Invasão

17 Uma bebida


Enquanto Jacob e sua equipe se aproximavam da antiga base militar, eles foram recebidos por um grupo de soldados fortemente armados. Um homem alto e robusto, com uniforme impecável, caminhou até Jacob e ergueu a mão em cumprimento.

– Sou o Capitão Marcus Sterling, responsável por esta base. Sejam bem-vindos – disse ele, seus olhos avaliando rapidamente o grupo e parando em Sarah, desacordada nos braços de Jacob. – Parece que alguém precisa de cuidados médicos urgentes. Temos uma equipe preparada para ajudar. Por favor, siga-me.

Jacob assentiu, sua voz carregada de preocupação.

– Obrigado. Minha filha precisa de ajuda.

Marcus os guiou rapidamente para o setor médico da base, onde uma mulher de cabelos presos em um coque e jaleco branco os aguardava.

– Este é o Dr. Evelyn Harris, nossa médica-chefe – disse Marcus, apresentando a mulher.

Evelyn aproximou-se de Jacob, analisando Sarah com um olhar experiente.

– Coloquem-na aqui – disse Evelyn, indicando uma maca.

Jacob depositou Sarah com cuidado, enquanto Will permanecia agarrado à perna do pai, seus olhos cheios de preocupação.

– O que aconteceu? – Perguntou Evelyn, começando a examinar Sarah.

– Ficou presa sob escombros. Está ferida e perdeu muito sangue – explicou Jacob, sua voz grave.

Evelyn assentiu e chamou um assistente. Após alguns minutos, ela se virou para Jacob.

– Sua filha precisa de uma transfusão de sangue.

- O tipo dela é B negativo – Disse Jacob

- É raro, mas se alguém aqui tiver o mesmo tipo, podemos começar imediatamente.

Antes que Jacob pudesse responder, Riley deu um passo à frente.

– Eu sou B negativo. Posso doar.

Jacob olhou para Riley com gratidão.

– Obrigado, Riley. Você está salvando a vida dela.

Riley deu um leve sorriso e seguiu Evelyn para preparar a transfusão.

Horas depois..

Jacob estava sentado ao lado da cama de Sarah, com Will aninhado em seu colo. A transfusão tinha sido concluída, e Sarah agora descansava, com o rosto mais corado.

Will olhava para a irmã e depois para o pai.

– Ela vai ficar bem, papai? – Perguntou ele, a voz baixa.

Jacob apertou o pequeno contra si.

– Vai, filho. Sarah é forte. Igual a você.

Quando Sarah começou a abrir os olhos, Jacob inclinou-se para ela, segurando sua mão.

– Ei, querida – disse ele suavemente. – Está tudo bem agora.

Sarah piscou, confusa, sua voz fraca.

– Papai? Onde estamos?

– Em segurança – respondeu Jacob, um sorriso aliviado no rosto. – Você foi muito corajosa, como sempre. Amanhã cedo, vamos ver a sua mãe.

Ao ouvir isso, Sarah relaxou, um sorriso fraco surgindo em seus lábios antes de fechar os olhos novamente.

Jacob ficou ali por um tempo, observando os dois filhos dormirem, o peso do dia finalmente começando a cair sobre ele quando Jessica entrou no quarto com um sorriso calmo.

– Ei, Jacob – chamou, cruzando os braços enquanto o observava sentado ao lado da cama de Sarah e Will. – Por que não tira um tempo para si? Venha tomar uma bebida comigo.

Jacob balançou a cabeça, passando a mão pelos cabelos, visivelmente desgastado.

– Não posso, Jessica. Quero estar aqui se eles precisarem de mim.

Jessica deu um passo à frente, a voz gentil, mas firme.

– Jacob, eles estão bem. A equipe médica está por perto, e estamos em um lugar seguro. Você precisa descansar, mesmo que por alguns minutos.

Jacob olhou para os filhos, hesitando. Depois de um momento, suspirou.

– Está bem. Só por um tempo.

Ele se inclinou e beijou as testas de Sarah e Will, sussurrando um "eu amo vocês" antes de seguir Jessica para fora do quarto.

Lá fora, os soldados estavam reunidos ao redor de uma fogueira, conversando em tons baixos e trocando histórias. Jessica levou Jacob para um canto mais afastado, onde ele se sentou em um caixote.

Jessica pegou uma garrafa de uma pilha próxima e entregou a ele.

– Aqui, você precisa disso.

Jacob pegou a garrafa e tomou um gole, sentindo o calor da bebida descer por sua garganta.

– Obrigado – disse ele, segurando a garrafa.

Jessica se sentou ao lado dele, olhando para o fogo enquanto falava com um tom introspectivo.

– Sabe, vendo você com Sarah e Will... não pude deixar de imaginar como seria se eles fossem nossos filhos.

Jacob congelou por um momento antes de tomar outro gole, mantendo os olhos no fogo.

– Esse assunto... "nós" – ele fez uma pausa e balançou a cabeça. – Não existe para nós há muito tempo, Jessica.

Jessica suspirou e deu de ombros, tentando manter o tom casual, mas havia um brilho de tristeza em seus olhos.

– Eu sei. Mas às vezes... só penso no que poderia ter sido.

Jacob permaneceu em silêncio, a bebida começando a pesar em seu corpo cansado. Ele suspirou profundamente, colocando a garrafa no chão e se levantando.

– Estou cansado. Vou dormir. Boa noite, Jessica.

– Boa noite, Jacob – respondeu Jéssica.

Jacob retornou para dentro da base, sentiu uma mistura de cansaço e a visão turva, os últimos dias haviam sido emocionalmente exaustivos por isso talvez a bebida não tivesse lhe caído bem. Ele se apoio nas paredes e ouviu a voz de Jéssica.

– Jake está tudo bem?

– Algo está errado – Ele murmurou confuso.

– Vem vou ajudar você- Disse Jéssica o apoiando enquanto ambos entravam no quarto onde ela estava alojada, ela o sentou na cama demonstrando preocupação.

– Vou chamar a Eve.

– Obrigado Jess – Ele agradeceu.

Alguns minutos se passaram e Jacob estava sentado na beira da cama, tentando recuperar o fôlego. Sentia-se estranho, a visão turva e o coração disparado. Quando a porta do quarto se abriu, ele levantou os olhos e, por um instante, viu Renesmee.

— Nessie? — murmurou, confuso.

Jessica, que entrou com um copo de água na mão, franziu a testa, mas não corrigiu o engano.

— Sou eu, Jacob. Está tudo bem, você parece esgotado — disse, aproximando-se lentamente, preocupada, mas observando-o com atenção.

Jacob piscou algumas vezes, tentando focar a visão. Mas a figura à sua frente continuava sendo a da mulher que ele amava. Sua Nessie. Uma onda de saudade e alívio o tomou.

— Você voltou... — sussurrou ele, as palavras saindo como um lamento. — Eu senti tanto a sua falta...

Jessica parou, percebendo a confusão nos olhos dele. Mas antes que pudesse dizer algo, Jacob puxou sua mão com delicadeza, os olhos brilhando com emoção.

— Eu pensei que tinha perdido você — ele continuou, enquanto as lágrimas começavam a rolar por seu rosto. — Eu só queria que você soubesse... que nunca vou deixar você de novo.

Jessica ficou imóvel, percebendo que ele estava alucinando. Mas ela se inclinou para ele, sem corrigir, enquanto ele segurava sua mão como se fosse um porto seguro.

— Está tudo bem, Jacob — disse ela suavemente, a voz baixa, mas sem desmentir o que ele via.

Antes que Jacob pudesse reagir mais, sua exaustão o venceu, e ele começou a perder as forças. Ele desabou contra o ombro de Jessica, sussurrando o nome de Renesmee uma última vez antes de cair em um sono profundo.

Jessica permaneceu ali, observando-o com uma mistura de felicidade e algo mais indecifrável.

–Acho que usei uma dose forte demais.

...

Jacob abriu os olhos lentamente, sentindo uma dor latejante na cabeça que parecia martelar seu crânio. O quarto estava mal iluminado, a luz da manhã entrando apenas por uma fresta da cortina. Ele levou uma das mãos à têmpora, tentando aliviar o desconforto, mas o tecido fino do lençol deslizou por sua pele e ele percebeu que estava sem camisa. Seu olhar caiu para a calça que ainda usava, e a confusão começou a tomar conta.

Virando-se na cama, ele congelou ao ver Jéssica deitada ao seu lado, a cabeça descansando sobre o travesseiro, o cabelo desgrenhado caindo sobre os ombros. Ela estava coberta até a cintura pelo lençol, mas a visão era suficiente para fazer o estômago de Jacob revirar.

Seu coração começou a acelerar enquanto ele lutava para se lembrar do que havia acontecido. A última coisa clara em sua memória era o gosto da bebida amarga e a fogueira, o som baixo das conversas e o brilho das chamas dançando ao longe. Ele se lembrou de Jéssica insistindo para que ele descansasse, dela o levando para o quarto... Mas o resto era um borrão.

– Não... – murmurou para si mesmo, esfregando o rosto com as mãos como se isso pudesse clarear a mente.

Ao ouvir o movimento, Jéssica abriu os olhos devagar, um sorriso preguiçoso se espalhando pelo rosto.

– Bom dia – disse, a voz suave, enquanto se esticava de forma despreocupada.

Jacob se levantou rapidamente, sentindo um misto de pânico e incredulidade.

– O que aconteceu aqui? – Perguntou, o tom baixo, mas carregado de tensão. – Jéssica, o que foi isso?

Ela se sentou lentamente, ajeitando o lençol em volta de si.

– Você não se lembra? – Perguntou com um tom doce, que só aumentou a angústia de Jacob. – Você não estava bem, eu te trouxe para cá. Aconteceu... naturalmente. Não precisa se culpar, Jake.

– Não pode ser... – Ele balançou a cabeça, os pensamentos confusos e desencontrados. – Eu nunca faria isso. Não com você. Não assim.

Jéssica estendeu a mão para tocar o braço dele, mas Jacob deu um passo para trás, o olhar repleto de incerteza e arrependimento.

– Jake, você estava vulnerável – insistiu ela, tentando manter o tom conciliador. – Foi mútuo. Eu estava aqui por você.

– Eu sou casado – ele disse, sua voz ganhando firmeza mesmo enquanto a culpa e a confusão o dominavam. – Eu tenho uma família. Isso não deveria ter acontecido.

Sem esperar uma resposta, Jacob pegou sua camisa e saiu do quarto, ignorando as tentativas de Jéssica de chamá-lo. Ele caminhou apressado pelos corredores da base, os pensamentos rodopiando em sua mente. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior, o peso do que poderia ter feito pressionando seu coração.

No fundo, ele sabia que algo estava errado, que aquilo não fazia sentido. Mas a possibilidade de ter traído tudo o que ele prezava, a Renesmee, os filhos... era um peso que ele mal conseguia suportar.