Invasão de Privacidade
17 Blood! Part. I
Notas iniciais
“Is the way we feel, tonight;
As it it’s all unreal,all right;
My love, won’t you come back to;
Our love, you know I’ll react to;
The blood that moves my body...
Thare’s nowhere to go;
Tonight;
Lend some warmth to our cold;
And lonely lives;
Red stains on “eyes of a blue dog”;
My pains fades as the interiors fog...”
The Blood That Moves The Body
A-Ha
Edifício da Queen Consolidate (Segunda, 4/12 – 10:47 a.m)
Oliver
—Você fez o quê? – questiono, encarando minha irmã, cético.
—Falei para as gêmeas Moeckel que Amy pode ser minha sobrinha. Sorry! – repete, rindo amarelo, supostamente como pedido de desculpas.
Suspiro, sentando pesadamente na ponta de minha mesa no escritório da QC, aonde nos encontrávamos, fechando meus olhos ao mesmo tempo em que massageio as têmporas a fim de aliviar a pressão, muito embora soubesse que de nada adiantaria, as pontadas anunciando a tremenda dor de cabeça que estava por vir.
Depois de um final de semana extremamente cansativo emocionalmente no qual tive que lidar com a ansiedade de minha noiva, as investigações dos assassinatos no condomínio (que estavam atrapalhando nossa rotina), as desconfianças de meu pai depois que Roger me ligara, na sexta a tarde, pedindo uma nova reunião conosco dizendo ter ótimas novidades e por fim com um almoço pra lá de delicado que se revelou uma surpresa e um pesadelo!...
*** Flash Back On ****
—Felicity, sweet, precisa relaxar. Toda essa tensão não vai fazer bem nem a você nem ao bebê – peço ao escutá-la bufar atirando o decimo primeiro cabide sobre nossa cama, ainda sem conseguir escolher o que iria vestir, um grunhido raivoso sendo minha reposta.
Rio discretamente a fim de não irrita-la mais, sacudindo a cabeça negativamente, voltando minha atenção para a tela do computador outra vez, reexaminando as imagens que Roger enviara.
Ele ligara na tarde de ontem, enquanto estava em meu escritório na QC numa reunião com meu pai e outros dois diretores, para minha infelicidade, solicitando uma nova reunião conosco, avisando não apenas já ter feito as alterações que pedíramos, como conseguira um aliado dentro da prefeitura. Quem? Não quis revelar.
Pedi-lhe que me enviasse as plantas alteradas para ir analisando, o que fez mas somente agora, na manhã do sábado, encontrara tempo para analisá-las em segurança. Ou pelo menos tentar já que Felicity acordara pra lá de ansiosa com o bendito almoço de logo mais na mansão de minha família aonde reuniríamos, pela primeira vez, nossos pais.
—Mais que droga! Não tenho nada decente para usar e o que chega perto disso esta apertado por conta da gravidez! Por que raios não te descobri mais cedo sementinha? Assim tinha tempo de me preparar quando começasse a ficar gorda e inchada! – dramatiza, alisando seu abdômen e não consigo conter uma gargalhada, que me custa um casado jeans na cara – Não ria de mim Oliver! – ralha, levando as mãos ao quadril, me encarando furiosa – Não acredito que está rindo da mãe de seu filho!
—Estou rindo de seu surto não de você sweet e saiba que está ainda mais linda – elogio, pondo o notebook de lado, saltando da cama, indo rapidamente até ela – Adoravelmente surtada e linda! – brindo, envolvendo-a pela cintura, beijando seu pescoço, minha barba por fazer provocando-lhe cocegas.
—Sei. Diz isso agora para me fazer ficar quieta e poder continuar fuçando seja lá o que for naquele bendito computador – xinga e rio novamente.
—Eu vivi para ouvir Felicity Megan Smoak xingar um artigo eletrônico – provoco-a, virando-a de frente para mim – Estou analisando as plantas do resort que Roger enviou. Falei pra você que ele tinha me ligado ontem sweet, esqueceu? – interrogo, brincando com uma mecha de seu cabelo displicentemente.
—Pra ser sincera, até este bendito almoço acontecer, sou capaz de esquecer meu nome! – afirma, suspirando – Não sei se foi uma boa ideia concordarmos com esta reunião familiar Oliver. Nossos pais, tudo bem. Acho até que podem se entender. Mas nossas mães ...- morde o lábio inferior, insegura.
—Sweet, também estou tenso e ansioso em por minha mãe e Donna frente a frente – admito, tentando imaginar as duas mulheres conversando. Se é que iriam fazê-lo – Mas não havia como negar. Minha mãe foi incisiva em querer este almoço para aproximar nossas famílias e desfazer, palavras dela, qualquer mal entendido que houvesse entre você e ela. Negar seria o mesmo que declarar guerra – justifico-me.
—Está tentando me acalmar ou fazer com que me atire pela janela e acabe logo com essa tortura de uma vez por todas? – dramatiza novamente e espremo os lábios retendo o riso – Não se atreva a rir, Oliver Jonas Queen! – ordena, erguendo o dedo diante de meu nariz.
—Felicity, apenas tente relaxar, ok? Sei que não é fácil, também estou, como já disse, ansioso, mas de nada adianta sofrer por antecipação – aconselho, esfregando meu nariz no seu num beijo de esquimó – Só relaxe amor. Este almoço é tão somente uma convenção para apresenta-los oficialmente. Nada do que digam ou façam vai nos separar – asseguro, beijando seus lábios, deslizando a boca por sua bochecha até alcançar a orelha, mordendo o lóbulo macio, arrancando-lhe suspiros.
—Se ao menos pudesse contar com Cait, Thea ou mesmo Sara. Mas não. As três bandidas tinham que arranjar compromisso justo neste final de semana! – resmunga, envolvendo meu pescoço com os braços, eliminando o pouco de distancia que havia entre nossos corpos, esfregando-se ao meu.
Imediatamente sinto o efeito de seu gesto aparentemente despretensioso: o sangue em minhas veias esquenta, meu membro começa a latejar e minha respiração se torna mais pesada.
—Porra Felicity! Desse jeito fica difícil me comportar! – reclamo, as recomendações de sua obstetra surgindo em minha mente.
—E pra que vai querer se comportar meu amor?? – sopra, roçando sua perna na minha ao ergue-la, levantando meu short e outra parte de meu corpo, que fica em alerta para ela.
—Dane-se o bom comportamento! – rosno, erguendo-a nos braços, fazendo com que enroscasse as pernas em minha cintura – Você me enlouquece. Sabe disso não sabe? – interrogo enquanto caminho para nossa cama, um murmúrio rouco vindo em resposta – Algo me diz que vamos nos atrasar um pouco – sussurro, empurrando o note para fora do colchão, pondo-a sobre ele.
Fazemos amor sem pressa, nos banhando juntos depois do ato terminado.
Uma hora depois, terminamos de nos arrumar (finalmente consegui fazê-la vestir algo!), seguindo para a casa de meus pais.
Chegamos ao mesmo tempo que os pais dela, o que nos poupou a ansiedade da espera.
Feitas as apresentações, minha mãe nos conduz a área externa junto a piscina onde aguardaríamos a governanta avisar que o almoço seria servido.
Conforme esperávamos, nossos pais se dão muito bem, conversando descontraidamente, como se fossem amigos de longa data. Já entre minha mãe e Donna a coisa não fluiu tão bem logo de cara.
As duas pareciam estar pisando em ovos uma com a outra. Minha mãe limitava-se responder o que lhe era perguntado ao passo que uma Donna surpreendentemente calada se revelara para nós antes e durante o almoço. Depois dele, a coisa muda completamente de figura.
Havíamos saído um segundo, Felicity e eu, para que ela pudesse acalmar os nervos um pouco, e quando adentramos a sala as duas estavam falantes ao passo que meu pai e o juiz Darhk encontravam-se em um canto, olhando-as entre surpresos e assustados.
—O que aconteceu aqui? Perdemos alguma coisa? – interrogo parando ao lado de meu pai, Felicity junto a mim.
—Elas descobriram um assunto em comum – revela, me olhando contrafeito.
—Qual? – Lissy pergunta, seu tom revelando o temor que se confirma na resposta de seu padrasto.
—Thomas Merlyn!
*** Flash Back Off ***
—Oliver, está me ouvindo? – a pergunta seguida pelo cutucão em minhas costelas, tiram-me do devaneio – Evidente que não! Estou aqui, com a consciência pra lá de pesada por ter quebrado minha promessa a você, o que no final das contas não foi tão ruim já que as próprias irmãs disseram que entregar uma criança com pais vivos...
—Supostos pais, Thea – a interrompo, corrigindo-a.
—Que seja! – exclama, sacudindo as mãos para o ar – Erica garantiu e Victoria confirmou, que se Amy fosse adotada sem a devida autorização dos pais, de Ambos – frisa – para que isto acontecesse, poderiam ter sérios problemas com a lei incluindo ai perderem o orfanato. Isto sem falar nos que teriam com os avós dela pois pode estar certo de que tanto Malcom quanto o juiz linha dura iriam cair matando em cima das coitadas mesmo sem elas terem culpa de nadinha de nada! – comenta e tenho que reconhecer a verdade em suas palavras — Sabia que já tentaram, desde que Amy foi parar no orfanato, descobrir algo sobre o nascimento dela e nunca conseguiram? A tia tentou, elas tentaram, mas sempre esbarram em algum entrave burocrático ou algo do gênero e desistiram. Isso não é estranho? Eu achei e Eddie também – tagarela, me deixando zonzo – Enfim Ollie, sei que não queria revelar suas desconfianças agora, mas elas mesmas disseram ter sido melhor assim – conclui, atirando-se sobre a poltrona a suas costas, deixando os braços caírem pesadamente nas laterais de seu corpo, soltando um longo e profundo suspiro.
—Por falar nele, onde está? – inquiro, ela arqueando a sobrancelha – Eddie, onde está? Pensei que viria com você – explico querendo esgana-lo por não ter impedido Thea de falar.
—Foi direto para a delegacia. Quer assumir as investigações no caso das mortes no condomínio o quanto antes e , antes que pense em esganá-lo saiba que tentou me deter e ainda me deu uma bela bronca depois de tudo passado – assegura, lendo meu pensamento – Quer saber? Queria ver se fosse você no meu lugar! – diz, me apontando – Não tem noção da aflição que me deu quando a vi de mãos dadas com aquele homem, sorrindo daquele jeitinho fofo, ainda mais sabendo que geralmente só recebem visitas aos domingos quando é para liberar alguma criança que foi adotada – justifica-se.
—Posso lembra-la de que você mesma contou que Amy havia sido rejeitada, por assim dizer, pela família que pretendia adotá-la? Por acaso viu alguma outra família indo lá, no tempo em que estavam presentes com tal intenção? – lembro vendo-a corar – Mesmo tendo sido algo bom, como disseram e até reconheço que de fato o seja, poderia ter sido feito de outra maneira, em outro momento que não na frente da menina. Já pensou que pode ter criado expectativas no coraçãozinho dela que podem não se concretizar? – questiono-a.
—Não mais do que já tem e sabe disso tão bem quanto eu, ou nunca comentaram, numa das muitas conversas que tiveram via Skype, sobre o quanto espera que os papais a busquem? Alias, como essa ideia surgiu na mente dela? Quem falou que os pais estão vivos e a procuram? Porque foi isto que entendi – questiona, enrugando a testa – E nem é algo tipo seus pais estão vivos mas estão vivos e a sua procura – acresce, fazendo aspas no ar.
—Não sei e admito não ter pensado nisto ainda – confesso, refletindo o que dissera, a mesma dúvida ganhando força em minha mente.
—Pois é. Alguém, em algum momento e longe das irmãs ou de qualquer outra pessoal que trabalha no orfanato, disse isto pra Amy e aposto que ela repete a todos os casais que tentam adotá-la, por isso desistem. Quem quer uma criança cujos pais podem bater à porta a qualquer momento? – sugere, me fazendo pensar mais no caso– É muita maldade, na minha opinião, fazer isso com uma criança. E se seu carro não tivesse quebrado justo naquelas redondezas? E se, por esta incrível coincidência do destino, ela não tivesse te encontrado? Cresceria com essa ideia fixa na cabeça sem nunca ninguém ir busca-la. Por conseguinte não seria adotada e se fosse poderia crescer rebelde, revoltada com os pais de sangue ou com os pais adotivos, ou com os dois, e com o mundo por tabela – tagarela outra vez – Ollie, Amy poderia se tornar uma daquelas adolescentes que se droga ou vira gótica, punk, se envolveria com más companhias....Espera. Isso tá parecendo comigo uns anos atrás! – exclama e simplesmente não consigo não rir – Pare Ollie, não tem graça! – reclama, levantando rápido, me estapeando repetidamente – O importante é que consegui o que queria: estou com a amostra do cabelo de Amy Lee bem aqui – bate na bolsa que trazia pendurada no ombro – Só precisamos coletar de Tommy e Felicity e pedir o exame. Alias, como faremos? Contamos a eles....
—Não – digo rápido, parando de rir – De forma alguma diremos nada a Felicity ou Tommy sem antes termos certeza de algo. Não quero que criem expectativas para que não se decepcionem depois, especialmente ela – cogito, passando a mão na barba.
—E como faremos então? Podemos, você ou eu, pedir esse tipo de exame? Não tem que ser um parente, o pai ou mãe do bebé, digo, criança? – questiona-me.
—Não faço a mínima ideia Thea – assumo – Preciso procurar um advogado de confiança para nos instruir no quê e como fazer – racionalizo, Thea rolando os olhos impaciente.
—Nós precisamos é de ajuda medica – diz, levando as mãos a cintura.
—Isso também, mas temos que ter orientação jurídica, mesmo porque se ela for filha deles teremos que saber o que fazer para podermos traze-la para junto deles – explico, encarando minha irmã.
—Nisso Erica e Victoria irão nos ajudar com certeza – garante, segura – Me preocupa mais essa questão do exame – confidencia me fazendo enrugar o cenho, ela rolando os olhos novamente – Logo se vê que não escutou metade do que disse e ainda deletou o que escutou! Esse almoço te tirou do ´serio mesmo hein?– bufa, apoiando-se em uma perna, tique que faz quando está irritada, prosseguindo antes que pudesse contesta-la – Oliver, ao que tudo indica alguém orquestrou o roubo da Amy da dependências do hospital. Não foi acidente, não foi sequestro, foi roubo. Amy foi roubada! – pontua — Fizeram todos pensarem que estava morta, mantiveram os parentes longe, tiraram-na de lá e pra que? Para dá-la a alguém que depois a abandonou? Não faz sentido! Quer dizer, ter todo este trabalho por nada!? – inquere, abrindo os braços – Tem de concordar que é tudo muito estranho e, honestamente falando, enquanto não soubermos quem e o porquê, não vou confiar em ninguém – decreta.
—Quem é você e o que fez com minha irmãzinha!? – brinco, ficando sério logo a seguir – Está certa. Não podemos confiar em qualquer um tanto para os exames quanto para nos orientar juridicamente até descobrirmos quem foi responsável por esta bagunça e o porquê de tê-lo feito – concordo, pensando se poderia pedir a Mouse ou Jay que investigassem mais este mistério sem sobrecarrega-los. Já estavam ajudando com o stalker e por conseguinte nos assassinatos.
—Acha que seus amigos poderiam ajudar nisso também? – Thea pergunta, lendo meu pensamento de novo.
—Vou falar com eles assim que tiver oportunidade...muito embora ...- reflito um segundo, uma ideia surgindo em minha mente – Sabe, acho que teremos de envolver pelo menos mais duas pessoas nesta história – pondero, ela me olhando atenta – Uma é o juiz Darhk. Ele pode nos dizer se alguém poderia querer fazer mal a Felicity, por alguma razão, na época em que o bebê nasceu – revelo.
—Concordo. E a outra?- quer saber.
—A outra...bem, esta ainda estou indeciso – admito, respirando fundo – Seria ótimo se aceitasse nos ajudar, mas por outro lado temo fazê-la sofrer.
—Tá falando da Caitlin não é? – pergunta e aceno afirmativamente – Entendo sua dúvida – anui, refletindo um segundo – Mas vale a pena tentar, pode nos ajudar na questão dos exames. Deixa que falo com ela e não se preocupe que serei discreta e calma – assegura e rio com o canto da boca – Agora vamos a segunda parte do problema: coletar material de Tommy e Felicity.
—Veja isso com Caitlin. Ela saberá o que e como deve ser feito, inclusive dirá se as amostras que trouxe, da Amy, servirão ou não – aconselho.
—Tem bulbo então serve – assegura e arqueio a sobrancelha – Vi na internet – responde, tranquila – Ou seja, basta um bom e forte puxão de cabelo e pronto! – brinca, e ambos rimos.
—Puxar o cabelo de quem? – a voz de Felicity ecoa pela sala e olho em direção a porta localizada a minha direita – Thea Dearden Queen, estou de mal de você!! – exclama minha noiva, adentrando, pondo a pasta que trazia sobre minha mesa de forma exagerada e ruidosa – Como se atreveu a me largar, sozinha, em meio aos leões? – dramatiza, levando as mãos a cintura de maneira dramática.
—Leoas, quer dizer – Thea corrige-a, bem humorada — Soube que as matriarcas acharam um interesse em comum! – a provoca, rindo da careta melodramática que faz.
—Pois é. Estavam super, hiper, estranhamente bem comportadas, especialmente minha mãe – diz, fazendo nova careta – Até Donna aproveitar um momento em que ficaram relativamente a sós, as duas, e resolver contar a história de minha vida para Moira! – resmunga, fazendo aspas no ar – Daí chegaram ao consenso que xingar Thomas seria um ótimo passatempo.
—Espero que tenham defendido meu irmãozinho querido – Thea indaga, nos olhando atravessado.
—Logico! – me adianto.
—Tanto que acabamos por brigar com as duas – Felicity acresce, emendando rapidamente – Bem, brigar propriamente não. Mas deixamos claro que não íamos aturar ficarem remoendo este assunto infinitamente – conclui, apoiando um braço em meu ombro direito e automaticamente levo uma mão a sua cintura, trazendo-a para junto de mim.
—Muito menos xingando Tommy – acresço — Além de ele não merecer, me faz sentir culpado já que partiu para me salvar – relembro.
—E ainda bem que ele foi ou não teria o amor de minha vida aqui, agora! – Felicity declara, me dando vários beijos rápidos.
—Hã, acho que vou ali na esquina vender umas cocadinhas e já volto! – Thea brinca e rimos – Sério agora, acho que está na hora desse assunto morrer de uma vez por todas. O que passou, passou e pronto! Foco no futuro, em meus...meu, sobrinho e em sermos felizes. Todos nós – discursa.
—Gente, o que aconteceu nessa viagem? De onde saiu tanta maturidade? – Felicity questiona e rio alto.
—Sorte de vocês que amo os dois. Muito. Ou estariam na minha lista negra para sempre e sempre e sempre! – declara minha, supostamente como ameaça – Bom, tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas tenho que ir. Marquei com meu gatinho para ajuda-lo numa bomba, que depois conto a vocês com detalhes – avisa, dando um beijo estalado na bochecha de Felicity e depois na minha – Fiquem bem meus amores e Ollie, quando seu amigo ligar marque em qualquer lugar menos no Bertinelli’s, please. Peguei ranço daquele lugar – pede, já caminhando para a porta – Espero sua ligação. Tchau meus amores – despede-se, atirando-nos beijos antes de sair fechando a porta atrás de si.
—Impressão minha ou ela parece muito feliz?! – Felicity interroga, parando a minha frente, curiosa.
—É o amor sweet! – respondo, capturando sua boca num beijo demorado – Almoça comigo? – convido quando o contato termina.
—Uhum.... desde que seja num lugar calmo e sossegado onde possamos aproveitar a sobremesa com tranquilidade! – condiciona, mordendo o lábio, me dirigindo um olhar lascivo.
—Conheço o local perfeito! – afirmo, levantando, pegando minhas chaves e carteira na gaveta em minha mesa, segurando-a pela mão, conduzindo-a para fora do escritório.
No elevador, após trocarmos mais alguns beijos, nos aquietamos visto que rapidamente estamos cercados por funcionários a caminho do almoço. E neste momento, em silencio a seu lado no fundo do pequeno cubículo, nossas mãos unidas, penso qual será sua reação caso confirmemos que Amy seja a filha que pensara morta, um misto de alegria e angustia oprimindo meu peito.
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Hospital geral de Starling (12:20 p.m)
Caitlin
—Um ultimo assunto a ser discutido para que possamos encerrar a reunião – Doug Stern, representante legal dos sócios proprietários do hospital e administrador juntamente com Isabel Melryn, anuncia fazendo todos permanecerem atentos – Recebi da secretaria de saúde a solicitação de ampliarmos nossos serviços junto as comunidades carentes. Como sabem, recebemos repasse de valores do Município para tal – revela, me deixando surpresa – Normalmente não somos cobrados, porém, como também sabem, as eleições se aproximam e todos querem mostrar serviço, o que trazendo cobranças para algum setor. Este ano o sistema de saúde parece ter sido o escolhido portanto, usando de linguagem clara, estão pegando em nosso pé! – exclama provocando algumas risadas discretas – As doutoras Merlyn e Diggle conversamos diversas vezes acerca de montarmos uma clínica escola em algum bairro carente, mas sempre esbarramos no entrave dos recursos – conta, as duas confirmando com acenos – Quando o secretario me ligou, aproveitei o ensejo para sugerir um aumento dos mesmos e, para minha grata surpresa, recebi um Sim – avisa, eu e todos os presentes aplaudindo – Ainda não comemorem pois, apesar de ser uma quantia generosa, não sei se será suficiente para a construção ou mesmo aluguel de algum imóvel e ainda por cima terei que submeter o que conseguirmos ao conselho financeiro – revela – Entre aluguel ou construção e instalação terei que encaixar os valores dentro do orçamento para este e o próximo ano ou nada feito– completa.
—Estamos abertos a sugestões ou indicações, caso saibam de algum imóvel que possa ser utilizado com certa rapidez e cujo aluguel seja razoável – Layla avisa e imediatamente uma ideia me vem à mente fazendo-me erguer uma mão– Sim doutora Snow!?
—Sei de um imóvel que esta fechado a alguns anos, vai precisar de reparos na estrutura física, de religar água mas em compensação já possui vasto material de uso médico que ainda pode ser útil – enumero notando Isabel Merlyn estreitar os olhos, desconfiada – Talvez alguns de vocês, mais até do que eu mesma, já conheçam o lugar. Fica nos Glades – revelo e imediatamente os olhos da madrasta de Thomas brilham de uma forma inesperada.
—Por acaso estaria se referindo a antiga clínica pertencente a falecida esposa de meu marido, Rebecca Merlyn? – pergunta, me encarando séria.
—Sim – confirmo, sustentando seu olhar – Estive no imóvel algum tempo atrás e pude ver in loco as condições da antiga clínica. Como disse, vai precisar de limpeza, pintura, atualização e modernização de alguns equipamentos mas no geral as instalações estão em bom estado – explico, desviando minha atenção para os demais colegas presentes – Acredito que estaria pronta para uso em pouquíssimo tempo e que talvez não custe caro realizar os reparos – argumento.
—E pela localização geográfica poderíamos atender não apenas aos Glades mas também ao entorno, como o lugar que chamam de Bolsão, um acampamento de jovens que por algum motivo não podem ou não querem voltar para suas casas – Igor Santiago, cirurgião de trauma do hospital, argumenta – Faço visitas regulares lá a fim de prestar alguma assistência – justifica-se antes os olhares que recebe.
—Seria um espaço a mais de aprendizado aos alunos do último ano da faculdade ou antes mesmo, como forma de créditos extras – Samantha Carter, Pediatra, sugere, provocando um burburinho.
—Neste caso seria mais do que apropriado revitaliza-la – Layla se anima.
—Vamos devagar. Precisamos examinar o local antes de tomarmos qualquer decisão – o senhor Stern alerta.
—O que acha de formamos uma pequena comissão para tal? – Isabel sugere – Podemos pedir ao empreiteiro prestador de serviços ao hospital, que faça uma avaliação e por conseguinte um orçamento – prossegue, se voltando para Layla – Além disto, a doutora Diggle e eu podemos ir, juntamente com as doutoras Snow e Carter e o doutor Santiago, até a clinica para vermos as instalações. Assim poderemos avaliar juntos quais serviços será possível oferecer e o que precisaremos para tal – conclui, voltando-se para Stern novamente.
—Seria possível realizarem uma primeira inspeção ainda hoje? – questiona ele, olhando-nos uma a uma.
—Por mim tudo bem – Layla declara, me dirigindo um olhar interrogativo.
—Posso ver se consigo as chaves – digo, evitando citar o nome de Thomas muito embora algo me diga que Isabel já sabia sobre nós. Aliás, quem ainda não sabe??
Fomos vistos juntos diversas vezes em público e mesmo eu tendo evitado demonstrações de carinho, tenho certeza de que as pessoas andavam comentando. Na verdade o fato de não ter lido ou escutado nada a respeito ainda me causa estranheza, admito.
—Deixemos para mais próximo ao final do turno. É mais conveniente para todos nós – Isabel sugere.
—Ir aos Glades a noite? Não sei não. Não me parece uma boa ideia – uma médica baixinha que ainda não conheço diz, sacudindo a cabeça negativamente.
—Já estive diversas vezes lá e nada me aconteceu – contesto, Isabel intervindo mais uma vez, antes que a tal médica rebatesse.
—Se pretendemos reabrir a clínica não podemos temer ir ao bairro em nenhum horário doutora Adams. E pode estar certa de que desde a época em que Rebecca Merlyn foi atacada lá, muita coisa mudou – afirma, segura – Também estive nos Glades após anoitecer, sozinha – frisa evitando novo protesto de Adams – E estou aqui, viva e bem não estou? – interroga, abrindo os braços – Desde que meu enteado e Oliver Queen abriram a Verdant, empregando mão de obra local, os índices de violência por lá também diminuíram consideravelmente, portanto, se os, como alguns dizem, riquinhos e mimados de Starling, com muito mais a perder do que qualquer um de nós, não temem frequentar os Glades após anoitecer, por que justamente aqueles que irão oferecer qualidade de vida devem temer? – questiona, provocando um intenso murmurinho silenciado apenas pela voz de Stern.
—Silencio por favor – pede, batendo na mesa – Doutora Merlyn, está correta em sua maneira de pensar, porém lembro que a falecida Rebecca Merlyn oferecia o mesmo quando foi atacada e ferida mortalmente – relembra, fazendo-me sentir incomodada – Mas, reconheço que a abertura da boate trouxe nova vida e melhorias ao bairro – diz, refletindo alguns segundos – Doutora Snow, veja a questão da chave do lugar. Verei para que empreiteiro as encontre lá por volta das dezessete, pode ser? – pergunta diretamente para Isabel, que acena afirmativamente – Pronto. Assim poderemos ter o orçamento da parte estrutural e da funcional a fim de agilizarmos o processo – declara, voltando-se para Isabel – E poderia ver também com seu marido a questão do aluguel? – interroga, ela acenando afirmativamente – Muito bem. aguardo seu retorno em ambos os casos – avisa, juntando suas pastas — Se não há mais nada a decidir, dou por encerada a reunião. Obrigado a todos e nos vemos em breve – declara, fazendo uma reverencia rápida antes de deixar a sala meio que apressadamente.
—Se quer impressionar seu namorado doutora, sugiro que o faça exclusivamente na cama e não com ideias dantescas que irão expor seus colegas a riscos desnecessários! – Adams praticamente rosna junto a meu ouvido aproveitando-se que os demais se encontravam distraídos – Até parece alguém que não teve coragem de ir direto ao prato principal e preferiu começar pela sobremesa – ironiza, dirigindo um olhar desdenhoso para Isabel – Triste ver mulheres capacitadas se rebaixarem tanto por causa de um homem!
—Em primeiro lugar, não estou me rebaixando. Sugeri algo bastante possível e plausível diante do que foi pedido por um de nossos administradores, que concordou, caso não tenha notado – rebato, encarando a mulher, contendo a vontade de esgana-la – Em segundo lugar, ninguém será obrigado a dar plantão na clínica, partindo do pressuposto de que será aprovada a reabertura da mesma – prossigo, sem me importar se estávamos sendo ouvidas ou não – E finalmente, mas não menos importante ou que seja algo da sua conta, posso lhe assegura que meu namorado está muitíssimo satisfeito na cama. Não preciso impressiona-lo com ações dantescas, como insinuou – asseguro vendo o rosto dela tingir-se de um vermelho intenso ao mesmo tempo em que as mãos se fecham cerrando os punhos com raiva.
—Doutora Adams, um aviso – Isabel chama, num tom elevado que faz todos que ainda estavam no recinto estancarem, prestando atenção nela – Se ouvir ou mesmo desconfiar que a senhora insinuou algo acerca de meu casamento novamente, será demitida – ameaça em alto e bom som, voltando-se para os demais – O aviso vale para todos, de médicos a enfermeiras. Estou cansada de insinuações e maledicências! De agora em diante qualquer comentário, fofoca ou insinuação neste sentido será considerado como um ato de desrespeito e insubordinação passivo de suspenção e demissão. Fui clara? – interroga, um coro de “Sim senhora” ecoando pelo ambiente – Podem ir – libera, frime, segurando meu braço quando passava junto a ela – Um minuto Caitlin. Layla, se puder fique – pede, minha amiga e mentora vindo para mais perto de onde estamos – Quer saber o por quer de eu ter tanto carinho e atenção por Thomas a ponto de fazer pessoas mesquinhas e mal amadas como Adams destilarem veneno por ai? – questiona, direta, me pegando de surpresa.
—Honestamente doutora Merlyn, não me importo com o que dizem. Nunca me importei – confesso, olhando diretamente em seu rosto, a tristeza ali contida me tocando.
—Mas a mim sim – afirma, sentando pesadamente, respirando fundo, levando as mãos ao cabelo e somente então noto que tremia – É irritante ver que as pessoas ainda insistem nessa historia mesmo depois de tantos anos! – esbraveja.
—O que esperava Isabel? – Layla pergunta, entregando-lhe um copo com água – Não quero ser chata, mas disse um milhão de vezes que deveria esclarecer as coisas não disse? Especialmente depois que estes boatos quase destruíram seu casamento e a relação entre Thomas e o pai, se é que existiu alguma algum dia!– inquire e franzo o cenho, confusa.
— Quando fui morar com Malcom, muito tempo após a morte de Rebecca e por insistência dele, tivemos uma discussão feia, Thomas e eu, por conta destes malditos boatos – começa contar, tremendo mais – Meu enteado estava com dezessete anos na época, já tinha uma relação difícil com o pai e minha chegada complicou-a ainda mais, reconheço – diz, suspirando – Chamei atenção de Thomas por quase ter sido expulso do colégio pela terceira vez e ele me atirou na cara que não era sua mãe e o fato de estar transando com o pai não me dava o direito de se meter em sua vida – conta, e abro a boca, surpresa – Até ai levei na boa, por mais que doesse. Nunca quis tomar o lugar de Rebecca na vida dele nem na de Malcom. Ela teve o dela e eu queria o meu. Ponto. Mas quando Thomas repetiu o que andavam dizendo, as mesmas insinuações feitas a pouco pela Adams, perdi a cabeça e o estapeia advertindo-o que não toleraria mais aquele tipo de acusação, o chamei de mimado e prepotente entre outras coisas menos educadas, que jamais perderia meu tempo indo pra cama com um pirralho quando tinha um homem apaixonado por mim...enfim, quis feri-lo da mesma forma que me sentira ferida – confessa – Fui infantil, eu sei, mas na hora da raiva quem consegue raciocinar direito?- indaga, tristonha – O que nenhum de nós notou foi que Malcom havia chegado e escutara justamente a partir da acusação feita por meu enteado e tudo que seguiu-se. Evidente que ficou furioso. Com nós dois – revela, o olhar perdendo-se um segundo – Sai de casa aquela noite decidida a não voltar, mesmo amando Malcom, mas ele conseguiu me fazer mudar de ideia. Desde então minha relação com Thomas só piorou. Por mais que eu tenha me esforçado para provar-lhe que estava enganado, sempre repelia e repele até hoje qualquer tentativa de aproximação que faço. Nem mesmo o tempo em que serviu o fez mudar sua atitude em relação a mim. Somente após o nascimento de Kayla amenizou um pouco – diz, sorrindo carinhosamente ao citar a filha – E deve estar se perguntando por que estiquei a conversa não é? – questiona, me encarando.
—Um pouco – admito, sem graça, vendo-a respirar profundamente antes de voltar a falar.
—Quando travei contato com os Merlyn, Rebecca era uma mulher enferma, desiludida pelos médicos, cujo prognostico se confirmou algum tempo e muito sofrimento depois. Malcom um marido apaixonado e aflito que não estava conseguindo lidar com a iminente perda da esposa e com o filho ao mesmo tempo – relembra, pesarosa — Thomas era um garotinho apavorado com a situação que enfrentava quase que sozinho posto que sua família na cidade resumia-se aos pais e que passava mais tempo na casa do amigo do que na sua própria – enumera – Foi este quadro que encontrei quando fui contratada para cuidar de Rebecca em tempo integral. Era solteira, recém formada em Enfermagem, cheia de ideais e sonhos pessoais e profissionais nos quais, pouco a pouco, na convivência diária, Malcom ia se encaixando por mais que lutasse contra – admite, suspirando – Este foi meu erro: me apeguei aos três. Via em Rebecca a irmã que perdera dias antes de minha formatura e em Thomas o sobrinho que amava e havia tentado cuidar após o fato – revela, impedindo uma lágrima de cair – Não nego que olhava Malcom com outros olhos. Seu amor e dedicação a esposa me comoviam e faziam desejar alguém como ele em minha vida. Dai veio o segundo erro: baixei a guarda e me apaixonei. Pior. Me deixei levar em uma noite na qual ele estava amargurado, cedendo aos impulsos e desejos que nutria, acabando por me deitar com meu patrão – confessa e retenho o ar – No dia seguinte, pedi demissão mas ele não aceitou. Tentei argumentar, não de forma incisiva, assumo, que não poderia permanecer tratando de sua esposa após haver dormido com ele mas nada adiantou e para meu desespero além de ter sido vista por um empregado ao sair de seu quarto, Rebecca piorou, o que fez surgirem boatos de que não estaria cuidando adequadamente dela – para fechando os olhos e apertando as mãos, abrindo-os segundos depois – Nunca fiz nada parecido. Até o ultimo suspiro de Rebecca Merlyn a tratei com a dedicação merecida e após sua morte tentei me afastar mas Malcom desapareceu sem avisar deixando Thomas sozinho. Simplesmente não consegui dar as costas ao garoto. Mesmo não estando a serviço da família e tendo que trabalhar, sempre que podia o buscava em casa para passearmos e conversarmos sobre a mãe e o pai. Obviamente fui mal interpretada. Novos comentários surgiram acusando-me de estar fazendo isto para ganhar pontos com Malcom por isso quando ele retornou me afastei, a princípio, mas novamente me deixei levar pelo que sentia e quando foi a minha procura cedi. Me tornei sua amante – assume – Essa situação durou exatos dez anos depois dos quais fui morar com ele em definitivo, casando quase três anos depois, quando Thomas já era um adolescente nada fácil de lidar – conta, rindo amarga – As brigas e bebedeiras constantes dele me faziam lembrar o sobrinho do qual falei. O via seguindo o mesmo caminho de Arturo, o que me doía profundamente pois sentia que, assim como falhei com meu sobrinho também estava falhando com ele. Cometi mais um erro: passei a vigia-lo e tentar controlar suas amizades e namoricos, especialmente quando percebia o real interesse de algumas garotas em relação a ele. Foi nesta época que Thomas se apaixonou por Laurel Lance e também foi ela que, intencionalmente ou não, acabou por fortalecer as fofocas que se formavam acerca de meu interesse por ele ser no campo sexual ao contar para as amigas que costumava monitorar, termo usado por ela, a vida de Thomas como uma mulher apaixonada faz. Dai pra frente a coisa tomou as proporções de uma bola de neve! – suspira, tomando um gole de água – Tudo que fazia em relação a ele gerava mais e mais comentários. A discussão da qual falei foi a maior e também a última. Passei um mês resistindo as tentativas de meu marido em fazer-me voltar para casa até que finalmente Layla me fez ver que de nada estava adiantando. Só conseguia sofrer e fazer Malcom sofrer comigo. Voltei e o resto é, como direi, lenda. Segui meu casamento sem dar atenção aos boatos, Malcom fez o mesmo e ano passado engravidei sem que tivéssemos planejado. Quanto a Thomas, mantive-me o mais distante possível emitindo opinião apenas para meu marido quando este pedia-me. Tem dado certo posto que tais teorias ressurgem apenas quando ele é visto com uma mesma mulher com frequência – afirma, me dirigindo um olhar significativo.
—Esta surpresa por não vê nenhuma nota sobre vocês? – Layla questiona-me de repente, não deixando-me responder – Não fique. É questão de tempo começarem a pipocar insinuações de todos os tipos na chamada imprensa marrom. Até já saiu algo discreto logo que saíram em publico a primeira vez. Devem estar aguardando para ver se a relação iria vingar antes de começarem a destilar veneno – afirma, revoltada.
—Por certo que sim – Isabel concorda, me encarando – Quis deixar as coisas claras entre nós por saber o quanto Thomas está apaixonado por você. Nunca antes o vi da maneira como está desde que se envolveram – declara, me fazendo corar até a raiz do cabelo – Está na cara que não se trata de mais um romance ou caso passageiro. Acho até que vou preparar o vestido de daminha para Kayla! – brinca, nós três rindo – Espero que possamos ser amigas Cailtin e que finalmente meu enteado possa ser feliz – diz, levantando-se – Acha que consegue a chave da clínica até o final do dia? – pergunta, mudando de assunto.
—Sim – respondo, sorrindo minimamente.
—Ótimo. Nos vemos no estacionamento as dezessete então – despede-se. Saindo antes que pudesse dize algo.
—Isabel não merece metade das coisas ruins que dizem dela Caitlin, acredite – Layla afirma, tocando meu braço – Ela não é perfeita, como admitiu a pouco, mas não é a bruxa que dizem ser. Só um pouquinho exigente consigo mesma e com todos a sua volta – garante, fazendo uma careta engraçada e rimos.
—Já havia notado – admito – Imagino o quanto deve ter sido difícil para ela enfrentar tudo isto sozinha – digo, mordendo meu lábio.
—Ainda é mas agora esta calejada e sabe lidar um pouco melhor com a situação além de ter total apoio e confiança de Malcom, que deixou de dar ouvidos as fofocas, graça a Deus! – assegura, juntando as mãos e erguendo-as para o alto, a chagada de Thea interrompendo nossa conversa.
—Oi, bom dia, digo, boa tarde gente – cumprimenta-nos, entrando cautelosamente, o que por si só já me deixa em alerta – Layla, tudo bem? – pergunta, beijando-lhe o rosto.
—Tudo lindinha. E com você? – retribui, sorrindo-lhe gentil.
—Digamos que sim pra espantar o mau agouro! – exclama e ambas franzimos o cenho – Lances de família com os quais irei precisar de sua ajuda Cait. Tem um tempinho pra mim? – quer saber, a angustia em sua voz me deixando realmente preocupada.
—Claro. Vem comigo. Vou tirar uma hora para o almoço e resolver umas coisas -convido, me despedindo de Layla, ela fazendo o mesmo.
A conduzo através da área externa do hospital até um restaurante self serviço próximo aonde costumo almoçar.
Nos servimos, escolhemos uma mesa em um dos cantos, mais afastada e que nos garantiria certa privacidade, sentamos e antes que inicie o assunto que a trouxe aqui, envio uma mensagem a Thomas questionando a possibilidade de pegar a chave da clinica ao final do dia, ele respondendo que estaria na Verdant a tarde inteira resolvendo alguns assuntos da boate junto com Oliver além de terem uma nova reunião com o tal engenheiro/arquiteto sobre projeto nos Glades. De imediato penso se não teríamos um conflito ai.
—Thea, esse projeto para os Glades, o tal resort que irritou seus irmãos, sabe a extensão dele? – questiono-a.
—Se esta perguntando se envolve todo o Glades a resposta é sim. Até Verdant estava ameaçada – revela e estremeço – Por que? – quer saber, me encarando entre uma garfada e outra.
—A direção do hospital tenciona abrir uma clínica escola e sugeri usarem a que foi da mãe de Thomas – revelo, fazendo-a abrir a boca, surpresa – Acha que teremos um conflito de interesses ai? – inquiro, insegura.
—De forma alguma! – garante, abrindo um sorriso largo – Você e Tommy realmente estão em sintonia! Foi justamente para impedir que a clínica fosse demolida que ele nos envolveu nisso — relembra e sorrio.
—Eu sei, mas mesmo assim. Não lembro de ele ter comentado algo a respeito do que pretendia fazer com o espaço – comento, levando uma garfada generosa a boca.
—E não falou mas pode estar certa que ficara tremendamente feliz em saber que pode ser reaberta – assegura, suspirando, pousando o garfo na borda do prato, assumindo uma postura pensativa.
—Thea o que há? Aconteceu algo nessa viagem entre você e Eddie que não te agradou? Vocês romperam? – pergunto, preocupada, ela negando.
—Não. Estamos ótimos pra ser honesta – declara, respirando fundo antes de voltar a falar – Cait, o que vou te contar agora pode não ser nada, não levar a lugar nenhum, mas também pode mexer e muito com a vida de todos nós. A minha, a sua, de meus irmãos, da Fel e até de nossos pais e dos dela – começa me deixando ainda mais preocupada – E não há uma maneira correta ou que não me faça parecer meio louca em te contar o que tenho para contar, portanto lá vai – avisa, olhando dentro de meus olhos, tomando folego excessivo antes de falar novamente – Existe a possibilidade, real, de que a filha que fizeram Felicity acreditar morta, não apenas não esteja como podermos tê-la encontrado!
Continua...
“...Not long a go;
It hurt us so;
A tremble through our lives;
The love and care;
The way we were;
Lost it’s way at nights;
It’s the way we feel;
Tonight...”

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