Intrínseco
7 Capítulo 7
Os dias que antecediam os Jogos pioravam cada vez mais. Tratavam àquelas crianças e jovens de uma forma pior que bicho. Depois de tentar alimentar Marcus novamente e receber nada como resposta, foi com repulsa que observou a brincadeira que Arachne estava fazendo com seu Tributo. Ela fingia que ia dar um sanduíche a garota e recolhia novamente, a plateia ria. Sua mente absorvia o quão doentio era aquilo e tentava pensar qual era o prazer que essas pessoas tinham em ver seus iguais sofrendo. Foi quando a voz de seu pai ecoou no fundo de sua mente. “Eles são escórias, precisamos lembrá-los da guerra para saberem seu devido lugar”.
Um arrepio perpassou em sua espinha, Arachne estava jorrando sangue devido a investida de seu Tributo. Os instintos mais primitivos estavam expostos, a morte vinha pela sobrevivência, pela comida, um show com sangue derramado em sua frente. Mas a assassina não seria perdoada, foi morta a tiros logo em seguida e o sangue da Capital e dos Distritos misturados no chão.
Ninguém parecia olhar pra ela, a garota do 10 que estava morta na jaula, ninguém se importava. Sejanus precisava guia-la de volta pra casa, pegou um pedaço de pão de um dos sanduíches que havia levado, esmagou-o. Chegou perto das grades e começou a recitar a tradição de seu Distrito:
― Se acalme agora, a dor já passou, siga seu caminho de volta para casa...
Salpicava o pão em cima de seu corpo. Marcus o encarava e não fingia mais não prestar atenção como fazia até então. Seus olhos estavam fixos nos movimentos que Sejanus realizava. Um misto de sentimentos o confundiam-no. Sejanus era rico, poderoso, poderia ter o que quisesse a seus pés. Então por que prestava atenção na garota que ninguém parecia se importar? Ele era diferente?
Fale com o autor