O comboio avançava por uma estrada relativamente tranquila, uma raridade nos últimos tempos. Os veículos militares, reforçados para resistir a emboscadas, estavam alinhados em formação de proteção. No centro, Jacob estava sentado no banco traseiro de um dos veículos, com Sarah ao seu lado e Will aninhado contra o peito dele. Apesar do alívio de estarem juntos e seguros, a mente de Jacob estava um caos. Ele evitava olhar para o veículo onde Jéssica estava e mantinha o foco nos filhos.

– Papai, quando vamos ver a mamãe? – perguntou Will, erguendo o rosto para Jacob com olhos esperançosos.

Jacob sorriu de forma cansada, passando os dedos pelo cabelo do garoto.

– Em breve, filho. Mais algumas horas e estaremos em casa com ela.

– Eu sinto falta dela – disse Sarah, a voz ainda fraca devido aos ferimentos. – E do abrigo. Este lugar me assusta.

– Eu sei, princesa – respondeu Jacob, segurando a mão dela com cuidado. – Mas tudo vai ficar bem agora. Nós estamos juntos, e é isso que importa.

Will franziu o cenho, como se algo o preocupasse.

– Papai, você acha que aquelas criaturas podem nos encontrar de novo?

Jacob respirou fundo antes de responder, tentando soar o mais firme possível.

– Não, Will. Os soldados encontraram um caminho seguro para nós. Além disso, agora que estamos juntos, eu não vou deixar nada nem ninguém nos machucar.

Sarah olhou para o pai, percebendo o cansaço em seus olhos.

– Você também precisa descansar, pai. Está sempre cuidando da gente, mas quem cuida de você?

Jacob sorriu, emocionado com a preocupação da filha.

– Não se preocupe comigo, Sarah. Cuidar de vocês me dá forças. Vocês dois são tudo para mim.

O silêncio confortável tomou conta do veículo por alguns instantes, até Will se mexer inquieto.

– O que a mamãe vai dizer quando nos ver? – perguntou ele, mudando o tom para algo mais animado. – Acho que ela vai nos abraçar tão forte que não vai querer soltar nunca mais!

Jacob riu baixinho, abraçando os dois com mais força.

– Eu acho que você está certo, Will. Ela vai ficar muito feliz em ver vocês. E eu também.

A viagem seguiu tranquila, mas Jacob não conseguia se livrar do peso em seu peito. Toda vez que seus olhos passavam pela silhueta de Jéssica no veículo à frente, ele desviava o olhar rapidamente, tentando sufocar a confusão e a culpa que ainda o atormentavam.

Ele sabia que precisava focar na família e no momento de reencontro que se aproximava. Não importava o que acontecesse, ele faria o que fosse necessário para proteger os que amava e encontrar um caminho para superar seus erros.

...


Renesmee atravessou o corredor do abrigo com o coração disparado, seus pés mal tocavam o chão enquanto seu corpo era movido por uma mistura de ansiedade e esperança. O som dos passos ecoava pelo espaço até que ela alcançou o setor de desembarque. Lá, viu o grupo entrando: os soldados, as luzes das lanternas tremeluzindo, e, no centro de tudo, Jacob.

Ele parecia exausto, as roupas manchadas de poeira e sangue seco, mas sua expressão era firme. No braço, carregava Sarah, cuja palidez e o braço enfaixado fizeram o coração de Nessie apertar. Ao lado dele, o pequeno Will segurava a mão do pai, mas, ao avistar Renesmee, soltou-a imediatamente e correu em sua direção.

– Mamãe! – gritou Will, com a voz carregada de alívio e alegria.

Renesmee caiu de joelhos e o puxou para si, abraçando-o com tanta força que ele riu. Lágrimas escorriam pelo rosto dela enquanto passava as mãos pelo cabelo dele, certificando-se de que ele estava inteiro.

– Meu menino... – sussurrou ela, a voz falhando. – Você está bem, Will? Eles machucaram você?

– Não, mamãe, o papai cuidou da gente – respondeu ele, com os olhos brilhando.

Ela o abraçou novamente, sentindo o calor do filho preencher o vazio que parecia tê-la consumido por dias. Ao erguer o olhar, seus olhos se encontraram com os de Jacob. Ele caminhava lentamente em sua direção, com Sarah nos braços.

Renesmee se levantou, ainda segurando Will, e deu alguns passos hesitantes. Quando finalmente se aproximou, suas mãos instintivamente se estenderam para tocar o rosto de Sarah.

– Sarah... meu amor, o que aconteceu? – perguntou ela, a voz embargada.

Sarah abriu os olhos lentamente, forçando um sorriso fraco.

– Mamãe... estou bem. O papai me salvou.

Renesmee se virou para Jacob, o olhar carregado de preocupação e gratidão.

– Ela está machucada, Jacob. O que aconteceu?

Jacob suspirou, a exaustão aparente.

– Foi um longo caminho, Nessie. Mas estamos aqui. Ela foi atendida, vai ficar bem.

Renesmee assentiu, embora seu coração ainda estivesse apertado. Ela acariciou o rosto de Sarah e depositou um beijo em sua testa antes de puxar Jacob para um abraço cuidadoso, envolvendo-o e Sarah.

– Eu estava tão preocupada – sussurrou ela. – Obrigada por trazê-los de volta para mim.

Jacob fechou os olhos, permitindo-se um raro momento de alívio enquanto segurava sua família reunida.

– Estamos em casa, Nessie. E isso é tudo o que importa agora.

Eles ficaram assim por alguns momentos, apenas sentindo o conforto de estarem juntos novamente, apesar de tudo o que haviam enfrentado. Nessie sabia que ainda havia muito a superar, mas, naquele instante, nada era mais importante do que ter Jacob, Sarah e Will em seus braços novamente.

Renesmee estava sentada na cama ao lado de Sarah, enquanto ajudava a filha a se acomodar depois do banho. O quarto estava iluminado por uma luz suave, e o som das risadinhas de Will comendo gelatina na pequena mesa ao lado preenchia o ambiente.

– Você está confortável, querida? – perguntou Renesmee, ajustando o travesseiro de Sarah.

Sarah assentiu, mas sua expressão ficou séria.

– Mamãe, eu preciso te contar uma coisa...

Renesmee a olhou com ternura, segurando a mão da filha.

– O que foi, meu amor?

Sarah respirou fundo antes de começar.

– Quando aquelas coisas atacaram o aeroporto, eu fiquei com muito medo... – Ela fez uma pausa, olhando para o irmão. – O Will também ficou, mas eu... eu disse para ele que não podia chorar. Que tinha que se esconder e ficar quietinho.

Renesmee sentiu o coração apertar, mas manteve a calma para não preocupar Sarah.

– E ele fez o que você disse?

– Fez. Ele foi muito corajoso, mamãe. Eu tentei protegê-lo. Disse que tudo ia ficar bem... mesmo quando eu não tinha certeza.

Renesmee passou a mão nos cabelos molhados de Sarah e sorriu suavemente.

– Você foi muito corajosa, meu amor. Fez exatamente o que precisava. Mas agora vocês estão seguros, e isso é o que importa.

Sarah relaxou um pouco, mas Will, do outro lado do quarto, olhou para a mãe com curiosidade.

– Mamãe, quando a gente vai voltar para La Push?

Renesmee trocou um olhar breve com Sarah antes de se virar para Will.

– Ainda não podemos, meu pequeno. É perigoso demais lá fora agora. Precisamos ficar aqui por mais um tempo, onde estamos protegidos.

Will fez uma carinha desapontada.

– Eu sinto falta da nossa casa... do balanço no quintal.

Renesmee se aproximou dele e acariciou sua bochecha.

– Eu sei, meu amor. Eu também sinto falta. Mas prometo que um dia voltaremos. E, quando isso acontecer, vamos brincar no balanço até vocês se cansarem, combinado?

Will assentiu, parecendo um pouco mais tranquilo. Renesmee o puxou para um abraço e beijou o topo de sua cabeça.

Pouco tempo depois, Sarah começou a fechar os olhos, o cansaço tomando conta. Renesmee se deitou ao lado dela, passando os dedos pelos cabelos da filha até que ela adormeceu.

Will arrastou sua pequena almofada para a cama onde elas estavam e se aconchegou ao lado da mãe.

– Você vai ficar aqui com a gente, mamãe? – murmurou ele, com a voz sonolenta.

– Vou, meu amor. Não vou a lugar nenhum.

Ela abraçou os dois, sentindo o calor de seus corpos contra o seu, e deixou que o som suave da respiração deles a acalmasse. Por mais que o mundo lá fora estivesse desmoronando, naquele momento, ela tinha tudo o que mais importava.

...


Jacob estava sentado à mesa de reuniões ao lado de Edward, observando os outros líderes que aguardavam o início da conversa. Apesar de agora ostentar o título de general, ele pouco se importava com formalidades. Seu foco estava em proteger sua família e acabar com a ameaça das criaturas.

O chefe dos laboratórios, um homem de cabelos grisalhos chamado Dr. Marcus Delaney, ajustou seus óculos e começou a falar.

– Senhores, depois de semanas de trabalho intensivo, encontramos algo promissor. Fizemos uma série de testes com substâncias químicas e descobrimos que as criaturas são extremamente vulneráveis ao cloreto de hidrogênio em forma gasosa.

Houve um murmúrio pela sala enquanto Marcus continuava.

– Nos testes em ambiente controlado, os filhotes morreram quase instantaneamente ao inalar o gás. Os espécimes adultos apresentaram comportamento desorientado antes de sucumbirem.

Edward inclinou-se para frente, sua expressão cautelosa.

– Isso pode ser usado em larga escala?

Marcus assentiu.

– Com os equipamentos certos, podemos produzir uma quantidade suficiente para cobrir uma área significativa. O desafio será dispersar o gás no campo de batalha sem afetar nossa própria equipe.

Jacob cruzou os braços, seus olhos fixos no cientista.

– E como isso nos ajuda com a nave?

Um dos outros líderes, o comandante Aro Volturi, tomou a palavra. Ele era um estrategista astuto, sempre com um tom frio e calculista.

– A nave é o verdadeiro problema aqui. – Aro olhou para os outros ao redor da mesa. – É ela quem envia os sinais que orientam as criaturas. Derrubá-la deve ser nossa prioridade. Sem a nave, as criaturas ficarão desnorteadas e vulneráveis.

Jacob franziu a testa.

– E como pretendemos derrubar algo que está sempre cercado por essas malditas coisas?

Aro sorriu de maneira quase condescendente.

– É aí que entra o cloreto de hidrogênio. Podemos usar o gás para abrir caminho até a nave, criar uma brecha no exército deles.

Marcus interveio.

– Precisaremos de tempo para produzir o suficiente e projetar um sistema de dispersão eficaz.

Jacob balançou a cabeça, já sentindo o peso da responsabilidade.

– Então estamos falando de uma operação arriscada. Se isso falhar, não teremos outra chance.

Edward, que até então estava calado, finalmente falou.

– O risco é grande, mas essa pode ser nossa única oportunidade de virar o jogo. Precisamos reunir todas as forças e garantir que o ataque seja certeiro.

Jacob olhou para Edward, seu tom carregado de determinação.

– Vou reunir os homens e planejar a ofensiva. Mas quero que fique claro: ninguém será sacrificado desnecessariamente. Estamos nessa para vencer, mas não à custa de vidas que podemos proteger.

Aro fez um gesto de concordância, embora parecesse mais interessado na vitória do que nas vidas.

– Que assim seja, general Black.

A reunião continuou com detalhes sobre a logística do ataque, mas a tensão era palpável. Jacob sabia que o futuro de todos dependia desse plano ousado.

Jacob saiu da sala de reuniões com passos firmes, mas sua mente estava em tumulto. A responsabilidade do plano e a tensão dos últimos dias pesavam, mas nada importava mais do que sua família. Ele só queria ver Renesmee e as crianças.

Enquanto caminhava pelos corredores, ouviu a voz familiar de Jéssica chamando-o. Ele parou, virando-se para vê-la se aproximar com aquele sorriso que agora lhe parecia vazio.

– Jacob – disse Jéssica, com um tom casual –, como foi a reunião?

Ele estreitou os olhos, sua expressão dura.

– Foi como deveria ser. Mas não é disso que quero falar.

Jéssica inclinou a cabeça, intrigada.

– Sobre o que, então?

Jacob deu um passo à frente, sua voz baixa, mas carregada de acusação.

– Quero saber o que você colocou naquela bebida ontem a noite?

O sorriso de Jéssica vacilou por um momento, mas ela rapidamente assumiu um ar de ofendida, cruzando os braços.

– Como assim, Jacob? Você está me acusando de alguma coisa?

Ele manteve o olhar fixo nela, sem se deixar enganar pela performance.

– Você ouviu o que eu disse. Não lembro do que aconteceu depois que saí da fogueira. Só sei que acordei no seu quarto e algo está errado. Você sabe disso.

Jéssica ergueu as sobrancelhas, indignada.

– Eu não acredito que você está sugerindo isso. Eu só estava cuidando de você! Você parecia exausto, mal conseguia ficar de pé. Achei que estivesse tentando ser gentil, mas, claro, você quer jogar a culpa do que aconteceu sobre mim.

Jacob balançou a cabeça, tentando controlar a raiva.

– Gentileza, é? Eu posso não lembrar dos detalhes, mas sei o suficiente para saber que você se aproveitou da situação.

Jéssica deu um passo para trás, fingindo estar magoada.

– Sabe de uma coisa, Jacob? Você é um covarde, não é homem de assumir seus próprios atos.

Antes que ele pudesse responder, uma terceira voz interrompeu a conversa.

- Está tudo bem aqui?

Jacob e Jéssica se viraram para ver Renesmee parada no corredor. Seus olhos passavam de um para o outro, com um toque de curiosidade e algo mais profundo, talvez uma dúvida que ela tentava mascarar.

Jacob deu um passo na direção dela, tentando aliviar a tensão.

– Claro amor, discutíamos os detalhes da nova missão que o presidente nos deu – explicou ele, com um tom direto, mas calmo.

Renesmee olhou para Jéssica por um instante e depois voltou sua atenção para Jacob.

– Parece importante. Isso significa que você vai sair de novo?

Jacob hesitou, sabendo o que aquelas palavras significavam para ela.

– Não ainda. Primeiro, precisamos revisar o plano, mas vou te avisar antes de qualquer coisa.

Renesmee respirou fundo, assentindo.

– Certo. Só… que deveria conversar comigo antes de aceitar nao acha?

Ele deu um pequeno sorriso, tocando sua mão.

– Estava indo exatamente fazer isso.

Renesmee lançou um último olhar breve para Jéssica antes de virar para Jacob.

– Vamos? As crianças querem te ver.

– Claro – respondeu ele, aproveitando a oportunidade para se afastar.

Enquanto Renesmee e Jacob se afastavam juntos, Jéssica os observava, mantendo um sorriso que ocultava suas intenções