Intrínseco
6 O monstro
Notas iniciais

Sinto–me vazia, de sentimentos.
Esmagada. Pisoteada. Massacrada.
Existem portas e Janelas.
Mas todas estão trancadas para mim.
Trancadas por mim.
Trancadas dentro de mim.
A dor parece algo tão surreal e banal
Das lágrimas que secaram em meu rosto
Ainda sinto o gosto
E meu coração é...
É gelo. Duro. Frio. Vazio.
E eu não sei mais me importar.
Eu não sinto.
Estou perdida dentro de mim.
Em um lugar tão obscuro que só eu sei chegar.
E os muros não vão cair.
As portas não irão se abrir.
Existe algo aqui. Um monstro.
Ele não sente.
Não ama.
Não cuida.
Não se importa.
Só guarda.
Guarda a dor.
A magoa.
O ressentimento.
Guarda os sonhos.
A bondade e o carinho.
Em um canto escondidinho.
Então ele vem.
Enfeitado com suas vestes de luxo.
Seu coração de gelo.
Congelando.
E a cada porta trancada tudo parece mais frio.
Eu acho que estou congelando.
E o monstro continua aqui.
Ele se recusa a sair.
E eu sinto medo.
O monstro não irá abrir as portas.
Nem destrancará os sentimentos.
Não libertará suas magoas.
Ele não pode.
Choro baixinho e quebro o espelho em minha frente.
Perdoe–me senhor, por esse monstro ser gente.
Fale com o autor