Invasão
55 O encontro de velhos amigos
Sul de La Push — Zona de Exclusão
O calor abafado da floresta deixava o ar quase irrespirável.
Jacob seguia à frente, atento, ladeado por Riley, Sam, Paul e Seth.
O chão coberto de folhas secas silenciava seus passos, mas os sons da selva — o zumbido incessante de insetos, o farfalhar das árvores — deixavam claro: eles estavam sendo observados.
— Estamos perto — sussurrou Riley, os olhos atentos varrendo o horizonte de ruínas e vegetação.
Foi então que o zumbido mudou.
Mais alto.
Mais ameaçador.
— Abaixem-se! — Jacob gritou.
Duas abelhas gigantes, com corpos negros e olhos mortais, despencaram do céu como demônios alados.
Seth, pego de surpresa, não conseguiu escapar — uma das criaturas cravou o ferrão em seu ombro, rasgando carne e armadura.
— SETH! — Paul berrou, correndo em sua direção.
Jacob e Sam abriram fogo imediatamente, suas armas cuspindo chamas contra os monstros. Riley, com precisão cirúrgica, acertou a asa de uma das abelhas, fazendo-a despencar com um guincho apavorante.
A segunda abelha avançava...
Jacob se posicionou na frente de Seth, os dentes cerrados, pronto para lutar até a última bala.
Então —
Tiros ecoaram das árvores.
As abelhas estremeceram sob o impacto dos projéteis certeiros.
Uma caiu morta no solo; a outra fugiu, desaparecendo na mata.
Jacob girou, os olhos atentos buscando a origem dos tiros.
Das sombras, um grupo de civis encapuzados emergiu, armas improvisadas em punho.
O líder baixou o capuz.
O tempo pareceu parar.
Leah Clearwater.
Os olhos dela, tão duros e cansados, se arregalaram ao reconhecer Jacob.
— Jake... — ela sussurrou, a voz embargada pela emoção.
Atrás de Jacob, Seth, mesmo ferido, deixou escapar um soluço.
Ele correu até Leah, que o recebeu num abraço apertado, quase desesperado.
— Você está bem, moleque. Você está bem... — Leah dizia, afagando os cabelos dele. — Vai ficar tudo bem agora. Prometo.
Jacob se aproximou, o coração apertado.
Vê-los juntos... era como um pedaço do passado voltando à vida.
Leah ergueu o olhar para Jacob.
As lágrimas brilhavam em seus olhos endurecidos pela sobrevivência.
— Você voltou... — ela murmurou, com um sorriso trêmulo.
Jacob assentiu, engolindo a emoção que ameaçava sufocá-lo.
— E eu vim para levar todos vocês pra casa.
Interior da Zona de Exclusão — Sul de La Push
Leah guiou o grupo pelas trilhas escondidas da mata, sempre atenta, como uma loba liderando a alcateia perdida.
Seth, com o ombro enfaixado improvisadamente, caminhava ao lado dela, enquanto Jacob seguia um pouco atrás, o peito pesado.
Sabia que precisava perguntar... mas algo dentro dele já sabia a resposta.
Quando pararam num pequeno platô para descansar, Leah se aproximou dele.
O pôr do sol tingia o céu de um dourado sujo.
Ela respirou fundo antes de falar:
— Jake... — seus olhos encheram-se de lágrimas. — O papai...
Ela engoliu em seco, desviando o olhar para o horizonte.
— O velho Billy morreu há um ano.
As palavras caíram como um soco no estômago de Jacob.
Ele cambaleou um passo para trás, como se o ar tivesse sumido dos pulmões.
— Não... — ele murmurou, a voz rouca.
Leah se aproximou, os olhos brilhando de tristeza.
— Ele sofreu muito, Jake... — ela disse baixinho. — Nunca aceitou sua morte. Nunca. Todos os dias... ele acreditava que você ia voltar. Ele contava as histórias antigas... falava com você como se estivesse ali.
Ela deixou escapar um soluço.
— Ele morreu acreditando que tinha falhado em proteger você.
Jacob caiu de joelhos na terra seca, os punhos fechados contra o chão.
A dor explodiu dentro dele como uma represa rompida.
Por anos ele buscou esse reencontro... e agora, era tarde demais.
Seth e Sam se aproximaram em silêncio, respeitando sua dor.
Leah colocou uma mão trêmula no ombro dele.
— Mas ele ia se orgulhar, Jake... — ela sussurrou. — Você voltou. Você lutou. Ele sabia que você era mais forte que o destino.
Jacob fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que já queimavam suas bochechas.
Depois de alguns minutos, Leah o ajudou a se levantar.
— Vamos. Tem mais gente esperando por você.
Eles seguiram até uma pequena vila improvisada entre destroços de prédios antigos e tendas remendadas.
Era simples, precária... mas havia vida ali.
Quando Jacob e o grupo surgiram, a comoção foi imediata.
Crianças pararam de brincar. Mulheres abandonaram as tarefas. Homens armados abaixaram seus fuzis improvisados.
E então, entre a multidão:
Sue Clearwater.
Charlie Swan.
Renee Dwyer.
Phil Dwyer.
Sue correu até Jacob, puxando-o para um abraço apertado, chorando baixinho.
— Você está vivo... — ela repetia, como se quisesse se convencer.
Charlie, mais velho e de cabelos quase brancos, sorriu com lágrimas nos olhos, dando-lhe um tapinha desajeitado nas costas.
— É bom ver você, filho.
Renee e Phil acenaram com emoção, os olhos brilhando.
E então, Leah se afastou um pouco, chamando outra pessoa:
— Jake... quero te apresentar alguém.
De trás de uma das barracas, surgiu Solomon, um homem forte, de olhar firme, segurando uma garotinha de cachinhos escuros no colo.
— Essa é a minha família — Leah disse, com um sorriso quebrado, mas cheio de orgulho.
Solomon se aproximou e abaixou-se para que a pequena pudesse ver Jacob.
— Essa aqui é a Liah — Leah disse, acariciando o cabelo da filha. — Em homenagem a nossa história... e a esperança que nunca morre.
Liah olhou para Jacob com olhos enormes e inocentes, e estendeu as mãozinhas para ele.
Sem conseguir resistir, Jacob sorriu pela primeira vez em horas e pegou a menina nos braços.
Ela riu, encostando a cabecinha no ombro dele.
E ali, naquele instante — com o peso da perda em seu peito e a promessa do futuro em seus braços — Jacob Black soube:
A luta ainda não havia acabado.
Mas valia a pena.
Pequena Vila — Zona Sul de La Push — Início da Noite
Depois dos abraços, das lágrimas e da alegria contida, Jacob se afastou um pouco do grupo, olhando para Leah com um peso nos olhos.
— Onde ele... onde meu pai está? — sua voz falhou no fim da pergunta.
Leah assentiu, silenciosa, e fez um gesto para que ele a seguisse.
Caminharam juntos por um caminho de terra batida, entre pequenas cruzes de madeira improvisadas, iluminadas apenas pela luz fraca de tochas e do céu estrelado.
O vento noturno soprava suave, como um lamento.
Leah parou diante de uma cruz simples, feita de duas madeiras envelhecidas.
Um pedaço de tecido amarrado no topo balançava suavemente.
Escrito a mão, em letras trêmulas:
Billy Black.
Pai, Líder, Guerreiro.
"Até que voltemos a nos encontrar."
Jacob ajoelhou-se diante do túmulo, seus olhos marejando.
Ele passou a mão sobre o nome do pai, como se pudesse senti-lo ali, de algum jeito.
— Me desculpa, velho... — sussurrou, a voz embargada. — Eu devia ter voltado antes. Eu devia ter... eu devia...
Leah se ajoelhou ao lado dele, colocando a mão em seu ombro, firme.
Jacob respirou fundo e fechou os olhos.
Depois, colocou a mão sobre a terra e falou, com toda a força de seu coração:
— Eu vou honrar seu legado, pai.
— Eu vou proteger nossa gente.
— Vou fazer com que essa terra volte a florescer.
— Prometo que nunca mais vou abandonar os que amo.
A brisa soprou mais forte, como se o próprio espírito de Billy estivesse ali, escutando cada palavra.
Jacob ficou em silêncio por alguns minutos, apenas sentindo a presença invisível do pai.
Depois se levantou devagar, enxugando as lágrimas com as costas da mão, e seguiu Leah de volta para a vila.
Próximo à Fogueira Central
Charlie estava sentado numa tora de madeira, olhando para as chamas como quem carregava o mundo nos ombros.
Quando viu Jacob se aproximar, fez sinal para que se sentasse ao seu lado.
Ficaram em silêncio por um momento, apenas ouvindo o estalar da lenha.
Então Charlie, com a voz rouca, perguntou:
— E a minha Bella...? — hesitou. — E a Nessie...? E... meus netos?
Jacob olhou para o fogo por um instante, reunindo coragem.
— Renesmee está segura, Charlie. — disse, com firmeza. — Ela e os nossos filhos... eles estão em La Push Norte.
— Tenho uma filha pequena... Júlia. Sua nova neta.
Charlie piscou rapidamente, tentando conter a emoção que lhe embaçava a visão.
— Uma... neta...? — murmurou, sorrindo com os olhos marejados. — Ela é... ela é linda como a mãe?
Jacob riu de leve, a dor se misturando ao amor.
— É. Linda... e teimosa como a mãe também.
Charlie riu baixinho, passando a mão pelos cabelos brancos.
Mas logo o sorriso se apagou.
— E... a Bella?
Jacob balançou a cabeça lentamente, o peso da incerteza esmagando seu peito.
— Eu... eu não sei onde ela está, Charlie.
— Mas vou encontrá-la. Eu prometo.
Charlie assentiu devagar, olhando para o céu cheio de estrelas.
— Você sempre foi um bom garoto, Jacob. — disse. — Billy teria se orgulhado de você... assim como eu tô agora.
Jacob apertou os lábios, emocionado, e ambos ficaram ali, lado a lado, silenciosos — dois homens carregando perdas imensas, mas ainda sustentando o que mais importava: esperança.
Depois de um rápido descanso, Jacob, Leah e Sam se reuniram numa das cabanas menores, feita de toras rústicas.
As paredes eram tão finas que o vento passava assoviando, mas ali dentro, a atmosfera era densa.
Um mapa improvisado da região estava estendido sobre a única mesa.
Sam apontou com a ponta de uma faca para a trilha marcada a carvão.
— Se continuarmos aqui, eles vão nos achar.
— Essa vila não vai aguentar um ataque.
Leah cruzou os braços, séria.
— A trilha oeste está limpa.
— Se sairmos ao amanhecer, podemos chegar no antigo abrigo das colinas de La Push em dois dias, se nos apressarmos.
Jacob olhou para os dois, seus olhos refletindo a chama fraca da lamparina.
— A gente vai levar todo mundo. Velhos, crianças... todos.
— Não deixamos ninguém pra trás.
Sam assentiu, a expressão determinada.
— Vamos precisar de batedores à frente e na retaguarda.
— As abelhas gigantes rondam essas trilhas.
Leah olhou para Jacob, com algo mais pesado no olhar.
— Vai ser perigoso, Jake.
Jacob respirou fundo.
— Não temos escolha.
— É isso... ou a extinção.
O silêncio caiu entre eles, duro como pedra.
Finalmente, Jacob bateu a mão sobre a mesa.
— Comecem a avisar. Diga a todos para se prepararem.
— Partimos ao nascer do sol.
Amanhecer — Partida da Vila
O céu ainda era cinzento e pesado quando os primeiros movimentos começaram.
Crianças nos braços de suas mães, homens carregando sacos, velhos apoiando-se em bengalas improvisadas.
Jacob caminhava pelo meio deles, observando tudo com olhos atentos e firmes.
Riley, Seth mesmo ferido e Paul estavam posicionados como escolta, enquanto Quil e Embry já haviam partido como batedores para garantir o caminho seguro.
Antes de partir, Jacob parou por um momento diante do que restava da vila.
Seu olhar se prendeu ao pequeno cemitério improvisado, onde Billy descansava sob a terra fria.
Colocou a mão sobre o coração, fechando os olhos por um instante.
— Eu prometo, pai... — sussurrou para o vento. — Vou honrar tudo o que me ensinou. Vou proteger nossa gente.
Leah se aproximou, seu rosto duro suavizado pela emoção.
— Jake... precisamos ir.
Ele assentiu, engolindo o nó que ameaçava subir pela garganta.
Olhou para o norte, onde La Push aguardava — onde Nessie e seus filhos esperavam.
Pensar nela, em Sarah, Will e a pequena Júlia lhe deu forças.
Era para eles que fazia tudo aquilo.
Ergueu o braço, sinalizando:
— Em frente!
O grupo se pôs em movimento, uma longa e silenciosa procissão pela trilha estreita que levava para o norte.
O vento frio varria as árvores, e o primeiro raio dourado do amanhecer cortou o céu, como uma promessa.
Cada passo que davam era um passo mais perto de casa.
Cada respiração pesada era carregada de esperança.
Suas familias os esperava.
E Jacob não descansaria até vê-los todos em segurança.
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