Intrínseco

12 Capítulo 12


O significado do amor era diferente para ele. Nunca havia pensado profundamente sobre o sentimento.

Sua mãe certamente o amava, o amor maternal, tão preocupada, sempre pensando em si e esse amor era regado de sacrifícios, não para ele, mas para seu pai. Ele não parecia a amar. Talvez um dia tivesse a amado. Lembrava-se quando eram pobres, o pai chegava tarde do serviço, a mãe lhe servia sopa com pão, ele comia, lhe agradecia e puxava-a para dançar no meio da sala, ela ria e sorria e eles se beijavam. Depois, quando a ganância preencheu seu peito, ele não agradecia, só reclamava da comida dela, não dançavam mais e ela não mais sorria.

Sejanus sabia o que era amor. Não no sentido carnal, nunca havia estado com nenhuma garota, elas não prestavam atenção nele, ainda mais na Capital, mas também não sentia atração por nenhuma delas. Mas ele sabia o que era amor por causa de Marcus. O amor puro de criança, sem malícias, um amor que ele não percebeu na época, que sentiu falta quando adolescente. Um amor que era amizade e companheirismo, nunca concretizado ou falado em voz alta, um amor intrincado dentro de si.

Era estranho olhar seu rosto agora. Pálido, duro, frio. O garoto de sua infância que se mostrou diferente e eterno para ele. Começou a passar os dedos por seu rosto, ainda repetindo o mantra de morte. Demorou mais que o normal em seus lábios.

― Nunca quis te dar migalhas Marcus, sempre tentei te dar o sanduíche inteiro. Mas aceite essas migalhas e volte para casa. Fique bem. Esteja bem. Descanse em paz.

Permaneceu ajoelhado ao lado dele, pensou na grandeza do sentimento amor. Que podia ser luz e também escuridão. Liberdade ou escravidão. Esperança ou desespero. Desejou luz, liberdade e esperança.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.