Invasão

23 Semente da dúvida


Jacob seguiu Sarah pelo corredor até o quarto improvisado da família. Assim que ela entrou, ele fechou a porta atrás de si, cruzando os braços enquanto tentava encontrar as palavras certas.

– Sarah, eu posso explicar.

Sarah girou nos calcanhares, os olhos brilhando de decepção e raiva.

– Explicar o quê, pai? Que você... – Ela engoliu em seco, tentando manter a voz firme. – Que você traiu a mamãe com aquela mulher?

Jacob balançou a cabeça imediatamente.

– Não! Eu nunca traí sua mãe. Isso é mentira, Sarah.

– Então por que ela está dizendo que está grávida de você? – Sarah retrucou, os olhos apertados. – Isso não faz sentido!

Jacob suspirou, passando a mão pelo rosto.

– Eu também não sei por que ela está dizendo isso. Só sei que não é verdade. O que aconteceu... foi uma armadilha. Jessica me colocou em uma situação que eu não deveria ter permitido, mas nada além disso aconteceu.

Sarah cruzou os braços, encarando-o com desconfiança.

– E eu deveria acreditar nisso? Porque ela parece bem convencida do contrário.

Jacob deu um passo à frente, olhando diretamente nos olhos da filha.

– Cabe a você decidir em quem acreditar, Sarah: no seu pai ou na Jessica. Eu juro pela vida de vocês três – sua mãe, você e Will – que eu jamais trai Nessie.

Sarah hesitou, a raiva em seus olhos sendo substituída por algo mais próximo da dor.


– Então por que você não conta pra ela? Por que não resolve isso logo, pai?

Jacob respirou fundo, endireitando os ombros.

– Eu vou contar. Prometo que vou falar com sua mãe. Eu só preciso... organizar as coisas primeiro.

Sarah balançou a cabeça em descrença.

– Você tem que contar pra ela. Porque, se você não contar, eu vou. Eu não consigo guardar isso, pai.

Jacob assentiu lentamente, a expressão séria.

– Eu entendo. Vou resolver isso.

Ele se aproximou dela, tocando o ombro da filha com suavidade.

– Eu sei que isso é difícil, Sarah. Mas eu preciso que você confie em mim.

Ela não respondeu, apenas desviou o olhar. Jacob suspirou, percebendo que não conseguiria dizer mais nada naquele momento.

– Eu volto depois.

Ele saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Do outro lado, Sarah deslizou para o chão, cobrindo o rosto com as mãos enquanto as lágrimas escorriam. Ela queria acreditar no pai, mas as palavras de Jessica ecoavam em sua mente, deixando-a dividida entre o amor e a desconfiança.

...

No refeitório do abrigo, Renesmee terminava de montar as marmitas enquanto conversava com as outras mulheres que ajudavam na cozinha. A atmosfera era descontraída, com risadas ocasionais.

– Nessie, tem certeza de que quer continuar aqui com a gente? – perguntou Dona Clara, uma mulher robusta e de sorriso fácil, enquanto cortava legumes. – Achei que estaria descansando em um lugar mais confortável.

Renesmee sorriu, secando as mãos no avental.

– Prefiro estar aqui, Dona Clara. É bom sentir que estou ajudando de alguma forma.

– Isso é admirável – comentou outra mulher, Letícia, enquanto mexia um grande caldeirão de sopa. – Mas não acha que seu marido vai reclamar se souber?

Renesmee riu, sacudindo a cabeça.

– Jacob sabe que eu sou teimosa. Ele já desistiu de tentar me impedir de fazer as coisas que quero.

As mulheres riram, e Dona Clara acrescentou:

– Isso é bom. Homem nenhum deve mandar na gente.

– Concordo plenamente – respondeu Renesmee, piscando com cumplicidade.

Pouco depois, ela começou a organizar as marmitas em uma bandeja.

– Acho que vou aproveitar e entregar essas marmitas aos soldados – disse, ajeitando os pratos. – Assim, dou uma caminhada e, quem sabe, vejo Jacob.

– Cuidado para não virar o centro das atenções lá, Nessie – brincou Letícia.

– Deixa comigo, prometo não causar tumulto – respondeu Renesmee com uma risada antes de sair do refeitório.

Na área de treinamento, Renesmee procurava por Jacob, mas ele não estava lá. Ainda assim, decidiu entregar as marmitas aos soldados. Sua presença chamou atenção, mas ela manteve a postura tranquila e amigável, agradecendo a cada um deles por seu trabalho.

Ao se aproximar do último grupo, viu Jessica de longe, conversando com outra cadete, uma jovem loira de postura séria chamada Aline. Sem perceber Renesmee, Jessica falou em tom grave:

– Eu não sei como ele vai resolver essa situação. Mas Jacob vai ter que fazer alguma coisa, Aline.

Amanda olhou para Jessica com curiosidade.

– Ele disse alguma coisa sobre isso?

Jessica suspirou dramaticamente.

– Ainda não, mas é só questão de tempo. Essa situação é delicada demais para continuar assim.

Renesmee, sentindo-se desconfortável, decidiu intervir.

– Que situação, Jessica?

Jessica se virou rapidamente, fingindo surpresa.

– Desculpe Renesmee.. – Ela forçou um sorriso, visivelmente desconcertada. – Não é nada que precise te preocupar. É um assunto entre mim e o Jacob.

Renesmee estreitou os olhos, sentindo uma pontada de desconfiança.

– Um assunto entre você e meu marido?

Jessica deu um passo para trás, adotando um tom mais neutro.

– Sim, mas é algo que só diz respeito a nós dois, espero que entenda.

Renesmee não respondeu de imediato, mas a tensão entre elas era palpável. Finalmente, Jessica pegou a marmita da bandeja que Renesmee segurava.

– Obrigada pela comida. Tenho certeza de que todos nós agradecemos sua ajuda.

Sem esperar por uma resposta, Jessica virou-se e saiu ao lado de Aline deixando Renesmee sozinha. Nessie respirou fundo, tentando ignorar a sensação incômoda que crescia em seu peito. Jessica havia plantado uma dúvida, e Renesmee cobraria de Jacob uma resposta.

Jacob caminhava pelos corredores do abrigo com passos firmes, a raiva estampada em seu rosto. Ele passava pelos soldados sem sequer olhar para eles, determinado a encontrar Jessica.

– Viu a cadete Stanley? – perguntou a um dos soldados.

– Não, senhor, não vi.

Jacob agradeceu com um aceno brusco e continuou sua busca, perguntando a mais pessoas pelo caminho. Cada resposta negativa só aumentava sua irritação. Quando estava prestes a virar o corredor, ouviu uma voz familiar chamá-lo.

– Jacob? – Renesmee o chamou, sua voz carregada de preocupação e algo mais que ele não conseguiu identificar de imediato.


Jacob parou e se virou, encontrando os olhos de sua esposa. Ela vinha em sua direção, segurando a barra do vestido casual que usava, o semblante confuso.

– O que está acontecendo? Por que você está procurando por Jessica?

Jacob respirou fundo, tentando controlar as emoções que borbulhavam em seu interior. Ele olhou ao redor, ciente de que os soldados que passavam poderiam ouvir a conversa.

– Nessie, por favor, podemos conversar em outro lugar?

Renesmee cruzou os braços, o desconforto evidente em seu rosto.

– Não. Quero saber agora. Por que está procurando por ela? Porque ela disse que vocês têm algo para resolver?

Jacob se aproximou dela, falando em um tom baixo, mas firme.

– Não é algo que eu possa resolver aqui, no meio de todo mundo. Vamos para um lugar mais reservado, e conversamos.

Ela estreitou os olhos, claramente desconfiada.

– Jacob, não gosto de me sentir excluída das coisas. Principalmente quando parece que envolve você e... ela.

Ele tocou de leve o braço dela, tentando transmitir calma.

– Eu nunca esconderia algo importante de você, Renesmee. Só confie em mim. Por favor.

Renesmee hesitou por um momento, mas finalmente assentiu, mesmo que relutante.

– Tudo bem. Mas quero uma explicação completa, Jacob. Nada de me deixar no escuro.

– Você vai ter. Prometo – respondeu ele, gesticulando para que ela o seguisse.

Enquanto caminhavam juntos para um local mais privado, Jacob sabia que estava prestes a enfrentar uma das conversas mais difíceis de sua vida. E, desta vez, não havia espaço para erros.