Invasão
31 Sem memórias
O sol estava baixo no horizonte, tingindo o céu de um laranja quente enquanto todos se reuniam fora do abrigo improvisado. A atmosfera estava tensa, mas havia uma sensação de fim de ciclo, como se estivessem se despedindo de uma era. Aviões da Força Aérea americana sobrevoavam o local, suas silhuetas cortando o céu limpo. O exército estava reunido em forma de respeito, à frente de um palco improvisado onde o presidente e Edward estavam prontos para fazer um discurso.
As pessoas estavam em silêncio, muitas de pé, outras sentadas, suas expressões marcadas pela dor e pelo cansaço. Sarah e Will estavam ao lado de Renesmee, ambos com os olhos inchados de tanto chorar. Renesmee, ainda em choque, tentava segurar o filho enquanto ele se aninhava em seu peito, também inconsolável. Emma, com o rosto vermelho e molhado de lágrimas, estava ao lado de Rosalie, que tentava ser forte, mas não conseguia esconder a tristeza pela perda. Bella, por sua vez, mantinha-se firme ao lado da filha embora seus olhos estivessem nublados de emoção.
Alice estava ao lado de Amanda, segurando-lhe as mãos enquanto as duas choravam juntas por Jasper. As perdas estavam por toda parte, e mesmo que estivessem rodeados de aviões e militares, o peso das mortes ainda era um fardo para cada um ali.
Edward, em pé diante do microfone, respirou fundo antes de começar seu discurso. Ele olhou para as fileiras de rostos, algumas vezes parando para olhar diretamente para Renesmee, sentada com seus filhos. Ele sentia a dor de todos ali, mas também sabia que precisava encontrar forças para falar da bravura daqueles que partiram.
– “Hoje, estamos aqui para celebrar a vitória, mas também para honrar os heróis que fizeram dela possível. Heróis que, sem hesitar, arriscaram suas vidas por todos nós, por nossa liberdade e pela paz que tanto buscamos.” Edward fez uma pausa, os olhos piscando levemente, como se tentando conter as emoções.
Ele olhou para a multidão, para os rostos de cada soldado, e em seguida dirigiu sua fala a um nome que todos ali conheciam, mas que agora estava marcado pela dor da perda.
– “O general Jacob Black... Um homem que não apenas lutou pela liberdade de sua família, mas por todos nós. Sua bravura, seu sacrifício e seu amor pelo planeta são coisas que jamais esqueceremos. Ele foi o pilar dessa batalha, o líder, o guerreiro que nos guiou até este momento.”
O silêncio tomou conta do local, quebrado apenas pelo som dos aviões ainda sobrevoando a área. Renesmee, de olhos fechados, sentia o coração apertado. As palavras de Edward pareciam ainda mais pesadas depois de tudo o que havia acontecido.
Edward continuou, sua voz agora firme, embora carregada de emoção.
– Ele salvou o mundo, mas mais do que isso, ele nos ensinou o verdadeiro significado do sacrifício. Que a liberdade é algo que vale a pena lutar, que é algo que se conquista com coragem, até o último momento.
Sarah, com os olhos ainda cheios de lágrimas, olhou para Renesmee e Will. Ela tentava encontrar força naqueles ao seu lado, mas a dor pela perda do pai era insuportável.
Will, que havia tentado ser forte até então, finalmente não conseguiu mais conter as lágrimas. Ele se jogou nos braços de Sarah, soluçando. Emma, ao lado de Rosalie estava igualmente arrasada, com a dor estampada no rosto.
Edward olhou mais uma vez para a multidão e, com a voz embargada, finalizou.
– “Nunca esqueceremos o sacrifício de Jacob Black e dos outros heróis que partiram. Eles são os verdadeiros defensores da liberdade, e sua memória viverá para sempre em nossos corações. Hoje, estamos aqui, em liberdade, graças a eles.”
A multidão estava em silêncio, a emoção no ar pesada, mas todos ali sabiam que, de alguma forma, a luta ainda não havia acabado. Mas naquele momento, a lembrança de todos os que haviam lutado por eles, de todos que haviam se sacrificado, era o que dava forças para seguir em frente.
7 dias depois...
Sete dias haviam se passado desde o combate em Washington. Riley estava em La Push, mas não havia contado a Sam e aos outros o que realmente aconteceu, como o sacrifício de Jacob e a destruição que se seguiu. O peso do segredo estava quase o consumindo, mas ele sabia que precisava manter a calma. Ele não poderia expor toda a verdade agora, especialmente não quando as coisas ainda estavam incertas.
Enquanto Riley caminhava pensativo pela casa, Emily entrou, com um sorriso tímido, mas carregado de uma esperança que Riley não via há dias.
– “Riley, Jacob acordou.” Emily disse, sua voz cheia de emoção.
Riley imediatamente levantou a cabeça, surpreso e ao mesmo tempo aliviado. Ele sabia que isso significava que Jacob estava vivo, mas algo dentro de si temia o que ele poderia encontrar. Ele não disse nada a Sam e aos outros ainda sobre o que havia acontecido, mas agora... agora Jacob estava acordado.
– “Onde ele está?!” Riley perguntou, a tensão em sua voz evidente.
Emily o guiou até o quarto onde Jacob estava, e ao entrar, ele viu seus amigos já reunidos ao redor da cama. Embry, Sam, Quil, Leah e Rachel estavam todos ali, atentos, esperando por qualquer sinal de consciência de Jacob. Quando Riley entrou, todos olharam para ele, aliviados.
Jacob estava deitado na cama, com os olhos semiabertos, olhando ao redor com confusão. Ele parecia ter acabado de acordar, ainda desorientado.
Jacob piscou algumas vezes, tentando focar, até que finalmente murmurou, sua voz baixa e cheia de incerteza:
– Quem são vocês?
O silêncio tomou conta da sala por um momento. Todos o encararam, surpresos e apreensivos. Sam foi o primeiro a falar, mas sua voz estava carregada de preocupação:
– Jacob... somos nós, seu irmão, seu amigo... Você não se lembra de nós?
Jacob franziu a testa, ainda parecendo distante, e balançou a cabeça, como se a pergunta o confundisse ainda mais.
– Eu... não me lembro. Jacob respondeu, a sensação de estar completamente perdido invadindo-o.
Riley observou a cena em silêncio, sentindo uma pontada de angústia. Quando ele olhou para Jacob, a expressão em seu rosto indicava que algo mais estava acontecendo. Ele podia ver a confusão nos olhos do amigo. Ele estava certo – Jacob havia perdido a memória.
Riley se afastou discretamente do grupo, saindo para o corredor com Sam logo atrás, preocupado.
– Ele perdeu a memória, não é?”Riley perguntou em voz baixa, sua mente acelerando com a situação.
Sam respirou fundo, uma expressão de preocupação intensa tomando conta de seu rosto.
– Parece que sim... Mas não posso acreditar. Depois de tudo o que aconteceu, por que agora? Sam parecia estar lutando para encontrar uma explicação.
– É complicado, Sam... A explosão, o combate... Ele deve ter sofrido algum tipo de trauma. A memória dele pode estar bloqueada por um tempo. Riley falou, o olhar fixo em Jacob através da porta entreaberta.
Sam olhou para ele, ainda sem saber o que fazer.
– O que sugerem que façamos? Sam questionou, ciente da gravidade da situação.
Riley hesitou, pensando por um momento.
– Eu sugiro que... que vocês dê a ele um nome diferente, até que ele se lembre de tudo. Isso vai ajudá-lo a se proteger, vai ser mais seguro dessa maneira. Não podemos correr o risco de ele saber a verdade agora, com tudo o que está acontecendo.
Sam franziu a testa, parecendo resistir à ideia, mas logo concordou com um suspiro.
– Você tem razão... Não podemos arriscar. Ele está vulnerável, e se alguém descobrir que ele não lembra, ele pode ser um alvo. Precisamos de tempo.
Riley deu um aceno sério, concordando. Eles sabiam que não podiam revelar a Jacob o que havia acontecido até que ele se recuperasse, até que sua mente voltasse ao normal. Ele não estava pronto para saber a verdade, e enquanto isso, eles precisavam manter Jacob seguro.
De volta ao quarto, Jacob estava olhando para a parede, parecendo estar em um turbilhão de pensamentos. Embry, Leah, e os outros o observavam com uma mistura de preocupação e apreensão.
– Você sabe onde está? Embry perguntou suavemente, tentando ajudar Jacob a se reconectar com o ambiente.
Jacob olhou para ele, tentando processar as palavras.
– Eu... não. Nada faz sentido. Ele balbuciou, mais confuso do que nunca.
Riley entrou de volta, se aproximando de Jacob e colocando a mão no ombro dele, com um sorriso forçado. Ele queria dar a Jacob algum consolo, mas sabia que, por agora, o mais importante era manter as aparências.
– Não se preocupe. Nós estamos aqui com você. Vamos cuidar de você, certo, pessoal?Riley disse, tentando criar um sentimento de normalidade, mesmo que tudo estivesse longe de ser normal.
Sam, olhando para o amigo, sabia que seria difícil, mas tinha que confiar que o tempo traria as respostas. Por enquanto, Jacob precisava de tempo para se curar, fisicamente e emocionalmente.
– Você lembra o seu nome? Perguntou Sam.
Jacob olhou para Sam e negou com a cabeça – Eu não lembro.
– Josh, seu nome é Josh Ulley.
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