Introspectana

10 Saga 1 Capítulo 8 - Amanhã vai ser pior... Ainda.


Introspectana

Capítulo 8: Amanhã vai ser pior... Ainda.

By Bolchen

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Touch continuava deitada na cama, descansando. Muita água saía de cada canto de seu rosto, ao mesmo tempo em que respirava ofegantemente. Sua assustada forma de ser estava em um colapso constante, entrando e saindo repentinamente da vertigem em que ela se prendera ao bater-se na parede e cair ao chão.

Dentro dela, ouviam-se os seus gritos contra a Introspectana que invadiu o seu interior, no introspectivo que dominou a sua mente e seu ser. Já não estava mais sendo quando Intro se introduziu na sua profundeza da alma e contrariava as suas expectativas, tudo em forma de atos que alcançavam o físico. Literalmente...

“Por favor, Intro! Para de machucar!”.

“NÃO! EU PRECISO CONTINUAR! EU PRECISO ALCANÇAR!”.

Constantemente a escurecida unicórnio, naquelas visões da noite, dava diversos coices na Touch, levando-a constantemente a uma invasão mutiladora.

-Por favor, Touch! Se acalme! Urgh... Onde eu deixei o pano húmido?! -.

...

“SAIA DO MEU CAMINHO, VADIA! VAI LEVAR MAIS PORRADAAAA!”.

Introspectana estava sentada ao lado da Touch, apreensiva e procurando por todos os lados da cama aonde é que estava o pano úmido. Já tinha se derrubado ao chão, levantando-se imediatamente após ter o encontrado justamente ali. Torcendo o pano molhado no balde, recolocara-o na testa da Touch, que continuava a arder em febre e em estado grave. Provavelmente infecção.

A potra introspectiva se colocara então a novamente aproximar o seu chifre sobre a cabeça da sua amiga, novamente tocando o seu chifre na testa dela. Apreensiva e nervosa, continuava a gerar mais tempestades em cima das cobertas.

-Por favor, Touch... Resista a essa infecção... DROGA! – Gritou, fechando os seus olhos – Por que eu justamente tinha de ter uma magia de cura tão fraca?! -.

“PARA, INTRO! AAAAhh! Por favor...” Chorava “Isso dói! Para com isso! AAAAAAAAAAAAAAH... AAAAAAAAAAAAAAH!”.

“Essa magia de dor é necessária para você aprender a me OBEDECER, OUVIU BEM?!” Gritava a escurecida unicórnio que, nos sonhos, cobria com aura negra a pônei terrestre.

E nas profundezas do Toque de Luz, os gritos de dores da potra que flutuava no meio do nada se contrastavam com o aspecto neutro e frio da Introspectana violada. Com a aura negra, cobrindo todo e cada canto do corpo da Touch, Intro intensificava essa aura, que também intensificava na mesma medida cada grito e cada lágrima que caía da lâmpada.

“PAAAARA! PARA INTRO! POR QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO?!”.

“É PARA VOCÊ APRENDER QUE VOCÊ É SERVINTE E SERVINTE DEVE SERVIR, NEM QUE SEJA PRA SOFRER!”.

“PARA! AAAAAAAAh... UUUUURGH! AAAAAAAAAAAAAHH!”.

...

-Droga... A minha magia está tão lenta... Droga... Preciso aumentar mais a força dela... -.

“AAAAAAAHHH! PARAAAAA! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH...”.

...

..........

.................................

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!! PARA INTRO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!-.

Subitamente a unicórnio desencostara o seu chifre e desativava a sua magia, ouvindo exatamente o grito da luz ecoar pelo seu ouvido e tendo deixado um grande zumbido irritador. Agora Touch respirava ainda mais ofegante e intenso, com os suores a formarem novas lagoas de mágoas acumuladas, dentro e fora de seu ser.

Vendo que não podia fazer mais nada, Intro apenas pode ficar sentada e chorando para si, especialmente com os cascos a reterem as suas tempestades, ainda que inutilmente.

-Minha Celestia... O que eu faço? Por que eu só gero dor e sofrimento?! Ahn... Ahn... QUE DROGA! – Bateu com o casco em si mesma.

Do casco batido, saía um pouco de sangue de sua testa, com um corte superficial embaixo do chifre, mas suficiente para sair sangue. Estando a sua cabeça em cima do corpo da Touch, o seu sangue se misturava com a tempestade, formando um horizonte vermelho de sensações de pele e corpo. O sangue se misturava com o já encharcado cobertor, pelas tempestades que foram anteriores, mas que agora eram novamente banhados e alargados por uma maré vermelha.

Essa maré machucava aos poucos a professora, mas ao mesmo tempo tentava se curar dentro dela. Era um banho de vida, uma vida dentro de um grande mar salgado e de ferro sanguíneo. Entristecia-se, mas também conseguia sentir de novo algo melhor.

Touch se acalmara um pouco após a tempestade. Agora o seu corpo não tremulava e sua respiração normalizava um pouco. Por dentro, a escurecida continuava a olhar neutro pra ela, sem lançar magia negra, deixando a luz em paz. A luz olhava neutra, serena e, apesar do brilho fraco, continuava em sua velocidade a espalhar os seus raios por todos os cantos que pudesse, para em nesse momento novamente retornar para a sua recuperação.

Intro já estava, a essa altura, com o seu ferimento coagulado e suas lágrimas, cessadas. Mas a sua melancolia continuava a pairar pelo ar, culpando-se constantemente por tudo que estava fazendo. Agora já nem mais tocava na Touch: Queria parar de machuca-la depois de tudo que aconteceu naqueles tempos e momentos. Apenas olhava ao fundo da parede, exatamente pra frente. Afinal...

-Afinal... Eu sou uma pônei, com virtudes e erros... Não? –.

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-O que eu faço? O que será que devo fazer? -.

E estava Introspectana ali, de novo na mesma praça que a fez duvidar, e no mesmo banco em que conviveu com a Blitz, com as mesmas flores a lhe encantar um aroma delicado de escolhas e o mesmo jardim que embelezava o seu ser com um aspecto frio e doce.

Nesses dias ela não olhava os céus como antes fazia com frequência: Agora olhava pra frente e em posição neutra, mas nervosa. Os seus cascos friccionavam um contra o outro, com pensamentos vindos à tona em sua boca que mexia, mas não falava. Sentia-se com frio em cada calafrio que surgia nos cantos dos seus ombros, especialmente quando lembrava que a Blitz deveria ser morta. Pensava na possibilidade de mata-la, pelo sentimento do descartável copo de plástico, mas ao mesmo tempo a via como uma ecologia importante, que não podia ser ignorada diante de um mundo poluído.

Os pensamentos não a torturavam ou a deixavam tonta: Simplesmente vinham numa única linha confusa, como uma flecha penetrante que, em cada passo de lembrança que essa flecha atravessa o seu corpo, a mutilava no mesmo instante. Para ela estava tornando-se pesado continuar a lembrar dessa linearidade que a machucava, pois não era de sua natureza.

Um pouco aflita diante de tudo isso, continuou a pensar mais a respeito, continuando a linearidade a atravessar o seu corpo, ainda que sem sangue a jorrar pelos cantos ou órgãos sendo dilacerados.

“Vejamos: Eu posso matar o Flute e simplesmente cortar toda a minha ligação com a Mágia musical, mas aí eu arranjaria uma grande confusão com a Mágia, perdendo uma grande oportunidade de tirar vantagem da Mágia e ela iria me perseguir até a morte com Bestas e anéis. Por outro lado, se eu matar a Blitz, eu terei problemas com o Lawyerious, já que na verdade ele possui tendências vingativas e agora ele, que se transformou numa égua, possui um poder tão grande quanto o meu, o que me trará problemas enormes se ele descobrir que eu matei o amor da vida dele... URGH! Destino... Você realmente não ajuda...”.

Introspectana direcionou os seus cascos até o seu rosto, batendo contra a testa. Nesse instante, também sentiu com tais toques a cicatriz formada, a que ficou após a batida violenta em si mesma. Lembrou-se da Touch Light, também lembrando que tudo que ela decidisse naquele momento, também iria afetar a sua amiga. Mais nervosa e brava, continuou os seus pensamentos.

“Droga! Mas se eu escolher ou um ou outro caminho, talvez isso vá ser algo traumático para a Touch descobrir. Ela não vai gostar nada se ela ver que eu matei ou um ou outro. Ela já não gosta de morte por si só... Mas...” Hesitou, se postulando agora em dúvida “...E se eu puder mentir que Flute foi morto pela Blitz? Ah, mas aí necessariamente eu teria de matar o Flute e se a Blitz se encontrasse com a Touch tudo cairia por água abaixo... Mas e se eu disser que Flute matou a Blitz e fugiu em exílio? Não vai colar... E em ambos os casos ela acabaria perguntando pra mim se fui eu que matei... “.

Despensando por um momento, apreciou um pouco a paisagem fria e sem cor, notando um horizonte invisível por causa da fumaça da cidade. O céu nublado e as flores murchas surpreendiam quando, perto da Intro, constantemente alternavam-se entre a murchada e a vida. O céu não conseguia se decidir entre um limpo claro ou um obscuro obstruir de coisas.

A unicórnio levantara-se do assento, andando por um caminho sinuoso do parque, continuando a supostamente apreciar a paisagem. Pensava:

“Mas isso tudo não me impediria de simplesmente largar tudo e começar do zero... Afinal, não preciso completamente desses pôneis para o meu objetivo maior, ainda mais uma professora que me atrapalha tanto... Mas...” Parou no caminho, com os olhos bem abertos “... Uma professora com quem me importo muito. Uma amiga que me é valiosa demais agora. A única pônei até hoje que se importou comigo... A única...”.

Ela então parou no caminho sinuoso, se refletindo sobre o vento que batia em seus olhos lacrimejantes. O cabelo seguindo fluxo, um contraste com relação a uma Introspectana estagnada no meio do caminho. Agora a pedra era Introspectana.

No retorno à caminhada, os seus olhos já estavam olhando para baixo e, em vários momentos, fechando para o infinito dos olhos fechados. Se esquivava do vento e, ao mesmo tempo, não conseguia o evitar: Sua pedra era tão forte quanto a sua existência. Vento de pedra, existência eventual.

“O que então devo fazer? Urgh... Minha Celestia... Esse é o fardo com o qual não queria estar tendo de aguentar...”.

No meio do caminho, percebeu um aspecto familiar ao fundo: Estava a correr pelo parque, suando labaredas de fogo. Era mais um lembrete a ela em ter de decidir ou fugir: Blitzfire chegava correndo, exercitando os seus músculos e sua vida. Estava a percorrer em direção à unicórnio branca, também aos poucos notando e lembrando familiarmente da mesma.

-Ei! Oi, Introspectana! Como anda as coisas?! – Gritava, ao fundo.

“Vish... Ferrou...”.

Rapidamente, o tempo deu uma pausada conveniente para a pônei branca continuar na decisão ética que ela tinha de resolver.

“Ótimo... Ela agora está aqui e eu não sei o que dizer... Eu até poderia matar ela aqui mesmo, mas isso seria burrice demais pra um só ser... E se parar para pensar, não preciso dela, pois nada sinto por ela, então ela não me é conveniente agora...” Falava, agora bem fria “ Mais do que isso, ela não possui os mesmos sentimentos nobres da Touch. É só uma frustrada que quer apenas a realização pessoal sem pensar nos outros. É apenas uma idiota que está cega pelo sistema”.

-Uh... Introspectana... Você está bem? -.

-O que?! – Voltara à realidade – Ah! Sim.... Heheh! Estou bem... Como vai? -.

Intro então tratou de se repostular em sua postura normal de neutralidade perante aos outros. Ela se colocara agora pra conversar, estando um tanto quanto nervosa, no fundo de si.

-Então... Como anda a sua amiga? Ela está bem agora? -.

-Bem... Uh... Sim... Mais ou menos e... -.

— Então parece que ela realmente está melhorando, embora ainda não esteja tão bem, creio? – Interrompeu.

-Sim... Há algumas horas ela estava passando mal, mas agora está descansando -.

As duas então caminharam até um banco, exatamente do outro lado do parque, distante do banco que se sentaram anteriormente. A pegaso estava sorrindo cotidianamente, sem preocupações ou frustrações. Aparentemente relaxada, falou:

-Já que agora você está melhor, eu estive pensando se... – Olhava pensativa pro céu.

-Se? -.

-Se você não poderia me ajudar a conseguir prender o Flute D’Charm. Você sabe... Preciso dele preso pra conseguir subir na associação... Eu juro que te retribuirei quando possível... -.

“SABIA! Essa safada só pensa em status e carreira! Egocêntrica até o talo! Já desconfiava que ela não possui o mesmo toque delicado da Touch! Tão descartável quanto um copo de plástico, só que sem a reciclagem inerente ao copinho!” Pensava.

-E também... -.

-Sim? – Continuava a Intro com o seu aspecto neutro, apesar dos pensamentos.

“O que será mais que ela pretende pedir? Espero que finalmente seja algo útil...”.

— ...Se você não poderia me ajudar a encontrar o Lawyerious. Eu estou Morrendo de saudades dele... – Falava, com os olhos um pouco mais fechados e delicados.

“VADIA! Não presta mesmo! Não servira e nem um pouco aos meus planos! De qualquer modo, talvez eu deva perguntar alguma coisa a ela...”.

-...E como é que vamos prender o Flute, Blitz? -.

-Simples: Vamos invadir na marra! Não importa quantos pôneis teremos de enfrentar, um ataque direto será mais que o suficiente, ainda mais utilizando os melhores anéis que a associação pode oferecer! -.

“Será que é isso mesmo que estou escutando?! Como é que ela pode ser tão BURRA?! Nem sequer pra planejar uma... Sabotagem? Desativar as magias das armas? Nem ao menos um ataque silencioso?! Que isso agora? Virou Pony-game de ação agora?!”.

— ...Não vejo que seja uma boa ideia, Blitz. Nunca imaginou, sei lá... Que isso pode resultar em nós duas tendo feito uma bela cirurgia plástica com flechas de bestas? Ou mesmo acabar ficando doidonas com drogas musicais do Flute? -.

-Só se ele fosse um Ponystart da vida. Aí sim acabaríamos doidonas com essas drogas musicais – Ria.

— Hã... Sério, não é hora de piadas... -.

-Não era? Ah... Desculpa... – Se neutralizava.

Assim, subitamente ambas se silenciaram por um instante e depois voltaram.

-Hã... Então... -.

-Então o que? – Perguntou a pegaso.

-Quando faremos isso? -.

-Então você topa me ajudar?! VOCÊ TOPA MESMO?! – Se entusiasmava.

-Sim... Não tenho muita escolha mesmo... -.

-Ahn... MUITO OBRIGADA! -.

A Pegaso abraçou a Intro, muito alegre. Agora estando mais do que feliz, a pônei da crina em labaredas estava em um estado bem diferente de outras Blitz anteriores: Agora parecia uma pausa mais tranquila e recebida, mais de boa vontade.

Nesse instante a unicórnio apenas olhava seriamente pra frente, em uma frieza e raiva simultâneas.

“Agora sei o que tenho de fazer... O destino está a meu favor para a sua morte... Sinto muito, minha querida pegaso extrovertida: Você agora merece a morte pela sua falta de ética espiritual. Não merece estar nesse mundo se apenas olha pra si, pensando em própria felicidade. Você vai morrer: É assim que deve ser...”.

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Touch caminhava por várias várzeas e direções iluminadas. Todas tinham um lindo espectro no seu final e todas elas, com um lindo pônei ao fundo, ofuscado pela luz e dificilmente eram caminhos fáceis de entender ou ver. Ela não sabia o caminho escolher dentro de tantos.

Ela caminhava por um, mas retornava. Caminhava em outro e também retornava. Eram milhares de veredas que poderiam ser escolhidas, mas nenhuma em especial ela conseguia seguir. Ela simplesmente se esquecia nisso tudo, vendo nada além de nada pra não se perder.

E desse nada, ela se tornava surpreendida vendo que as luzes começavam a se apagar. Ela estranhava e até se desesperou por um momento, mas em outro se acalmara rapidamente, vendo que já era tarde. Ao mesmo tempo, com as luzes menos ofuscantes, foi possível ver que em todos os caminhos estavam um mesmo pônei, sem cor e nem cheiro. Apenas a forma de um potro.

Ela já não sabia qual caminho escolher. Então, por um momento, com aquele sentimento feminino de intuição, resolveu que iria escolher pelo escolher: Tampou os seus olhos com os cascos e começou a rodopiar. E da tontura e uma caída ao chão, ainda continuava com os cascos nos olhos.

Ao se levantar, deu mais algumas voltas sem tanta pressa e parou no instante em que pensava ser o instante. E caminhara apenas pra frente. Só pra frente...

Entre nada e o nada, ela tremia um pouco com relação ao que poderia sentir ao chão, ainda que não sentisse nada de verdade. Os seus terremotos existenciais desequilibravam-na constantemente, mesmo sendo uma casa pequena e humilde e, por que não, bem estruturada com reforços anti-terremotos.

Mas nem assim evitava as suas quedas em alguns momentos, caindo ao chão e levantando de novo. Quem a via desse jeito, achava que ela cultuava a deusa do vinho em Ponche. E ela continuava a caminhar mesmo assim, com os cascos continuando no mesmo lugar.

Por um momento, a sua frase delicada: Fase de resultantes. Essa sentença resultava, então, no seu significado final: O pônei de sua finalidade, em sua frente. Ela havia se colidido com o mesmo, caindo ao chão pela última vez. Ao invés de se levantar, ela foi levantada por aquele potro e, com os olhos abertos, podia ver que a sombra continuava nele, um preto irreconhecível.

Com palavras calmas e neutras, ela perguntou:

-Quem... Quem é você? -.

-Eu sou eu -.

-Como assim? – Estranhava.

-Eu sou eu. Simples assim... -.

Ela não entendia o que ele queria dizer com isso, mas continuou a conversar com ele.

-Então... Me desculpa por ter... -.

-Esbarrado em mim? – Interrompeu – Não precisa se desculpar. É natural que vocês acabem colidindo com outros sem perceberem antes... -.

-Err... – Hesitava, um pouco nervosa — ... Você é a minha consciência? -.

-Não... Já disse que eu sou eu. Mais nada... -.

Ela então se sentara, vendo que, desse ato, o pônei em sua frente também a seguiu, se sentando junto com ela.

-Mas... Se você é você... Então o que é você? -.

-Eu sou um ser que senha. Você também senha? -.

-Como assim se eu “senho”? -.

-Senhar... Se você também se fecha... -.

-Acho que sim... Talvez... -.

-Talvez uma forma de ser mais pônei e menos reprimida? -.

-É... -.

-E pelo jeito parece que você está com problemas então... -.

A toque de luz abaixara a cabeça, tornando-se um pouco triste e deprimida. Ela olhava par ao lado esquerdo, tremendo um pouco, sem terremotos.

-Bem... Eu tenho uma amiga... E ela meio que... -.

-Te magoou? -.

-Isso... Acho... Mas mais do que isso. Eu realmente estou um pouco estranha com ela... -.

-Por que “estranha”? -.

-É como se agora já não mais conhecesse ela. Ela era uma coisa e agora é outra. Parece tão... -.

-Parece pônei demais, não? -.

-É... Acho que sim... -.

Touch deu um suspiro calmo e pequeno. Com um horizonte parecendo um pôr-do-sol, ela passou a olhar aquele brilho no longe enquanto conversava.

-...E eu não sei se eu tenho vontade de continuar andando com ela. Não depois do que ela fez comigo... -.

-E o que ela fez com você? – Pergutnava, bem neutro.

— Ela... – Hesitava tremendo, mas sem chorar — ...Ela me bateu... E bateu... E bateu... -.

-Talvez ela não tenha tido essa intenção... -.

-...E essa é a desculpa que ela dá toda hora... Toda vez... E NÃO AGUENTO, sabe? Tanta justificar, tanta perdoar... – Começava a chorar.

-...Você então não aguenta mais o que ela faz contigo, não? -.

-É... Já cansei do que ela fez até agora.

Em prantos, ela caiu ao chão, que refletiu uma grande gota d’água dentro de um mar preto brilhante. A onda gerada perfeitamente continuava até o horizonte, que também seguiu a onda até se dissipar nos céus. As suas gotas, ao contrário de si mesma, não formava onda alguma ao cair ao chão, apenas se somando com o mar. Era a sua forma de tentar enfrentar tudo e todos, tentando não acabar se vingando tanto quanto um outro pônei faria.

Ela estava tentando ao máximo não gerar mais. E quando gerava, chorava mais.

— ...Mas e se ela se importa com você? Não acha que deve dar mais chance a ela? -.

-O que?! Só pra ela continuar a desprometer mais ainda? Continuar esse mar de decepções constantes em ver que ela apenas olha pros próprios planos e não ver como isso machuca-me ou machuca os outros? Não sei... Eu tenho medo dela... Eu nunca tive tanto medo de alguém como ela... Ela me fez várias vezes feliz, mas esse erro agora, aquela raiva nela... Não sei se é perdoável... -.

— ... Talvez não seja perdão o que você quer... Talvez seja apenas e simplesmente... -.

— ...Que ela sinta mais... – Esbugalhou os seus olhos, surpresa.

Continuando com os olhos bastante abertos, calmamente ela se levantava e retornava para a sua posição sentada original, ficando de frente para o potro e olhando para baixo.

-Eu acho que talvez seja um certo... Amor que eu sinto por ela... Mas ao mesmo tempo não consigo vê-la como amor... Mas como a melhor amiga que eu gostaria de ter tido, mas nunca tive... -.

— ... Mas agora tem, mas ao mesmo tempo você acabou tendo um medo dela te machucar de novo... -.

— ... E me machucar muito mais do que um sangramento ou uma jogada na parede... -.

-Você ainda está abalada, não? Pelo fato de que queria que ela não machucasse, mas acabou machucando... – Falou, finalmente movimentando-se para mais perto da Touch – E você queria que ela não tivesse traído a sua palavra... -.

-É... Deve ser isso... Eu me sinto desprezada, sabe? É como se ela tivesse me dado um coice por costas de mim... – Aprofundava a sua melancolia.

-Acho que está na hora... Dela falar contigo... -.

-Talvez... Mas como se ela não está aqui? -.

O potro se levantara e, num passo instantâneo, iniciava uma flutuação. O seu corpo preto começava a exalar diversos fios e chicotes aos redores, com inclusive alguns a se abaterem na água absurda. De cada batia, a onda ia e, ao mesmo tempo, retornava para as chicotadas, que faziam com que os fios se tremulassem de volta. Dessa tremulada até retornar ao corpo daquele misterioso garanhão, começava a surgir uma cor mais branda e serena.

Essa cor se transformava em um arco-íris, se espalhando por todo o corpo daquele ser. Esse arco íris, ao tomar toda superfície dele, começava a se movimentar por ele, ficando cada vez mais rápida as passagens. Em um dado momento, o arco-íris se transformava em uma forte luz branca, “iluminando o sol do novo mundo”. Com as futuras à Touch, florando uma própria curiosidade, agora se cruzava com aquela luz branca, tocando-a calmamente com os seus cascos.

-O que você então é? -.

Da luz branca, de tão intensa, em um momento tudo ficava quieto, nem mesmo um zumbido ao fundo. Touch, dentro dessa luz, abria aos poucos os seus olhos, calmamente notando uma nova silhueta a sua frente. Dessa vez, finalmente via: Era a Intrsopectana, mas bem diferente. Percebia-se muito bem arrumada, com o cabelo liso não bagunçado como o de costume. Vestia um traje de gala, com uma gravata, e seu rosto estava maquiado levemente, com os cílios bem delineados e destacados, assim como as sombras nos olhos, num tom azul que contribuía ao seu ser.

-Touch... Minha amiga... – Sorria.

-...Intro? -.

Touch estava tão surpresa que apenas conseguia, em seu rosto, expressar uma cara de surpreendida.

-Touch... Eu sei que eu te machuquei muito... Mas... -.

-O que, Intro? Mas... – Tentava completar.

-Eu acho que esqueci que você existia naquele momento. Eu simplesmente não sei o que deu em mim, mas agora só quero que você me perdoe... -.

Touch não sabia o que falar nem como se movimentar, estando em patas desde o momento que vira a sua amiga. Tentava compreender o momento, mas ao mesmo tempo ignorava a existência de tudo e todos para apenas focar ali, em sua frente, em sua querida Introspectana. Esta, em seu sorriso constante, mas melancólico, se aproximava em cascos lentos até a delicada professora que não reagia.

-Eu sei que errei, mas agora quero recomeçar tudo com você, do zero... Sem essa violência... Sem a mágia nos perseguindo, sem essa ameaça pônica de garanhões podres tentando se aproveitar de você... Quero apenas... -.

-Sim... É isso mesmo: VOCÊ quer. Você é tão egocêntrica, Intro... Acha que tudo gira ao seu redor... – Falou, bem brava.

E a unicórnio se aproximava cada vez mais, até chegar de fato bem perto e serenamente na Touch, que agora estava bem desconfiada, mas receptiva.

-Eu sei que sou egocêntrica, mas agora nós duas precisamos uma da outra. Você está fugindo da pressão da ponydade tanto quanto eu. É o mundo contra nós, Touch. Agora temos de deixar esse passado de lado para nós duas continuarmos o nosso caminho... -.

-Intro... -.

Touch se aproximara lentamente da Intro, ficando as duas bem pertinho da outra, com as cabeças bem próximas. O chifre da unicórnio tocava a testa da professora, assim como acariciava um pouco os fios ondulados da crina branca e bem cuidada.

-A gente vai precisar esquecer tudo... Esquecer... -.

-Mas Intro... Será mesmo que vamos conseguir? Será que teremos um dia novo pela manhã? -.

-Talvez sim, talvez não... Agora tudo o que temos... É uma a outra... -.

E as cabeças se aproximavam mais ainda, com os focinhos se tocando até quase chegar aos lábios...

...

Abertura dos olhos. Um outro clarão estranho e denso, muito iluminado. Era o quarto de motel, tudo num silêncio de zumbido dominador. Touch acordava de suas visões e finalmente, em sã, conseguia ver a janela, as camas e a tv.

Estava claro aquele dia. Não havia ninguém dentro do quarto. O céu estava limpo. Touch se revirou na cama e, ainda tonta, colocou um dos cascos na cabeça, refletindo um pouco o momento...

“Eu... Eu estou aqui, viva. Esse machucado...” Tocou os seus lábios, notando um certo gosto com a língua “ ... Foi tudo real...”.

Tornou a olhar pra frente, visualizando mais o ambiente a sua volta. Notou que havia diversos lenços espalhados, provavelmente tudo da Introspectana. Notou que alguns estavam cheios de sangue, que então era sangue de luz. Ao tentar se levantar, sentiu uma leve dor nas pernas, mas nada que a impedisse de andar. Levantando da cama, viu que os lenços se espalhavam por todo o chão, também cheios de sangue.

-Parece que realmente passei muito mal. Há quanto tempo estou aqui? -.

Ao tentar se lembrar do tempo, acabou lembrando antes da sua amiga, da introspectiva. Um pouco aflita, tendo um súbito calafrio pelo corpo, se recompôs rapidamente para olhar pra baixo e refletir.

-Eu... Será que a perdoo? Será que ela sente mesmo? Eu queria tanto uma certeza simples agora de que eu esteja certa... -.

Ela tratou de continuar a caminhar pelo quarto, tentando encontrar mais alguma pista do que ocorreu naqueles dias. Percebeu, finalmente, que havia um jornal e, ao lê-lo, se assustara ao ver que se passou um mês desde que estava ali, se recuperando. Um pouco nervosa, tentou se acalmar.

-Minha nossa... Passou tanto tempo assim... E todo esse tempo, descansando... O que será que mudou? E a Intro... Será que ela está bem? -.

Nesse momento, lembrando novamente da unicórnio, refletira mais acerca disso.

— Mas será mesmo que ela realmente se importa com os outros? E aquele potro? Como ele está? Céus... – Suspirou – O que será que devo fazer? Será mesmo que devo perdoa-la ou achar mesmo que ela tem sentimentos e tristeza agora? E se ela não está sendo egoísta? -.

Continuando nos questionamentos, ela caminhara novamente até a cama, se sentando. Ao sentar-se, seus cascos tocaram um daqueles lenços cheios de sangue e a sua coberta carregada de humidade.

Touch, num ato de instinto, pegou a coberta e começou a abraçar nela. Percebeu que a textura estava estranha, diferente. Ao tentar tocar com os cascos, não percebia muita coisa. Com a coberta ao pescoço, percebia uma textura leve em um lugar em especial. Ao chegar a seus lábios...

“Isso... É LÁGRIMAS?! Eu conheço esse tipo de molhado de longe... SÃO LAGRIMAS! E ainda tão... Úmidas. Não se secaram... Isso significa...” Se chocava, com os olhos espantados “... Que a Intro realmente se importa comigo! E que ela sente! Ó, minha Celestia, agora sim percebo que ela realmente ainda tem um pouco de ponydade em seu coração! Ela esteve todo esse tempo cuidando de mim e até implorando pela minha melhora! Ah, Intro... Como agora eu amo você... Como amiga, lógico!” Ria um pouquinho, bem serenamente.

Ela então caíra novamente na cama, num grande alívio, abraçando a coberta para si.

“Mas... Onde será que ela está agora?” Questionava, olhando pro teto.

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Introspectana caminhava lentamente pela rua, acompanhada pela Blitzfire. Era uma noite vazia, tal como as ruas calmas e sem qualquer traço de pôneis passando pela mesma. Blitz carregava consigo uma grande arma esquisita, uma besta diferente das outras de metal ou madeira, enquanto Intro preparava o seu Anel em seu chifre, sempre aparando com o casco algumas configurações acopladas a aquele objeto.

Intro também não parava de olhar para a gigante besta nas costas da Blitz, com um aspecto de linhas agressivas, feito de aço porém, sem a sua mecânica interna aparente. Era relativamente limpo, embora o plástico sugerisse um mesmo tipo de tratamento dado a carroças de baixo custo. Havia duas carabinas saindo desse aparato, seguido de um gatilho que era acionado pelas suas asas.

Continuando a estranhar, a unicórnio perguntou:

-Então... Uh... Que arma é essa que você está usando? -.

-Essa Besta? É uma arma nova da Associação! – Falava, bem entusiasmada – Ela canaliza a minha magia interna de pegaso para transformar em magia de ataque. Engraçado, não? -.

-É... Estranho... E meio grande... -.

-Ah! Não se preocupa! – Cotovelava com um dos cascos na Intro – Eu sou especializada nesse tipo de coisa! Isso porque você não viu algumas das armas novas da Associação! -.

-E nem quero ver... – Retornava o seu olhar pra frente, em indiferença.

-Tá com inveja, é? Aposto que adoraria utilizar uma dessas. Ainda mais você sendo unicórnio então... -.

-Sei não, Blitz... Não sei se isso será tão necessário para o que vamos fazer... Cê sabe: Isso aí não é uma das coisas mais discretas nesse mundo... -.

-E qual seria a importância disso nessa empreitada pra prender o Flute? -.

-Deixa pra lá... – Colocava um dos cascos em sua testa, em incredulidade.

-Ué? O que foi que eu fiz? -.

Sem responder, Intro andou um pouco mais rápido, ficando à frente da pegaso. Ao caminharem mais um pouco, finalmente chegavam ao prédio do Flute. Estando do outro lado da rua, elas se esconderam por trás de uma caçamba de lixo. Intro, espiando, percebeu que diversos pôneis afetados por drogas estavam preenchidos na porta, carregando anéis e bestas. Aparentemente, alguns estavam distraídos e caídos ao chão, enquanto outros aguardavam na porta.

Tendo visto por completo o ambiente, Intro tratou de bolar algum plano.

-Então, Blitz. O que precisamos fazer agora é conseguir arranjar um jeito de entrar lá sem sermos percebidas pelos guardas e... hummm... -.

-O que foi? Porque parou de falar? – Estranhava.

— ... Sério... Essa sua arma não vai ser tão útil assim nesse momento... -.

-O que? Só porque você está com inveja de eu poder ter um aparato tão foda e você não? -.

-Pelo menos não sou eu que tenta mostrar que tem rabo grande, mas no fundo o rabo é tão pequeno que nem com aparatos grandes resolve... – Desprezava, bem neutra.

-Ah! Vá tomar no flanco, Introspectana! Não tenho culpa se você é uma selvagem que se utiliza de métodos arcaicos para fazer uma simples operação de invasão! -.

-Métodos arcaicos... Olha só quem fala: A que apela pra ignorância com essa coisa aí... -.

-Esquece, mana! Esquece... -.

-Se for pra eu tomar no flanco, espero que o meu flanco aguente a puxação de saco que é você... -.

-E eu espero puxar tão forte que faça você chorar! – Dizia, bem brava.

Enquanto Intro continuava numa neutralidade espantosa, olhando e planejando a invasão, Blitz ficara raivosa e encostada na caçamba, cochichando para si mesma sobre como achava chata a Introspectana. Não só cochichava, como também dizia alguns xingos em volume baixo.

-Filha da servinte... Mula solteirona... Virgem frustrada... -.

E já tendo planejado bem o que faria, a unicórnio voltou o seu olhar à Blitzfire e, para a sua surpresa, ela não estava mais ali. Quando olhou novamente para o ambiente, percebeu que ela estava em frente ao prédio, de frente aos potros e de frente à porta minúscula.

-Vocês vão ver agora! Eu irei prender o Flute D’Charm CUSTE O QUE CUSTAR! – Gritava, em tom de guerra.

Sem paciência, com as suas pequenas asas ativara um interruptor que imediatamente forçou duas barras a se prenderem ao chão, mantendo a pegaso presa no mesmo lugar. Alguns potros, notando a sua presença, atacaram ela utilizando os seus anéis mágicos, com alguns correndo até ela para dar coices e outros lançando magias. Ela, com um sorriso bravo em seu rosto, levara lentamente as suas asas até o gatilho.

-Idiotas... Agora vocês vão ver... -.

Puxou o gatilho. Dos canos, milhares de feixes de magia vermelha saíam num ritmo metralhador. Os feixes atingiam o prédio deixando um grande buraco com fumaças e outros feixes atingiam os potros, atravessando muitas vezes os corpos deles. Um feixe atingiu um potro que sequer notara a sua presença, morrendo no mesmo instante que atingia a sua cabeça e o seu corpo caía ao chão.

Outros feixes atingiam os garanhões com drogas, que também acabavam morrendo quando os feixes atingiam as suas cabeças.

-HEAD SHOOT! HEAD SHOOT! WOOOHOOO! -.

Blitz sentia uma grande adrenalina em si, mas principalmente, em cada potro atingido, uma vitória interna. Sentia-se muito bem nesse sentido. Em um momento, parou de atirar e viu que alguns, ainda resistidos, começaram a desesperadamente sair daquele lugar. De milhares de corpos espalhados e alguns sobreviventes a correrem, ela então começou a virar o seu aparato para mirar nas cabeças deles.

-Uh... Será que eu consigo atingir aquele idiota ali correndo? – Se perguntara e, atirando, atingiu a cabeça dele, explodindo – AHA! HEAD SHOOT CARAMBA! -.

Em mais um potro correndo, ela atirou. Mais head shoot. Um potro em especial, um que estava ainda deitado, ao perceber aquela movimentação, nem sequer pensou em equipar um anel e, levantando do seu sono, andou lentamente até iniciar uma corrida... Para a morte.

-OPA! VOCÊ TAMBÉM NÃO ME ESCAPA, FILHO DE SERVINTE! -.

Ela atirou, errou. Atirou mais uma e acertou a perna esquerda dele, fazendo-o cair ao chão e remoer uma dor. Cobrindo o ferimento com os seus cascos, começava a chorar um pouco até perceber uma sombra em cima dele. A Pegaso estava bem em sua frente, apontando um dos canos na cabeça dele.

-Tchau tchau, vagabundo. Gente como você merece morrer! – Falava, com um sorriso ao rosto.

E então atirou, deixando um rastro de sangue pela parede e na rua. Depois disso tudo, percebia-se um outro ambiente: Agora estava a rua coberta com sangue de pônei, com vários corpos espalhados pelo chão. Alguns dos que estavam dormindo estavam encostados na parede, com um grande e profundo buraco no peito e a parede, rachada. Alguns olhos abertos, outros mantinham um rosto desesperado.

Introspectana não havia saído de seu lugar desde o começo, ainda com o mesmo aspecto neutro e frio desde que começou toda aquela atirada. Ela apenas negava com a cabeça, um tanto quanto decepcionada diante do que vira.

“Agora vejo que motivos para matar a Blitz não me faltam. No último momento, eu irei dar um fim nessa parasita social”.

Levantando-se e saindo da proteção da caçamba, ela andou lentamente em direção da pegaso, que vislumbrava a visão de uma obra de arte que ela mesma havia composto: Agora o seu moimento artístico futurista estava concretizado numa cena contemporânea e carregada de fumaças de concreto, de corpos mutilados e até algumas cabeças explodidas.

-Veja, Intro. Essa é a maravilha que a nossa tecnologia pode nos proporcionar! Muito efetivo, não? -.

-É... – Direcionou os seus olhos a um potro em especial, que estava sem cabeça – Efetivo até demais... -.

Enquanto Introspectana olhava todos os cadáveres, Blitz foi até a entrada do portão para finalmente começar a invasão. Ao tentar entrar, ela ficou encurralada na porta, não conseguindo passá-la. A pegaso imediatamente ficou embaraçada.

-Uh... Intro.... Estou presa... -.

-Viu o que eu disse sobre esse treco aí? Agora você terá de tira-lo, pois está emperrado... -.

-TIRAR-LO?! Mas isso aqui não pode ficar aqui largado! Custa uma fortuna uma dessas! — Gritou em desespero.

-Não me culpe se você foi burra o suficiente para achar que conseguiria passar por essa porta com esse treco... -.

-Ah! Vai se foder, Intro! Se ao menos não estivesse emperrada para dar um tiro em você... – Se zangava.

Por um momento, a unicórnio já ia ajudar a pegaso sair da situação, mas parou por um instante e começou o sorriso de sempre sem eu rosto.

-Se você não estivesse presa, como eu conseguiria olhar esse flanco gostoso que você tem? – Sorria.

-O-o que?! Agora aí já é apelação! Me tira daqui! -.

-Mas é que você presa fica mais fácil apreciar o sol nascer, se é que me entende, Blitzfire... – Se aproximava do flanco dela.

-AAAAhn... Como saio daqui agora? -.

Já tendo brincado o suficiente, a potra branca se aproximou do aparato da Pegaso, acionando um interruptor que imediatamente liberou a potra amarela daquela arma, ficando ela livre, mas a besta presa na porta. Andando um pouco e se espreguiçando, ela ainda continuava brava com a Intro.

-Você ainda vai me pagar por esse desperdício, Intro... -.

-Como se você fosse realmente receber depois que você já não estiver aqui... -.

-Como – Estranhou.

-Ah... Nada não... É que você depois vai estar ocupada procurando o Lawyerious, não? -.

A pegaso mudara de novo de tom, agora relembrando do seu amado amigo pônei. Olhava melancolicamente para baixo.

-É... O Lawyerious... Eu vou... -.

-Vamos! Não é hora de ficar pensativa aí. Temos um unicórnio azul para prender! -.

-É... Vamos! -.

As duas passaram por baixo do aparato preso na porta e seguiram o corredor estreito que as levariam para o Flute. Subiram uma escada... Viraram à direita... Mais uma escada e finalmente a luz da porta...

Com as duas preparando os seus anéis, andaram sorrateiramente pela escada, se aproximando em passos de tartaruga até a luz. Enquanto Intro estava com o chifre apontado para a luz, encostada na parede do lado direito, a Pegaso deixava uma de suas asas abertas, na parede do lado esquerdo.

Caminharam mais um pouco e finalmente chegavam na beira da porta. A unicórnio deu uma primeira olhada para ver o que havia na sala e, recuperando um pouco a sua visão diante da escuridão anterior, finalmente podia visualizar a mesma sala de antes, a sala fria e com o quadro da Octavia e Dj Pon3 ao fundo. A cadeira estava virada de costas pra elas, impedindo e saberem se Flute estava ali.

Entraram na sala. Vasculharam de pouco em pouco cada canto até chegarem à mesa. Chegando perto, elas observaram a cadeira virada. Intro acenou para a pegaso que no três ela iria virar a cadeira. Um... Dois... Três! Virou a cadeira. Não havia nada ninguém sentado nela.

Naquele momento, uma sinfonia começava a tocar ao fundo. No caso, era a sinfonia número cinco de Beethoven, o que assustou as duas pelo seu começo abrupto e rude. As duas se viraram par aa porta, para nenhuma surpresa verem que era o Flute D’Charm na porta, segurando uma grande besta com a sua magia de aura azulada.

-Olha só... Se não é a minha grande companheira Introspectana e uma certa policial que deseja me prender... -.

-Flute D’Charm! Você está preso! – Gritou a pegaso.

-Quem dera se fosse eu o prendido aqui... – Ironizava, com um sorriso maligno no rosto.

-Não me interessa o que você acha ou deixa de achar! Jogue a besta no chão pois você sabe e muito bem que está em desvantagem! – Gritava a Blitz, com voz ainda mais autoritária.

-Está bem... Eu vou... -.

Flute calmamente pousava a besta no chão, sem que isso a desarmasse. Continuava a sorrir.

-Intro... Pegue a besta! -.

-Está bem... -.

A unicórnio caminhou calmamente até a besta, enquanto olhava o rosto do unicórnio, que continuava a retribuir, olhando em seus olhos, o sorriso da perdição. Trocavam olhares frios e Intro sabia o que aquele sorriso significava. Ela sabia que ele queria que ela imediatamente fizesse o que tinha pedido antes.

-Há! Agora sim, Intro! Agora ele não tem escapatória! Nós finalmente conseguimos prender um dos maiores criminosos dessa cidade e... Intro? Por que você não está respondendo? -.

A potra branca calmamente recuava pra trás com a besta flutuando pela sua magia. Sua feição era neutra, com muita frieza em seus olhos e muita calmaria em seu peito, sem respirações ofegantes. Chegava lentamente até a pegaso e virou-se para ela.

-Uh... O que você está fazendo, Intro? Está agindo de forma tão... Esquisita... -.

-Me desculpe, Blitz. Ou é você, ou sou eu... -.

-O que você quer dizer com isso?! – Estranhava, nervosa.

A unicórnio lentamente flutuou a besta para perto de si e, em movimento brusco, rapidamente levou a besta ser apontada para a pegaso, que se assustara com tamanho movimento rápido. A flecha tocava bem perto de seu peito, deixando-a ainda mais tremulente diante daquela imagem de traição e reviravolta: Intro estava a traindo.

-Q-q-que?! Como? Como pode... -.

-Eu nunca estive do seu lado, Blitz. Eu tenho ordens a cumprir e você é perda de tempo... -.

-Eu não acredito... Isso era uma emboscada PRA MIM! – Gritou, começando a chorar.

-Há! Pegadinha do malandro, sua vadia! VAI, Intro! MATA ELA! MATA ELAAA! – Berrou o Flute, continuando com o sorriso.

Intro distanciou lentamente a besta do corpo da pegaso, continuando a apontar no mesmo local em que deveria atirar. A pegaso não apenas tremia como chorava e ficava perplexa por ver que a sua nova amiga, a quem pensava ser confiável, estivesse virando a besta e apontando para ela, apontando-a para a morte.

Em passos divagares, os seus olhos se fechavam, com muitas gotas caindo ao chão e ao coração. Também virou a sua cabeça para o lado, mantendo os seus olhos fechados. Respirou fundo, ainda que em seu tremor de terra. Sentia-se mais terrena do que pônei terrestre, numa indefesa e, ao mesmo tempo, numa força de momento. Talvez uma força para aguentar mais a decepção do que a dor.

A dor...

Por dentro se revirava com diversas atrabicadas em alma, com os cascos presos na garganta e as suas labaredas enfrentando a tempestade de água da chuva interna, das lágrimas de seus olhos. Se remexia um coração pálido de batidas, martelando para si mesma a própria ingenuidade de seu credo. Agora queria que as marteladas fossem nas nuvens, mas na verdade estavam batendo em sua alma.

A outra dor...

Intro continuava fria como nunca esteve antes. Seu rosto não refletia nem espelho, nem cor. Parecia pior do que vácuo: Era o puro nada.

...

Introspectana deu o disparo. Acertou no peito da pegaso.

A flecha ficou presa ao peito, enquanto jorrava sangue. Ela ficou paralítica naquele momento, com os seus olhos abruptamente abertos e chocados. A sua boca refletia um grito surdo-mudo sem expressão. As tremidas pararam naquele momento e o seu corpo, ainda que resistente, caía aos poucos ao chão.

O tempo não estava mais lento ou rápido quando a queda acontecia: Simplesmente via-se ela caindo em tempo real e tempo surreal. O sangue voava por alguns lados, acompanhando a sua queda gradual.

Em dois tempos, estava deitada ao chão, com o lago largo de sangue se formando ao redor dela. O vermelho era absorvido pelo chão e o vinho líquido de sua existência estava sendo apreciado pelo paladar charmoso da Flauta.

-AH! ISSO! FINALMENTE ESTÁ MORTA ESSA VADIA! E para provar sua morte definitiva... – Falou, pegando um facão que estava escondido atrás dele – Introspectana, arranque a cabeça dela! -.

Intro calmamente envolveu sua aura mágica no facão. Com a besta e o facão juntos, ela fitava constantemente o seu olhar sobre o corpo daquela rude e frágil potra das labaredas de fogo nas crinas. O seus olhos conseguiam refletir uma chama que ainda não se apagara por completo, embora a chuva interna dela continuasse na tentação do apago.

A unicórnio, por vários instantes, nada se movia e apenas deixa as duas armas flutuando no mesmo local em que ficavam paralisados, com a besta na mesma posição inicial e a faca grande apontando para onde estaria a Blitz.

-Vamos! O que está esperando, Introspectana? CORTA A CABEÇA DESSA VADIA! -.

A potra não parava de olhar sobre aquele corpo molhado de vinho tinto. O sangue aos poucos parava de sair enquanto que os olhos da pegaso continuava no mesmo local. Sua respiração continuava seguindo fluxo que se seguia normalmente.

Intro calmamente andou até ela, se agachando e aproximando-se do rosto da Blitz. Com um dos cascos, posicionou em cima da testa dela enquanto o outro casco seguia até o pescoço.

-Isso... Isso... ISSO! Vamos, Intro... Só cortar a cabeça dela... -.

O facão lentamente se aproximava do corpo amarelo. A feição introspectiva não mudara em nada desde que o tiro foi disparado. A flecha estava totalmente estocada e o sangue lentamente parava de siar do peito. Com o casco na testa, ela levou-o até os olhos, fechando-os lentamente enquanto o casco no pescoço se posicionava para se levantar.

O sangue parou de sair de seu corpo.

-Ué? Por que ainda não cortou a cabeça dela? -.

Subitamente o facão se movera até o focinho do Flute, ficando de frente e bem apontado para ele. Intro calmamente se levantava e direcionava o seu rosto para ele. Ele estava chocado e inconformado com aquele movimento, não entendendo porque ela estava fazendo aquilo.

-O... O que é isso? Não... Você não... -.

-Sabe... – Interrompeu a unicórnio – Na época em que te conheci, Flute, eu percebi que você não tinha maldade no coração. Mas com o tempo você se corrompeu pela própria música. Agora você não mais contribui para a música, mas para a SUA música. Isso vai de contra às leis do Espírito da Música, o que te torna totalmente culpado pelas próprias ações e maldades. Basicamente, agora você é mal o suficiente para eu te descartar... – Falava, bem fria.

E com o facão ela cortou diretamente a garganta de Flute, deixando-o sem qualquer reação. Em outro movimento brusco, ela penetrou direto o facão em seu peito, desta vez atingindo o coração. Deixando-o estocado ali, com muito mais sangue sendo jorrado dele do que da Pegaso, ele deu um primeiro movimento de queda pro lado. Depois, desabou por completo para esquerda, tendo morrido na mesma hora.

O sangue dele agora era engolido pelo sangue da Blitz. O lago da Blitz, embora menor, estava dominando o sangue do unicórnio. Uma vitória após a morte, talvez.

A unicórnio continuava na mesma posição e, com a mesma feição, olhava a Flauta tocar as suas últimas notas. Um si, um lá e um fá. E o fá ficou em ad eternum, uma buzina de carro sendo atingida por um corpo morto após um desmaio ou uma batida brusca. Aquela era a sua batida, o seu ritmo. Era o ritmo lento da morte, sem valsa ou frevo. Era um ritmo arritmado, sem possibilidades de acompanhar.

-Que essa sinfonia muda acabe com o zumbido de sua flauta no silêncio pônei... – Refletiu, bem friamente.

Do sangue continuando a se alastrar pela sala, uma várzea vermelha em especial caminhava lentamente até a porta. Passou por baixo da Introspectana e, em um dos caminhos do chão de aço, chegava à pata de uma delicada pônei em estado de choque e sem reação: Era a Touch Light, paralisada diante da cena que via. Via a sua amiga banhada em sangue e visão fria, cercada de um pônei com um facão cravado no coração e com um corte nos pescoço enquanto a Pegaso estava desmaiada ao chão, com uma flecha acertada no peito. E o chão se acobertava com sangue dos dois.

Touch tornara tremulamente os seus olhos até os seus cascos, vendo que estavam sujos do sangue que a unicórnio liberou daqueles dois caídos. Sua feição complexa e tonta não conseguia explicar nada, nem dizer nada.

Intro, percebendo algo de errado, se virou e percebeu a presença da pônei terrestre, mudando totalmente a sua face para um desespero simultâneo com o medo.

-Touch... Não é bem isso o que você pensa que aconteceu... -.

-Intro... Esses sangue... Essas armas... Você... -.

-Por favor, Touch... Eu juro que você está entendendo errado! — Correu até a pônei terrestre, tentando explicar.

Touch rejeitou aquela vinda recuando os seus passos, olhando indignada para a desesperada unicórnio. Ela acenava com a cabeça um não eterno. E continuava nisso por várias vezes.

-Eu... Eu... -.

-Por favor, Touch... Eu posso explicar... -.

A potra cinza, continuando a recuar, evitava a unicórnio de forma bem física, com um aspecto de medo e até nojo. Não conseguia mais ver a Introspectana senão como aquela que causou tudo aquilo, todo o sangue e toda a matança. Já não via mais nela senão aquela mesma sombria e escurecida pônei de seus sonhos.

-Touch... Eu juro que... -.

-FIQUE LONGE DE MIM! NÃO ME TOQUE! – Gritou.

E a potra das crinas fantasmas atravessou a porta e fugiu do local, deixando um certo rastro de sangue, decepção e lágrimas pelo caminho. A unicórnio não fez nada a não ser cair ao chão e olhar esbugalhada pra baixo, sem qualquer reação e num tom assustador em seu rosto.

Era o susto de si mesma.

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