Invasão
27 O invasor
Sarah bocejou novamente enquanto caminhava até a cozinha, o cheiro de café recém-passado e pão tostado preenchendo o ar. A visão que a recebeu fez algo dentro dela relaxar: seu pai estava sentado no chão brincando com Will, fazendo o irmão rir alto enquanto simulava ser um "lobo feroz" perseguindo um soldadinho de brinquedo. Sua mãe, por outro lado, estava de pé perto da mesa, ajeitando as xícaras e os pratos com um sorriso calmo no rosto.
Por um breve momento, era como se tudo estivesse bem, como nas manhãs tranquilas em La Push. Sarah esfregou os olhos para afastar o sono e se aproximou da mãe.
– Bom dia, mãe. – disse, com um sorriso sonolento.
Renesmee se virou para ela, abrindo os braços. – Bom dia, querida. Dormiu bem?
Sarah assentiu e abraçou a mãe rapidamente, antes de olhar para o pai e o irmão, ainda imersos na brincadeira.
– Parece que alguém está animado hoje. – Sarah comentou, apontando para Will, que gargalhava alto enquanto Jacob fingia ser derrotado pelo pequeno soldadinho.
Jacob olhou para ela e sorriu. – Bom dia, minha garota. Vem cá. – Ele se levantou, deixando Will ocupado com seus brinquedos, e caminhou até Sarah, puxando-a para um abraço.
Sarah hesitou por um momento, mas acabou retribuindo, apertando o pai com força.
– Pai, eu... eu queria pedir desculpas. – Ela murmurou contra o peito dele.
Jacob afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. – Por quê, meu amor?
– Por ter duvidado de você. Por ter acreditado, mesmo por um segundo, que aquela mulher estava dizendo a verdade. Eu estava tão confusa e com medo... Não queria que nada acontecesse com a nossa família. – Sarah disse, sentindo os olhos marejarem.
Jacob sorriu, segurando o rosto dela com as mãos. – Sarah, você não precisa se desculpar por se preocupar com sua mãe e seu irmão. Eu entendo. Mas quero que você saiba de uma coisa: tudo vai ficar bem. Eu vou resolver isso e proteger vocês. Sempre.
Renesmee se aproximou, pousando uma mão no ombro da filha. – Seu pai está certo, Sarah. Estamos juntos nisso. Vamos passar por tudo isso como família.
Sarah olhou de um para o outro e sentiu um peso enorme ser tirado de seus ombros. Ela assentiu, respirando fundo e abraçando os dois ao mesmo tempo.
– Eu amo vocês.
Jacob riu baixo e beijou o topo da cabeça dela. – E nós amamos você, minha garota. Sempre.
Will olhou para eles da mesa e franziu o cenho. – Vocês esqueceram de mim! Eu também quero um abraço!
Os três riram e foram até Will, envolvendo-o em um abraço apertado. Por um momento, no meio do caos que enfrentavam, eles estavam bem. Juntos. E isso era tudo o que importava.
...
Jacob chegou ao campo de treinamento com passos firmes, o rosto carregando a expressão séria de um homem que sabia o peso da responsabilidade que carregava. Ao seu redor, os soldados estavam a postos, prontos para ouvi-lo. Ele olhou para cada um deles, notando a determinação nos olhos dos homens e mulheres que estavam prestes a embarcar na missão de suas vidas.
Mas algo estava errado. Ele franziu o cenho ao perceber uma ausência. Virou-se para Emmett, que estava ao seu lado.
– Onde está a cadete Stanley? – perguntou, cruzando os braços.
Emmett deu de ombros, visivelmente desconfortável. – Achei que você soubesse, general. Jessica foi transferida para Seattle. Ordens de cima.
Jacob estreitou os olhos, achando a transferência abrupta e suspeita. Contudo, ele engoliu as perguntas que pulsavam em sua mente e decidiu não expor suas dúvidas naquele momento. Precisava focar na missão.
Ele caminhou até o centro do grupo, onde todos os soldados o aguardavam em silêncio. Inspirou profundamente antes de começar a falar, sua voz ecoando firme e clara.
– Homens e mulheres, em 72 horas partiremos para a missão mais importante de nossas vidas. O que está por vir não será fácil. Cada um de vocês sabe o que está em jogo. Não se trata apenas de proteger nossas famílias, nossas cidades ou nosso país. Estamos lutando pela sobrevivência de toda a humanidade.
Jacob fez uma pausa, permitindo que suas palavras fossem absorvidas. Olhou para cada rosto à sua frente, garantindo que todos entendessem a magnitude do que enfrentariam.
– Vocês foram treinados para isso. Vocês foram escolhidos porque são os melhores. Não vou mentir para vocês: há uma chance de que alguns de nós não voltem. Mas saibam disto: se não voltarmos, será porque demos tudo o que tínhamos. Porque nos sacrificamos para dar ao mundo uma nova chance.
Ele deu um passo à frente, suas palavras se tornando mais intensas.
– Esta missão nos tornará heróis. Não pela glória ou pelo reconhecimento, mas porque estamos dispostos a arriscar tudo por algo maior do que nós mesmos. E mesmo que o medo esteja presente, lembrem-se de que a coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de enfrentá-lo, mesmo assim.
Jacob respirou fundo antes de concluir.
– Por isso, quero que aproveitem estas próximas horas. Voltem para os seus. Abracem suas famílias, riam com seus amigos, vivam. Porque na hora em que o sol nascer daqui a três dias, estaremos juntos novamente, prontos para mudar o destino do mundo. Confio em cada um de vocês, e sei que não importa o que aconteça, daremos o nosso melhor.
Ele deu um passo atrás e ergueu a mão em saudação militar.
– Vejo vocês na hora da partida.
Por um breve momento, o silêncio reinou. Então, uma onda de aplausos explodiu, preenchendo o campo de treinamento. Jacob permaneceu firme, mas por dentro, sentia uma mistura de orgulho e peso.
Conforme os soldados começaram a se dispersar, ele ficou parado, observando cada um deles se afastar. Cada rosto, cada passo, carregava a esperança e o medo do que estava por vir. Em algumas horas, o destino de todos estaria em suas mãos.
Ele olhou para o horizonte, respirando fundo. "Nós vamos vencer," prometeu a si mesmo. "Nós temos que vencer."
....
Jacob caminhava pelos corredores silenciosos do abrigo, os passos ecoando suavemente no chão de metal. A maioria dos soldados já havia se recolhido, e o cansaço começava a pesar sobre seus ombros após horas analisando os materiais sobre a aeronave.
Mas algo não parecia certo. A sensação de estar sendo observado crescia a cada passo. Ele desacelerou, os ouvidos atentos ao som sutil de um segundo par de passos, mantendo uma distância cuidadosa atrás dele.
Sem demonstrar nada, Jacob continuou andando, mentalmente calculando suas opções. Quando cruzou o próximo corredor, agiu rápido, virando à esquerda e entrando na primeira porta que encontrou. Ele esperou, os sentidos em alerta, até que viu uma sombra se aproximar. Assim que o homem passou pela entrada, Jacob o surpreendeu, agarrando-o pelo colarinho e empurrando-o contra a parede.
Jacob segurou o homem com força contra a parede, mas o outro manteve a calma, respirando fundo enquanto tirava algo do bolso com movimentos lentos.
– Toda a verdade está aqui, general. – disse o homem, estendendo um pequeno dispositivo USB para Jacob. – Você vai encontrar tudo o que precisa saber. Leia isso antes de tomar qualquer decisão, e não confie em ninguém, nem mesmo nos mais próximos.
Jacob olhou para o pen-drive, hesitando por um instante antes de pegá-lo. Ele o segurou na mão, sentindo o peso simbólico daquela pequena peça de plástico e metal.
– Se isso for uma armadilha, eu mesmo vou caçá-lo. – rosnou ele, encarando o homem com intensidade.
– Eu só espero que você sobreviva para entender que estou do seu lado. – respondeu o homem com um sorriso breve, antes de dar um passo para trás.
Jacob afrouxou o aperto e o soltou. Sem perder tempo, o homem se virou e correu pelo corredor, desaparecendo na escuridão.
Jacob ficou parado por alguns segundos, o silêncio do abrigo agora ainda mais pesado. Ele olhou para o pen-drive em sua mão, fechando os dedos ao redor dele com força.
– Não confie em ninguém... – murmurou para si mesmo, as palavras do estranho ecoando em sua mente.
Respirando fundo, ele guardou o dispositivo no bolso interno da jaqueta e olhou ao redor, os olhos alertas para qualquer outro sinal de perigo. Então, endireitou os ombros e começou a caminhar, determinado a descobrir o que aquele pen-drive continha – e a proteger sua família e seus soldados a qualquer custo.
...
As mulheres estavam na pequena sala improvisada como depósito, organizando as roupas e os suprimentos que seriam distribuídos antes da partida. Renesmee dobrava uma pilha de roupas infantis enquanto Alice separava caixas de medicamentos e Rosalie empilhava kits de higiene. Bella, mais ao fundo, catalogava os itens em um caderno.
– Espero que tudo isso passe logo. – Alice quebrou o silêncio com sua voz otimista, mas cansada. – Eu tenho tido esses vislumbres de futuro, e alguns são cheios de esperança... outros nem tanto. Só quero acreditar que vai dar certo.
Renesmee suspirou, apertando uma das roupas contra o peito antes de colocá-la na pilha.
– Está difícil para todos. As crianças sentem isso mais do que a gente imagina. Sarah, principalmente. Ela entende mais do que deveria para a idade dela.
Rosalie balançou a cabeça, o rosto marcado pela preocupação.
– Emma não está lidando bem também. Ela começou a ter crises de ansiedade. Ontem, Emmett a encontrou chorando porque estava com medo de que ele não voltasse. Ele tentou animá-la, mas foi difícil.
Bella olhou de relance para Rosalie, sua expressão suavizando.
– As crianças sentem o peso da incerteza mais do que a gente. Mas Emma é forte, assim como Sarah. Todas elas são.
– Espero que sim. – Renesmee sussurrou, desviando o olhar para as caixas. – Eu sei que Will é mais novo, mas Sarah sente e guarda tudo para ela. Tento conversar, mas ela é tão... reservada. Queria que ela se abrisse mais.
Alice terminou de fechar a última caixa de medicamentos e se levantou.
– Eles são mais resilientes do que pensamos. Assim como nós fomos. Quando tudo isso acabar, vamos ajudar eles a encontrar a paz de novo.
– Vamos, sim. – Rosalie concordou, sorrindo brevemente para Renesmee antes de pegar sua bolsa. – Bem, acho que terminamos aqui. Emmett deve estar se perguntando o que está demorando tanto, e Alice, aposto que Jasper também.
Alice sorriu de canto, assentindo.
– Sim, ele sempre fica nervoso antes de qualquer missão. Até parece que eu não estou com ele em cada passo.
As duas se despediram, deixando Bella e Renesmee sozinhas. Bella fechou o caderno e se aproximou da filha, puxando uma cadeira para sentar ao seu lado.
– Tudo bem entre você e o Jacob?
Renesmee parou por um momento, as mãos ainda segurando uma pequena roupa de criança. Ela levantou os olhos para a mãe e sorriu, um sorriso tímido, mas sincero.
– Sim, está. Foi difícil... e ainda é, mas... estamos bem. Ele me deu a segurança de que precisava. Não importa o que aconteça, nós vamos superar isso juntos.
Bella observou a filha com carinho, tocando suavemente sua mão.
– Eu sabia que vocês iam encontrar o caminho. Você é forte, Nessie. Sempre foi. E Jacob... bem, ele não deixa dúvidas de que faria qualquer coisa por você e pelas crianças.
Renesmee sorriu mais amplamente, sentindo o coração aquecer.
– Obrigada, mãe. Eu realmente espero que você esteja certa.
Bella assentiu, e as duas voltaram a organizar o que restava, o silêncio agora preenchido por uma sensação de renovada esperança.
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