Invasão

54 Arrependimento


Washington — Salão de Comando da Fortaleza Principal


As portas pesadas se abriram, e o general Hargrove entrou, seguido por outros generais e ministros. Todos pareciam tensos, evitando encarar Edward diretamente. Ele, sentado na cadeira do comando, repousava os cotovelos nos braços da poltrona, os dedos entrelaçados, olhando-os com uma frieza assassina.

— Senhor — começou Hargrove —, temos atualizações importantes.

Edward apenas fez um leve gesto com a mão para que continuasse.

— Confirmamos a fuga da primeira-dama Bella Swan e das filhas Alice, Rosalie... e Renesmee.

O nome de Renesmee bateu em Edward como uma marreta invisível, mas ele manteve o rosto impassível.

— Há mais — disse Hargrove, hesitante. — Conseguimos imagens captadas por drones nas zonas livres do norte... La Push.

Hargrove ativou a grande tela holográfica atrás dele. A imagem trêmula mostrou um grupo de pessoas reconstruindo casas entre as florestas devastadas. Edward se inclinou à frente quando a câmera focou em uma figura alta, de cabelos escuros, comandando o grupo com autoridade.

Seu peito pareceu se fechar num segundo.

Jacob Black.

O sangue abandonou seu rosto por um instante. Era como ver um fantasma.

Os generais se entreolharam, inseguros quanto à reação do líder. Edward respirou fundo e disse apenas:


— Saiam.

Ninguém discutiu. Em minutos, o salão ficou vazio.

Sozinho, Edward se levantou. Avançou até o painel secreto atrás do trono e pressionou uma sequência de botões. Uma porta de aço deslizou para o lado, revelando um corredor sombrio.


A Zona Anexa.


O som dos passos de Edward ecoava pelo corredor metálico. Cientistas e engenheiros em jalecos se afastavam, curvando a cabeça em submissão. Ele desceu por elevadores e túneis até o subsolo mais profundo da Fortaleza.

Ali, num laboratório isolado, entre cabos, servidores e máquinas antigas, Carlisle Cullen trabalhava em uma bancada.

Ao vê-lo, Carlisle tirou os óculos de proteção, surpreso:

— Edward...

— Você me prometeu que protegeria tudo — rosnou Edward, a voz carregada de amargura. — E agora... eu perdi tudo.

Carlisle suspirou, afastando-se da bancada.

— Eu fiz o que achei necessário para salvar você — respondeu o velho cientista. — Era isso ou deixar que o mundo nos destruísse.

Edward se aproximou devagar, como um animal ferido.

— Você iniciou a invasão... criou o experimento que alterou as zonas, as cidades... — Sua voz falhou de raiva. — Para me proteger?

Carlisle abaixou o olhar, com uma tristeza pesada.


— Eu fiz o que fiz, Edward. Mas agora estou trabalhando para tentar devolver ao mundo o que nós tiramos dele. Não podemos seguir assim.

Edward apertou os punhos.

— Então você está contra mim.

— Não — corrigiu Carlisle, calmo. — Estou a favor do que é certo.

Por um momento, pai e filho se encararam em silêncio.

Então Carlisle disse, quase num sussurro:

— Se você quer recuperar o que perdeu... vá atrás. Mas desta vez, Edward... sem destruir tudo no caminho.

Edward virou-se, o rosto sombrio. Sem dizer mais nada, saiu do laboratório, deixando para trás a zona anexa e seu passado enterrado sob toneladas de culpa e segredos.

No fundo, ele sabia: se queria sua esposa e filhas e netos de volta de volta... teria que confrontar seu maior erro — Jacob Black.


---


Washington — Fortaleza Principal


O elevador subiu rangendo até o salão de comando. Quando Edward emergiu da Zona Anexa, algo dentro dele havia mudado. O peso da perda, da culpa e da raiva transformava sua expressão num retrato de fúria silenciosa.

No salão, os generais e ministros ainda aguardavam, tensos. Edward passou os olhos sobre eles com frieza antes de falar, a voz cortante como lâmina:

— Quero que encontrem Bella, Alice e Rosalie.


O general Hargrove franziu o cenho, confuso.

— Senhor... os rastros delas sumiram nas zonas desabitadas. A perseguição pode comprometer recursos...

— Não pedi sua opinião — cortou Edward. — Quero cada drone, cada satélite, cada homem que possa ser dispensado dedicado a essa missão. E quero relatórios diários.

Hargrove assentiu rapidamente, baixando a cabeça.

Edward cruzou os braços atrás das costas e deu alguns passos até a janela blindada, onde podia ver a linha do horizonte distante, encoberta pela névoa pesada.

— Renesmee — murmurou, como se o nome tivesse gosto amargo.

Ele já sabia onde encontrá-la.

Em La Push.

Com ele.

Jacob Black.

Edward girou sobre os calcanhares, encarando o salão.

— Preparem a unidade especial. Partiremos em breve.

— Senhor, vamos invadir La Push? — Perguntou um dos ministros, cauteloso.

Edward sorriu de um jeito sombrio.

— Ainda não. Primeiro, eu vou negociar.

Ele não podia aparecer com força bruta. Não ainda. Se quisesse qualquer chance de trazer sua filha de volta, teria que usar outra arma: palavras... memórias... culpa.

E, se tudo falhasse, então La Push conheceria o peso da guerra.

Sem esperar mais respostas, Edward desceu do palco do comando, sua silhueta desaparecendo entre as sombras da fortaleza.

Enquanto isso...

A noite começava a cair sobre La Push, onde Renesmee e os outros ainda não faziam ideia do que se aproximava.

Uma tempestade...

E seu nome era Edward Cullen.


---

Estrada Militar — Fora de Washington


O comboio de veículos blindados avançava sob a luz acinzentada da manhã, atravessando as estradas desertas que cortavam o território devastado. Dentro do principal jipe tático, Edward Cullen viajava em silêncio absoluto, os olhos fixos no vazio da paisagem.

O rádio chiou. A voz do oficial de comunicações ecoou pelo canal reservado:

— Senhor, captamos um sinal. Confirmado: localização da primeira-dama Bella Cullen e das senhoritas Alice e Rosalie. Estão a treze quilômetros ao norte da antiga zona segura de Portland. Acompanhadas de civis e... as netas.

Edward apertou os olhos por um instante, como se aquelas palavras perfurassem sua armadura de gelo.

Sem hesitar, pegou o rádio:

— Mudem o curso. Imediatamente.

A confirmação veio rápida e, em minutos, o comboio inteiro ajustou a rota, desviando para o norte.

Edward apoiou os cotovelos nos joelhos e passou as mãos pelo rosto, exalando um suspiro pesado.

Bella.

Suas filhas.

Suas netas.

Elas tinham fugido. Tinham escolhido deixá-lo. E, mesmo assim, ele sentia o coração doer de saudade, de culpa, de esperança.

“Se ela ainda puder me olhar nos olhos...”, pensou, amargo. “Se ainda houver uma chance de redenção...”

Ele sabia que Bella era forte, determinada — e que talvez jamais perdoasse o que ele havia permitido acontecer.

Mas Edward também sabia que, sem ela, tudo aquilo que construíra era vazio.

Fechou os olhos por um instante, sentindo a dor latejando no peito.

— Espere por mim, Bella — murmurou para si mesmo. — Só me dê essa chance.

O comboio acelerou. A poeira ergueu-se atrás dos pneus grossos, enquanto os veículos cortavam o silêncio devastado, levando Edward de volta ao seu passado.

E à sua única esperança de redenção.

---


---


Refúgio Rebelde — Antiga Zona Norte


— ABAIXEM AS ARMAS!— gritaram.

Antes que seus homens reagissem, Edward ergueu a mão, sinalizando rendição. Não queria mais violência.

Portas foram abertas com brutalidade e, sob a mira de fuzis, Edward e seus generais foram forçados a ajoelhar.

Uma sensação pesada caiu sobre ele quando viu, ao longe, as figuras de Bella, Alice e Rosalie surgindo atrás dos soldados rebeldes — junto delas, Amanda e Emma, suas netas, de olhos arregalados.

Bella... tão linda quanto a lembrança que doía em seu peito...

Mas o olhar dela era frio, inquebrantável.

Não havia saudade.

Só desconfiança.

— Levem ele.— Bella ordenou com um gesto.

Sem resistir, Edward foi puxado para dentro de uma antiga instalação — uma escola abandonada transformada em quartel rebelde. Foi conduzido por corredores sombrios até uma sala improvisada.

A porta bateu às suas costas.

Quando levantou o olhar, o choque o atingiu como um soco.

Emmett Cullen.

Seu genro, que ele pensara morto.

Faltava-lhe um braço, mas seu porte continuava imenso e indomável.

— Olha só quem resolveu aparecer — Disse Emmett com um sorriso amargo, cruzando os braços. — Feliz em me ver, sogrão?

Antes que Edward pudesse responder, outra figura emergiu das sombras.

Jasper Hale.

Os olhos sérios, a expressão dura como pedra.

Edward abriu a boca para dizer algo — qualquer coisa —, mas Emmett riu, sem humor:

— Não tem nada para dizer? Nem uma "desculpa por tentar ferrar todo mundo"?

Edward cerrou os punhos, mas conteve a explosão de sentimentos que fervia em seu peito.

— Não... — sua voz saiu rouca. — Eu vim buscar minha família.

Jasper trocou um olhar com Emmett, tenso.

— A família que você destruiu? — Disparou Jasper, sem piedade.

Edward baixou a cabeça. Pela primeira vez em anos, ele não tinha uma resposta.

— Vai ser um longo caminho até conseguir isso — acrescentou Emmett, se aproximando, a sombra dele cobrindo Edward. — E, para começar, vai ter que ouvir o que a gente tem para dizer e aceitar nossa negociação.

Edward assentiu, vencido.

Não havia outra escolha.

Pela primeira vez em muito tempo...

Ele não era o presidente.

Era apenas um homem tentando reconquistar tudo que havia perdido.