da cidade? E que tal estabelecimento tratava-se nada mais, nada menos do que ....- abre os braços abrangendo o salão de Verdant – Uma boate! – exclama, me encarando de sobrancelha arqueada – Me diga: levaria a sério tal proposta ou questionaria em quanto tempo iriam cansar de brincar de empresários trabalhadores deixando centenas de pais de família desempregados da noite para o dia? – discursa e apesar da raiva não consigo reter uma gargalhada.

—Guarde seus discursos inflamados para o palanque Blood. Estamos apenas você, eu e meia dúzia de funcionários que te conhecem muito bem — aconselho, girando o indicador no sentido horário – De novo: que faz aqui? – repito.

—Deveria me tratar um pouquinho melhor Merlyn, já que mais uma vez irá precisar de minha influência, salvo tenha entendido erroneamente, posto que desta feita seus pais não irão intervir em seu favor – comenta – Desculpa, no caso apenas Robert Queen já que seu pai demonstrou claramente compartilhar minha opinião – relembra e respiro fundo, cerrando meus punhos.

—Que quer dizer com isto? – interrogo, estreitando os olhos ao encara-lo, irritado.

—Blood? Que faz aqui? – a voz de Ollie, tão irritada quanto a minha, ressoa pela boate enquanto adentra, Felicity em sua companhia, parando a meu lado.

Antes que ele responda, outra voz ecoa no ambiente.

—Ah, vejo que todos já chegaram. Que bom. Assim não perdemos tempo – Roger Sommers declara, vindo a nosso encontro a passos largos – A propósito, tem um entregador esperando lá fora. Ele chegou junto comigo mas não quis entrar – avisa, pondo seu notebook sobre uma das mesas que ladeiam o salão.

—Deve ser meu almoço. Harper, pode ver pra mim por favor? O pagamento está embaixo do balcão – peço.

—Deixa comigo boss – prontifica-se, indo primeiro ao balcão em seguida a entrada da boate.

—Vou dar uma olhada lá atrás enquanto ele volta – Sin avisa, saindo sem esperar resposta, dirigindo um olhar nada amistoso a Blood, que não lhe passa despercebido.

—Simpática não é?! – ironiza mais uma vez.

—Não respondeu minha pergunta – Ollie reitera, seco.

—Não está claro meu amor? Porque pra mim tá! – Felicity declara, puxando uma das cadeiras de espaldar alto, sentando-se nela, torcendo o nariz quando Blood lhe dedica um sorriso cínico.

—É ele nosso apoio dentro da prefeitura! – Ollie e eu elucidamos ao mesmo tempo – Maravilha! – exclama meu amigo, suspirando fundo enquanto apoia o braço sobre a mesa.

—Melhor notícia da semana – acrescento, cruzando os braços em frente ao peito.

—Antes de se precipitarem, deixem-me adiantar que abracei o projeto antes de saber a quem pertencia – Blood declara, apontando de mim para Oliver – Roger e eu nos conhecemos desde sempre. Sei de sua capacidade e por isso fiquei entusiasmado quando contou-me sobre este projeto...e continuo apesar de serem os idealizadores – afirma fazendo meu amigo e eu trocarmos um olhar confuso antes de nos voltarmos para Roger.

—Me diz que contou Tudo a ele antes de pedir ajuda, por favor! — Felicity verbaliza nossa dúvida.

—Contei... quase tudo – Sommers diz, sem erguer o rosto, os olhos grudados na tela do computador a sua frente.

—O que há para eu saber? – Blood antecipa-se, encarando o arquiteto amigo de Oliver, que respira fundo, erguendo o rosto para nós, finalmente.

—Sebastian, o projeto original, Meu projeto original – corrige-se, apontando a si mesmo – Criei a pedido de Malcom Merlyn, que por sua vez o submeteu a Robert Queen e outros diretores de suas respectivas empresas – explica e vejo, pelo canto do olho, Blood arquear a sobrancelha – Quando da apresentação, notei que haviam alterado diversas coisas sem minha autorização e retirei-me do projeto. Isto a mais ou menos um ano e dois meses atrás – especifica – Quatro dias atrás, Oliver, que também é meu amigo há alguns anos, ligou perguntando qual minha participação no projeto atual e contei-lhe o que acabei de falar-lhes. Marcamos em um restaurante, ele, o senhor Merlyn aqui e a senhorita Queen me explicaram o que pretendiam e como pretendiam resolvi me engajar na causa ate porque o que eles querem é exatamente o quero desde o começo – declara, olhando-nos uma a um.

—Instalei um palanque na Verdant sem me aperceber? Todo mundo cismou de fazer discursos inflamados ! – resmungo, recostando-me ao balcão.

—Quem tá discursando aqui?! Apenas expus meu ponto de vista ante sua animosidade meu caro Merlyn – Blood retruca, a chegada de Roy seguido por Caitlin impedindo a resposta malcriada que preparava.

—Seu almoço boss – anuncia – E a doutora chegou – avisa o óbvio.

—Sério? Se não falasse nem notaria! – ironizo vendo Cait enrugar o cenho parando a minha frente.

—Que mal humor é esse? – pergunta, me dando um selinho.

—Arriscaria dizer que um dos motivos é este aqui – Roy ergue a sacola de papel contendo minha refeição – Outro...- indica Blood com um gesto silencioso de cabeça – E o terceiro vocês descobrem porque não tô a fim de perder meu emprego , portanto, tá aqui seu quase jantar – diz, depositando a sacola sobre a mesa – Saída estratégica pela esquerda! – brinca – Vou recolher a escada e organizar a limpeza para fechar...despois que terminarem – avisa, tocando a lateral da fronte com dois dedos antes de sair.

—Passou o dia inteiro aqui sem alimentar-se meu amor? – Cait interroga, me olhando feio.

—Queria resolver tudo antes de vocês chegarem e Harper exagerou – contradigo-o – Veio buscar as chaves? – pergunto, ela confirmando com um aceno – Vou pegar – aviso.

—Uhum . Oi Lissy, como está? – ouço-a perguntar.

—Enjoada, enjoada e enjoada! – Felicity responde.

—Daqui um tempo melhora – Cait garante e mesmo sem ver sei que deve estar sorrindo daquele jeitinho meigo que amo – Oliver – cumprimenta.

—Olá Cait, tudo bem? – Ollie responde no instante em que retornava e tenho a impressão de ver uma troca de olhares entre os dois – Não vai ficar conosco? – meu amigo pergunta quando ver-me entregar as chaves da clinica que foi de minha mãe.

—Não, mas preciso fazer uma pergunta: o que pretendem fazer com o prédio onde funcionava a clínica que sua mãe? – pergunta, me encarando ansiosa.

—Não há nada planejado para este espaço. Apenas foi preservado. Todo o terreno foi, na verdade – Sommers adianta-se.

—Não pensei a respeito ainda – assumo, encarando-a – Não perguntei na hora, mas para que as chaves? – questiono, ela dando um suspiro curto antes de responder.

—A administração do hospital quer abrir uma clínica-escola tanto para atender a população mais carente quanto para oferecer mais vagas de estágio e aprendizado para os futuros médicos de Starling. Sugeri reaproveitarmos as instalações e estou indo, juntamente com o empreiteiro indicado pelo administrador e mais alguns colegas avaliar in loco as condições para que possa fornecer o orçamento a direção – explica de só folego – Falando nisso, está em seu nome não é? – pergunta sem esperar resposta – Vá pensando em um valor para o aluguel. Me avisa quando estiver saindo para irmos juntos? Vim de carona – pede, sorrindo-me.

—Uau! Quando crescer quero ser igual você! — Felicity exclama, batendo palmas entusiasmada – Que excelente ideia Cait. Além de servi aos moradores dos Glades, ainda dá para prestar auxílio ao Bolsão e arredores – vibra e franzo o cenho.

—Bolsão é como chamam uma espécie de acampamento de jovens em situação de risco, por assim dizer – Ollie explica, me causando surpresa – Estivemos lá uma vez, meses atrás, quando ajudamos Roy a procurar pela Sin. Estava bem no começo. Cresceu a olhos vistos e seria atingido pelo projeto antigo, o que me deu mais um motivo para derrubar as pretensões de nossos pais – lembra.

—Sou a única que não conhecia o tal Bolsão? – Cait questiona, dando atenção a seu celular, que começara a tocar – Preciso ir. Me liga? – repete.

—Ligo – anuo, lhe dando um selinho, sorrindo feito bobo enquanto a sigo com o olhar.

—Definitivamente eu tinha que estar filmando esse encontro! É surpresa atrás de surpresa – o comentário de Blood me puxa de volta e olho-o, irritado – Thomas Merlyn e Oliver Queen levando a sério o trabalho, dando duro como qualquer mortal e ambos claramente apaixonados por mulheres bonitas, sofisticas, inteligentes, que não são socialites ou dondocas mimadas...Estou emocionado! Como disse ao chegar: não pensei que viveria para ver este dia! – reitera.

—Roger, porque não mostra as alterações que fez enquanto Tommy aproveita a refeição que pediu? – Felicity intervém rápido ao notar que pretendíamos revidar , trazendo a sacola de papel para junto de mim, abrindo-a, o cheiro rescindindo pelo ambiente – Conseguiu fazer tudo que pediram? – questiona, tomando a liberdade de por as embalagens sobre a mesa.

Confesso: estava faminto! Desde o café da manhã (que tomei sozinho pois Cait já havia saído), a única coisa que comera foi metade do sanduíche que Sin trouxera para si e uma cerveja. Havia bem mais coisas para resolver na Verdant, tanto no que dizia respeito a estrutura física quanto a legal (essa parte passei para Oliver conforme pedira-me). As horas foram passando e somente quando recebi a mensagem de Cait me dei conta mas não pude parar. Ordenei a comida e até já havia esquecido quando o entregador finalmente chegou.

—Tommy, está aqui! – o estalar de dedos faz-me piscar, voltando minha atenção para Felicity, que me encarava – Podemos começar a reunião ou prefere comer antes? – questiona e noto que todos estavam calados – Pedi para aguardarem sua resposta – esclarece a loira.

—Pode falar Sommers – libero, pegando uma das embalagens com salada.

—Ok então. Pra começar, quero pedir desculpas a Sebastian e a vocês. Não sabia que haviam tido problemas no passado – pede, sem graça.

—No passado, disse-o bem meu amigo. O bem estar dos moradores dos Glades vem em primeiro lugar, correto Queen? – Blood pergunta.

—Certamente – Ollie anui, ambos rolamos os olhos.

—Muito bem. Baseado no que....- Roger recomeça, o celular de Oliver o interrompendo.

—Desculpem – pede meu amigo, dando atenção ao aparelho, franzindo o cenho enquanto lê a mensagem que recebera, respondendo rapidamente, guardando-o ao terminar – Temos outra reunião depois desta. Ray e os outros. Pedi que viessem para cá – avisa e suspiro.

—Pense pelo lado bom: quando terminar iremos para casa relaxar... Ou tentar – Felicity pondera, dirigindo um olhar pidão a meus rolinhos primavera — Posso?

—A vontade – libero, dando atenção a Sommers – Você também – digo, ele sorrindo divertido antes de voltar a falar.

Na hora e meia seguinte, o arquiteto amigo de Oliver e Blood nos esclarece acerca de todas as alterações que havia feito a nosso pedido, respondendo um ou outro questionamento levantado por algum de nós inclusive de Roy e Sin, que tinham se juntado a nós.

Ao final da explanação, bem no momento em que Jay, Mouse, Ray e Sara chegavam, Blood reforça seu apoio integral ao projeto do jeito que estava, assegura que irá lutar por votos e pede-nos autorização para já na semana seguinte, quando teria sessão, para apresenta-lo ante seus colegas. Liberamos, desde que Sommers pudesse estar presente para assegurar-se que faria o prometido.

—Sem problemas. Até melhor pois irá tirar as duvidas que surgirem. Vamos dar o pontapé inicial antes que Malcom, Robert e seus associados se deem conta do que aconteceu – comenta, um brilho que conheço bem nos olhos – Dou notícias. Boa noite a todos. Carona Roger? – convida.

—Quero. Até mais ver e podem ficar tranquilos, nada será alterado – garante, seguindo o vereador para fora da boate.

—Assim espero – Ollie sussurra e anuo com um aceno, sacando meu celular, acionando a discagem automática – Oi amor, terminamos aqui. Uma parte ao menos – digo, suspirando — Posso te buscar? Explico no caminho – aviso.

< Ok. Te espero na porta...>

—Não, fique no interior do prédio – peço rápido, cortando-a, a lembrança do que acontecera a minha mãe me vindo a mente – Mesmo que não esteja sozinha, fique no interior, por favor – reitero.

< Se prefere assim. Aguardo aqui dentro > anui, desligando ao mesmo tempo que eu.

—Vou buscar Cait. Se quiserem ir começando – libero, pegando as chaves do carro.

—Se não importam-se prefiro esperar – Mouse diz, ligando seu notebook – Até porque Eddie e a senhorita Queen estão a caminho – avisa.

—Beleza. Volto em cinco minutos – afirmo, saindo rápido.

Em poucos minutos estaciono defronte ao prédio aonde a clinica de minha mãe funcionava.

Desço do automóvel seguindo a passos largos para o local, entrando sem bater.

—Cait? – chamo, a resposta vinda de uma sala a direita.

Dirijo-me até lá ficando surpreso (e um pouco chateado, admito) ao me deparar com Layla, Diggle e Isabel conversando com um homem baixo e atarracado que fazia anotações.

—Oi amor. Já estamos terminando aqui – Cait avisa, envolvendo minha cintura, dando-me um selinho – Temos tempo? – quer saber.

—Temos – limito-me dizer sem tirar os olhos de minha madrasta, que discutia algo com o homem.

—Boa noite pra você também Thomas – escuto a voz grave dizer ao mesmo tempo em que sinto o aperto forte em meu ombro fazendo-me voltar em direção meu comandante e amigo.

—Boa noite Dig. Desculpa a distração – peço, estendo-lhe a mão, sendo surpreendido por um abraço.

—Relaxe Thomas. Isabel está aqui como administradora do hospital. Não leve para o lado pessoal, ok? – sussurra em meu ouvido.

—Uhum – anuo, voltando-me para Layla quando me solta – Layla, que bom te ver – comemoro, dando um beijo em seu rosto.

—Bom te ver também Thomas – retribui, nossa atenção sendo chamada para minha madrasta e o tal homem, que se aproximam.

—Por hoje é isso. Concluímos aqui – declara – Donald irá enviar o orçamento e o encaminharei a diretoria e sócios para que avaliem. Seria bom se tivesse um valor de aluguel para anexar, Thomas. Acredito que Caitlin tenha lhe falado a respeito – comenta, olhando diretamente para mim.

—Muito por alto doutora Merlyn – Cait responde e sinto o estomago embrulhar.

—Ainda não pensei a respeito – assumo, sustentando seu olhar.

—Se conseguir fazer isto hoje, por escrito de preferência, e manda-lo pela doutora Snow amanhã seria excelente – acrescenta, olhando os demais – Acho que já podemos ir – declara.

—Concordo. Minha babá está passando e muito de sua hora – Layla comenta – Até amanhã Caitlin, até qualquer hora Thomas – despede-se, me dando um beijo na bochecha – Não se atreva a discutir com ela! – admoesta baixinho e rio sem vontade – Isabel – dirigi um aceno a minha madrasta, aguardando Dig despedir-se.

—Até qualquer hora casal – brinca, apertando minha mão com força, beijando o rosto de Cait antes de sair junto com a esposa.

—Também vou indo. Pense no que falei Thomas – pede, sinalizando ao homem, que adianta-se para a saída com seu bloco de notas – Doutora Snow, procure-me amanhã assim que chegar ao hospital para apresentarmos a proposta a direção. Sua ideia, nada mais justo que participe – declara.

—Obrigada doutora – Cait agradece.

—Thomas – despede-se com um aceno em minha direção, retirando-se.

—Podemos ir ou precisa fechar algo? – pergunto, seco, antes que Cait diga alguma coisa.

—Podemos – responde após alguns segundos me dirigindo um olhar intrigado antes de pegar sua bolsa, passando por mim. Fecho os olhos sentindo que fiz besteira.

Em silencio, fechamos a porta de entrada indo direto para meu carro, permanecendo assim durante o curto trajeto até Verdant. Ela claramente irritada. Eu temendo dizer mais bobagem. Apenas quando estaciono Cait resolve falar.

—Está chateado comigo por não dizer que Isabel estava conosco na inspeção a clínica? – questiona, me encarando após soltar o cinto de segurança.

—Estou chateado por não ter me dito que estava em envolvida no processo – assumo, sustentando seu olhar – Sabe como me sinto em relação a ela.

—Bem, ela minha chefe direta, me deu total apoio ante o conselho mais cedo e tem se mostrado satisfeita com meu trabalho – enumera, pegando seu celular antes de colocar a bolsa no assoalho a frente de seus pés – E não falei nada porque achei que estava subentendido que faria parte justamente por ser minha chefe – afirma, suspirando – Thomas, não acha que já passou da hora de tentar entender-se com sua madrasta? Já parou para conversar sério com ela? Digo, baixar a guarda e conversar abertamente, falar e ouvir o que ela tem a dizer, entender os motivos das atitudes dela em relação a sua família...a você – sugere e me inquieto – Antes que pense besteira, conversamos sim, ela e eu, longamente após o termino da reunião no hospital. Queria esclarecer-me sobre as fofocas que circulam pelos corredores. Esta ciente de nosso envolvimento e quis evitar mal entendidos – elucida.

—E acreditou nela? – pergunto, reticente.

—Não vejo razão para duvidar – responde – E você? Alguma vez parou para ouvi-la livre de qualquer ideia pré fixada, sem barreiras? – questiona-me de volta, deixando-me mudo – Apenas pense a respeito, ok? – pede, afagando meu rosto, saindo do carro antes de mim.

Suspiro profundamente, seguindo-a, pondo meu braço sobre seus ombros, entrando assim na boate.

—Até que enfim chegaram! – Thea reclama assim que nos vê – Andem, venham jantar porque pelo jeito desses dois melhor estarmos de barriga cheia – convida, indicando a mesa improvisada em meio a pista de danças onde um verdadeiro banquete estava servido.

—Uau! Alguma eliminatória do Materchef por acaso? – brinco, pegando uma garfada generosa do creme a minha frente, Ray e Sara rindo divertidos.

—Ollie me avisou que iriam ter outra reunião e que você não tinha almoçado direito, pensei em trazer uma refeição decente para todos, já que meu amor também teria que vir – Thea tagarela, servindo-me – Além disso precisa estar forte para...

—Acho que Tommy já entendeu – Oliver corta-a, de repente – E todos agradecemos sua gentileza em mais uma vez pensar neste detalhe – diz, Felicity fazendo uma careta engraçada – Não quero demorar muito por aqui. Felicity anda dormindo muito mal e não quero que perca o sono por conta de terminarmos muito tarde – argumenta, enchendo o copo dela com suco.

—Algo me diz que vou perder o sono de qualquer jeito com esta reunião a julgar pelas caras de Jay, Mouse e até do Eddie – Felicity argumenta de volta, apontando-os com o garfo.

—O que houve? – Cait pergunta, sentando-se de frente para a prima, Oliver adiantando-se, servindo-a.

—Já estou com a mão na massa mesmo – justifica ao notar que não gostei.

Ok, pode ser bobagem mas desde que notei a estranha troca de olhares entre os dois fiquei incomodado. Muito. Mais do que gostaria.

—Tudo bem – minto, sentando-me ao lado dela, comendo mais um pouco do que Thea servira-me.

—Sem querer ser chato já sendo, a futura senhora Queen tem razão. Vamos , e nos incluo no pacote, perder o sono – Mouse alerta me deixando tenso.

—Não seria melhor comermos depois, neste caso? – Thea indaga, parando o movimento de servir-se.

—Honestamente? Não fara a menor diferença – Jay garante.

—Então vamos acabar logo com isso. Tive um dia cheio, estressante e quero tentar dormir – resmungo sem esconder meu mau humor crescente.

—Está sentindo-se bem Tommy? – Sara interroga, enrugando o cenho – Juro que nunca te vi tão mal humorado assim em toda minha vida. Pelo menos não que eu lembre – comenta.

—Espero que isto não tenha nada a ver com Blood. Apesar do passado conturbado dele com vocês , sem dúvida ter o apoio do vereador irá fazer toda diferença – Felicity afirma – Supere Tommy – aconselha

—Ou talvez deva-se ao fato de não ter contado que Isabel está envolvida no processo de reabertura da clínica – Cait pondera, estreitando os olhos ao me encarar.

—Ou talvez seja cansaço pelo dia puxado e nada mais. Roy comentou que as coisas por aqui foram mais complicadas do que esperava – Ray argumenta, dando de ombros.

—Ou talvez devam parar de teorizar sobre minha vida e o que penso e começar logo essa bendita reunião que tal!? – retruco, irritado – O que descobriram de tão grave? – interrogo, afastando meu prato para um canto, um silencio incomodo caindo sobre nós durante um tempo indefinido.

—Ok – Jay começa, voltando a tela do notebook para que possamos vê-la – Esta é a família Chase. James e Ruby Chase e seus filhos, Adrian, Jules e os gêmeos Derek e Steve – apresenta, indicando-os na foto exibida na tela.

—Não são idênticos, só para constar – Mouse acresce.

—Notamos – Eddie comenta com certa dose de sarcasmo (pelo visto não era apenas eu a estar tendo um dia difícil!).

—Seguindo – Jay recomeça – Este é John Chase, meio irmão de James. Preciso contextualizar para que entendam: nesta foto está Tudo que restou da família Chase naquela época. A família de Ruby ainda hoje é desconhecida. Ela foi adotada quando bebê e depois que os pais adotivos morreram não deu-se ao trabalho de buscar a de sangue. Tanto os Chase quanto os Morton, família adotiva dela, eram muito ricos, o equivalente aos Queen e Merlyn só que em Gotham. Ao casarem os dois uniram as fortunas tornando-se a terceira maior do país. Os herdeiros, por ordem, Adrian, Jules, os gêmeos e John. Em caso de morte do casal a fortuna seria administrada por Adrian e Jules, igualmente, por serem os mais velhos. Em caso de morte de um, o outro reteria o direito. Os dois morrendo tudo passaria para os gêmeos. Entendido até aqui? – questiona-nos e acenamos afirmativamente – Tudo está registrado e reconhecido em cartório para a segurança dos envolvidos e ai vem o pulo do gato da coisa toda: havia alguma desavença entre Ruby e John que a fez exigir que o marido redigisse clausulas de proteção para os filhos sem que o mesmo soubesse e assim ele fez – prossegue — No caso de os dois morrerem antes que os filhos atingissem a maioridade, a tutela não seria de John e sim de uma pessoa designada por eles cujo nome era mantido em segredo. Essa pessoa deveria manter os herdeiros a par de todas as decisões do conselho que gerenciava o conglomerado aonde os bens da família estavam presos, por assim dizer bem como leva-los as reuniões a fim de prepara-los para, no devido tempo, assumirem o que lhes era de direito. Caso isto não acontecesse, os bens seriam bloqueados até que fosse apurado o que estava acontecendo aos menores. A ideia era de que está clausula funcionasse como uma prova de vida e saúde dada de tempos em tempos ao conselho – compara, fazendo uma pequena pausa — A guarda passaria a parcial ao atingirem dezoito anos, os mais velhos no caso, e cessaria quando atingissem os vinte e um, onde passariam a ter direito amplo a herança. Havia outras clausulas de proteção porem esta era a mais emblemática...e também a que pode ter causado tudo que se seguiu – diz, Mouse assumindo a narrativa.

—Ruby e James morreram em um acidente de carro bastante suspeito, no sul da Itália, quando retornavam, em companhia dos filhos mais velhos, de uma festa para sua propriedade no lugar – revela, mudando da foto para uma paina da web — Jules ficou em coma por três meses antes de morrer. Adrian desapareceu sem deixar vestígios. Os gêmeos não estavam no carro por estarem doentes e terem sidos deixados em caso sob os cuidados da governanta. John havia chego no lugar dois dias antes e prontamente assumiu o controle da situação, encarregando-se de cuidar dos sobrinhos, da liberação e transporte dos corpos e das buscas pelo sobrinho – conta — Após seis meses, Adrian foi declarado oficialmente morto. John, que retornara aos Estados Unidos com os gêmeos, assumiu a guarda após a leitura do testamento...

—Espera, Jay não falou que ele não teria a guarda dos sobrinhos? – Sara contesta, confusa.

—Yep! – Mouse confirma, deixando-nos confusos.

—Acontece que, de alguma forma, John teve aceso ao testamento e conseguiu trocar o nome do tutor para o seu, porém manteve, sabe-se lá por qual motivo, o restante do texto original – Jay informa, prosseguindo – No começo cumpriu à risca tudo que era exigido, mas não demorou muito para o bondoso titio botar as garras de fora – diz, fazendo breve pausa – Jonh Chase demitiu todos os antigos empregados, contratou outros de sua confiança e construiu, em segredo, no subsolo da mansão na qual residia com os sobrinhos, um tipo de calabouço aonde passou a mantê-los prisioneiros, longe de tudo e todos. Sempre que havia necessidade, entendam nas reuniões bimestrais do conselho, saia levando apenas um dos gêmeos. Sempre. O que ficava era mantido acorrentado e amordaçado na escuridão. Ao que o acompanhava dizia que se tentasse pedir socorro o outro morreria pois jamais revelaria a localização do cativeiro – conta.

—Mas você disse...- Thea começa, Mouse a interrompendo.

—Detalhe macabro: ele sedou os sobrinhos para prende-los e sempre que saia vendava-os, portanto os garotos não faziam ideia de que continuavam em casa– revela nos deixando estarrecidos – E isto nem é o pior – alerta – Quando estava em casa, torturava os sobrinhos e não apenas fisicamente. Os psiquiatras que trataram os dois quando foram finalmente resgatados, constataram que ambos sofriam de vários transtornos psicológicos além de depressão, ansiedade e síndrome do pânico em grau elevado. Isto sem contar os danos físicos: Derek o mais velho, ao defender o irmão certa vez, acabou tendo sua coluna fraturada em dois pontos, o que o deixou paraplégico – relata.

—Meu Deus! Isso durou quanto tempo? – Sara se pronuncia, abismada.

—Nove anos – Jay revela, deixando-nos estupefatos– Um mês antes de completarem dezoito, alguma coisa aconteceu – conta — Os empregados chamaram a polícia ao escutarem gritos dentro da propriedade sem identificarem a origem. Os primeiros policiais a chegarem ao local encontraram os irmãos cobertos de sangue junto ao corpo do tio no porão da casa, perto da porta de acesso ao calabouço onde os matinha presos...

—Detalhe sinistro dois: a porta era aberta mediante código o qual apenas John conhecia – Mouse intervém e franzo o cenho — A perícia concluiu que ele fora morto exatamente aonde o encontraram: do lado de fora, o que significa dizer que ou os irmãos conseguiram, de alguma forma, escapar do calabouço ou alguém de fora os ajudou –afirma, mostrando-nos o laudo – A perícia feita na época concluiu que os golpes iniciais foram dados pelas costas. O primeiro acertou a parte interna dos joelhos fazendo-o cair e chocar-se contra a parede. Os demais foram aplicados quando voltou-se para ver o agressor. Há lesões de defesa nos antebraços. Ainda segundo o laudo, a violência dos golpes foi tal que quebrou todos os ossos da face – conta, Felicity, Sara, Cait e Thea, empurrando seus pratos para longe.

—Nosso amigo Bristow não mentiu quando me disse que os conhecia – Jay relembra, abrindo a pasta que segurava – Foram vizinhos até a família viajar para a Itália. Ele os reencontrou dois anos depois de os gêmeos haverem sido resgatados, quando tentavam retornar a convivência social, estudando e interagindo com outras pessoas, sob tratamento e supervisão de um Psicólogo determinado pelo Estado – explica, mostrando-nos mais fotos – Acredito que foi nesta época que começaram a dar sinais de Psicopatia. Há vários registros de agressões e acusações de voyeurismo e stalker contra os dois na direção da escola que cursaram por um ano – comenta fazendo outra pausa rápida – As investigações haviam mostrado que o tio os observava e gravava tudo que acontecia no calabouço. Quando atingiram a maioridade, Derek e Steven solicitaram acesso as provas do caso. Acabaram conseguindo. Tornaram-se reclusos meses após isto, seus nomes surgindo apenas quando do lançamento do condomínio e de forma muito discreta – conclui.

—Acredita que foram eles que mataram Bristow e a tal amante? – Ollie questiona.

—Há grande chance – Jay afirma, Eddie posicionando-se pela primeira vez.

—Há toda chance – Eddie o corrige, massageando o pescoço – E agora, depois do que ouvi, o laudo do legista começa a fazer sentido – prossegue – Os primeiros golpes em ambos, ao contrário do que pensava-se inicialmente, não foram na cintura e sim na parte posterior dos joelhos, o que provavelmente os obrigou a cair sobre os mesmos. Somente então receberam os demais. O intervalo entre uma e outra morte foi confirmado bem como a tortura sofrida pela garota, que ainda não foi identificada. As digitais foram apagadas. Estamos esperando o resultado do DNA – revela.

—E o condomínio aonde moramos foi projetado e pertence a essas criaturas?? – Sara questiona, assustada.

—Pertence mas não foi projetado por eles. Derek e Steven mal terminaram o ensino regular. Tudo que aprenderam após a liberdade foi pela internet. São autodidatas. O engenheiro responsável pelo condomínio não mora nos Estados Unidos. Tentei contato para ver a possibilidade de nos enviar os planos do projeto mas o cara evaporou da face da terra – Jay revela.

—O que sabem sobre os irmãos após a construção do condomínio? – questiono.

—Nada. Nenhuma informação. Eles sequer estiveram presentes na inauguração. Foram representados por um advogado – Jay conta.

— Então a polícia descartou a hipótese de crime passional? – Ray interroga.

—Nops! Só da para descartar quando a senhora Bristow for encontrada, o que está se mostrando uma tarefa mais complicada do que parecia. Carolyne Bristow simplesmente evaporou! – Eddie revela, torcendo o nariz – Nenhum dos cartões de credito dos quais dispõe forma utilizados, nenhuma passagem foi comprada seja de avião ou ônibus, nenhum carro alugado, nada. É como se um buraco houvesse sido aberto e ela entrou nele.

—Buraco negro pelo jeito! – Thea exclama, esfregando os braços – Ai gente, essa história é sinistra demais.

—E o tal advogado? O que representou os irmãos quando da inauguração do condomínio? – quero saber, tomando um gole generoso de cerveja.

—Está a caminho de Starling. Estava em Nova York e prontificou-se prestar esclarecimentos tão logo foi contatado. Deve chegar amanhã à tarde – Eddie avisa.

—Estive pensando, Mouse, pode ver com sua namorada se há a possibilidade de ela convocar uma reunião com os condôminos já que não existe um sub sindico registrado nas atas? – Ollie pergunta.

—O que tem em mente Ollie? – interrogo-o.

—Que está na hora de sabermos se mais alguém além de nós três tem conhecimento das câmeras escondidas – esclarece – Acho que o juiz está certo quando diz que podem haver mais pessoas sendo ameaçadas por este, ou estes, stalker.

—Concordo – anuo – Alias, deveríamos ter feito isto desde o início – digo.

—Sei não tenente, acho que não é uma boa ideia – Mouse declara, “coçando” a barba – Talvez fosse melhor esperar mais um pouco, quem sabe até as investigações mostrarem algo mais concreto. É apenas um pressentimento. De repente o tal advogado traga alguma nova informação – conclui, olhando-nos atentamente.

—Não sei bem porque, mas concordo com a sugestão – Cait diz, me encarando – Meu apartamento já foi invadido uma vez, tenho quase certeza que o seu também, tem os tais sacos que Jay viu sendo levados para fora pelo túnel e agora estas mortes...Talvez seja melhor não pressionar seja lá quem for. Pode ser que não gostemos do resultado – pondera.

—Concordo com Cait – Felicity anui – E proponho não fazermos mais nenhuma reunião nas dependências do condomínio enquanto não soubermos exatamente com quem estamos lidando – propõe.

—Com quem e quantos – Ray acresce – Não acho que o invasor seja o assassino. Podemos estar lidando com mais que dois irmãos perturbados – teoriza.

—Olha, perturbados não sei se são não viu. Acho que são é muito frios e calculistas ou já teriam sido pegos – Sara declara.

—Seja lá o que forem, desta vez mexeram com as pessoas erradas. Desta não irão se dar bem – asseguro, cerrando os punhos.

—Certeza que não! – Ollie ratifica – Se todos estão de acordo, iremos aguarda um pouco então e não faremos mais reuniões lá dentro. Eddie nos manterá informado das investigações pelo lado da policia e os rapazes seguirão extraoficialmente. Vamos esperar para saber o que o advogado tem a dizer e partindo daí, daremos o próximo passo que acham? — pergunta.

—De acordo – anuo, os demais fazendo o mesmo com gestos de cabeça.

—Terminamos? – Thea pergunta de repente.

—Acho que sim Speedy. Por que? — Ollie interroga.

—Porque por hoje já deu de tanta tensão na minha vida! Nem sei se vou conseguir dormir depois de tudo que vi e ouvi – explica.

—Digo o mesmo – Felicity corrobora – Até a fome perdi!

—Opa, isso é grave. Minha lagartinha sem fome? Paramos por hoje! – Ollie decreta, aplicando-lhe um selinho.

—Ok, agora deu. Depois dessa declaração extremamente adocicada, meu colesterol subiu ao nível hard! Vamos embora antes que passe mal! – Thea exclama, levantando-se – Ainda bem que temos uma médica presente! – diz enquanto nos organizamos para sair.

—Vão indo na frente. Preciso pegar uma coisa no escritório – aviso, subindo os degraus de dois em dois.

Pego a pasta que Roy me entregara mais cedo com o levantamento do estoque, apago as luzes, fecho o escritório, desço as escadas notando que o pessoal havia apagado as luzes do salão antes de sairem. Sigo para a saída, aciono o alarme, apago as luzes e saio.

Quando me aproximo dos carros, noto Thea, Oliver e Cait conversando em um canto enquanto Felicity está em companhia de Eddie, Sara e Ray.

A princípio não estranho o fato, porém quando se calam ao notarem minha aproximação, o bichinho da desconfiança me morde outra vez. Mesmo assim, prefiro não dizer nada. Já havia complicado as coisas com Cait demais por um dia. Iria aguardar o desenrolar dos fatos mas estava claro que havia algo acontecendo e os três estavam envolvidos.

Nos despedimos, Thea seguindo com Eddie enquanto nós retornamos ao condomínio.

Continua...

“...Wake me up;

Wake me up inside;

I can’t Wake up;

Wake me up inside;

Save me!

Call my name and save me from the dark;

Wake me up;

Bid my blood to run;

I can’t Wake up;

Before I come undone;

Save me!

Save me from the nothing I’ve become...”

Notas finais
Nos vemos em breve. Bjinhos flores