Introspectana
7 Saga 1 Capítulo 5 - Coração Coletivo
Introspectana
Capítulo 5 – Coração Coletivo.
By Bolchen
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Um dia novo, o amanhã após as pedras. Do céu claro e com um azul misturado a cinzas, milhares de pôneis andavam rua afora em caminho de suas profissões. Introspectana e Touch Light, no centro da cidade de Hoofington, caminhavam por entre carroças e paredes, conversando um pouco a respeito de muitas coisas que ainda não haviam sido esclarecidas. Touch estava jogada numa neutralidade em seu rosto, olhando para frente, enquanto que Introspectana se mantinha em sua seriedade casual.
-Mas... Intro... Por que estamos indo agora por esse caminho? -.
-Flute D’ Charm nos mandou ir até um alçapão, onde está localizado um grande número de cachimbos musicais que ele contrabandeou. Agora temos de ir pegar por ele -.
-Ainda não entendo por que nós estamos trabalhando para ele... Nós já não temos dinheiro o suficiente por agora? – Perguntava, ficando com uma cara de dúvida e olhando para a unicórnio.
A pônei dos olhos azuis parecia contrastar a si mesma quando repudiava olhar pro céu. Agora se postulava em suspiros de paciência, com uma sensação chata dentro de si donde se notava muita segurada de coisas.
-Agora dinheiro não é mais o nosso problema. Eu também tenho planos, Touch... – Dizia, muito séria.
-Huu... A grande e obscura Introspectana. Agora dando uma de pônei misteriosa com passado trágico! Que tipo de podridão terá ela feito ou planeja fazer?! – Ironizava, encenando com os cascos para cima.
-Nunca entendi por que você às vezes parece ser tão calma e nervosa, mas ao mesmo tempo gosta tanto de ironizar... Questiono donde você tirou uma contraditoriedade tão estranha... -.
-Tempos da faculdade, Intro... Tempos da faculdade... -.
-E você não deseja me contar sobre isso? -.
-Você não conta sobre você! Quando eu souber o que você está tramando agora, eu contarei – Tornava-se brava, desolhando a pônei branca.
-Eu já disse... Preciso ficar em anonimato... -.
-Mas o Flute já contou para mais dois pôneis sobre você! Que diferença vai fazer pra você agora, Intro? – Perguntava, se postulando em dúvida e em posição extrovertida.
-Eu realmente não posso contar... -.
-Vai! Vamos! Por favor! – Desesperava.
-Não... –.
A professora agora fazia uma cara triste.
-Por favor! -.
-Não...
A cara ficava cada vez mais triste e a sua íris cada vez maior dentro dos seus globos oculares.
-Por favor! – Sorria com rosto de pena.
-NÃO! – Gritou.
A professora se colocou em posição defensiva, em um contraste enorme em relação à ironia que colocou anteriormente. Agora lhe tomava uma posição de contra-ataque, com tom calmo em voz, mas em ataque para entender o que não entendia. Tentava racionalizar o que não tinha razão alguma.
Estressada, manteve a compostura para, então, indagar seguidamente a unicórnio.
-Sabe o que eu não gosto em você? É essa sua aura de pseudo-mistério! Sério... Eu não entendo o que há de tão errado com o seu passado para você não contar nada! Eu não entendo o que faz você ficar tão apreensiva em contar sobre si mesma! Eu não entendo... O que foi que você fez? -.
A professora já estava em estado de inquietude, aquele estado em que é como uma criança suplicando por respostas para as suas dúvidas. A “Intro”, como chamava a professora, não conseguia mais aguentar um puxa-saquismo duma pônei terrestre. Não conseguia nem mesmo entender o que havia de errado com isso. Havia algo de errado sim. Nisso, indagou:
-Por que você quer tanto saber sobre mim, Touch? -.
-Porque você é minha AMIGA! Eu quero saber o que há com você e quero te ajudar! -.
Amiga... Introspectana não conseguia apreender de forma clara tal termo. Não conseguia, ou não queria, que realmente tivesse acontecido isso. Não lhe era conveniente que a professora fosse a sua amiga. Mas naquele momento, tentou respirar fundo para não soltar essa verdade, prendendo para si mesma o que deveria contar.
Mas isso não impediu um grito...
-QUER PARAR DE ENCHER O MEU SACO?! SE EU DISSE QUE NÃO POSSO CONTAR, É PORQUE EU NÃO POSSO CONTAR! ENTENDEU?! -.
A professora logo baixou a sua guarda, ficando magoada.
-Tudo bem... Que fique por assim então... –.
A essa altura, as duas não mais mantinham algum contato visual, uma mantendo-se longe da outra. Continuavam a seguir o traçado da calçada, entre vários edifícios sem cor e a rua sem dor, pois as dores andavam nas calçadas, entre os pôneis. Os cascos da pônei branca não clopavam como clopou antes: Agora clopava mais forte, mais inquieta. Uma excitação interna de suas veredas visíveis.
Na professora, mais do que a clopada, era uma vontade de entender melhor os enredos. Mas não conseguia e se sentia como um ateu que não acreditava numa Celestiana. Não podia entender o que acontecia, mas também não entendia o que entende. Via-se na mais pura tremulada alterada, a tremule por respostas e, de tanto não conseguir isso, não mais acreditava em algo. Não acreditava em sua própria bunda.
Entre outra esquina e acolá, a posição de raiva entre as duas não mudava, e continuavam a não trocarem olhar algum. Mas em um dado momento, Intro lembrou-se de algum detalhe específico. Um pouco preocupada, precisava contatar novamente a sua parceira.
-Touch! Esqueci-me de um detalhe cruci... -.
-Não quero falar com você... – Respondeu, com voz baixa e triste.
-Não! Agora é sério! – Pegou a pônei cinza para trocarem olhares – Mais do que nunca, se ocorrer algo ruim lá, não hesite em fugir, entendeu? Não fique por lá! -.
-Por que você está falando isso? É até como se soubesse que vai acontecer algo ruim... – Estranhava.
-É porque VAI acontecer algo ruim e não quero que você se machuque lá! -.
A professora ficava com mais dúvida do que já estava, mas ao mesmo tempo o semblante sincero da Intro a deixava com mais certeza. Ao mesmo tempo, olhava fixamente para a unicórnio, percebendo um parecer além do que deveria. Talvez uma preocupação com motivos maiores, tal como motivos espirituais.
-Tudo bem... – Suspirou – Um dia ainda entenderei o que você esconde... -.
Andando mais, finalmente chegavam a uma parte da cidade onde se tinha menos prédios que o habitual. Havia diversos guindastes espalhados por diversos cantos, com diversos tipos de pôneis passando por diversos aforas. A maioria estava trabalhando naquele grande centro de armazenagem de produtos.
Intro se aproximou de um edifício com um grande portão de aço. Ao lado tinha uma porta. Touch apenas seguia os seus passos e, nesse momento, não transparecia nervosismo algum, estando bem neutra diante da situação.
Intro, então, se aproximou da porta. Abriu.
Diante da escuridão, acionou o interruptor de luz ao lado da porta, clareando diversas caixas de madeira e milhares de produtos contrabandeados. Ao centro, no caminho de sair pelo grande portão de aço, estava o caminhão com os produtos.
-Ali está! Vamos verificar! -.
Intro correu até o caminhão e abriu o compartimento. E lá estava uma grande quantidade de caixas contendo cachimbos musicais, todos eles prontos para serem utilizados pelos futuros apreciadores musicais daqueles tempos.
-Está tudo aqui, Touch! Vamos embora! -.
-Está bem... – Respondeu.
Touch estava estranhando, olhando para os lados e tentando entender o que estava acontecendo. Estava muito certinha a situação. As drogas, o caminhão... Tão arrumado... Mas ignorou a si mesma, entendendo que a Introspectana, com a sua elevada magia, estaria num patamar melhor de entender o que estava fazendo, sendo mais sábia do que aquela professora criatura.
Enquanto a professora olhava para todos os lados, a pônei branca já caminhava para entrar no caminhão. Abriu a porta e entrou. Já a pônei terrestre ainda se mantinha do lado de fora da porta, continuando a estranhar tudo e todos. Em seguida, ainda que atrasada, resolveu entrar, pensando exatamente que nada ela tinha razão alguma. E entrou, continuando com as suas dúvidas.
Introspectana não ignorou este fato e começou a também estranhar, mas estranhar a Touch.
-Touch... Por que você está tão pensativa? Parece até que viu algo estranho... -.
-Não sei... Não acha que tem algo de errado por aqui? Estou até ficando com medo... – Começava a tremer.
-Ora! Não se preocupa, minha pequena pônei! As drogas estão no caminhão, o controle para acionar a porta está ali em cima e tudo que temos que fazer agora é levar as drogas até o Flute! – Respondia, em posição de consolar a professora.
-Mas não acha que está tudo tão... Fácil? -.
E as duas começaram a trocar olhares, e agora não mais só a professora, mas também Intro a começar a olhar para todos os lados.
E uma fumaça a subir pela cabine...
-Que cheiro é esse, Intro? -.
-Que cheiro... – Começava a fungar — ...DROGA! É UMA ARMADILHA! VAMOS SAIR! -.
Desesperadas, ambas tentavam abrir a porta da cabine, sem sucesso. Também tentaram quebrar a janela, com igual insucesso. Com a sua magia branca, tentou destrui-la, mas não conseguiu.
-Droga! E agora! Estamos presas... a...qui... uh! -.
-Não! Não Intro... Por... favor... n...ão... des... mai... e... oh! -.
E ambas desmaiaram.
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HEY! ACORDA!
...
...
...
EU DISSE: ACORDA!
...
...
...
ACORDA VADIA!
Derrubada da cadeira, uma marca em seu rosto. Introspectana sentia uma forte rajada de luz, pelo acordar súbito do instante. Se acostumando com a luz, percebera que, embora caída ao chão e amarrada a uma cadeira, novamente foi levantada. O ambiente estava praticamente ofuscado pela luz.
-Touch... É você? – Dizia, bem tonta.
Por mais alguns instantes, sua respiração não se sustentava. Muito suada e bastante labirintada, tentava perceber os seus arredores, mas sempre ficava tonta demais após uma dormida ou um desmaio. Talvez uma de suas fraquezas.
Porém, passado alguns minutos, finalmente conseguia visualizar o ambiente: Estava em uma sala vazia, com apenas uma mesa à sua frente e ela. Notou que as paredes eram de aço e, em vários cantos, tinha um signo estampado em sua parede. Não acreditava que tivesse acontecido o que não queria. Dava vontade de bater com os cascos em sua cabeça, mas as cordas não deixavam. Decepcionada, pensou para si:
“Droga! Não acredito que estou na delegacia de polícia! Ferrou de vez agora! Droga... A minha previsão deu errado!”.
Por mais alguns instantes, tentou entender onde estava o potro ou potra que a derrubou. Olhando para todos os lados, não conseguiu perceber onde ele ou ela estava. As paredes azuis do ambiente só aumentavam a sua tristeza e decepção interior, uma melancolia que poderia ser, de fato, acompanhada pelo Blues da ponydade.
Num instante pausado, finalmente percebeu-se que uma das paredes era falsa e dessa parede, abrir-se e surgir uma pegaso de pele amarelo claro, aparentemente um amarelo pálido, porém intenso. Sua crina era vermelha, com um formato veloz de labaredas de fogo, e tinha uma cor secundária de vermelho mais pálido e justamente abaixo do vermelho mais forte, se estendendo por toda a crina. Os seus olhos eram tão vermelhos como a crina e sua altura era mais baixa que a de pôneis normais. Sua marca registrada: Uma algema. O seu corpo refletia essa algema: Utilizava um fardo policial, com um emblema em seu peito escrito A.C.M.
Ela caminhava em passos pequenos, sérios e de olhares tão introspectivos como a da Introspectana. Com voz de autoridade e imposição, soava por todo canto um mandar rude, seco, porém um mandar.
-Bom dia, Senhorita Introspectana... – Dizia, muito séria e com voz autoritária.
Intro não parava de fitar uma desconfiança no rosto daquela pegaso. Simplesmente se encaravam em meio de vários conflitos sem nem ao menos terem se conhecido.
-Bom dia... – Falou, com voz baixa e séria.
A pegaso lentamente pegava uma cadeira, pondo-a perto da unicórnio, sentando-se adjacente à mesma. Nunca, em momento algum, parava de encara-la, tudo para arrancar algo. Talvez não apenas verdades, fatos. Talvez arrancar um coração sólido, um pálido coração. Ou até mais: Arrancar um pedaço da alma Introspectoriana. Respirava profundamente a voz da autoridade, se mantendo com diversos fatos para si. Mantinha o fato de algo, algum fato. E queria o esclarecer.
-Como pode ver, Senhorita Introspectana, eu sou uma agente de inspeção da A.C.M ou, em tradução, Associação de Controle de Magia.
-E o que a grande academia quer de mim? – Perguntava, encarando-a.
-Nós não queremos nada de você... -.
-E por que então estou aqui, amarrada e olhando para o seu rosto de emburrada? -.
-OLHA COMO FALA PARA MIM, VADIA! –.
Nisso, a pegaso deu um coice na barriga de Introspectana, caindo com a cadeira ao chão. Ainda que sentindo de forma fraca a batida, ainda sentia: Sua respiração ficou mais rápida para contornar a falta de ar. A pegaso pulou para cima da Unicórnio, encostando seus focinhos um contra o outro.
-Lembre-se, vadia: EU sou a autoridade aqui e EU é quem mando. Eu poderia muito bem te prender por desacato mas não farei isso, pois não é conveniente à situação que você seja presa-.
-E o que então você deseja, afinal? – Disse, fitando bem no centro do olho da pegaso.
A pegaso levantara a Intro, deixando-a na posição inicial. Retornando ao seu assento, novamente a continuar com a sua cara emburrada em direção à pônei branca.
-Entenda o seguinte, senhorita Introspectana: Nós, da associação, não temos aquele desejo de destruir a magia dos pôneis, muito pelo contrário. Nós temos um imenso desejo de que essa magia seja transformada em benefício para os pôneis, como bem queria a criadora original da Associação, Twilight Sparkle-.
-Mas ela nunca pensou que a associação viria a tornar-se um órgão regulador e... Meu! Originalmente nem se chamava assim! Se chamava Associação de PESQUISA de Magia! – Falava, muito decepcionada.
-Muita coisa mudou desde aqueles tempos em que você era diretora da associação, Senhorita Introspectana. Agora nós ganhamos uma posição de prestígio verdadeiro, temos tudo o que na sua época não tinha. Temos o apoio de todos os pôneis, do governo e das instituições -.
-E para que? Para virar essa merda que é hoje? Impor leis que impedem a expressão verdadeira da magia dos unicórnios, pegasos e pôneis terrestres? –.
Nesse momento, Introspectana tinha saído de sua aura extremamente séria para dar lugar a uma aura de decepção, ainda que séria também. Parecia que tudo não estava exatamente do jeito que ela tinha planejado. É como se tudo estivesse deturpado, violado em lacre. Já a pegaso, continuava em sua posição séria.
-Mas se nem mesmo os próprios pôneis, hoje jogados à deriva de magias que os distanciam da própria realidade, querem fazer algo para a sociedade, quem irá fazer? -.
-Você fala isso como se a Associação hoje fosse exatamente do jeito que está pensando... -.
-Como assim? – Perguntava, agora com aura de dúvida.
-Ué? Tenho culpa de que a associação agora se “associa” com criminosos de guerra e com as antigas instituições mágicas para desviarem dinheiro das drogas para os próprios oficiais de alto-escalão da Instituição? Você realmente tem razão em afirmar que eu não deveria ter saído da associação. Afinal, estou perdendo muito dinheiro que podia estar ganhando – Falava, olhando para o lado e sorrindo maliciosamente.
-Eu... Não sei do que está falando... -.
-É isso mesmo que você escutou: Agora, mais do que nunca, os oficiais que você tanto obedece devem estar ganhando milhões de bits só com drogas... -.
Por um momento, a pegaso parou um pouco para analisar a situação. Então, retrucava:
-E por que então eu estaria AQUI, sentada nessa cadeira e conversando contigo só para conseguir UMA MÍSERA INFORMAÇÃO A RESPEITO DE, JUSTAMENTE, CONSEGUIR PEGAR OS CRIMINOSOS QUE VENDEM DROGAS?! HÃ?! – Gritava.
A unicórnio continuava a sorrir maliciosamente, e muito calma diante da situação.
-Sabe... Existem máscaras com as quais utilizamos para esconder a nossa podridão. Muitas vezes, essas máscaras são exatamente o extremo oposto do que queremos aparentar, se é que me entende. Às vezes, queremos aparentar uma dureza, mas no fim somos fracotes, no fundo do fundo. E vejo que você é bem delicada para uma pegaso durona. É tão bonitinha, fofinha... – Zombava.
-O... O que?! Para com isso, Senhorita Introspectana! – Respondeu, bem avermelhada — Eu sei e muito bem dessa artimanha que você utilizava na época da academia! -.
-Mas que culpa eu tenho se não consigo resistir a essa cara fofa que você tem? -.
-Olha... Esse não é o assunto que temos de tratar agora, tampouco aquela discussão! Então eu vou voltar para onde eu queria chegar! – Concluiu, bem nervosa e envergonhada.
Então, a pegaso se ajeitou em sua cadeira e retornou ao seu olhar sério, ainda que obviamente avermelhada.
-Nós da academia pensávamos que você fosse uma grande pônei de grandes ideais, de grandes pensamentos e feitos. Mas no fim, percebemos que você não passa de uma renegada que agora trabalha com magia negra -.
-Pode falar quanto quiser. Eu sei que tudo que vocês pensam de mim é apenas pura e simples ignorância de não saberem o que realmente eu faço – Ironizava, debochando.
-Bom, o que você faz agora ou deixa de fazer não é mais do nosso interesse, mas sim o fato de você estar ligada à Mágia e isso sim, é do nosso interesse -.
-Eu não estou ligada à Mágia -.
-ESTÁ SIM! – Gritou, batendo com o casco na mesa — Aquele caminhão carregado de drogas é a prova mais do que suficiente para ligar você ao terrível e horroroso Flute D’ Charm! Isso é inaceitável para a associação, que tem o total dever de controlar esse tipo de praga mágica! -.
-Certo... E então? -.
-Tudo que eu quero é que você MATE o Flute D’ Charm! Assim ele aprende a não ficar espalhando magia negra por toda Equestria e, ainda por cima, corrompendo pôneis inocentes que ficaram dependentes de suas drogas! -.
-Mas não é ilegal, dentro da associação, que seus membros matem um pônei? Pelo que sei, isso não está nos códigos de conduta da instituição... -.
-Por isso que disse que a associação mudou muito desde que você saiu, Introspectana. Agora nós temos a total permissão para matar quem vemos que utiliza a magia de forma irregular -.
-E depois me chamam de renegada... – Olhava com desprezo.
-EU OUVI O QUE VOCÊ DISSE! – Deu um tapa na Unicórnio, deixando uma marca vermelha no rosto – E lembre-se: Mate o maldito daquele pônei ou senão você vai ficar presa pelo resto de seus dias! -.
-Uh! Pelo menos podia ter avisado da tapa... – Reclamava, se recompondo – De qualquer forma... Eu farei... -.
-Bom mesmo... E que faça direito, viu? -.
-Tá! Tá! Agora pode me soltar dessa corda anti-mágica? -.
-Está bem... -.
A pegaso levantou-se e desamarrou a unicórnio, que em seguida se espreguiçou e estendia todos os seus membros e cascos para os lados, aliviando uma fatigada sentada. Pensou mais um pouco e percebeu que tinha algo faltando, algo de errado...
-Hey! Cade a Touch Light? -.
-Quem? Aquela pônei terrestre que estava com você? -.
-Sim, ela mesma! -.
-Ela... -.
Por um momento, quase a pesago desembuchava algo, até que notou o que deveria fazer e resolveu correr atrás do prejuízo, recompondo as suas palavras.
-Oh! Você nem imagina o que fizemos com ela... – Sorria, mas brava.
-O que?! O que vocês fizeram com ela?! Ela não tem nada ver com tudo isso! – Pronunciou, preocupadíssima.
-Claro que ela tem! Afinal, ela estava com você e, além disso... Ela é uma servinte. O que se podia esperar dela? -.
-Ei! Só eu posso chama-la de servinte! E diga agora: Onde ela está?! – Se postulava em enfrentamento.
-Eu te mostro onde ela está agora... E acredite: Ela está MUUUITO feliz nesse instante! -.
Ainda que brava, Introspectana se conteve, acompanhando os passos da autoridade em questão. Sua respiração estava ofegante e não conseguia aguentar o fato de que podia ter envolvido a sua amiga em uma situação que não deveria estar. Pela primeira vez em sua vida, estava preocupada e tensa.
Cada passo não estava mais tão seguro quanto o anterior. Aos poucos, cada um desses barulhos de casco no chão ficavam graves, lentos. Um Rallentando musical donde se vê uma oscilação ponyana, a mesma oscilação entre o bem e o mal. Mas mais do que isso: Estava oscilando a própria existência.
Andando mais pelos corredores de aço, cada vez mais se ouvia gemidos e batidas no chão.
-Ah! Por favor! Para! Não estou aguentando mais! AAAAAAAAHHH! -.
-É A VOZ DA TOUCH! GRRRR! – Correu, trombicando a pegaso para os lados e jogando-a contra as paredes, correndo até um portão de aço escovado.
-Ei! CUSTAVA DESVIAR DE MIM?! – Gritou, se levantando e gemendo de dor
Desesperada, correu até o portão, colocando-se em postura de extremo enfrentamento e, ao mesmo tempo, em extrema força de vontade. Deu um coice tão forte que amassou o aço, claramente jogando toda a abertura da porta contra a parede. Então, foi então que gritou:
-O QUE VOCÊS ESTÂO FAZEN... Do... Com... Ela... -.
-HAHAHAH! Para! Uh... – Disse a Touch, atando o seu olhar para Introspectana – Hey! Oi, Intro! Acredita que eles possuem uma grande creche dentro da delegacia onde eles registram os filhotes que foram abandonados pelos seus pais? -.
-Uh... Não sabia... -.
Então, conseguiu-se ver melhor a cena: Touch estava rolando no chão, brincando com vários potros e potras que esperavam na sala. Todos eles se jogavam em cima da professora ou faziam cócegas na potra cinza.
-HAHAH! Para! Eu não consigo parar de rir! PAAARAAA! HAHAH! – Dizia, rindo no chão.
Introspectana mudara a sua cara para um tom neutro para, em seguida, finalmente sorrir um pouco. Finalmente via a professora justificando em toda a sua essência o que ela realmente era e o que fazia. Finalmente conseguia perceber o que a professora sempre foi e fazia.
Mais do que nunca, a pônei branca começava a ficar mais feliz vendo que de fato a sua amiga estava bem, estando apenas e simplesmente brincando com vários filhotes que ficaram à deriva existencial. Percebia que nem tudo era pra ser tão podre como imaginava, pensando que todos os pôneis seriam ruins a ponto de fazer apenas só coisa ruim. Talvez tanta ingenuidade quanto pensar que tudo sempre vai estar bem.
Diante de tal cena, acometeu-lhe uma grande esbugalhada nos olhos, com a pegaso estando por trás e sussurrando bem no ouvido da unicórnio:
-Lembre-se: Mate-o ou senão vocês DUAS irão para a cadeia pelo resto de suas vidas -.
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