Invasão

20 Dificuldades


No laboratório de armas, o engenheiro-chefe, Dr. Henry Carter, finalizava a apresentação das armas revolucionárias para Jacob.

– Estas são nossas novas ferramentas de combate – explicou Henry, com entusiasmo. Ele exibiu uma arma de design futurista, com um núcleo brilhante no centro. – Todas foram construídas com base na tecnologia alienígena que recuperamos da nave abatida.

Jacob segurou uma das armas cuidadosamente, inspecionando-a. Era leve, mas emanava um poder impressionante. Ele observou Henry ativar um visor holográfico integrado ao equipamento, que mostrava o alvo e os comandos de disparo.

– Isso é surreal – comentou Jacob, franzindo a testa. – O mais perto que cheguei de algo assim foi jogando videogame com meu filho.

Henry sorriu, ajustando os controles de uma das armas.

– Bem, general, agora é realidade. Mas eu entendo a complexidade. Precisaremos de tempo para treinar sua equipe e os soldados.

Jacob balançou a cabeça.


– Quanto tempo temos?

Henry olhou para o cronograma na mesa.

– Quinze dias. É o tempo que estimamos para que o vírus que iremos utilizar na missão esteja finalizado e pronto para ser implantado.

Jacob soltou um suspiro pesado, olhando novamente para as armas.

– Quinze dias para aprender a manusear isso e treinar todos os soldados? Parece impossível.

– Mas não é – rebateu Henry. – Eu estarei aqui para ajudar. E, francamente, general, se alguém pode conseguir essa façanha, é você.

Jacob assentiu, determinado.

– Então faremos funcionar.

...

Depois de horas no laboratório, aprendendo as funcionalidades das armas e discutindo estratégias com Henry, Jacob finalmente deixou o setor de armas. A exaustão pesava sobre ele, mas o desejo de ver Renesmee e seus filhos o empurrava para frente. Ele atravessou os corredores, sua mente dividida entre a missão e sua família.

No entanto, antes que pudesse chegar aos quartos dos civis, ele encontrou Jessica. Ela estava parada próximo à entrada de um corredor estreito, claramente à sua espera.

– Jacob – chamou ela, sua voz carregada de uma mistura de frustração e provocação.

Jacob parou, encarando-a com uma expressão cautelosa.

– O que você quer, Jessica?

– O que eu quero? – Ela deu uma risada curta, amarga. – Quero que você pare de fingir.

Ele cruzou os braços, seus olhos estreitando.

– Do que você está falando?

Jessica deu um passo à frente, os olhos queimando de raiva.

– Você sabe muito bem do que estou falando. Você acha que pode simplesmente me ignorar, fingir que nada aconteceu? Você é um covarde, Jacob. Usar aquela bebida foi só uma desculpa para não admitir o que houve entre nós.

Jacob a encarou, sua mandíbula tensa.

– Nada aconteceu – afirmou com firmeza, sua voz baixa, mas carregada de autoridade.

– Você é patético – respondeu Jessica, aproximando-se mais, desafiadora. – Você pode mentir para si mesmo, mas não para mim.

Ele deu um passo para trás, mantendo a compostura.

– Chega, Jessica. Tenho coisas mais importantes para fazer do que discutir suas fantasias.

Jessica cruzou os braços, um sorriso sarcástico curvando seus lábios.

– Claro, corra para sua esposa perfeita. Mas um dia, Jacob, você vai ter que encarar a verdade.

Jacob não respondeu. Ele se virou, ignorando a raiva que sentia fervilhar em seu peito, e seguiu seu caminho. Quando finalmente alcançou o quarto onde Renesmee e seus filhos estavam, respirou fundo antes de abrir a porta. Lá dentro, o som suave de risadas infantis o recebeu, dissipando parte de seu desconforto.

Jessica podia esperar. Sua família não.

Jacob abriu a porta do quarto e, imediatamente, foi recebido pelo pequeno Will, que correu em sua direção com os braços estendidos.

– Papai! – gritou o menino, animado. Ele se agarrou às pernas de Jacob com força, e Jacob o ergueu no colo com um sorriso cansado, mas genuíno.

– Oi, campeão. Como você está?

– Estou bem! – respondeu Will, gesticulando com entusiasmo. – Mas você demorou muito! Estava lutando com alienígenas? Dirigindo um tanque?

Jacob riu, balançando a cabeça enquanto caminhava para dentro do quarto com o filho nos braços.

– Algo assim, mas não tão emocionante quanto parece.

Will continuou com suas perguntas, uma atrás da outra:

– Você viu aquelas armas legais? Aquelas que parecem sair de filmes? Você acha que eu vou poder brincar com elas um dia?

Jacob riu de novo, balançando a cabeça.

– Acho que não, pequeno. Essas armas são só para adultos, e mesmo para eles são complicadas.

Enquanto ele conversava com Will, Renesmee se aproximou, carregando uma bandeja com pratos.

– Estávamos esperando por você para o jantar – disse ela com um sorriso caloroso, embora seus olhos mostrassem preocupação.

Jacob colocou Will no chão e aproximou-se dela, tocando suavemente sua cintura.

– E aqui estou. Tudo isso parece melhor do que qualquer refeição de campo.

Renesmee riu baixo, mas antes que pudesse responder, Jacob olhou para Sarah, que estava sentada em um canto do quarto, com os braços cruzados e uma expressão fechada.

– E você, mocinha? Está tudo bem?

Sarah lançou a Jacob um olhar cheio de ironia, pegou o prato que Renesmee havia preparado e caminhou para o quarto improvisado ao lado.

– Tudo ótimo, pai. Nunca estive melhor – disse ela, a voz carregada de sarcasmo antes de fechar a porta.

Jacob suspirou, passando a mão pelo cabelo, e olhou para Renesmee.

– Eu vou conversar com ela – disse ele, determinado.

Renesmee assentiu, mas colocou uma mão suave sobre o braço dele.

– Vá com calma. Ela está lidando com muita coisa.

Jacob parou em frente à porta do quarto improvisado de Sarah e bateu suavemente.

– Sarah, posso entrar?

Um silêncio carregado foi a única resposta por alguns segundos, antes de uma voz seca ecoar do outro lado:

– Faz o que quiser.

Ele abriu a porta devagar. Sarah estava sentada na cama, abraçando os joelhos, com o prato de comida intocado ao lado. O olhar dela estava distante, a frustração evidente em sua postura.

– O que aconteceu? – Jacob perguntou enquanto se sentava na beirada da cama.

– O que aconteceu? – Sarah repetiu, sua voz carregada de sarcasmo. – Estamos presos aqui há semanas, pai. É isso que aconteceu.

Jacob respirou fundo, tentando manter a calma.

– Sei que isso é difícil, mas estamos aqui para ficar seguros.

Sarah riu sem humor e balançou a cabeça.

– Seguros? Pai, isso não é viver! Estou presa aqui, sem saber se meus amigos estão vivos ou mortos. Você sabe o que é isso? Saber que a vida que você tinha desapareceu e que talvez nunca volte?

Jacob sentiu um aperto no coração ao ouvir o desabafo dela.

– Sarah, eu entendo o que você está sentindo.

– Não, você não entende! – interrompeu ela, a voz se elevando. – Você está ocupado liderando soldados, salvando o mundo, enquanto eu estou presa aqui sem nada. Sem amigos, sem escola, sem esperança. Você pelo menos se importa?

As palavras dela atingiram Jacob como um soco, mas ele manteve a voz firme e calma.

– Claro que me importo. Tudo o que eu faço, cada decisão que tomo, é pensando em vocês – em você, no Will, na sua mãe. Eu sei que não parece justo, mas estou tentando proteger a nossa família.

Sarah o encarou com os olhos marejados, mas havia algo desafiador em sua expressão.

– E se você não voltar, pai? E se você morrer lá fora? O que vai sobrar para mim e para o Will?

Jacob inclinou-se para mais perto, a voz carregada de emoção.

– Eu vou voltar, Sarah. Vou fazer tudo o que for preciso para garantir isso. Mas, enquanto estamos aqui, precisamos ser fortes. Eu preciso de você. O Will precisa de você.

Ela abaixou o olhar, apertando os joelhos com força.

– Eu só queria que as coisas fossem como antes. Eu queria minha vida de volta.

Jacob sentiu um nó na garganta, mas colocou uma mão reconfortante no ombro dela.

– Eu também, Sarah. Mais do que você imagina. Mas, até lá, tudo o que podemos fazer é lutar. E lutar juntos.

Por um momento, Sarah ficou em silêncio, até que, finalmente, ela suspirou e apoiou a cabeça no ombro do pai.

– Só... Não me deixa sozinha, pai.

Jacob a envolveu em um abraço apertado, sentindo a vulnerabilidade dela.

– Nunca, Sarah. Eu estou aqui, e vou continuar lutando por vocês. Sempre.

Sarah soltou um longo suspiro, e pela primeira vez em semanas, Jacob sentiu que ela estava deixando parte do peso sair.