Introspectana

4 Saga 1 Capítulo 2 - Enfrentamentos Éticos parte 2


Introspectana

Capítulo 2: Enfrentamentos Éticos

Parte 2.

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-Isso mesmo. O senhor Flute D’ Charm não possui qualquer maldade em seu coração-.

-Mas como isso é possível?! Ele é um traficante de drogas! Isso simplesmente não faz sentido!-.

-Eu explico- Respondeu.

Antes de explicar, ela finalmente deu a partida na carroça e saíram do estacionamento, andando pelas ruas. Claramente via-se Touch olhando estarrecida a Introspectana, que estava à sua frente.

-Veja bem... — Falou, olhando para frente – Em nosso mundo, existem certos parâmetros julgados pelos Deuses para definirem a bondade e a maldade dos seres e dos pôneis. Uma vez traçados tais parâmetros, isso servirá como medida automática para que eu possa sugar a maldade de um pônei-.

-E o que leva o pônei azul a não possuir maldade alguma?-.

-Simples. Ele não trafica as drogas que ele produz em nome de um benefício próprio, mas de um bem maior, o que tira qualquer culpa de cima dele, pois ele apenas serve um bem maior e não o bem próprio. No caso, ele serve em nome da música e, aí, quem realmente então eu posso tirar maldade é do Espírito da Música e não dele-.

-Mas isso não faz sentido – Disse, se aproximando da potra branca – Além de ele ter a própria escolha em seguir ou não o Espírito da Música, isso não tira o fato de milhares de pôneis estarem a cada momento se destruindo com sinfonias incontroláveis!-.

-Não sou eu quem define esses parâmetros, são os espíritos- Respondeu, continuamente a olhar pra frente-.

-Mas então existe espíritos para cada tipo de coisa pro mundo?-.

-Sim, existe. Porém, a maioria dos espíritos atualmente estão petrificados no Jardim de Esculturas de Canterlot, o que também inclui as antigas princesas, como você bem sabe... -.

-Sim... Eu sei o que aconteceu. Com certeza foi uma época bastante conturbada para Equestria quando as próprias princesas se corromperam e tiveram de serem derrubadas- Disse, olhando para baixo, entristecida.

Pausando um pouco a conversa, elas estavam a chegar finalmente em uma área mais limpa da cidade, onde havia um maior número de cruzamentos e sinalizações. Saindo de um semáforo, partiram para uma grande rodovia aérea adjacente a onde estavam.

-Atualmente, os espíritos do bem e do mal se reencarnaram em forma de pôneis. Eu infelizmente desconheço o paradeiro atual deles. Mas posso lhe garantir: Não são nem um pouco mansos e tampouco possuem dó de quem chegue perto deles-.

-Mas isso não contrasta um pouco com o que deveriam ser, especialmente o Espírito do Bem?-.

-São espíritos que mantém uma coisa, mas não significa que devam ser esta coisa. Entenda isso-.

-Entendo... Mas só uma pergunta: Por que você trabalha pra ele?-.

-Além de manter o segredo, é porque ele paga muito bem-.

-Compreendo- Terminou.

Na rodovia, prontamente saíam por uma das várzeas, chegando a outro ponto da cidade, tão decadente quanto o cenário anterior. Desta vez, os prédios eram mais antigos, lembravam as épocas mais alegres de Equestria. Notavam-se alguns resquícios de balões, chapéus de festas e muitas serpentinas espalhadas pelas ruas. Em alguns casos, viam-se alguns pôneis rodeando pelas calçadas, pedindo e suplicando algumas frases.

-OH! Que venha, por favor, Deusa Pinkie Pie! Deusa das festas a trazer de volta a sua alegria!- Pronunciava um dos pôneis desses arredores, sujo e com olheiras.

Em outras calçadas, vândalos destruíam alguns carros estacionados, assim como pegavam alguns pôneis nas ruas e os faziam cair ao chão. Num dado momento, alguns deles vestiam os anéis em suas patas, socando quem passava pela rua.

Ao passarem por uma esquina, finalmente chegavam a um grande cercado de concreto. Na calçada ao lado desse cercado, estacionavam a carroça. Introspectana virou-se para trás e pronunciou para a Touch.

-De acordo com a carta, entregaremos para Perestroika. Ele é bem famoso na cidade por se envolver com pequenos políticos. Bom... Você sabe fazer alguma coisa?- Perguntou.

-Como assim? Está dizendo... QUE TAMBÉM TEREI DE PARTICIPAR DESSA LOUCURA?!-.

-Veja... – Disse, se aproximando da potra cinza – Nós precisamos de dinheiro, mas você também precisa colaborar para conseguirmos. Você sabe: Precisamos que você saiba utilizar uma arma na vida... — Com um sorriso malicioso.

-Mas... Eu não sei usar armas e não quero machucar ninguém – Falava, um pouco mais triste.

-Vamos... Uma ou duas mortes... Que diferença fará?!-.

-O QUE?! MORTE?! AÍ QUE NÃO PARTICIPO MESMO! ISSO JÁ É UM ABSURDO! Estou caindo fora! – Gritou, saindo da carroça.

-Tá! Espera! Espera! – Puxando a potra cinza de volta – Olha... Creio então que você saiba usar alguma coisa que não seja exatamente armas... – Novamente, com sorriso malicioso.

-Como assim?! O que você está querendo dizer?!-.

-Creio eu que você saiba... Sei lá... Dirigir uma carroça motorizada. Simplesmente invadir o vale do garanhão e sair atropelando os guardas... -.

-MAIS BANALIZAÇÃO?! QUE TIPO DE PÔNEI VOCÊ É?! TCHAU! – Caindo fora de novo.

-ESPERA! – Puxando de volta, novamente – Bom... Se nem carroça e nem armas te farão alegre... – Com um sorriso malicioso no rosto – Eu sei o que então você pode fazer... E MUITO bem... -.

-O que? – Com cara de inocência.

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-Ah Não! Isso não! -.

-Mas aí não vamos matar ninguém. No máximo, tirar a maldade de algum pônei e isso tudo bem, não?-.

-Tirar a maldade eu concordo e até demais, mas ISSO AQUI?! -.

Lá estavam as duas, na calçada e ao lado da carroça. De um lado, estava a Introspectana com um anel em seu casco. Do outro, estava a Touch Light, vestindo meias 7/8 azul, uma saia de azul xadrez e uma camisa branca curta. Fizera um rabo de cavalo em sua crina branca e ondulada, assim como uma maquiagem e maior cuidado no rosto.

-Estou me sentindo uma servinte de verdade agora... -.

-Se é que já não foi antes... – Brincou.

-Estou rindo MUITO! – Ironizou, brava.

-Mas de qualquer forma, de acordo com a carta de instruções que ele deixou, o senhor Perestroika é um garanhão verde que mantém vários negócios com a Mágia de Ponyville. Basicamente, se eu matei Rich Way, então agora preciso dar um jeito no senhor Perestroika. Entretanto, de acordo com Flute, eu não posso tirar a maldade dele, pois ele foi abençoado pelo Espírito da Magia, assim como a carta não pode ser aberta antes que ele esteja sozinho com ela-.

-Espera... Existe isso também?!- Perguntou.

-Sim: Espíritos podem abençoar certos pôneis como bem entenderem para que sirvam para bens maiores ou outros objetivos. Basicamente, por ele servir à Mágia, que se relaciona com a magia, então ele acabou abençoado pelo Espírito da Magia-.

-Puxa... E pensar que o mundo funciona desse jeito... – Entristeceu, com o rosto pra baixo.

-Mas, de acordo com as instruções, ele possui certa... Fraqueza e é aí que você entra: Você irá praticamente “servir” o senhor Perestroika-.

-O QUE?! MAS EU SOU VIRGEM! EU QUERO ME CASAR ANTES!- Disse, gritando desesperada e quase chorando para a Introspectana.

-Calma, minha querida. Eu disse praticamente, não completamente. Inicialmente era para eu estar no seu lugar fazendo isso, mas como agora praticamente somos companheiras de fuga então você precisa me ajudar a conseguir a grana de cada dia, não acha? Além do mais, você simplesmente tem de entregar essa carta para ele. Simples assim-.

-Mas como farei isso?-.

-Espera... -.

Então, a pônei branca iniciava uma flutuação, seguida de uma aura em seu chifre começando a se formar e, posteriormente, a cobrir junto a potra cinza. Em pouco tempo, terminava o encanto e voltava para a posição inicial.

“Agora podemos nos comunicar por telepatia” Falava com o pensamento.

“O que?! Nossa! É como se estivéssemos ligadas! Minha santa Celestia!” Pensava, olhando espantada para a unicórnio.

“Agora você precisa ir para a sua posição. E lembre-se: Trate de agir como uma servinte”.

“... Está bem... Eu farei isso, mas só porque nós precisamos!”.

“Assim que eu gosto!” Terminava, com um sorriso safado no rosto.

Então, enquanto Introspectana evocava uma magia, a potra dos olhos roxos começava a ficar na espreita do cercado, perto de um grande portão de aço escovado e com guardas que ignoravam, entendendo que ela apenas era uma das milhares de servintes que “serviam” por aquelas redondezas. No instante, a pônei branca ficara invisível, mas perto da professora. Touch Light estava nervosa, escandalizando dentro de si um coração pálido de sensações tremules à cabeça. E lembrara que, ao mesmo tempo, tinha de fazer alguma coisa, então começou a fazer pose, fingindo que de fato era uma servinte.

“Nossa! Você realmente parece MUITO uma servinte! Que tal depois eu te pagar uma rodada na cama?! Você é uma delícia assim!” Brincava.

“Ah sim... Como se eu quisesse ficar com uma mula que nem você!” Pensava, zangada.

E alguns minutos se passavam. Logo, o grande portão de aço abria-se, revelando uma gigantesca carroça de comprimentos alargados, em linhas agressivas e dois faróis que alcançavam as laterais. Em cima dela estava, além de um motorista qualquer, um grande garanhão verde, de olhos azuis e uma crina rasa preta. Sua marca registrada: Um grande Copo de água.

A carroça parou ao lado da entrada, perto da Touch Light. Ela continuava em suas tentativas de pose, com certas falhas em alguns instantes. O garanhão tornou o seu olhar em direção dela e perguntou:

-Ei! Você – Gritou o alazão – Que tal um servicinho hoje?-.

-Err... – Reposturou-se, agora com um toque mais safado – Tudo bem, meu querido!-.

-Sobe aí!-.

Subindo, ao mesmo tempo em que Introspectana subia junto, se pendurando atrás da carroça, enquanto Touch se sentava ao lado do garanhão.

-Qual é o seu nome, querida?

“Não diga o seu nome! Invente algum aí!”.

-Meu nome... – Dizia, nervosa e suando um pouco — ... É Kalina -.

Touch se mantinha neutra na situação, apenas olhando para frente enquanto Perestroika estranhava um pouco tal postura de sua companhia temporária.

“Vai fazendo alguma coisa! Abraça, beija, sei lá!-.

“O que?! Isso também está incluído?!”.

“Na verdade... Há muito mais coisa inserida, mas dá pra você ficar só nisso então trate de começar a acariciar o alazão ao seu lado!”.

“Está bem” Pensava, suspirando tristemente.

Então, Touch se aproximou mais de Perestroika, acariciando o peito com um casco e o outro, a crina. Com olhares safados, se aproximava do garanhão até o rosto, sem beijar. Notava algo estranho nisso tudo.

“Nossa! Que cheiro HORRÍVEL que ele tem! Parece que nem se limpou antes de sair!”.

“Eu também estou sentindo um pouco, mas aguente! No final disso tudo, você terá apenas de entregar a carta”.

Então, para aumentar a integridade, a professora passou a dar pequenos beijos no rosto do garanhão. Ele, cada vez mais à vontade, resolveu pega-la de vez e beijar na boca, fazendo isso com sucesso.

“Urgh! Eu não sabia que isso ia acontecer! Desculpe Touch...”.

“Você ainda vai me pagar MUITO caro por isso, Introspectana!” Pensava zangada.

Durante o caminho, a carroça então entrava por um túnel, donde não se conseguia ver mais nada. Perestroika, safado como era, começava a fazer a cabeça da pônei ir um pouco mais para baixo, que foi uma atitude imediatamente rejeitada pela mesma. Um pouco surpreso, perguntou:

-Ué? Por que parou? Está tão gostoso a sua companhia... -.

-É que... -.

“Inventa logo uma desculpa antes que dê tudo errado!” Gritava a pônei branca, com o pensamento.

“Calma meu! Estou tentando! Como você é chata também, hein?! Se eu soubesse que você era tão chata assim nos pensamentos, teria te impedido de me enfeitiçar!”.

-Ca’ham! Bom, é que aqui não é o melhor lugar para ficarmos fazendo esse tipo de coisa, sabe? Os beijinhos são bons e ótimos, mas para algo que esteja um pouco além do que estamos, é melhor um lugar mais... “íntimo”- Dizia, com um sorriso malicioso no rosto e suando.

-Então que tal irmos a um motel e... -.

-NÃÃÃÃÃO! – Gritou – Digo... É que motéis não possuem... Você sabe... Os “equipamentos adequados” para o meu trabalho. E não podem ser os equipamentos fornecidos por esse motel, pois eu tenho os meus próprios equipamentos... — Suava.

-Estranho... Seu jeito de falar não se parece muito com a da maioria das éguas por aqui... -.

-É que... – Dizia ela, suando mais ainda – Você sabe... Às vezes precisamos de uma “formação” a mais... -.

Sorrindo nervosamente, o garanhão olhava agora mais sério para a potra, chegando perto dela e encarando até a alma. Um projeto de mutilação e tremendas serras interiores na pônei do toque de luz, com suores caindo até o assento macio dos bancos de couro legítimo da carroça. Num supetão, ele gritou:

-AH TÁ! – Assustando a pônei cinza – Entendi... A concorrência anda acirrada ultimamente, não? -.

-Concorrência? – Disse, com cara de dúvida e um pouco assustada -... Ah sim! É isso mesmo! Concorrência... Heheh... – Disse, muito nervosa.

-Faz sentido que você seja bem diferente das demais. Estou mais do que nunca feliz por estar ao lado de alguém que fala corretamente e é tão arrumada que nem você! – Falou, dando de novo outro beijo na potra.

Aliviada, finalmente chegavam a um prédio localizado ao centro de Hoofington, tão cinza e quadrado como os outros prédios daquela cidade, com a carroça então estacionando ao lado do edifício.

-E como então eu poderei experimentar o seu serviço completo?-.

“É agora! Entrega a carta” gritava Introspectana.

-Bom... – Dizia, com um pouco de vergonha e olhando para o lado – Você pode me contatar através do endereço que está nessa carta. É o endereço do meu apartamento... – Falou, entregando a carta pra ele.

-Sério? Deixe-me ver... – Respondeu, pegando

“Não o deixe abrir a carta agora!”.

-ESPERA! – Gritou – Digo... Não agora. É uma pequena “surpresa” e desejo MUITO que abra apenas depois que eu for embora. Assim eu tenho tempo de preparar as minhas “ferramentas” para a nossa seção... – Com um sorriso picante.

-Me gusta mucho esse papo! Farei isso só porque você é realmente uma graça!- Disse, no sorriso sem vergonha.

Na iminência da despedida, então Perestroika pegou a carta e a guardou consigo, em seguida dando um beijo de despedida na potra cinza.

-Muito obrigado pela companhia querida! – Disse, pegando dinheiro da sua carteira – Aqui uma gorjeta básica antes de ir!-.

-Ah! Não precisa! – Reijeitava a gorjeta – Fica por minha conta agora. Depois, quando formos ao meu apartamento, terá dinheiro e de sobra para pagar todos os meus serviços disponíveis... – Sorria com má-fé.

“Lembre-se de continuar agindo assim até mesmo quando for sair! Ande de forma bem sexy!” Pensava a unicórnio invisível.

Touch prontamente pulara da carroça ao chão, já caminhando para um pouco mais longe e acenando para o garanhão verde. Introspectana imediatamente pulava também ao chão, seguindo os cascos balançantes do flanco da professora. Andaram então até a primeira esquina que encontraram, virando-a e finalmente deram um suspiro de alívio.

-Nossa! Conseguimos, Introspectana! É... Introspectana... -.

-O que foi? – Perguntou a potra, um pouco rabugenta.

-Eu não estou te vendo... Pode desativar a sua magia? -.

-Ah tá! Calmaí! – Disse, invocando a magia de reaparecimento – Pronto, agora sim terminamos-.

-Mas... O que há naquela carta de verdade? Não é algo muito ruim, não é? – Indagava Touch, um pouco triste.

-Por que está perguntando isso? – Com sorriso malicioso – Gostou do cara, né? Agora só falta você realmente comprar um apartamento depois dessa-.

-Não! Não é isso... Você é tão chata... – Afirmou, agora se magoando.

-Que isso! Não fica assim! – Consolava, chegando mais perto e colocando um dos cascos nas costas da pônei de meias – Pelo menos agora estamos de boa e podemos voltar para dizer que a missão foi um total sucesso! – Falou, sorrindo.

-Estranho... Nunca vi você sorrindo assim... Até parece que de repente o clima mudou... – Indagava, com cara de estranheza para a unicórnio.

-Já que você diz... Que tal se eu te pagar uma secçãozinha só pra mim? – Sorria maliciosamente.

-O que? Nada disso! Já não bastou aquele cheiro horrível de garanhão mal-lavado agora vou ter de aguentar uma mula mal-amada?! -.

-É brincadeira! – Ria – ... Pelo menos parece que agora eu tenho com quem finalmente tirar um sarro depois de tanto tempo sozinha nesse mundo – Disse, sorrindo.

-É... Quem sabe... – Falou a potra cinza, olhando ao céu com um sorriso e os olhos de tristeza.

Caminharam seguindo ao longe do após a esquina, andando interminavelmente para retornarem à carroça que estacionaram. Era nesse tempo umas olhadas estranhas de cinzentos espectros contra a dupla que conversava e ria entre os cantos. Cada risada e conversa parecia partir um olhar misterioso de algum pedestre arbitrário. Arbitrariamente o riso espalhado por um chapéu de festa, a lembrança dos tempos antigos que não voltavam ainda. Talvez, mais do que um tempo antigo ou novo, era outro tempo. Mais sorridente e de lua com pontas para cima. A lua que dá as suas olhadas e semblantes sorridas.

Em cada esquina que vagavam, mais pôneis e pôneis olhando torto e indignados, por vezes bravos e descontentes. Zangavam-se por não ver o zangado. Simples assim.

No edifício cinza da limusine à frente estacionada, vemos o mesmo Perestroika desesperado e chegando à sua mesa em sua sala, que era quase igual à de tantas outras salas daquele mundo, não necessário a se descrever o que já se viu tantas e montes de vezes. Sentando em sua cadeira, finalmente podia abrir a carta que tanto queria abrir.

“Dane-se o compromisso de hoje! Isso é adiável! Agora o que eu quero mesmo é finalmente poder saber o endereço daquela vadia e finalmente *yay*-la! – Pensava.

Pegava lentamente a carta que guardou consigo e a jogou em cima da mesa. A carta estava muito limpa, branca e seca. Nitidamente podia-se ver um volume dentro dela, o que tornava para aquele garanhão algo ainda mais excitante de abrir.

-Puxa! Que tipo de surpresinha ela terá deixado nessa carta?! -.

Ao abrir, um grande espectro de luz se formava em sua frente, maleando-se a levar consigo o olhar do pônei verde. E olhava, olhava... E no mesmo instante, o espectro de luz começava a formar uma mão humana e se tornava cada vez mais verde. Do verde, espantava Perestroika, que estava cada vez mais encarando a mão e a mão o encarando.

-O que é você?! Que tipo de magia é essa que não estou entendendo?! -.

A mão subitamente pega pelo pescoço do garanhão, sufocando-o e o flutuando. Engasgava, os olhos dilatados e a boca extremamente aberta. Em relutância, tentava tirar a mão que o sufocava, sem sucesso.

-Argh! Urgh! ... ... ... Ar... gh.... -.

Se remexia diacronicamente por diversos segundos. Antes de morrer, o envelope queimava-se por completo, assim como a magia se esgotava e o pônei caía ao chão, morto.

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