Invasão
60 Confronto final ( Parte 2)
O som das armas carregadas ecoava no campo aberto. O cheiro de pólvora já estava no ar antes mesmo do primeiro disparo. O grupo de Jacob e o exército de Hargrove se encaravam, esperando apenas uma faísca para que o caos começasse.
— Edward… — a voz de Bella tremia, mas sua determinação era inquebrável — ainda há tempo. Você pode se arrepender. Você pode mudar isso. Não é tarde para nós dois.
Hargrove deu um passo à frente, o olhar frio e calculista.
— Senhor presidente — disse, com um tom quase teatral — a primeira-dama é uma traidora. Só aguardo sua ordem.
Jacob, com a respiração acelerada, ergueu a voz.
— Edward, pense nos seus netos! Pense na Júlia… ela está desprotegida, e se todos nós morrermos aqui, quem vai cuidar dela?
Bella, com os olhos marejados, deu um passo mais perto.
— Edward… por favor.
Houve um momento em que o mundo pareceu parar. Edward olhou para Bella, e, por um segundo, seu olhar vacilou. A mão que segurava o braço dela afrouxou, e ele a soltou.
— Me dá a arma… — ela sussurrou, segurando firme a mão dele, como se quisesse puxá-lo de volta para a luz.
Mas antes que ele pudesse reagir, um estampido cortou o ar.
O corpo de Bella foi jogado para trás pelo impacto. O sangue se espalhou pela sua roupa, e seu olhar chocado encontrou o de Edward antes de seus joelhos cederem.
— NÃÃÃO! — a voz de Edward rompeu como um trovão, carregada de desespero e raiva.
Jacob correu para segurar Bella, enquanto Hargrove mantinha a arma erguida, um sorriso satisfeito nos lábios.
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— O presidente é fraco. Não merece liderar.
Edward ergueu o olhar, ainda com Bella caída em seus braços, o sangue se infiltrando no tecido da camisa dele.
— Ninguém vai te dar o lugar de presidente quando souberem o que você fez.
O riso de Hargrove ecoou pela clareira.
— Oh, Edward… Quem vai contar? Quando encontrarem seu corpo, todos acreditarão que foi morto pelos rebeldes. — Ele girou a arma na mão, como se saboreasse o momento. — Eles chegaram tarde.
Jacob, ainda com a respiração acelerada, se ergueu lentamente, deixando Bella nos braços de Edward.
— Soldados! — a voz dele cortou o ar, firme e carregada de autoridade. — Sou o general Black. Vocês têm uma escolha: trair a nação de vocês se unindo a esse traidor… ou honrar o presidente que juraram proteger.
Hargrove soltou uma gargalhada debochada.
— Sua patente não tem valor nenhum aqui, rebelde.
Mas os soldados hesitaram. Trocaram olhares rápidos, alguns engolindo seco. Então, um a um, começaram a soltar suas armas no chão, o som metálico ecoando na tensão da floresta.
— Vocês são uns ingratos… — rosnou Hargrove, levantando a pistola e apontando para Edward.
Tudo aconteceu rápido. Jacob se lançou à frente, sentindo o impacto ardente e cortante atravessar o braço. Ele cambaleou, mas permaneceu de pé, ofegante.
Antes que Hargrove pudesse atirar de novo, dois soldados avançaram sobre ele, arrancando-lhe a arma e o derrubando no chão. O som das algemas se fechando ecoou como o fim de uma era.
Edward, ainda com Bella junto a si, ergueu os olhos para Jacob — e, pela primeira vez em muito tempo, havia gratidão genuína em seu olhar.
O cheiro de pólvora e sangue ainda pairava no ar quando Embry e Sam caminharam para o lado de Jacob o ajudando. O silêncio se misturava ao som do mar ao fundo, como se o próprio oceano testemunhasse o desfecho daquela guerra silenciosa.
Edward, ajoelhado ao lado de Bella, parecia alheio ao caos ao redor. Seus dedos tremiam ao tocar o rosto dela, pálido e marcado pela dor. Ele ouviu a respiração fraca, cada vez mais espaçada, e o coração dele afundou.
— Você vai ficar bem… — disse ele, forçando um sorriso que não enganava nem a si mesmo.
Bella, com dificuldade, esboçou um sorriso frágil. — Você é um péssimo mentiroso, Edward… sempre foi.
As lágrimas que ele vinha segurando transbordaram. A mão dele apertou a dela, desesperado.
— Me perdoa… por tudo. Eu… eu te amo. Sempre te amei.
Bella piscou devagar, tentando gravar o rosto dele uma última vez. — Eu também te amo… — sussurrou, com a voz quase inaudível. — Mas agora… faça a coisa certa.
O queixo de Edward tremeu, e ele balançou a cabeça, como se não pudesse aceitar o inevitável. — Eu prometo… — a voz dele quebrou. — Eu vou corrigir meu erro… eu juro.
Bella respirou fundo pela última vez, seus dedos relaxando na mão dele.
— Não… não, Bella… — Edward a abraçou, soluçando como se a dor fosse rasgar seu peito. O grito preso em sua garganta se perdeu no som das ondas quebrando. Ele ficou imóvel, sentindo o corpo dela perder o calor.
Ao redor, Sam e Embry ainda protegiam Jacob, mas ao verem a cena, seus olhares se encheram de pesar. A batalha continuava, mas naquele instante, para Edward, o mundo havia parado.
A dor no rosto de Edward era quase insuportável de ver.
— Hargrove! — a voz dele ecoou como uma sentença, carregada de ódio e autoridade. — Você está preso pelo assassinato de Isabella Cullen.
O traidor tentou manter o semblante altivo, mas os olhos entregavam que ele sabia que não havia mais saída. Edward fez um gesto rápido, e os soldados avançaram, prendendo os pulsos de Hargrove com algemas pesadas de aço.
— Levem-no — ordenou, a voz fria, mas tremendo nas últimas sílabas. — Metade de vocês fica comigo.
Os homens obedeceram sem questionar, arrastando Hargrove em direção ao comboio. O som das correntes se arrastando na areia se misturava ao farfalhar do vento que vinha do mar.
Jacob se aproximou, parando ao lado de Edward.
— Você fez a escolha certa.
Edward não olhou para ele imediatamente. Ficou alguns segundos parado, como se cada palavra de Jacob fosse um peso que caía sobre um coração já estilhaçado. Por fim, respondeu, a voz rouca:
— Paguei muito caro… por todas as minhas escolhas.
Foi então que ele se ajoelhou, os joelhos afundando na areia fria. Seus braços envolveram o corpo sem vida de Bella, como se tentasse aquecê-la, protegê-la de um frio que ela já não sentia.
— Bella… — sussurrou, a voz se quebrando.
O som abafado do choro de Edward se espalhou pelo ar, e nem mesmo o farfalhar das ondas conseguiu esconder a profundidade daquela dor. Ele inclinou o rosto contra os cabelos dela, apertando-a contra si, como se não fosse capaz de deixá-la ir.
A cena fez até os mais endurecidos entre os soldados desviarem o olhar. Jacob ficou parado, respeitando aquele luto silencioso, sabendo que não havia palavras que pudessem aliviar a perda que Edward carregava nos braços.
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