Invasão

19 Inconveniente


Um mês havia se passado desde a invasão alienígena que abalou o planeta. A humanidade começava a se reorganizar, estudando as vulnerabilidades das criaturas enquanto traçava estratégias unificadas. A operação global havia sido batizada de Operação Dawnstrike, simbolizando a luta para trazer a luz de volta a um mundo ameaçado.

Jacob, agora general do exército americano, estava no campo de treinamento, coordenando seus soldados com precisão. Cada ordem sua era seguida sem questionamento, cada movimento cuidadosamente analisado. Ele não estava apenas preparando os homens para a missão; ele estava lutando pelo futuro de sua família.

De longe, Renesmee o observava. Seus olhos brilhavam com orgulho, mas em seu coração havia medo. A missão de Jacob era perigosa, mas ela sabia que ele fazia aquilo pelos filhos, para garantir que tivessem um futuro seguro.

Jacob terminou o treinamento, limpando o suor da testa enquanto se aproximava de Emmett e Jasper, que estavam do lado de fora do perímetro.

– Tudo certo para a missão? – perguntou Jasper, olhando para o horizonte.

– Estamos prontos – respondeu Jacob, com a voz firme. – Só precisamos manter a equipe focada. Essa será nossa melhor chance de fazer algo significativo contra essas coisas.

Emmett sorriu, mas seu tom era sério.

– Vamos acabar com eles. E eu vou fazer questão de liderar o primeiro ataque quando chegarmos lá.

Jacob riu baixo.

– É bom ver que seu entusiasmo continua o mesmo, Emmett.

Enquanto conversavam, os olhos de Jacob foram atraídos para o outro lado do campo, onde Renesmee estava. Ela não dizia nada, apenas o olhava, e naquele momento o mundo parecia se silenciar ao redor dele.

– Eu volto já – disse Jacob aos amigos, despedindo-se com um aceno.

Ele caminhou até Renesmee, que esperou pacientemente enquanto ele se aproximava. Assim que chegou perto, ele sorriu, notando a expressão de preocupação em seu rosto.

– Ei – disse ele suavemente. – Você está bem?

Renesmee ergueu o olhar para ele, e o sorriso dela era uma mistura de ternura e ansiedade.

– Eu que deveria perguntar isso. Você tem trabalhado tanto…

Jacob suspirou, passando a mão pelo cabelo.

– É necessário. Quanto mais preparados estivermos, mais chances temos de voltar inteiros.

Ela hesitou antes de falar, sua voz baixa.

– Você está fazendo isso pelos nossos filhos, eu sei. Mas... não consigo evitar o medo.

Ele segurou as mãos dela com delicadeza, inclinando-se para que seus olhos ficassem na mesma altura.

– Ness, eu não vou prometer que não é perigoso, porque seria mentira. Mas eu prometo que vou fazer de tudo para voltar. Por você. Por Sarah e Will.

Renesmee piscou rapidamente, tentando conter as lágrimas.

– Só quero você de volta. É só isso que importa para mim.

Jacob a puxou para um abraço apertado, sentindo o calor do corpo dela contra o seu.

– Eu vou voltar – repetiu ele, mais para si mesmo do que para ela.

Eles ficaram assim por um longo momento, ignorando o barulho do campo ao redor, apenas se reconectando antes do inevitável.

Jacob ainda segurava Renesmee em seus braços, sentindo o conforto que apenas ela podia lhe dar. Ele afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela, admirando sua expressão carinhosa e preocupada.

– Ness... – murmurou, inclinando-se mais perto. – Não sei o que eu faria sem você.

Renesmee sorriu, seus olhos brilhando com uma mistura de amor e receio.

– Você não precisa saber, porque sempre terá a mim.

Jacob não resistiu. Ele se inclinou, tocando os lábios dela com suavidade. O beijo começou leve, mas logo se aprofundou, cheio de ternura e paixão. Naquele momento, o mundo ao redor parecia desaparecer. Não havia mais soldados, invasões ou missões arriscadas – apenas eles dois.

Renesmee colocou as mãos no rosto de Jacob, como se quisesse gravar aquele momento na memória. Ele, por sua vez, a envolveu com firmeza, como se prometesse protegê-la de tudo.

A magia do momento foi interrompida quando uma voz tímida soou atrás deles.

– General Black... desculpe interromper, mas os engenheiros pediram para chamá-lo.

Jacob se virou lentamente, encontrando Jéssica de pé a alguns metros deles, visivelmente desconfortável. Ele sentiu o desconforto se intensificar em si mesmo, um peso que parecia colar em seus ombros.

– Estou indo, cadete – respondeu ele, sua voz firme, mas seus olhos evitando os dela.

Renesmee observava a interação, captando a tensão sutil que Jacob parecia tentar esconder. Jéssica acenou, sem olhar diretamente para Renesmee, e se retirou rapidamente.

Jacob suspirou e voltou seu olhar para Renesmee, que o encarava com uma expressão que misturava curiosidade e preocupação. Ele sabia que ela havia notado algo, mas decidiu não deixar que aquilo estragasse o momento.

– Vou resolver isso rápido – disse ele, segurando novamente as mãos dela. – E te vejo à noite, com as crianças.

Renesmee assentiu lentamente, apertando os dedos dele com suavidade.

– Vou esperar por você.

Jacob sorriu, um sorriso que era apenas para ela, antes de se afastar e seguir pelo corredor. No entanto, enquanto caminhava em direção aos engenheiros, o peso do desconforto permanecia.

Renesmee seguia pelos corredores do abrigo em direção ao quarto. No caminho, encontrou seu amigo Noah, um jovem médico que havia se juntado à equipe durante a crise. Ele tinha um sorriso fácil e uma postura sempre relaxada, que tornavam as conversas com ele leves e agradáveis.

– Nessie! – chamou Noah, aproximando-se. – Está com a mesma expressão preocupada de sempre. Tudo bem?

Ela riu levemente.

– Estou bem, só um pouco cansada. Você sabe, cuidar de duas crianças e ainda se preocupar com... tudo isso.

– Sua família é incrível – disse ele, com sinceridade. – Jacob é um líder nato, e seus filhos... Will é uma graça e Sarah, tão forte. Você tem sorte.

Renesmee sorriu, sentindo-se aquecida pelas palavras.

– Obrigada, Noah. Eu realmente tenho. E você? Como está?

O sorriso dele murchou ligeiramente, mas ele manteve o tom descontraído.

– Não tive a mesma sorte. Minha família... bom, acho que ficaram para trás nessa bagunça. Mas a gente segue em frente, né?

Antes que Renesmee pudesse responder, uma voz fria e autoritária ecoou pelo corredor.

– Noah.

Alec Volturi surgiu da penumbra, com seu habitual semblante sério e enigmático. Noah se endireitou imediatamente.

– Sim, senhor?

– Precisamos de você na ala médica. Agora.

Noah lançou um olhar de desculpas para Renesmee.

– Parece que meu intervalo acabou. Nos vemos depois, Nessie.

– Claro, Noah. Até logo – respondeu ela com um sorriso.

Noah desapareceu pelo corredor, deixando Renesmee sozinha com Alec, que a observava com uma intensidade desconcertante.

– Ele estava incomodando você? – perguntou Alec, com a voz suave, mas carregada de algo mais.

Renesmee arqueou as sobrancelhas, surpresa.

– Claro que não. Noah é meu amigo, e só estávamos conversando.

Alec deu um passo à frente, seus olhos analisando-a.

– Amigo, é? Que conveniente. Não pude evitar sentir ciúmes.

Renesmee cruzou os braços, mantendo o tom firme.

– Isso é problema seu, Alec. E não deveria ser. Eu sou casada.

– Sei disso – respondeu ele, com um sorriso insinuante. – Mas é difícil ignorar sua presença. Você sabe disso.

Renesmee deu um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que sua voz saísse baixa, mas firme.

– Ouça bem, Alec. Eu amo meu marido e estou completamente comprometida com ele e minha família. Então, qualquer coisa além de respeito entre nós dois não vai acontecer. Entendido?

Alec manteve o olhar por alguns segundos, como se tentasse medir a força das palavras dela. Finalmente, deu um passo atrás, levantando as mãos em um gesto de rendição.

– Entendido, princesa. Não se preocupe.

Renesmee permaneceu firme, vendo-o se afastar pelo corredor. Ela respirou fundo e retomou seu caminho, determinada a ignorar aquela situação desconfortável e focar no que realmente importava: sua família.

...

Na penumbra do corredor, um homem de roupas simples e postura discreta observava a conversa entre Renesmee e Alec. Ele fazia parte da equipe de limpeza, sempre passando despercebido pelos corredores do abrigo. Mas naquele momento, o que ouvira despertou sua atenção. Assim que Alec se afastou e Renesmee seguiu seu caminho, ele deixou seu carrinho de limpeza e dirigiu-se rapidamente à sala de reuniões onde sabia que o presidente Edward Cullen estaria.


Bateu na porta duas vezes, aguardando autorização para entrar.


– Entre – a voz firme de Edward ecoou.

O homem abriu a porta devagar, mantendo-se respeitosamente à distância. Edward estava de pé ao lado de uma grande mesa com mapas e relatórios, acompanhado por um de seus conselheiros mais próximos.

– Senhor presidente – começou o homem, hesitante. – Preciso falar com o senhor sobre algo que acabei de presenciar.

Edward franziu o cenho, indicando com um gesto para que ele continuasse.

– Do que se trata?

O homem limpou a garganta, nervoso.

– Eu estava terminando a limpeza no corredor próximo aos dormitórios quando ouvi uma conversa entre sua filha e o senhor Alec Volturi.

Edward se endireitou, a tensão evidente em seus olhos.

– E o que você ouviu?

– Alec estava... insinuando coisas para a senhora Renesmee – explicou o homem, escolhendo cuidadosamente as palavras. – Ele disse que sentia ciúmes e que não conseguia ignorar a presença dela. A senhora Renesmee foi firme, deixou claro que é casada e que o ama. Mas o jeito como ele falou... não parecia certo, senhor.

Edward respirou fundo, controlando a raiva que borbulhava em seu peito.

– Obrigado por me informar. Quero que continue observando Alec. Informe-me imediatamente se notar algo suspeito.

– Sim, senhor – respondeu o homem, curvando levemente a cabeça antes de sair da sala.

Quando a porta se fechou, o conselheiro de Edward, um homem de cabelos grisalhos chamado Gregory, aproximou-se com expressão preocupada.

– O que pretende fazer com Alec? – perguntou ele. – Não esqueça que vocês têm um trato.

Edward estreitou os olhos, sua voz carregada de determinação.

– O trato foi apenas uma forma de garanti os votos do conselho e continuar tendo poder absoluto. Alec não é mais útil, acha mesmo que eu entregaria minha filha e meus netos na mão de um lunático?

Gregory cruzou os braços, ponderando.

– Alec é perigoso, Edward. Se decidir agir contra ele, precisa ser estratégico. Ele tem aliados poderosos, e isso pode causar mais problemas do que resolver.

Edward assentiu, sua expressão sombria.

– Eu sei, Gregory. Por isso, vou lidar com ele pessoalmente. Não haverá escândalos, mas Alec precisa sair de cena.

Gregory o observou por um momento antes de murmurar:

– Espero que saiba o que está fazendo, senhor presidente.

Edward fitou o mapa à sua frente, mas sua mente estava longe. Para proteger Renesmee e os pequenos Will e Sarah, ele faria o que fosse necessário – mesmo que isso significasse eliminar Alec da equação.