Intrínseco
9 Capítulo 9
Ah ele queria sorrir. Queria rir da cara da dra. Gaul que naquele dia resolveu aparecer e mostrar como persuadir coelhos com cenouras era interessante. Sejanus não aguentou ficar calado, a encarou, argumentou. Esfregou a informação de que Marcus estava em liberdade. Seu eu era maior que o medo de represália, então ele jogou tudo o que estava dentro de si nela:
― ...Vocês não têm o direito de fazer pessoas passarem fome, de puni-las sem motivo. Não têm o direito de tirar a vida e a liberdade delas. Essas são coisas com as quais todo mundo nasce e não são suas para serem tiradas assim. Vencer uma guerra não lhes dá esse direito. Ter mais armas não lhes dá esse direito. Ser da Capital não lhes dá esse direito...
Queria sair triunfalmente da classe, por cima, deixar todos chocados para trás, mas estava trancado: naquela sala, naquela vida, naquele pesadelo.
A verdade era que estava preocupado, os jogos iriam continuar, ele rebelando-se ou não. A companhia de sua mãezinha era a única possível para lhe manter a sanidade.
― Mãezinha, o que faço?
Ela lhe acariciava os cabelos, depois de mais um dia de atrocidades que tivera que presenciar.
― Não se rebele, não consigo imaginar um mundo em que te torturem, em que não exista mais.
Mas ele não a ouvia, depois de ser induzido a escrever uma redação de como a guerra foi benéfica. Ele só desejava voltar ao Distrito 2.
“A única coisa que amava na guerra era o fato de ainda morar no meu lar”.
Naquela noite, depois de ouvir seu pai xingar e lhe culpar por todas as coisas ruins que lhe aconteciam, ele chorou no colo da mãe e teve febre. Os jogos começariam e ele não estava preparado para o que presenciaria.
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