Intoxicados
2 Capítulo 1
Charlene Bonow
11 de outubro de 2019
Final da tarde
Paz. Se queriam que eu trabalhasse, eu precisava de paz para me concentrar nos instrumentos colocados logo diante de mim, e não de vozes se sobrepondo umas sobre as outras no ambiente até que eu não entendesse mais onde um assunto começava e outro terminava.
Mas o relógio já havia indicado seis horas da tarde e imediatamente Kieran Lavely começara a falar sem parar em nossa cabeça, doido para nos fazer largar tudo, tirar os jalecos e ir embora do laboratório no instante seguinte. Era quase como se um botão tivesse sido apertado nele, uma função diferente ativada assim que o ponteiro parou sobre o número seis, e, como sempre, ninguém sabia como desligá-lo depois disso.
Honestamente, não sei como Kieran conseguia essa proeza de desfazer seu foco tão rapidamente toda sexta feira após nosso expediente, mas eu diria que tinha algo relacionado ao pub a dois quarteirões de distância e todas as cervejas que ele tomava lá religiosamente nas noites antecessoras ao fim de semana, fora as belas mulheres que ele frequentemente conquistava. Ou dizia fazer.
— Vamos, Chacha! Eu disse que podemos terminar esses estudos na semana que vem, não seja estraga prazeres – ele parou ao meu lado, um cotovelo apoiado levemente sobre o balcão, seus cabelos loiros caindo na frente de sua face enquanto ele gesticulava enfaticamente para o que eu fazia. Dessa forma descontraída, ele dificilmente aparentava ter a idade que tinha. Parecia bem mais jovem do que de fato era. – O antimônio não vai fugir daqui isso eu posso garantir para você. Mas pode ser que as mesas do pub se esgotem rapidinho se você demorar demais.
Ellie Lawford soltou uma risada engasgada no outro balcão, murmurando um “patético” bem baixinho que ainda assim eu e Christian Packard conseguimos ouvir, da mesma forma que Kieran, pois ele revirou os olhos para ela como uma resposta silenciosa.
Sem tirar a vista do que eu fazia, falei:
— Você sabia que uma das maiores teorias sobre o antimônio, além dos registros do seu uso na idade média, é que ele pode ter causado a morte de Mozart? – Eu arqueei a sobrancelha para ele. – Alguns dizem que foi envenenamento intencional de outro compositor concorrente, mas o mais provável é que tenham sido doses e mais doses que aos poucos o mataram, um remédio até que comum usado naquela época para tratar a depressão que ele possuía.
— É mesmo? – Kieran fingiu não saber de nada do que eu estava falando apenas para me dar atenção enquanto eu propositalmente mudava o foco da conversa, quando era óbvio para todos nós que, como o arqueólogo forense que era, fazendo um estudo justamente sobre venenos, ele já sabia da história até com mais detalhes que a gente. – O que acha de me contar mais sobre Mozart então quando estivermos no pub bem longe daqui?
Eu voltei meus olhos para as amostras de antimônio dispostas diante de mim sobre a bancada e soltei um suspiro teatral.
— Desculpe, senhor Lavely, mas eu já tenho compromisso.
— Não me diga que é com o antimônio.
Ellie e Christian soltaram uma gargalhada alta, e finalmente, após segurar o riso com muito empenho, virei-me de frente para Kieran.
— Não, eu tenho passagens compradas para Cambridge – expliquei. – Vou visitar meus pais durante o fim de semana e viajo hoje.
— E se eu te acompanhar até a estação de trem? – Ele insistiu esperançoso. – Posso esperar para ir ao pub depois que te levar lá, estou de carro.
Eu sorri sem mostrar os dentes e franzi meu nariz levemente, balançando a cabeça para os lados.
— Sinto muito, Kieran. Não vai rolar. – Peguei meus materiais até então em uso e comecei a organizá-los da maneira metódica e correta como deveriam ficar até segunda feira, andando pelo laboratório, vagando entre balcão-pia-armário enquanto desolado, o homem loiro olhava para Christian com ar de incredulidade.
— Você disse que dessa vez funcionaria!
— Não, meu rapaz. Eu disse que talvez funcionasse – o senhor Packard deu um tapa amigável em seus ombros e foi para o lado de Lawford que gargalhava sem se conter. – Quem sabe da próxima? Continue tentando.
— Não, não continue – Ellie tratou de intervir ao meu favor. – Já levou foras demais, Kieran. Ela não quer você. Aceite! Vá afogar as mágoas na bebida.
O olhar que o loiro direcionou a ela estava cheio de faíscas.
— Vá você guardar sua Erva de São Cristóvão e pare de me encher o saco – Lavely reclamou, mas o tom de brincadeira permaneceu, mostrou a língua para ele infantilizando seus gestos e correu para guardar sua mais nova muda na estufa algumas portas depois de onde estávamos.
Eu já havia perdido a noção de diferenciar os flertes descarados de Kieran como sendo reais ou brincadeira, mas seria mentira eu dizer que não gostava desse jogo divertido que jogávamos (intencionalmente ou não) para dar leveza ao nosso trabalho, quase todos os dias.
Quando a pauta principal de nossas conversas usualmente estava relacionada a mortes e venenos, qualquer descontração era bem-vinda para amaciar a morbidez já tão habitual presente em todos os nossos passos. Eu gostava desses momentos fora dessa realidade obscura que passávamos tanto tempo mergulhados.
— Vamos, senhor Lavely – Ellie meneou com a cabeça para os papéis sobre a mesa espalhados em cima do notebook, após fechar a porta atrás de si e lavar suas mãos demoradamente, usando o título de Kieran como uma provocação. – Quer ir embora? Então trate de me ajudar a arrumar todas essas coisas! Elas não se organizarão sozinhas.
— Olha lá, Ellie. Quem é o chefe de nós aqui?
— Quem está com pressa não sou eu!
— Por acaso, quem paga seu salário, hein?
Com os dois ainda trocando farpas, Christian se aproximou de mim com um sorriso ainda estampado em seu rosto enquanto eu terminava de organizar os utensílios já limpos e secos em seus devidos lugares no armário. Percebi que, assim como Packard, eu também sorria com a discussão banal de Kieran e Ellie, e não tentei disfarçar minha expressão ao notar isso.
— Vai visitar sua família então? – Packard me ajudou a colocar os vidros na prateleira mais alta, onde eu não alcançava mesmo na ponta dos pés. Soltei um suspiro satisfeito, grata por não precisar me esticar toda para essa tarefa.
— Vou, faz um tempo desde a última vez que os vi. Minha mãe vai fazer um jantar para um primo meu que vai se mudar para a Espanha com sua esposa na próxima semana, é como se fosse a despedida dele. Minha presença é obrigatória, praticamente uma convocação militar.
O som da sua risada me atingiu em seguida.
— Jantares em família são os melhores – havia um brilho nostálgico em seus olhos. – Acontece de tudo, não tem como fugir.
— Ah, bem que eu queria, Christian.
— É como diz aquele antigo ditado: se não pode contra, junte-se a eles, Chacha.
Acabei soltando um riso um tanto alto em resposta.
— Espero que não seja muito conturbado. Minha família tende a sempre se dividir em assuntos polêmicos e se colocar em lados oposto durante longas conversas. – Ele fechou o armário e gargalhou ao meu lado. – É verdade, parece debate político em transmissão ao vivo.
— Aproveite essas ocasiões o quanto elas durarem, menina – ele se deteve um instante para me olhar com atenção e percebi que ele já não estava com aquele sorriso aberto em seu rosto. O meu desapareceu no instante seguinte enquanto fixava meus olhos nos seus. – Vai sentir falta dessas pessoas quando faltarem.
Por um instante apenas o encarei sem mover um músculo sequer, e então assenti, um único aceno forte o bastante para encerrar o assunto.
Algo me dizia que ir adiante mergulharia a nós dois em águas muito profundas, e eu não sabia se o senhor ao meu lado estava disposto a fazer isso, mesmo que ele esforçasse seus lábios a se erguerem em um sorriso que não chegava até seus olhos enrugados para tranquilizar minha súbita seriedade.
Quando conversávamos, Christian sempre se transformava em alguém muito diferente do meu colega de trabalho centrado, sábio e paciente que era. Não que perdesse essas características, na verdade, elas estavam sempre presentes em si, mas além delas surgia um brilho diferente em sua expressão que o fazia se aproximar. Ser alguém que era mais para um segundo pai ou irmão bem mais velho. Sempre tinha conselhos para dar, metáforas da vida para nos fazer pensar até o cérebro querer explodir, e, apesar de nunca falar sobre sua vida para nenhum de nós, ouvia com muita atenção tudo o que falávamos da nossa própria.
E eram somente em momentos como esse que ele se abria o suficiente para lermos os acontecimentos dos seus anos passados escritos nos seus olhos.
Não era a primeira vez que eu chegava a essa conclusão em particular, mas acreditava que Christian não tinha família como o restante de nós três. Ou no mínimo, ele não era nada próximo deles. Sua postura, sua expressão…. Eu podia não ser expert em ler pessoas, mas minha intuição parecia bem certa do que avaliava agora.
Percebi que parecer uma adolescente reclamona durante nossa conversa, ainda que fosse apenas uma brincadeira sutil para levar o assunto que me incomodava menos a sério, despertou nele algo melancólico de momentos que talvez não pudesse trazer de volta ou mesmo de arrependimentos anteriores que já não podia fazer nada a respeito.
Fosse o que fosse, eu sabia que não poderia ajudar. Não da maneira como eu gostaria, porque o fato é que ele não me permitiria passar da sua superfície a fim de enxergar o que espreitava por baixo.
Dessa vez, quando sorri, não foi um sorriso de todo feliz.
— E você, tem planos para o fim de semana, Christian?
Tratei de mudar o rumo do nosso diálogo, e sua postura descontente imediatamente mudou. Quase respirei aliviada com a percepção.
— Por enquanto, além de um chamado de última hora para a Scotland Yard, só muito estudo me aguarda em casa.
— É bom que te paguem hora extra por isso – Lavely opinou de longe, claramente escutando nossa conversa sem ser convidado. – Mas existe mais além de livros para se ler em casa, sabia? Pense nisso, Packard! Quantas coisas podem estar nos esperando naquele pub agora mesmo?
— Deixe o homem fazer o que ele quiser – Ellie retrucou imediatamente. – Não vê que ninguém quer sua companhia?
Minha gargalhada alta cortou o olhar afiado que Kieran dirigia a Lawford enquanto ela mesma tentava segurar a risada com os lábios pressionados um contra o outro.
— Eu desisto de vocês duas! – Kieran exclamou e então chamou Christian de repente, atraindo sua atenção de imediato e a minha e de Ellie também. – Pelo amor que você tem a mim, homem, me diga que você não vai me abandonar hoje. Já levei dois foras em uma única noite!
Ellie murmurou mais algum insulto para ele, escondendo sua diversão e dizendo o quanto Lavely estava exagerando dessa vez e se afastou até o armário, tirando seu jaleco, o dobrando meticulosamente antes de colocá-lo dentro do móvel, trocando-o por seu casaco azul claro cheio de pelinhos digno do guarda-roupa da Barbie pendurado no cabideiro, que combinava perfeitamente tanto com sua personalidade quanto com sua pele escura da cor do chocolate.
— Sinto em informar, meu jovem – começou o senhor Packard, se distanciando de mim e seguindo a passos lentos e sem pressa diretamente para ele –, mas hoje terei de falhar nessa missão. Eu falei sério quanto ao chamado de última hora do meu outro trabalho.
— Ah, não. O senhor também? – Kieran fez uma careta exagerada que retorcia todo o seu rosto em uma indignação forjada. – Achei que estava brincando! Que tipo de funcionários são vocês?
— Entre a minha cama e você, Kieran, eu definitivamente prefiro minha cama – Ellie disse sem sequer se dar ao trabalho de virar para ele.
— Ah, se isso tivesse saído da boca da Charlene eu certamente teria falado para juntar as duas opções, seria mais que perfeito. – Minhas bochechas coraram antes que eu sequer piscasse, e em um segundo Kieran olhava para mim. – Sabe, se desistir de viajar, garanto que você não se arrependeria.
Foi a vez de Ellie começar a rir tanto de minha súbita perplexidade que até dobrou o tronco para frente, apenas para se recostar na parede depois. Eu me virei para Packard, minha expressão completamente petrificada.
Nenhum dos três escondeu a diversão pela forma como reagi, como se tivesse sido algo intencional, e por isso, corei ainda mais, e rezei para que alguém dissesse algo antes que eu mesma precisasse o fazer.
— Com licença, não sei vocês, mas eu preciso ir embora agora. No momento tenho um espécime me esperando na Scotland Yard – Christian também retirou seu jaleco e o substituiu pelo seu casaco de tweed enquanto seguia em direção a porta, passando por nós e mudando de uma vez o assunto da conversa. – Quem sabe, depois que eu achar as respostas para as questões deles e o caso for resolvido, eu não os convide para um whisky em minha casa?
Ele me esboçou um sorriso, tirando a atenção que até então recai sobre mim e quase suspirei de alívio com o feito. Imediatamente Ellie comemorou e Kieran se juntou ao coro de entusiasmo pela oferta generosa de bebida grátis. Fui a última a chegar até o armário e recolher minha jaqueta após deixar meu próprio jaleco dobrado ao lado dos outros três.
— De repente essa história começou a ficar interessante – eu falei, me referindo ao Whisky e Kieran assentiu sorrindo, já se esquecendo da provocação que antes dirigia a mim.
— Agora sim você falou minha língua, Packard. Espero que sua cabeça não esteja muito enferrujada hoje para resolver logo seja o que for que te aguarda lá na polícia! Promessa é dívida.
— Não é à toa que sou o médico legista deles há tanto tempo – Christian nos dirigiu uma piscadela, fazendo piada antes de abrir a porta com seu cartão e sair rumo à noite londrina, mais fria a cada dia que se passava. – Nos vemos semana que vem?
— Só um instante, Christian, estou pegando a chave do carro – Ellie se apressou para passar pela porta que Kieran educadamente segurava. Quase deixou sua bolsa cair no caminho, mas rapidamente recuperou seu equilíbrio. – Vou deixá-lo no lugar de sempre, mas alguém precisa de carona?
— Meu rumo é na direção oposta que a de vocês – Lavely graciosamente inclinou a cabeça para os quarteirões que faria a pé até o pub. – Obrigado, como sempre.
— E você, Charlene?
— Não se preocupem comigo – afirmei gentilmente, sem dar mais detalhes conforme os dois abanavam a mão em nossa direção e adentravam o carro de Ellie, um Ford Fiesta preto bastante simples, mas muito bem cuidado, tão lustroso que quase refletia a luz dos postes da calçada.
Depois que deram a partida em seguida, finalmente se colocando em movimento, Lawford deu uma última buzinada como se se despedisse de nós brevemente, animada para poder ir para casa e colocar o sono em dia como eu mesma estava louca para fazer. Momentos depois seu carro já se perdia em meio a tantos outros congestionamento.
Eu virei-me para Lavely que era o último a sair do laboratório, após apagar a luz e fechar a porta.
— Alguma outra cantada antes de eu ir embora?
Ele estalou a língua no céu da boca.
— Algo que te convença a ir comigo beber um drink? – Kieran abriu um sorriso cafajeste para mim, mas não conseguiu nada mais que uma gargalhada estridente e completamente genuína da minha parte. – Me desculpe pela brincadeira de antes. Falei sem pensar, não queria ter te deixado desconcertada daquele jeito.
— Já passou, Keir – eu respondi sincera, dando de ombros. – Boa bebedeira para você hoje. – Continuei enquanto me afastava, descendo os poucos degraus em direção a calçada, mas sua mão segurou meu pulso levemente, interrompendo meu caminho e me obrigando a olhá-lo mais uma vez. – O que foi?
De repente não existia nenhuma leveza em seu rosto quando ele me olhou.
— Vai parecer bobagem, mas você não achou Packard tenso hoje?
— O que quer dizer?
— Não sei, ele estava parecendo um pouco mais distante enquanto trabalhávamos. Como se a cabeça dele não estivesse totalmente no laboratório, entende?
Eu busquei em minha memória confirmações para o que ele me dizia, mas todas as imagens que eu recordava, ou Christian estava concentrado, ou sorrindo para nós.
— Talvez tenha sido impressão sua – falei ainda me questionando se havia deixado algo passar despercebido. – Pode ser apenas que ele esteja cansado. Ou pensando no trabalho que ainda vai fazer hoje à noite. Acha que aconteceu alguma coisa?
Kieran ponderou o que eu havia dito por alguns instantes, seus olhos azuis ficando cada vez mais cinzentos.
— Não – ele disse por fim, soltando meu braço levemente e se colocando novamente ao lado da porta. – Você está certa, devo ter confundido seja o que for com cansaço. Talvez eu esteja cobrando muito de vocês.
Direcionei a ele uma expressão provocativa, tentando aliviar o clima e a preocupação que exalava dele.
— Merecemos férias, chefe?
— Não estou cobrando tanto assim.
Nós dois rimos um para o outro, e suas feições quase pareciam totalmente relaxadas de novo. Respirei fundo descendo o último degrau. Não havia nada de errado. Estava tudo bem.
— Seja um consumidor consciente, por favor – eu falei após me convencer de minhas próprias palavras. – Pegue seu carro só amanhã quando estiver sóbrio.
— Muito atenciosa – ele provocou. – Preocupada comigo?
— Hm, na verdade preciso de alguém para pagar meu salário no fim do mês. Sabe como é.
Abrir mais meu sorriso quando o vi rir sozinho após acionar o alarme cuidadosamente da edificação. Lavely acenou mais uma vez e retribuí o gesto enquanto me dirigia a passos rítmicos, porém vagarosos, até a estação mais próxima de onde eu seguiria para minha casa, minha última parada antes da pequena viagem que eu então faria.
E apesar da súbita inquietação que Kieran tinha me dirigido, havia uma leveza dentro de mim naquele final de tarde que não queria se desfazer, um sorriso mínimo em minha boca que não se desmanchou por minutos incontáveis mesmo depois quando eu já estava sentada no trem, rumando para a minha casa de infância, onde, por diversas razões, eu já não me sentiria assim tão bem acolhida.
A verdade é que minha única preocupação naquele dia era minha ida até a cidade onde nasci e cresci, nada relacionado ao meu presente em Londres. Eu sequer tinha problemas para encher minha cabeça naquele momento. Estava tudo bem na definição da palavra bem. E nada, absolutamente nada, dava indícios que esses eram os momentos que precediam alguma tempestade. Justamente por isso foi tão fácil deixar as palavras de Lavely de lado tão rapidamente.
Mas algo mudou assim que cheguei a Cambridge. As sensações de repente pareceram erradas. E por mais que eu tentasse desfazer desse sentimento ansioso, não consegue. E também não entendi o porquê.
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